<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<?xml-stylesheet href="/xsl/rss.xsl" type="text/xsl"?>
<rss version="2.0" xmlns:podcast="https://podcastindex.org/namespace/1.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:dcterms="http://purl.org/dc/terms/" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">
  <channel>
    <title>Pensando cl&#225;ssicos, com Heloisa Fischer</title>
    <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos</link>
    <description>
      <![CDATA[]]>
    </description>
    <language>pt-br</language>
    <generator>Podomatic RSS Generator</generator>
    <pubDate>Sat, 11 Jan 2025 00:32:54 +0000</pubDate>
    <itunes:keywords>Music,Rio de Janeiro</itunes:keywords>
    <copyright>Copyright 2025 Pensando cl&#225;ssicos</copyright>
    <itunes:subtitle>Reflex&#245;es sobre o setor de m&#250;sica cl&#225;ssica. Coment&#225;rios veiculados na R&#225;dio MEC FM do Rio de Janeiro</itunes:subtitle>
    <itunes:owner>
      <itunes:name>Pensando cl&#225;ssicos</itunes:name>
      <itunes:email>helofischer@vivamusica.com.br</itunes:email>
    </itunes:owner>
    <itunes:type>episodic</itunes:type>
    <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
    <itunes:block>no</itunes:block>
    <itunes:image href="https://assets.podomatic.net/ts/3f/3b/d2/helofischer42983/1400x1400_5022856.jpg"/>
    <image>
      <url>https://assets.podomatic.net/ts/3f/3b/d2/helofischer42983/1400x1400_5022856.jpg</url>
      <title>Pensando cl&#225;ssicos, com Heloisa Fischer</title>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos</link>
    </image>
    <itunes:author>Pensando cl&#225;ssicos</itunes:author>
    <itunes:summary></itunes:summary>
    <itunes:category text="Music"></itunes:category>
    <atom:link href="https://pensandoclassicos.podomatic.com/archive.xml" rel="self" title="Pensando cl&#225;ssicos, com Heloisa Fischer" type="application/rss+xml"/>
    <item>
      <title>Neuroplasticidade, internet &amp;  m&#250;sica cl&#225;ssica reorganizadora de c&#233;rebro e alma</title>
      <description>
        <![CDATA[Um livro muito interessante sobre os efeitos individuais e sociais do bombardeio de estímulos promovido pela internet é “The Shallows”, escrito pelo americano Nicholas Carr em 2010. Quando eu gravei esse comentário, o livro não havia sido publicado ainda no Brasil. O título, “The Shallows”, quer dizer “Os superficiais”. Subtítulo: “O que a Internet está fazendo com nossos cérebros”.  São cerca de 250 páginas bem elaboradas, com muitas entrevistas e informações de pessoas relevantes nos meios científico, médico, acadêmico, nas artes, na teoria da comunicação. 

A tese central: mais do que uma revolução  a partir do conteúdo disponibilizado, a internet está revolucionando a  forma de organizar nosso pensamento. Essa seria a principal característica do mundo on-line, com consequências profundas na maneira de pensarmos e nos relacionarmos.   
O livro bate na tecla que os neurocientistas já conhecem bem: a neuroplasticidade, ou seja, nossos neurônios se reorganizam a partir de estímulos externos.  

Nicholas Carr confronta de uma maneira interessantíssima e assustadora a questão do pensamento linear característico de toda humanidade a partir de Gutemberg – foi o objeto livro que teria organizado  a nossa maneira de pensar – e como a mudança da página física para a tela do computador está consolidando um novo modo do cérebro funcionar. Desde que li esse livro, fiquei encafifada com essa questão da neuroplasticidade, como realmente o cérebro se amolda de acordo com estímulos externos ...e como os clássicos têm capacidade comprovada de reorganizar estados de espírito.

Dia desses, assisti a uma palestra do médico chileno Bernardo Káliks sobre meditação no contexto da Antroposofia. Esse senhor é um amante da música clássica, fiquei sabendo no dia da palestra. Para ilustrar o efeito ”reorganizador” dos exercícios de meditação, ele se valeu do exemplo de ouvir músicas nas  tonalidades maior ou menor, como essas tonalidades despertam emoções distintas no ouvinte. Uma das frases que ouvi na palestra  foi: “Assim como a alma se organiza de formas distintas a partir de vivências musicais distintas, a alma também se modela a partir da meditação”. 

Depois de ouvir de um médico que a alma se organiza de uma forma nova a partir da vivência musical, me deparei com uma frase de um maestro russo que tem feito muito sucesso em Londres, Vladimir Jurowski. Entrevistado pela revista inglesa BBC Music Magazine, lá pelas tantas Jurowski faz uma afirmação  de grande efeito: “A música é capaz de moficar certas constelações de átomos no universo”. A convicção do regente russo e do médico chileno na capacidade reorganizatória da música é também a minha convicção. E creio ainda na força da música clássica nesse momento de dispersão com o bombardeio de estímulos e superficialidade de contato que a internet impõe. 

Quanto mais a gente se expõe a telas repletas de links, banners de publicidade piscantes, toneladas de atualizações de Facebook e Twitter, milhares de resultados em buscas no Google, torpedos e emails que parecem sempre requerer resposta imediata....quando mais esse entorno dispersante e superficializante se apodera da nossa rotina, mais valor ganham os momentos em quea gente  se dedica a ouvir, simplesmente ouvir, música clássica. 

Eis um poderoso antídoto anti-dispersante e anti-superficializante, com bons efeitos no  cérebro e  na alma.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2012-01-06T05_59_01-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2012-01-06T05_59_01-08_00</comments>
      <pubDate>Fri, 06 Jan 2012 13:59:01 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-05</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-05</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2012-01-06T05_59_01-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2012-01-06T05_59_01-08_00.mp3?_=1325858387.5583372" length="5032406" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>314</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Um livro muito interessante sobre os efeitos individuais e sociais do bombardeio de est&#237;mulos promovido pela internet &#233; &#8220;The Shallows&#8221;, escrito pelo americano Nicholas Carr em 2010. Quando eu gravei esse coment&#225;rio, o livro n&#227;o havia sido publicado ainda no Brasil. O t&#237;tulo, &#8220;The Shallows&#8221;, quer dizer &#8220;Os superficiais&#8221;. Subt&#237;tulo: &#8220;O que a Internet est&#225; fazendo com nossos c&#233;rebros&#8221;.  S&#227;o cerca de 250 p&#225;ginas bem elaboradas, com muitas entrevistas e informa&#231;&#245;es de pessoas relevantes nos meios cient&#237;fico, m&#233;dico, acad&#234;mico, nas artes, na teoria da comunica&#231;&#227;o. 

A tese central: mais do que uma revolu&#231;&#227;o  a partir do conte&#250;do disponibilizado, a internet est&#225; revolucionando a  forma de organizar nosso pensamento. Essa seria a principal caracter&#237;stica do mundo on-line, com consequ&#234;ncias profundas na maneira de pensarmos e nos relacionarmos.   
O livro bate na tecla que os neurocientistas j&#225; conhecem bem: a neuroplasticidade, ou seja, nossos neur&#244;nios se reorganizam a partir de est&#237;mulos externos.  

Nicholas Carr confronta de uma maneira interessant&#237;ssima e assustadora a quest&#227;o do pensamento linear caracter&#237;stico de toda humanidade a partir de Gutemberg &#8211; foi o objeto livro que teria organizado  a nossa maneira de pensar &#8211; e como a mudan&#231;a da p&#225;gina f&#237;sica para a tela do computador est&#225; consolidando um novo modo do c&#233;rebro funcionar. Desde que li esse livro, fiquei encafifada com essa quest&#227;o da neuroplasticidade, como realmente o c&#233;rebro se amolda de acordo com est&#237;mulos externos ...e como os cl&#225;ssicos t&#234;m capacidade comprovada de reorganizar estados de esp&#237;rito.

Dia desses, assisti a uma palestra do m&#233;dico chileno Bernardo K&#225;liks sobre medita&#231;&#227;o no contexto da Antroposofia. Esse senhor &#233; um amante da m&#250;sica cl&#225;ssica, fiquei sabendo no dia da palestra. Para ilustrar o efeito &#8221;reorganizador&#8221; dos exerc&#237;cios de medita&#231;&#227;o, ele se valeu do exemplo de ouvir m&#250;sicas nas  tonalidades maior ou menor, como essas tonalidades despertam emo&#231;&#245;es distintas no ouvinte. Uma das frases que ouvi na palestra  foi: &#8220;Assim como a alma se organiza de formas distintas a partir de viv&#234;ncias musicais distintas, a alma tamb&#233;m se modela a partir da medita&#231;&#227;o&#8221;. 

Depois de ouvir de um m&#233;dico que a alma se organiza de uma forma nova a partir da viv&#234;ncia musical, me deparei com uma frase de um maestro russo que tem feito muito sucesso em Londres, Vladimir Jurowski. Entrevistado pela revista inglesa BBC Music Magazine, l&#225; pelas tantas Jurowski faz uma afirma&#231;&#227;o  de grande efeito: &#8220;A m&#250;sica &#233; capaz de moficar certas constela&#231;&#245;es de &#225;tomos no universo&#8221;. A convic&#231;&#227;o do regente russo e do m&#233;dico chileno na capacidade reorganizat&#243;ria da m&#250;sica &#233; tamb&#233;m a minha convic&#231;&#227;o. E creio ainda na for&#231;a da m&#250;sica cl&#225;ssica nesse momento de dispers&#227;o com o bombardeio de est&#237;mulos e superficialidade de contato que a internet imp&#245;e. 

Quanto mais a gente se exp&#245;e a telas repletas de links, banners de publicidade piscantes, toneladas de atualiza&#231;&#245;es de Facebook e Twitter, milhares de resultados em buscas no Google, torpedos e emails que parecem sempre requerer resposta imediata....quando mais esse entorno dispersante e superficializante se apodera da nossa rotina, mais valor ganham os momentos em quea gente  se dedica a ouvir, simplesmente ouvir, m&#250;sica cl&#225;ssica. 

Eis um poderoso ant&#237;doto anti-dispersante e anti-superficializante, com bons efeitos no  c&#233;rebro e  na alma.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Um livro muito interessante sobre os efeitos individuais e sociais do bombardeio de est&#237;mulos pro...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>O curto vestido vermelho da pianista Yuja Wang</title>
      <description>
        <![CDATA[Uma questão nada musical causou muito comentário nos meios musicais americanos e internacionais – o vestido curtíssimo e colado no corpo que uma jovem pianista usou em concerto sinfônico. O fato ocorreu no último mês de agosto e deu muito o que falar.
A pianista chinesa Yuja Wang /UJ Wong/, de 24 anos, estava escalada para tocar com a Filarmônica de Los Angeles o terceiro concerto para piano de Rachmaninov no Hollywood Bowl. Trata-se de um espaço ao ar livre, uma concha acústica, voltado para receber grandes públicos. O local é administrado pela Filarmônica de Los Angeles, oferece muitos concertos e também shows de outros gêneros musicais como jazz e world music. Sem dúvida, um espaço menos rígido e mais descontraído do que uma sala de concertos fechada. 
Pois quando começou o concerto, a orquestra já no palco, a pianista entrou. Ela usava um tubinho vermelho sem mangas, do tipo colado no corpo e curtíssimo. Complementando essa visual vamp, sandálias prateadas de salto muito alto. Músicos e plateia ficaram até constrangidos porque aquela não seria exatamente a indumentária esperada para uma solista de música clássica. Um vestido longo, talvez sem mangas, talvez calça comprida, saia...ninguém esperava uma roupa típica de quem quer cair na noite. Passado o momento inicial de espanto e logo que a moça sentou-se ao piano, conseguiu ajeitar-se e começou a tocar, a questão do microvestido colado ficou menor e o talento musical de Yuja sobressaiu. 
Ela já tinha dado mostraa de seu gosto ousado para roupas de palco em um ensaio recente com a Orquestra da Filadélfia, que levou um espectador a espalhar por um comentário nada gentil: “Não é que a garota de programa sabe mesmo tocar”? Se o talento da pianista é tão grande e já reconhecido, ela tem contrato com a gravadora Deutsche Grammophon, por que será essa escolha por roupas que chamam tanta atenção? Em uma das resenhas publicadas após o tal concerto do Hollywood Bowl, um crítico dizia: “Se continuar assim, o Hollywood Bowl vai ter que restringir alguns concertos para maiores de 18 anos”.
Fui olhar o site pessoal da pianista chinesa para ver como ela trabalha sua imagem  quando está em seu próprio ambiente. No dia em que gravei esse comentário, o site de Yuja não tinha fotos com vestidos ousados, dava para perceber o quanto a moça gosta de moda e de roupas diferentes, mas o que constava lá era de bom gosto. Eu vi a foto do concerto com vestidinho vermelho em sites americanos e a roupa até era bonita, mas realmente meio imprópria para a ocasião. A moça deve estar de bem com seu corpão e deve gostar de aproveitar esse momento da vida – quando se tem 20 anos, um corpo bonito, gosto por moda, dinheiro para comprar roupa, e muitos palcos internacionais para pisar...esse glamour todo deve dar mesmo uma subida à cabeça... e ao guarda-roupa. 
Mas fato é que ela conseguiu com o microvestido vermelho um espaço até então inédito na sua carreira. Se foi uma jogada de marketing ou pura falta de senso, eu não sei. Só sei que o fato criou assunto para falar dela aqui na MECF e, consequentemente, causar alguma curiosidade de conhecer Yuja Wang, nem que apenas ir atrás da foto vamp.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T06_35_54-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_35_54-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 14:35:54 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_35_54-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T06_35_54-08_00.mp3?_=1320762974.5290554" length="4146125" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>259</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Uma quest&#227;o nada musical causou muito coment&#225;rio nos meios musicais americanos e internacionais &#8211; o vestido curt&#237;ssimo e colado no corpo que uma jovem pianista usou em concerto sinf&#244;nico. O fato ocorreu no &#250;ltimo m&#234;s de agosto e deu muito o que falar.
A pianista chinesa Yuja Wang /UJ Wong/, de 24 anos, estava escalada para tocar com a Filarm&#244;nica de Los Angeles o terceiro concerto para piano de Rachmaninov no Hollywood Bowl. Trata-se de um espa&#231;o ao ar livre, uma concha ac&#250;stica, voltado para receber grandes p&#250;blicos. O local &#233; administrado pela Filarm&#244;nica de Los Angeles, oferece muitos concertos e tamb&#233;m shows de outros g&#234;neros musicais como jazz e world music. Sem d&#250;vida, um espa&#231;o menos r&#237;gido e mais descontra&#237;do do que uma sala de concertos fechada. 
Pois quando come&#231;ou o concerto, a orquestra j&#225; no palco, a pianista entrou. Ela usava um tubinho vermelho sem mangas, do tipo colado no corpo e curt&#237;ssimo. Complementando essa visual vamp, sand&#225;lias prateadas de salto muito alto. M&#250;sicos e plateia ficaram at&#233; constrangidos porque aquela n&#227;o seria exatamente a indument&#225;ria esperada para uma solista de m&#250;sica cl&#225;ssica. Um vestido longo, talvez sem mangas, talvez cal&#231;a comprida, saia...ningu&#233;m esperava uma roupa t&#237;pica de quem quer cair na noite. Passado o momento inicial de espanto e logo que a mo&#231;a sentou-se ao piano, conseguiu ajeitar-se e come&#231;ou a tocar, a quest&#227;o do microvestido colado ficou menor e o talento musical de Yuja sobressaiu. 
Ela j&#225; tinha dado mostraa de seu gosto ousado para roupas de palco em um ensaio recente com a Orquestra da Filad&#233;lfia, que levou um espectador a espalhar por um coment&#225;rio nada gentil: &#8220;N&#227;o &#233; que a garota de programa sabe mesmo tocar&#8221;? Se o talento da pianista &#233; t&#227;o grande e j&#225; reconhecido, ela tem contrato com a gravadora Deutsche Grammophon, por que ser&#225; essa escolha por roupas que chamam tanta aten&#231;&#227;o? Em uma das resenhas publicadas ap&#243;s o tal concerto do Hollywood Bowl, um cr&#237;tico dizia: &#8220;Se continuar assim, o Hollywood Bowl vai ter que restringir alguns concertos para maiores de 18 anos&#8221;.
Fui olhar o site pessoal da pianista chinesa para ver como ela trabalha sua imagem  quando est&#225; em seu pr&#243;prio ambiente. No dia em que gravei esse coment&#225;rio, o site de Yuja n&#227;o tinha fotos com vestidos ousados, dava para perceber o quanto a mo&#231;a gosta de moda e de roupas diferentes, mas o que constava l&#225; era de bom gosto. Eu vi a foto do concerto com vestidinho vermelho em sites americanos e a roupa at&#233; era bonita, mas realmente meio impr&#243;pria para a ocasi&#227;o. A mo&#231;a deve estar de bem com seu corp&#227;o e deve gostar de aproveitar esse momento da vida &#8211; quando se tem 20 anos, um corpo bonito, gosto por moda, dinheiro para comprar roupa, e muitos palcos internacionais para pisar...esse glamour todo deve dar mesmo uma subida &#224; cabe&#231;a... e ao guarda-roupa. 
Mas fato &#233; que ela conseguiu com o microvestido vermelho um espa&#231;o at&#233; ent&#227;o in&#233;dito na sua carreira. Se foi uma jogada de marketing ou pura falta de senso, eu n&#227;o sei. S&#243; sei que o fato criou assunto para falar dela aqui na MECF e, consequentemente, causar alguma curiosidade de conhecer Yuja Wang, nem que apenas ir atr&#225;s da foto vamp.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Uma quest&#227;o nada musical causou muito coment&#225;rio nos meios musicais americanos e internacionais &#8211;...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Sistema Venezuelano de ensino de m&#250;sica transforma vidas no c&#225;rcere</title>
      <description>
        <![CDATA[Faz muitos anos que a Venezuela é modelo no que diz respeito a educação musical. O projeto conhecido como El Sistema exist edesde os anos 1970 e agora, neste começo de século 21, estabeleceu-se como um modelo mundial de uso da música como ferramenta de integração social. O maestro Gustavo Dudamel é o principal porta-voz do Sistema – tivemos aqui no Rio a chance de conhecer seu trabalho à frente da Orquestra Jovem Simón Bolivar, eles fizeram dois concertos no mês de junho. O mentor e grande líder do Sistema é o maestro José Antonio Abreu, reverenciado no mundo inteiro por ter mudado a vida de centenas de milhares de crianças e adolescentes com o seu método de ensino de instrumentos de orquestra e também canto coral. 
Dudamel e a Orquestra Simón Bolivar são a face mais visível do Sistema, que compreende uma enormidade de pequenos núcleos de ensino e prática musical espalhados pela Venezuela. Acredito que uma das chaves para o sucesso dessa iniciativa seja justamente a capilaridade. Há milhares de jovens fazendo parte de grupos orquestrais regionais, há os grupos corais – inclusive eles atendem também crianças com deficiência auditiva, há apresentações de corais em que parte das crianças canta, outra participa com a linguagem dos sinais. Os barrios venezuelanos, equivalentes às nossas favelas, foram a fonte inicial de inspiração do Sistema e seguem sendo o principal lugar de onde vêm as crianças e jovens – mas o Sistema também recebe alunos da classe média, como o caso da família Dudamel.
Com tamanha responsabilidade social, sendo um projeto transformador de milhares e milhares de vidas ao longe de 30 anos, não espanta saber que o Sistema também tem atuação importante em penitenciarias na Venezuela. A atuação em presídios começou no ano de 2007, quando foi formada a Rede de Orquestras Sinfônicas Penitenciárias.O objetivo era reduzir os níveis de violência dentro do cárcere e facilitar o processo de reinserção social dos detentos pela aprendizagem e prática da música. O coordenador desse programa é um advogado recém-formado que toca trompa na orquestra do Sistema.
Foram escolhidas algumas penitenciárias e nelas foi feita uma convocatória entre os internos. A única condição necessária era não ter antecedentes de agressão a funcionários dentro do presídio. A partir de uma entrevista para conhecer o temperamento dos interessados foi decidido que instrumentos lhes seriam designados. A maioria nunca tinha visto um instrumento musical. Passados três meses, já tocavam o hino nacional e algumas peças de relativa complexidade. Hoje o programa está em sete penitenciárias. Apenas uma delas tem 300 detentos envolvidos com o programa, seja na orquestra seja no coro. A previsão do Sistema é chegar a ter 10% da população carcerária das unidades envolvida com  aulas de música, para depois o projeto ser expandido para outros presídios.
Os detentos chegam a ter oito horas diárias de aulas e prática de conjunto, cinco dias por semana. São organizadas muitas apresentações para a população penasl e também para seus familiares. Há também concertos públicos em teatros importantes como o Teresa Carrenho de Caracas. O repertório tem compositores venezuelanos, latino-americanos e europeus. As apresentações das orquestras penitenciárias são sempre vigiadas por guardas – no caso de concertos em teatros, a polícia se espalha pela sala. O diretor do sistema prisional Venezuelano declarou que alguns dos mais perigosos internos se tiveram sua conduta transformada após começarem a tocar em conjunto, há quem esteja com a ficha limpa há mais de dois anos”.Mais um grande exemplo do Sistema Venezuelano a servir de inspiração a muitos países, Brasil inclusive.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T06_30_35-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_30_35-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 14:30:35 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_30_35-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T06_30_35-08_00.mp3?_=1320762660.5290526" length="4778142" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>298</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Faz muitos anos que a Venezuela &#233; modelo no que diz respeito a educa&#231;&#227;o musical. O projeto conhecido como El Sistema exist edesde os anos 1970 e agora, neste come&#231;o de s&#233;culo 21, estabeleceu-se como um modelo mundial de uso da m&#250;sica como ferramenta de integra&#231;&#227;o social. O maestro Gustavo Dudamel &#233; o principal porta-voz do Sistema &#8211; tivemos aqui no Rio a chance de conhecer seu trabalho &#224; frente da Orquestra Jovem Sim&#243;n Bolivar, eles fizeram dois concertos no m&#234;s de junho. O mentor e grande l&#237;der do Sistema &#233; o maestro Jos&#233; Antonio Abreu, reverenciado no mundo inteiro por ter mudado a vida de centenas de milhares de crian&#231;as e adolescentes com o seu m&#233;todo de ensino de instrumentos de orquestra e tamb&#233;m canto coral. 
Dudamel e a Orquestra Sim&#243;n Bolivar s&#227;o a face mais vis&#237;vel do Sistema, que compreende uma enormidade de pequenos n&#250;cleos de ensino e pr&#225;tica musical espalhados pela Venezuela. Acredito que uma das chaves para o sucesso dessa iniciativa seja justamente a capilaridade. H&#225; milhares de jovens fazendo parte de grupos orquestrais regionais, h&#225; os grupos corais &#8211; inclusive eles atendem tamb&#233;m crian&#231;as com defici&#234;ncia auditiva, h&#225; apresenta&#231;&#245;es de corais em que parte das crian&#231;as canta, outra participa com a linguagem dos sinais. Os barrios venezuelanos, equivalentes &#224;s nossas favelas, foram a fonte inicial de inspira&#231;&#227;o do Sistema e seguem sendo o principal lugar de onde v&#234;m as crian&#231;as e jovens &#8211; mas o Sistema tamb&#233;m recebe alunos da classe m&#233;dia, como o caso da fam&#237;lia Dudamel.
Com tamanha responsabilidade social, sendo um projeto transformador de milhares e milhares de vidas ao longe de 30 anos, n&#227;o espanta saber que o Sistema tamb&#233;m tem atua&#231;&#227;o importante em penitenciarias na Venezuela. A atua&#231;&#227;o em pres&#237;dios come&#231;ou no ano de 2007, quando foi formada a Rede de Orquestras Sinf&#244;nicas Penitenci&#225;rias.O objetivo era reduzir os n&#237;veis de viol&#234;ncia dentro do c&#225;rcere e facilitar o processo de reinser&#231;&#227;o social dos detentos pela aprendizagem e pr&#225;tica da m&#250;sica. O coordenador desse programa &#233; um advogado rec&#233;m-formado que toca trompa na orquestra do Sistema.
Foram escolhidas algumas penitenci&#225;rias e nelas foi feita uma convocat&#243;ria entre os internos. A &#250;nica condi&#231;&#227;o necess&#225;ria era n&#227;o ter antecedentes de agress&#227;o a funcion&#225;rios dentro do pres&#237;dio. A partir de uma entrevista para conhecer o temperamento dos interessados foi decidido que instrumentos lhes seriam designados. A maioria nunca tinha visto um instrumento musical. Passados tr&#234;s meses, j&#225; tocavam o hino nacional e algumas pe&#231;as de relativa complexidade. Hoje o programa est&#225; em sete penitenci&#225;rias. Apenas uma delas tem 300 detentos envolvidos com o programa, seja na orquestra seja no coro. A previs&#227;o do Sistema &#233; chegar a ter 10% da popula&#231;&#227;o carcer&#225;ria das unidades envolvida com  aulas de m&#250;sica, para depois o projeto ser expandido para outros pres&#237;dios.
Os detentos chegam a ter oito horas di&#225;rias de aulas e pr&#225;tica de conjunto, cinco dias por semana. S&#227;o organizadas muitas apresenta&#231;&#245;es para a popula&#231;&#227;o penasl e tamb&#233;m para seus familiares. H&#225; tamb&#233;m concertos p&#250;blicos em teatros importantes como o Teresa Carrenho de Caracas. O repert&#243;rio tem compositores venezuelanos, latino-americanos e europeus. As apresenta&#231;&#245;es das orquestras penitenci&#225;rias s&#227;o sempre vigiadas por guardas &#8211; no caso de concertos em teatros, a pol&#237;cia se espalha pela sala. O diretor do sistema prisional Venezuelano declarou que alguns dos mais perigosos internos se tiveram sua conduta transformada ap&#243;s come&#231;arem a tocar em conjunto, h&#225; quem esteja com a ficha limpa h&#225; mais de dois anos&#8221;.Mais um grande exemplo do Sistema Venezuelano a servir de inspira&#231;&#227;o a muitos pa&#237;ses, Brasil inclusive.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Faz muitos anos que a Venezuela &#233; modelo no que diz respeito a educa&#231;&#227;o musical. O projeto conhec...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>O tom questionador e instigante da Orquestra Filarm&#244;nica de Munique</title>
      <description>
        <![CDATA[A Orquestra Filarmônica de Munique, na Alemanha, é um dos inúmeros grupos sinfônicos internacionais que buscam diversificar as maneiras de apresentar seus concertos e a música clássica em geral para a sociedade. Lorin Maazel é o regente-titular e principal presença artística a guiar os caminhos daquela orquestra. O livreto de apresentação da temporada de concertos 2011-2012 dá bem ideia do que os alemães andam fazendo em busca de ampliar o público que atende. O material impressiona tanto pela qualidade de apresentação como pelo enfoque que a orquestra está dando às suas séries de concertos. O folheto traz apenas ofertas musicais para jovens e crianças, tem linguagem verbal e visual toda calcada nessa faixa de público.
Logo no texto de apresentação da temporada, uma fotografia enorme de Lorin Maazel sorridente e um texto bem informal que incita o leitor a participar da temporada do grupo. Logo na primeira linha ele já diz: “Procuram-se exploradores!”. Essa é a dica para as maneiras que a orquestra quer se abrir ao público. O texto do Maazel tem doze perguntas. Por exemplo: “Por que algumas músicas nos fazem chorar?”, “Como pode um compositor compor música na cabeça?” , “De que maneira um maestro consegue reger de cor uma sinfonia inteira?”. Essa abordagem instigante e questionadora, própria de quem quer explorar coisas novas, descobrir novos mundos, é a tônica da linguagem de apresentação da temporada 2011-2012 da Filarmônica de Munique.
Entre os programas oferecidos, estão uma série chamada “Concertos do jardim da infância”: são três espetáculos espalhados ao longo da temporada voltados para crianças entre 3 e 6 anos. Os concertos são às nove e meia da mamhã. Há tembém um concerto chamado “Beethoven para crianças”, acontece apenas uma vez na temporada . Destina-se a crianças entre 5 e 10 anos de idade.Músicos da Filarmônica de Munique juntam-se a  membros de sinfônicas jovens da cidade para apresentar trechos das sinfonias de Beethoven e outras obras do compositor.Há ainda concertos para escolares a partir de dez anos de idade;concertos universitários e uma série de quatro concertos jovens com um apresentador fazendo-se de mestres de cerimônias. O evento difrenete que mais gostei foi um que se chama “Ristorante Allegro”, isso mesmo, é “Ristorante” de restaurante, em italiano. É anunciado como um musical filarmônico para toda a família, dos 5 aos 105 anos. O cartaz do espetáculo é o desenho de um chef francês com cara engraçada. Atores juntam-se à Filarmônica de Munique para interpretar dois garçons e um chefe de cozinha: os três vivem aventuras engraçadas para fazer e servir receitas. O tema gastronomia serve para estabelecer comparações entre cozinhar e criar uma música – o programa diz o seguinte: “assim como na cozinha, na música o segredo está em bons ingredientes e na mistura certa”. Deve ser divertido esse espetáculo “Ristorante Allegro” que acontece em duas datas na temporada 2011-2012 em Munique.
Além desses concertos especiais, a Filarmônica destaca alguns de seus concertos regulares na programação dos jovens, abre seus ensaios para visitação e também faz algo bem interessante: organiza alguns encontros para tratar especificamente da profissão músico de orquestra, oferecendo uma espécie de aconselhamento profissional, tirando dúvidas e conversanco com quem pensa em seguir carreira como instrumentista. 
As iniciativas e os materias de apresentação da Filarmônica de Munique mostram um entre muitos caminhos que orquestras podem e devem trilhar para chegar ao público infantil e juvenil. 
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T06_26_39-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_26_39-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 14:26:39 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_26_39-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T06_26_39-08_00.mp3?_=1320762463.5290510" length="4929025" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>308</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>A Orquestra Filarm&#244;nica de Munique, na Alemanha, &#233; um dos in&#250;meros grupos sinf&#244;nicos internacionais que buscam diversificar as maneiras de apresentar seus concertos e a m&#250;sica cl&#225;ssica em geral para a sociedade. Lorin Maazel &#233; o regente-titular e principal presen&#231;a art&#237;stica a guiar os caminhos daquela orquestra. O livreto de apresenta&#231;&#227;o da temporada de concertos 2011-2012 d&#225; bem ideia do que os alem&#227;es andam fazendo em busca de ampliar o p&#250;blico que atende. O material impressiona tanto pela qualidade de apresenta&#231;&#227;o como pelo enfoque que a orquestra est&#225; dando &#224;s suas s&#233;ries de concertos. O folheto traz apenas ofertas musicais para jovens e crian&#231;as, tem linguagem verbal e visual toda calcada nessa faixa de p&#250;blico.
Logo no texto de apresenta&#231;&#227;o da temporada, uma fotografia enorme de Lorin Maazel sorridente e um texto bem informal que incita o leitor a participar da temporada do grupo. Logo na primeira linha ele j&#225; diz: &#8220;Procuram-se exploradores!&#8221;. Essa &#233; a dica para as maneiras que a orquestra quer se abrir ao p&#250;blico. O texto do Maazel tem doze perguntas. Por exemplo: &#8220;Por que algumas m&#250;sicas nos fazem chorar?&#8221;, &#8220;Como pode um compositor compor m&#250;sica na cabe&#231;a?&#8221; , &#8220;De que maneira um maestro consegue reger de cor uma sinfonia inteira?&#8221;. Essa abordagem instigante e questionadora, pr&#243;pria de quem quer explorar coisas novas, descobrir novos mundos, &#233; a t&#244;nica da linguagem de apresenta&#231;&#227;o da temporada 2011-2012 da Filarm&#244;nica de Munique.
Entre os programas oferecidos, est&#227;o uma s&#233;rie chamada &#8220;Concertos do jardim da inf&#226;ncia&#8221;: s&#227;o tr&#234;s espet&#225;culos espalhados ao longo da temporada voltados para crian&#231;as entre 3 e 6 anos. Os concertos s&#227;o &#224;s nove e meia da mamh&#227;. H&#225; temb&#233;m um concerto chamado &#8220;Beethoven para crian&#231;as&#8221;, acontece apenas uma vez na temporada . Destina-se a crian&#231;as entre 5 e 10 anos de idade.M&#250;sicos da Filarm&#244;nica de Munique juntam-se a  membros de sinf&#244;nicas jovens da cidade para apresentar trechos das sinfonias de Beethoven e outras obras do compositor.H&#225; ainda concertos para escolares a partir de dez anos de idade;concertos universit&#225;rios e uma s&#233;rie de quatro concertos jovens com um apresentador fazendo-se de mestres de cerim&#244;nias. O evento difrenete que mais gostei foi um que se chama &#8220;Ristorante Allegro&#8221;, isso mesmo, &#233; &#8220;Ristorante&#8221; de restaurante, em italiano. &#201; anunciado como um musical filarm&#244;nico para toda a fam&#237;lia, dos 5 aos 105 anos. O cartaz do espet&#225;culo &#233; o desenho de um chef franc&#234;s com cara engra&#231;ada. Atores juntam-se &#224; Filarm&#244;nica de Munique para interpretar dois gar&#231;ons e um chefe de cozinha: os tr&#234;s vivem aventuras engra&#231;adas para fazer e servir receitas. O tema gastronomia serve para estabelecer compara&#231;&#245;es entre cozinhar e criar uma m&#250;sica &#8211; o programa diz o seguinte: &#8220;assim como na cozinha, na m&#250;sica o segredo est&#225; em bons ingredientes e na mistura certa&#8221;. Deve ser divertido esse espet&#225;culo &#8220;Ristorante Allegro&#8221; que acontece em duas datas na temporada 2011-2012 em Munique.
Al&#233;m desses concertos especiais, a Filarm&#244;nica destaca alguns de seus concertos regulares na programa&#231;&#227;o dos jovens, abre seus ensaios para visita&#231;&#227;o e tamb&#233;m faz algo bem interessante: organiza alguns encontros para tratar especificamente da profiss&#227;o m&#250;sico de orquestra, oferecendo uma esp&#233;cie de aconselhamento profissional, tirando d&#250;vidas e conversanco com quem pensa em seguir carreira como instrumentista. 
As iniciativas e os materias de apresenta&#231;&#227;o da Filarm&#244;nica de Munique mostram um entre muitos caminhos que orquestras podem e devem trilhar para chegar ao p&#250;blico infantil e juvenil. 
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A Orquestra Filarm&#244;nica de Munique, na Alemanha, &#233; um dos in&#250;meros grupos sinf&#244;nicos internaciona...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Aplausos entre movimentos de obras cl&#225;ssicas:  viva Alex Ross!</title>
      <description>
        <![CDATA[Atípica pode ser uma boa palavra para definir a temporada 2011 da Orquestra Sinfônica Brasileira com tudo que aconteceu após a decisão de avaliar os músicos do grupo no início do ano e os muitos desdobramentos que ocorreram desde então. Quando, em agosto, a OSB iniciou seus concertos no Theatro Municipal ocorreu algo bastante atípico: o público aplaudiu após a execução do primeiro movimento do concerto para violino de Tchaikovsky, a solista era Lara St. John. E não foram uns poucos aplausos de espectadores que não têm familiaridade com o silêncio entre movimentos....Foi a casa inteira aplaudindo. A execução do concerto de Tchaikosvky foi depois do intervalo, quando já haviam sido tocadas sinfonias de Haydn e Prokofiev e ninguém havia aplaudido entre movimentos. Ou seja, era um público composto em grande número por assinantes, gente que tem costume de ir a concertos e sabe que pausas existem e costumam ser silenciosas. O aplauso foi a expressão de uma incrível emoção que aquele primeiro movimento do concerto de Tchaikovsky evocou ali na hora. Se você conhece a música, sabe que é difícil mesmo não se deixar levar pela emoção expressada naqueles cerca de 20 minutos. Se não conhece e tem acesso à internet, recomendo que você procure ouvir, seja no YouTube ou naquele ótimo serviço gratuito chamado MusicMe. Escolha uma gravação com solista e orquestra bacanas e você vai ver que é complicado resistir à Tchaikovsky. E tem aquela história: música, clássica especialmente, consegue nos levar a um lugar dentro de nós mesmos que outras artes às vezes não chegam. Me perdoem literatura, artes visuais, teatro, mas ler um livro, ver uma escultura ou assistir a uma peça não costuma nos dar acesso tão rápido a esse reservatório emocional interno. Por algum motivo, o público que estava assistindo a OSB e sabe se conter quando a proposta é manter o silêncio não aguentou ali e explodiu em aplausos. Nos movimentos seguintes do mesmo concerto de Tchaikovsky, o silêncio voltou a reinar nas pausas.  Eu gostei de ver aquilo acontecer com o público carioca. Me remeteu a um texto escrito pelo crítico americano Alex Ross, uma figura importante da cena internacional, ele é crítico da revista New York e autor de livros, lançados no Brasil inclusive. Em 2010, Alex Ross deu uma palestra na Royal Philharmonic Society, de Londres, justamente sobre a questão do aplauso entre movimentos, se é certo ou errado. Essa palestra dele está disponível na internet, em inglês e émuito interessante mesmo. Ele levanta uma quantidade grande de dados históricos para mostrar que as plaetias de séculos anteriores não só aplaudiam entre os movimentos das músicas, como muitas vezes os compositores escreviam algumas passagens de propósito, sabiam que iam agradar, criando climas que levariam mesmo ao público aplaudir. E se o aplauso não vinha era sinal de problema, o público não tinha gostado. Nessa palestra do Ross, ele pinça um trecho de correspondência de Mozart ao pai, falando da recepção na estreia de sua Sinfonia N. 31 – Paris. Ele menciona uma passagem  em determinado movimento: “No meio do alegro tem um apassagem que eu sabia que iria agradar, o público inteiro veio abaixo, muitos aplausos...eu sabia, quando escrevi aquela passagem, o efeito bom que teria. Repeti a passagem no final do movimento e o público gritava: “da cappo!”, queria ouvir de novo”. Alex Ross prossegue no tal texto dizendo que o que acontecia entre o público clássico de outrora é o que continua acontecendo ao público de jazz de hoje. As pessoas aplaudem os solos dos músicos e também aplaudem no fim. E segue ao longo de toda palestra citando exemplos parecidos. Ou seja, os aplausos fora de hora historicamente não são fora de hora. É importante levar isso em consideração.

]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T06_22_44-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_22_44-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 14:22:44 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_22_44-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T06_22_44-08_00.mp3?_=1320762189.5290491" length="5044382" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>315</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>At&#237;pica pode ser uma boa palavra para definir a temporada 2011 da Orquestra Sinf&#244;nica Brasileira com tudo que aconteceu ap&#243;s a decis&#227;o de avaliar os m&#250;sicos do grupo no in&#237;cio do ano e os muitos desdobramentos que ocorreram desde ent&#227;o. Quando, em agosto, a OSB iniciou seus concertos no Theatro Municipal ocorreu algo bastante at&#237;pico: o p&#250;blico aplaudiu ap&#243;s a execu&#231;&#227;o do primeiro movimento do concerto para violino de Tchaikovsky, a solista era Lara St. John. E n&#227;o foram uns poucos aplausos de espectadores que n&#227;o t&#234;m familiaridade com o sil&#234;ncio entre movimentos....Foi a casa inteira aplaudindo. A execu&#231;&#227;o do concerto de Tchaikosvky foi depois do intervalo, quando j&#225; haviam sido tocadas sinfonias de Haydn e Prokofiev e ningu&#233;m havia aplaudido entre movimentos. Ou seja, era um p&#250;blico composto em grande n&#250;mero por assinantes, gente que tem costume de ir a concertos e sabe que pausas existem e costumam ser silenciosas. O aplauso foi a express&#227;o de uma incr&#237;vel emo&#231;&#227;o que aquele primeiro movimento do concerto de Tchaikovsky evocou ali na hora. Se voc&#234; conhece a m&#250;sica, sabe que &#233; dif&#237;cil mesmo n&#227;o se deixar levar pela emo&#231;&#227;o expressada naqueles cerca de 20 minutos. Se n&#227;o conhece e tem acesso &#224; internet, recomendo que voc&#234; procure ouvir, seja no YouTube ou naquele &#243;timo servi&#231;o gratuito chamado MusicMe. Escolha uma grava&#231;&#227;o com solista e orquestra bacanas e voc&#234; vai ver que &#233; complicado resistir &#224; Tchaikovsky. E tem aquela hist&#243;ria: m&#250;sica, cl&#225;ssica especialmente, consegue nos levar a um lugar dentro de n&#243;s mesmos que outras artes &#224;s vezes n&#227;o chegam. Me perdoem literatura, artes visuais, teatro, mas ler um livro, ver uma escultura ou assistir a uma pe&#231;a n&#227;o costuma nos dar acesso t&#227;o r&#225;pido a esse reservat&#243;rio emocional interno. Por algum motivo, o p&#250;blico que estava assistindo a OSB e sabe se conter quando a proposta &#233; manter o sil&#234;ncio n&#227;o aguentou ali e explodiu em aplausos. Nos movimentos seguintes do mesmo concerto de Tchaikovsky, o sil&#234;ncio voltou a reinar nas pausas.  Eu gostei de ver aquilo acontecer com o p&#250;blico carioca. Me remeteu a um texto escrito pelo cr&#237;tico americano Alex Ross, uma figura importante da cena internacional, ele &#233; cr&#237;tico da revista New York e autor de livros, lan&#231;ados no Brasil inclusive. Em 2010, Alex Ross deu uma palestra na Royal Philharmonic Society, de Londres, justamente sobre a quest&#227;o do aplauso entre movimentos, se &#233; certo ou errado. Essa palestra dele est&#225; dispon&#237;vel na internet, em ingl&#234;s e &#233;muito interessante mesmo. Ele levanta uma quantidade grande de dados hist&#243;ricos para mostrar que as plaetias de s&#233;culos anteriores n&#227;o s&#243; aplaudiam entre os movimentos das m&#250;sicas, como muitas vezes os compositores escreviam algumas passagens de prop&#243;sito, sabiam que iam agradar, criando climas que levariam mesmo ao p&#250;blico aplaudir. E se o aplauso n&#227;o vinha era sinal de problema, o p&#250;blico n&#227;o tinha gostado. Nessa palestra do Ross, ele pin&#231;a um trecho de correspond&#234;ncia de Mozart ao pai, falando da recep&#231;&#227;o na estreia de sua Sinfonia N. 31 &#8211; Paris. Ele menciona uma passagem  em determinado movimento: &#8220;No meio do alegro tem um apassagem que eu sabia que iria agradar, o p&#250;blico inteiro veio abaixo, muitos aplausos...eu sabia, quando escrevi aquela passagem, o efeito bom que teria. Repeti a passagem no final do movimento e o p&#250;blico gritava: &#8220;da cappo!&#8221;, queria ouvir de novo&#8221;. Alex Ross prossegue no tal texto dizendo que o que acontecia entre o p&#250;blico cl&#225;ssico de outrora &#233; o que continua acontecendo ao p&#250;blico de jazz de hoje. As pessoas aplaudem os solos dos m&#250;sicos e tamb&#233;m aplaudem no fim. E segue ao longo de toda palestra citando exemplos parecidos. Ou seja, os aplausos fora de hora historicamente n&#227;o s&#227;o fora de hora. &#201; importante levar isso em considera&#231;&#227;o.

</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>At&#237;pica pode ser uma boa palavra para definir a temporada 2011 da Orquestra Sinf&#244;nica Brasileira ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Marin Alsop, o manifesto ingl&#234;s pela orquestra no s&#233;culo 21 e a Osesp</title>
      <description>
        <![CDATA[No ano de 2007 um grupo de orquestras britânicas que existem a partir de verbas públicas se reuniu em torno de um manifesto muito interessante chamado “Construindo excelência: orquestras para o século 21”. Oito grupos assinavam esse manifesto: as sinfônicas de Bournemouth, Birmingham e Londres; a Royal Philharmonic e a Royal Liverpool Philharmonic; a Philharmonia, a Hallé e a Sinfônica de Londres. Os signatários eram seus diretores musicais. Naquele período, a americana Marin Alsop estava dirigindo a Sinfônica de Bournemouth e foi, claro, foi uma das líderes do movimento. Marin assume a regência titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp, na temporada 2012. Além de ser uma artista brilhante, ela é uma mulher muito ativa nas ideias e nas realizações. Não me espanta ter havido dedo dela nesse tal manifesto de orquestras britânicas. Mais ou menos na mesma época em que a cena inglesa se mobilizava em torno desse projeto ambicioso que prevê, entre outras coisas, fazer todos os alunos matriculados em escolas na Inglaterra terem a chance de assistir, de graça, pelo menosa  um concerto de orquestra sinfônica durante o período escolar, mais ou menos na mesma época desse projeto, aqui no Brasil havia uma mobilização no sentido de criar uma Liga das Orquestras Brasileiras. Se não me engano foi no final de 2006, em novembro ou dezembro. Era mais uma das ideias do maestro John Neschling na gestão da Osesp: seguir o modelo da Liga das Orquestras Americanas e estabelecer no Brasil uma entidade que congregasse os grupos sinfônicos profissionais em torno de objetivos e interesses comuns. Eu participei do seminário, mediei uma das mesas e assisti a todas as discussões. Parecia bem possível que nascesse ali uma nova entidade a reunir as orquestras brasileiras, promover o seu desenvolvimento, lidar com entraves comuns e fazer lobby junto a governos e sociedade pela importância da vida sinfônica de um país. Lamentavelmente, a ideia da Liga Brasileira não seguiu adiante e o grupo mobilizado ali naquele encontro não chegou a caminhar.
Não sei como anda esse projeto de mobilização na Inglaterra. Sei que no lançamento da ideia, a proposta era bem ambiciosa ainda que parecesse bastante possível de ser implementada. As metas preveiam um período inicial de atividade e concentração de esforços ao longo de dez anos.  Havia outros objetivos além de tocar para todas as crianças que frequentam a escola na Inglaterra. Vou ler para você o que consta do manifesto: Dobrar o numero de músicos e cantores amadores na Inglaterra; Dedicar-se aos setores menos favorecidos da sociedade; Antecipar mudanças culturais e sociais para que as orquestras reflitam a vida de suas comunidades; Buscar um novo currículo na formação do músico profissional que reflita os desafios do século 21; Colocar a música clássica ao alcance to todo adulto na Gra-Bretanha, trabalhando para isso formatos diferenciados de concerto; Aproximar-se das inovações tecnológicas;  Visitar os cinco continentes e fazer da Gra-Bretanha  o principal destino quando se trata de orquestras.
Impressiona a ambição e o ímpeto desse grupo de oito orquestras inglesas que redigiram o tal projeto, disponível para consulta na internet. Não vai me impressionar se Marin Alsop trouxer para a Osesp um pouco da vivência que teve na organização dessa proposta, principalmente porque a própria Osesp já quis liderar um processo institucional que fortaleça orquestras brasileiras. Vamos esperar para ver.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T06_18_23-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_18_23-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 14:18:23 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_18_23-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T06_18_23-08_00.mp3?_=1320761923.5290466" length="4363944" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>272</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>No ano de 2007 um grupo de orquestras brit&#226;nicas que existem a partir de verbas p&#250;blicas se reuniu em torno de um manifesto muito interessante chamado &#8220;Construindo excel&#234;ncia: orquestras para o s&#233;culo 21&#8221;. Oito grupos assinavam esse manifesto: as sinf&#244;nicas de Bournemouth, Birmingham e Londres; a Royal Philharmonic e a Royal Liverpool Philharmonic; a Philharmonia, a Hall&#233; e a Sinf&#244;nica de Londres. Os signat&#225;rios eram seus diretores musicais. Naquele per&#237;odo, a americana Marin Alsop estava dirigindo a Sinf&#244;nica de Bournemouth e foi, claro, foi uma das l&#237;deres do movimento. Marin assume a reg&#234;ncia titular da Orquestra Sinf&#244;nica do Estado de S&#227;o Paulo, a Osesp, na temporada 2012. Al&#233;m de ser uma artista brilhante, ela &#233; uma mulher muito ativa nas ideias e nas realiza&#231;&#245;es. N&#227;o me espanta ter havido dedo dela nesse tal manifesto de orquestras brit&#226;nicas. Mais ou menos na mesma &#233;poca em que a cena inglesa se mobilizava em torno desse projeto ambicioso que prev&#234;, entre outras coisas, fazer todos os alunos matriculados em escolas na Inglaterra terem a chance de assistir, de gra&#231;a, pelo menosa  um concerto de orquestra sinf&#244;nica durante o per&#237;odo escolar, mais ou menos na mesma &#233;poca desse projeto, aqui no Brasil havia uma mobiliza&#231;&#227;o no sentido de criar uma Liga das Orquestras Brasileiras. Se n&#227;o me engano foi no final de 2006, em novembro ou dezembro. Era mais uma das ideias do maestro John Neschling na gest&#227;o da Osesp: seguir o modelo da Liga das Orquestras Americanas e estabelecer no Brasil uma entidade que congregasse os grupos sinf&#244;nicos profissionais em torno de objetivos e interesses comuns. Eu participei do semin&#225;rio, mediei uma das mesas e assisti a todas as discuss&#245;es. Parecia bem poss&#237;vel que nascesse ali uma nova entidade a reunir as orquestras brasileiras, promover o seu desenvolvimento, lidar com entraves comuns e fazer lobby junto a governos e sociedade pela import&#226;ncia da vida sinf&#244;nica de um pa&#237;s. Lamentavelmente, a ideia da Liga Brasileira n&#227;o seguiu adiante e o grupo mobilizado ali naquele encontro n&#227;o chegou a caminhar.
N&#227;o sei como anda esse projeto de mobiliza&#231;&#227;o na Inglaterra. Sei que no lan&#231;amento da ideia, a proposta era bem ambiciosa ainda que parecesse bastante poss&#237;vel de ser implementada. As metas preveiam um per&#237;odo inicial de atividade e concentra&#231;&#227;o de esfor&#231;os ao longo de dez anos.  Havia outros objetivos al&#233;m de tocar para todas as crian&#231;as que frequentam a escola na Inglaterra. Vou ler para voc&#234; o que consta do manifesto: Dobrar o numero de m&#250;sicos e cantores amadores na Inglaterra; Dedicar-se aos setores menos favorecidos da sociedade; Antecipar mudan&#231;as culturais e sociais para que as orquestras reflitam a vida de suas comunidades; Buscar um novo curr&#237;culo na forma&#231;&#227;o do m&#250;sico profissional que reflita os desafios do s&#233;culo 21; Colocar a m&#250;sica cl&#225;ssica ao alcance to todo adulto na Gra-Bretanha, trabalhando para isso formatos diferenciados de concerto; Aproximar-se das inova&#231;&#245;es tecnol&#243;gicas;  Visitar os cinco continentes e fazer da Gra-Bretanha  o principal destino quando se trata de orquestras.
Impressiona a ambi&#231;&#227;o e o &#237;mpeto desse grupo de oito orquestras inglesas que redigiram o tal projeto, dispon&#237;vel para consulta na internet. N&#227;o vai me impressionar se Marin Alsop trouxer para a Osesp um pouco da viv&#234;ncia que teve na organiza&#231;&#227;o dessa proposta, principalmente porque a pr&#243;pria Osesp j&#225; quis liderar um processo institucional que fortale&#231;a orquestras brasileiras. Vamos esperar para ver.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>No ano de 2007 um grupo de orquestras brit&#226;nicas que existem a partir de verbas p&#250;blicas se reuni...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Quando Brazilio Itiber&#234; virou Bas&#237;lio Cunha e ficou por isso mesmo</title>
      <description>
        <![CDATA[No Brasil, um tipo corriqueiro de homenagem póstuma é nomear uma rua de acordo com o falecido.  Ou então uma escola pública. Mesmo aeroportos, que estão listados em milhares de referencias de viagem ao redor do mundo, podem rapidamente  trocar de identidade se o caso for celebrar um brasileiro importante.  Não há muitos músicos clássicos dando nomes a ruas, escolas ou aeroportos. Aqui no Rio, tem as ruas Henrique Oswald, em Copacabana, homenageando o compositor; a Maestro Villa-Lobos na Tijuca e em São João do Meriti. Em Pedra de Guaratiba, existe uma rua chamada Bidu Sayao, celebrando nossa maior estrela do canto lírico. Já o  compositor Lorenzo Fernandez dá nome a uma rua no bairro de Guadalupe e a uma escola municipal localizada no Tanque. Outros compositores homenageados? Francisco Mignone nomeou um CIEP em Olaria, Guerra-Peixe também é o nome de um CIEP em Petrópolis, sua cidade natal; e em Buzios você pode passar por uma rua chamada Radames Gnattali. E ainda temos os compositores Alberto Nepomuceno e Glauco Velasquez nomeando ruas – Nepomuceno em Ramos e Velasquez no Encantado.
Tivemos uma figura relevante na música clássica brasileira, pouco tocado e reverenciado, mas que é homenageado com nomes de rua não aqui no Rio, mas no Paraná e em São Paulo. Foi Brazílio Itiberê, compositor e diplomata ativo na segunda metade do século 19, comecinho do século 20. Nascido em Paranaguaá, estado do Paraná, ele foi batizado como Brasilio, com S, Itiberê da Cunha.  A partir do momento em que se matriculou na Faculdade de Direito, trocou esse S por Z, Brazílio com Z. Seu nome artístico era Brazilio Itiberê.  É considerado o primeiro compositor clássico brasileiro a se inspirar em tema popular para fazer uma composição, no caso uma peça para piano bem lindinha chamada “A sertaneja”. Cumpriu carreira diplomática como adido cultural em Berlim, depois ficou muitos anos como adido na Italia, e depois ainda serviu na Bolivia, Peru, Paraguai e Portugal. Seu apartamento em Roma era muito frequentado por artistas importantes. Conta a história que, em determinada noite, Brazilio Itiberê chegou a receber  três grandes nomes em sua casa: Giovanni Sgambati, que era instrumentista e compositor e de destaque na cena italiana; Anton Rubinstein, o lendário pianista e Liszt, isso mesmo Franz Liszt, o genial compositor e pianista. Relatos contam  que, naquela noite, Brazilio Itibere tocou obra de Liszt para o próprio e o húngaro retribuiu tocando, adivinha o que? , a música “A sertaneja” que mencionei há pouco. O musicólogo José Maria Neves chegou a registrar um bilhete que Itiberê teria recebido de Liszt agradecendo uma encomenda recebida depois dessa noite, possivelmente a partitura de “A sertaneja”. O húngaro menciona na tal missa que retribiu mandando duas partituras suas. Para você ver que Brazílio Itiberê foi um compositor de reconhecido talento na sua época, pena ser tão pouco executado hoje em dia mesmo tendo deixado cerca de 60 obras.
No Paraná, ele dá nomes a ruas em Curitiba, Paranaguá (sua cidade natal) e Sâo José dos Pinhais. Por mais incrível que possa parecer a cidade de São Paulo fez sua homenagem a Brasílio Itiberê dando nome a uma rua, mas o nome errado! Acredita que uma certa Rua Basílio da Cunha, no bairro do Cambuci, homenagea o compositor. Mas, peraí, é o nome errado! Basilio da Cunha, Brazilio Itiberê...Eu só acreditei quando vi a referência em um dicionário histórico das ruas de São Paulo.  Liszt e Rubinstein devem se revirar na tumba.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T06_09_41-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_09_41-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 14:09:41 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_09_41-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T06_09_41-08_00.mp3?_=1320761396.5290439" length="4750076" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>296</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>No Brasil, um tipo corriqueiro de homenagem p&#243;stuma &#233; nomear uma rua de acordo com o falecido.  Ou ent&#227;o uma escola p&#250;blica. Mesmo aeroportos, que est&#227;o listados em milhares de referencias de viagem ao redor do mundo, podem rapidamente  trocar de identidade se o caso for celebrar um brasileiro importante.  N&#227;o h&#225; muitos m&#250;sicos cl&#225;ssicos dando nomes a ruas, escolas ou aeroportos. Aqui no Rio, tem as ruas Henrique Oswald, em Copacabana, homenageando o compositor; a Maestro Villa-Lobos na Tijuca e em S&#227;o Jo&#227;o do Meriti. Em Pedra de Guaratiba, existe uma rua chamada Bidu Sayao, celebrando nossa maior estrela do canto l&#237;rico. J&#225; o  compositor Lorenzo Fernandez d&#225; nome a uma rua no bairro de Guadalupe e a uma escola municipal localizada no Tanque. Outros compositores homenageados? Francisco Mignone nomeou um CIEP em Olaria, Guerra-Peixe tamb&#233;m &#233; o nome de um CIEP em Petr&#243;polis, sua cidade natal; e em Buzios voc&#234; pode passar por uma rua chamada Radames Gnattali. E ainda temos os compositores Alberto Nepomuceno e Glauco Velasquez nomeando ruas &#8211; Nepomuceno em Ramos e Velasquez no Encantado.
Tivemos uma figura relevante na m&#250;sica cl&#225;ssica brasileira, pouco tocado e reverenciado, mas que &#233; homenageado com nomes de rua n&#227;o aqui no Rio, mas no Paran&#225; e em S&#227;o Paulo. Foi Braz&#237;lio Itiber&#234;, compositor e diplomata ativo na segunda metade do s&#233;culo 19, comecinho do s&#233;culo 20. Nascido em Paranagua&#225;, estado do Paran&#225;, ele foi batizado como Brasilio, com S, Itiber&#234; da Cunha.  A partir do momento em que se matriculou na Faculdade de Direito, trocou esse S por Z, Braz&#237;lio com Z. Seu nome art&#237;stico era Brazilio Itiber&#234;.  &#201; considerado o primeiro compositor cl&#225;ssico brasileiro a se inspirar em tema popular para fazer uma composi&#231;&#227;o, no caso uma pe&#231;a para piano bem lindinha chamada &#8220;A sertaneja&#8221;. Cumpriu carreira diplom&#225;tica como adido cultural em Berlim, depois ficou muitos anos como adido na Italia, e depois ainda serviu na Bolivia, Peru, Paraguai e Portugal. Seu apartamento em Roma era muito frequentado por artistas importantes. Conta a hist&#243;ria que, em determinada noite, Brazilio Itiber&#234; chegou a receber  tr&#234;s grandes nomes em sua casa: Giovanni Sgambati, que era instrumentista e compositor e de destaque na cena italiana; Anton Rubinstein, o lend&#225;rio pianista e Liszt, isso mesmo Franz Liszt, o genial compositor e pianista. Relatos contam  que, naquela noite, Brazilio Itibere tocou obra de Liszt para o pr&#243;prio e o h&#250;ngaro retribuiu tocando, adivinha o que? , a m&#250;sica &#8220;A sertaneja&#8221; que mencionei h&#225; pouco. O music&#243;logo Jos&#233; Maria Neves chegou a registrar um bilhete que Itiber&#234; teria recebido de Liszt agradecendo uma encomenda recebida depois dessa noite, possivelmente a partitura de &#8220;A sertaneja&#8221;. O h&#250;ngaro menciona na tal missa que retribiu mandando duas partituras suas. Para voc&#234; ver que Braz&#237;lio Itiber&#234; foi um compositor de reconhecido talento na sua &#233;poca, pena ser t&#227;o pouco executado hoje em dia mesmo tendo deixado cerca de 60 obras.
No Paran&#225;, ele d&#225; nomes a ruas em Curitiba, Paranagu&#225; (sua cidade natal) e S&#226;o Jos&#233; dos Pinhais. Por mais incr&#237;vel que possa parecer a cidade de S&#227;o Paulo fez sua homenagem a Bras&#237;lio Itiber&#234; dando nome a uma rua, mas o nome errado! Acredita que uma certa Rua Bas&#237;lio da Cunha, no bairro do Cambuci, homenagea o compositor. Mas, pera&#237;, &#233; o nome errado! Basilio da Cunha, Brazilio Itiber&#234;...Eu s&#243; acreditei quando vi a refer&#234;ncia em um dicion&#225;rio hist&#243;rico das ruas de S&#227;o Paulo.  Liszt e Rubinstein devem se revirar na tumba.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>No Brasil, um tipo corriqueiro de homenagem p&#243;stuma &#233; nomear uma rua de acordo com o falecido.  O...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>E finalmente o futebol encontra a m&#250;sica cl&#225;ssica...na Cro&#225;cia.</title>
      <description>
        <![CDATA[O sexo masculino costuma dedicar uma especial atenção ao futebol, seja para torcer, seja para jogar. ...não importa muito a profissão que se tem. Se praticamente todas as categorias profissionais têm lá as suas peladas de futebol, partidas informais em que colegas, chefes e agregados se enfrentam em campo, por que não a música clássica? Afinal de contas, também se trata de um setor em que os trabalhadores são majoritariamente homens. 
No campo popular, é sabido que peladas acontecem com regularidade entre musicos. O principal exemplo disso é o time organizado por Chico Buarque, o Politeama, que costuma ter jogos de músicos e artistas. O canal MTV Brasil organiza um campeonato chamado Rock Gol, em que artistas de rock’n’roll se enfrentam em um torneio transmitido pelo canal.
Se os eventos  futebolísticos  que o Brasil vai sediar – Copa das Confederações em 2013 e Copa do Mundo em 2014 – fazem parte cada vez mais do nosso dia a dia, será que haveria algum jeito da música clássica se inserir nesse cenário?  Essa questão tem me feito pensar. Nem precisa chegar ao músico profissional, vamos imaginar só a garotada que está envolvida com ensino de instrumentos de orquestra nos vários projetos sociais em curso aqui no Rio. Imagino que haja muito estudante de violino e de trompa que curta também jogar futebol. Seria interessante um torneio que reunisse esses talentos que se dedicam tanto aos concertos quanto à cobrança de faltas. A competição já tem um nome que nasceu antes dela: ”Classico dos clássicos”. Fica a ideia, tomara que alguém se anime a fazer.
Antes que você fique achando essa proposta de pelada de música clássica um delírio, aproveito para contar que um violinista clássico de grande trânsito internacional se predispôs a organizar uma pelada. É Julian Rachlin, que inclusive tocou no Rio na temporada 2011 da Petrobras Sinfônica – ele veio fazer o “Concerto para violino” de Sibelius.  Pois o Rachlin tem um festival de música de câmara bastante badalado em Dubrovnik, na Croácia. A edição 2011 incluiu sabe o que? Jogo informal de futebol – que aqui no Brasil muito propriamente chamaríamos de pelada – reunindo músicos de diversos países que foram tocar no festival, jogadores profissionais atuantes na Europa e gente da imprensa.  Partida com renda revertida para Unicef. Capitão do time dos músicos, adivinha quem? O próprio Rachlin, praticamente o dono da bola na Croácia.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T06_06_07-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_06_07-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 14:06:07 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T06_06_07-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T06_06_07-08_00.mp3?_=1320761203.5290428" length="3074540" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>192</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>O sexo masculino costuma dedicar uma especial aten&#231;&#227;o ao futebol, seja para torcer, seja para jogar. ...n&#227;o importa muito a profiss&#227;o que se tem. Se praticamente todas as categorias profissionais t&#234;m l&#225; as suas peladas de futebol, partidas informais em que colegas, chefes e agregados se enfrentam em campo, por que n&#227;o a m&#250;sica cl&#225;ssica? Afinal de contas, tamb&#233;m se trata de um setor em que os trabalhadores s&#227;o majoritariamente homens. 
No campo popular, &#233; sabido que peladas acontecem com regularidade entre musicos. O principal exemplo disso &#233; o time organizado por Chico Buarque, o Politeama, que costuma ter jogos de m&#250;sicos e artistas. O canal MTV Brasil organiza um campeonato chamado Rock Gol, em que artistas de rock&#8217;n&#8217;roll se enfrentam em um torneio transmitido pelo canal.
Se os eventos  futebol&#237;sticos  que o Brasil vai sediar &#8211; Copa das Confedera&#231;&#245;es em 2013 e Copa do Mundo em 2014 &#8211; fazem parte cada vez mais do nosso dia a dia, ser&#225; que haveria algum jeito da m&#250;sica cl&#225;ssica se inserir nesse cen&#225;rio?  Essa quest&#227;o tem me feito pensar. Nem precisa chegar ao m&#250;sico profissional, vamos imaginar s&#243; a garotada que est&#225; envolvida com ensino de instrumentos de orquestra nos v&#225;rios projetos sociais em curso aqui no Rio. Imagino que haja muito estudante de violino e de trompa que curta tamb&#233;m jogar futebol. Seria interessante um torneio que reunisse esses talentos que se dedicam tanto aos concertos quanto &#224; cobran&#231;a de faltas. A competi&#231;&#227;o j&#225; tem um nome que nasceu antes dela: &#8221;Classico dos cl&#225;ssicos&#8221;. Fica a ideia, tomara que algu&#233;m se anime a fazer.
Antes que voc&#234; fique achando essa proposta de pelada de m&#250;sica cl&#225;ssica um del&#237;rio, aproveito para contar que um violinista cl&#225;ssico de grande tr&#226;nsito internacional se predisp&#244;s a organizar uma pelada. &#201; Julian Rachlin, que inclusive tocou no Rio na temporada 2011 da Petrobras Sinf&#244;nica &#8211; ele veio fazer o &#8220;Concerto para violino&#8221; de Sibelius.  Pois o Rachlin tem um festival de m&#250;sica de c&#226;mara bastante badalado em Dubrovnik, na Cro&#225;cia. A edi&#231;&#227;o 2011 incluiu sabe o que? Jogo informal de futebol &#8211; que aqui no Brasil muito propriamente chamar&#237;amos de pelada &#8211; reunindo m&#250;sicos de diversos pa&#237;ses que foram tocar no festival, jogadores profissionais atuantes na Europa e gente da imprensa.  Partida com renda revertida para Unicef. Capit&#227;o do time dos m&#250;sicos, adivinha quem? O pr&#243;prio Rachlin, praticamente o dono da bola na Cro&#225;cia.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>O sexo masculino costuma dedicar uma especial aten&#231;&#227;o ao futebol, seja para torcer, seja para jog...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Os podcasts &#8220;Um quarto de hora&#8221; e a experi&#234;ncia de aproximar o pop dos cl&#225;ssicos</title>
      <description>
        <![CDATA[Assim como você, eu gosto bastante de música clássica. Trabalho com isso faz um tanto de tempo e volta e meia me pego pensando  na questão da ampliação do acesso aos clássicos. Se você ouve a MEC FM nesse horário de uma da tarde sabe o quanto a questão me mobiliza. Estou sempre aqui dividindo com você e os demais ouvintes considerações a esse respeito.
Tem uma questão relevante no que tange a chamar a atenção das pessoas para a música clássica. Quanto mais elementos conhecidos participarem desse processo de apresentação, melhor.  Artistas da música popular que gostam de clássicos poderiam ser curadores de séries de concerto. Gente como Pedro Luís, Marisa Monte, Marcelo Camelo, Paula Toller. E que tal um camarote no Theatro Municipal que convidasse nomes significativos da cultura popular para assistir a concertos sinfônicos, recitais e óperas? Eu adoraria ver gente como Luciano Huck, Fernanda Torres, Thalita Rebouças, Isabella Capeto, Junino Pernambucano frequentando o Municipal, postando no Twitter suas impressões da ópera a que assistiu, sendo fotografado nos intervalos para revistas de celebridades. Penso que quanto mais a música clássica conseguir se aproximar da cultura pop sem se desvincular da sua essência mais e mais gente vai ter interesse em conhecer que música é essa que mobiliza seus ídolos....
E tem outro aspecto importante. Depois do iPod, do mp3 player, as barreiras entre gêneros se dissolveram. A tecla SHUFFLE dos equipamentos digitais é capaz de juntar, sem a menor cerimônia, músicas de gêneros muito diferentes. Quem armazena música assim sabe que a mescla e a surpresa na audição são elementos cada vez mais valorizados. Há muitas pessoas que gostam de música que não querem a mesmice da repetição. Querem variedade de estilos e elementos surpresa. Aí mora um ponto de grande relevância: dar um jeito de apresentar música clássica que funcione a ouvidos acostumados com o pop mas que também funcione para quem gosta muito de clássicos e costuma ouvir gêneros variados.
Sob essa égide eu comecei a fazer umas sequencias musicais de aproximadamente quinze minutos de duração, privilegiando música clássica e colocando um leve toque de pop. Essas sequencias ficam disponíveis na internet sob a forma de PODCASTS, ou seja, arquivos mp3 que podem ser ouvidos on line ou baixados para sua maquina, seu celular  e ouvidos quando você quiser. O podcast se chama “Um quarto de hora” e tem sido um campo interessante de experimentação. Villa-Lobos dizia que suas obras eram cartas para a posteridade que ele escrevia e um dia seriam lidas. Tem ainda aquela imagem da garrafa ao mar, que o náufrago lança na expectativa de sua mensagem um dia ler lida. Nem sou Villa-Lobos nem naufraguei por aí, mas a experiência desse podcast tem um quê de carta escrita e de mensagem enviada, ou seja, tem um destinatário em mente, mas ele não é muito claro. Pelo menos ainda não é, espero que venha a ser, que se manifeste, que mostre sua voz. 
Convido você a ouvir “Um quarto de hora na internet”. O endereço é http://helofischer (sendo helo com H e fischer do jeito alemão, f-i-s-c-h-e-r). podomatic. com.  Vou repetir. Vai ser ótimo contar com a sua audiência lá, receber críticas e sugestões.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_58_55-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_58_55-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:58:55 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_58_55-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_58_55-08_00.mp3?_=1320760755.5290408" length="4520261" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>282</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Assim como voc&#234;, eu gosto bastante de m&#250;sica cl&#225;ssica. Trabalho com isso faz um tanto de tempo e volta e meia me pego pensando  na quest&#227;o da amplia&#231;&#227;o do acesso aos cl&#225;ssicos. Se voc&#234; ouve a MEC FM nesse hor&#225;rio de uma da tarde sabe o quanto a quest&#227;o me mobiliza. Estou sempre aqui dividindo com voc&#234; e os demais ouvintes considera&#231;&#245;es a esse respeito.
Tem uma quest&#227;o relevante no que tange a chamar a aten&#231;&#227;o das pessoas para a m&#250;sica cl&#225;ssica. Quanto mais elementos conhecidos participarem desse processo de apresenta&#231;&#227;o, melhor.  Artistas da m&#250;sica popular que gostam de cl&#225;ssicos poderiam ser curadores de s&#233;ries de concerto. Gente como Pedro Lu&#237;s, Marisa Monte, Marcelo Camelo, Paula Toller. E que tal um camarote no Theatro Municipal que convidasse nomes significativos da cultura popular para assistir a concertos sinf&#244;nicos, recitais e &#243;peras? Eu adoraria ver gente como Luciano Huck, Fernanda Torres, Thalita Rebou&#231;as, Isabella Capeto, Junino Pernambucano frequentando o Municipal, postando no Twitter suas impress&#245;es da &#243;pera a que assistiu, sendo fotografado nos intervalos para revistas de celebridades. Penso que quanto mais a m&#250;sica cl&#225;ssica conseguir se aproximar da cultura pop sem se desvincular da sua ess&#234;ncia mais e mais gente vai ter interesse em conhecer que m&#250;sica &#233; essa que mobiliza seus &#237;dolos....
E tem outro aspecto importante. Depois do iPod, do mp3 player, as barreiras entre g&#234;neros se dissolveram. A tecla SHUFFLE dos equipamentos digitais &#233; capaz de juntar, sem a menor cerim&#244;nia, m&#250;sicas de g&#234;neros muito diferentes. Quem armazena m&#250;sica assim sabe que a mescla e a surpresa na audi&#231;&#227;o s&#227;o elementos cada vez mais valorizados. H&#225; muitas pessoas que gostam de m&#250;sica que n&#227;o querem a mesmice da repeti&#231;&#227;o. Querem variedade de estilos e elementos surpresa. A&#237; mora um ponto de grande relev&#226;ncia: dar um jeito de apresentar m&#250;sica cl&#225;ssica que funcione a ouvidos acostumados com o pop mas que tamb&#233;m funcione para quem gosta muito de cl&#225;ssicos e costuma ouvir g&#234;neros variados.
Sob essa &#233;gide eu comecei a fazer umas sequencias musicais de aproximadamente quinze minutos de dura&#231;&#227;o, privilegiando m&#250;sica cl&#225;ssica e colocando um leve toque de pop. Essas sequencias ficam dispon&#237;veis na internet sob a forma de PODCASTS, ou seja, arquivos mp3 que podem ser ouvidos on line ou baixados para sua maquina, seu celular  e ouvidos quando voc&#234; quiser. O podcast se chama &#8220;Um quarto de hora&#8221; e tem sido um campo interessante de experimenta&#231;&#227;o. Villa-Lobos dizia que suas obras eram cartas para a posteridade que ele escrevia e um dia seriam lidas. Tem ainda aquela imagem da garrafa ao mar, que o n&#225;ufrago lan&#231;a na expectativa de sua mensagem um dia ler lida. Nem sou Villa-Lobos nem naufraguei por a&#237;, mas a experi&#234;ncia desse podcast tem um qu&#234; de carta escrita e de mensagem enviada, ou seja, tem um destinat&#225;rio em mente, mas ele n&#227;o &#233; muito claro. Pelo menos ainda n&#227;o &#233;, espero que venha a ser, que se manifeste, que mostre sua voz. 
Convido voc&#234; a ouvir &#8220;Um quarto de hora na internet&#8221;. O endere&#231;o &#233; http://helofischer (sendo helo com H e fischer do jeito alem&#227;o, f-i-s-c-h-e-r). podomatic. com.  Vou repetir. Vai ser &#243;timo contar com a sua audi&#234;ncia l&#225;, receber cr&#237;ticas e sugest&#245;es.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Assim como voc&#234;, eu gosto bastante de m&#250;sica cl&#225;ssica. Trabalho com isso faz um tanto de tempo e ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Quatro ingredientes: funciona na cozinha, funcionaria com os cl&#225;ssicos?</title>
      <description>
        <![CDATA[A televisão por assinatura tem uma profusão de programas de gastronomia. De Jamie Olliver a Nigella, de Claude Troisgros a Annabel...a multiplicidade de opções chega a assustar quem ainda guarda fresco na memória o tempo em que os segredos de forno e fogão passavam exclusivamente pela cozinha maravilhosa de Ofélia na TV. Entre esses muitos programas atual de receitas, um me chama atenção pelo viés que segue. É o “Quatro ingredientes”, uma produção australiana estrelada por duas mulheres que se propõem a fazer pratos interessantes, diferentes e rápidos usando apenas quatro elementos ou menos. Esse programa passa no canal GNT da Globosat. O que importa ali não é fazer a redução perfeita de um molho, aprender a desossar um pato, usar em casa técnicas de alta gastronomia. Longe disso. O objetivo é chegar ao melhor resultado com o mínimo de trabalho. Todo mundo que tem rotina apertada, sofre pra dar conta das tarefas diarias e busca uma alimentação de qualidade procura essa fórmula: comida boa, barata e prática. As australianas encontraram um método interessante, usando no máximo quatro ingredientes. E dá pra fazer uma variedade enorme de receitas com quatro ingredientes ou menos.  Os muitos episódios desse programa e os vários livros que a dupla já lançou comprovam a longevidade da ideia.
Cada vez que assisto a esse programa “Quatro ingredientes” fico me perguntando se uma fórmula parecida funcionaria para a música clássica. Vamos ver se cabe a comparação. Aqui do nosso lado, temos uma quantidade muito grande de ingredientes a oferecer á sociedade. Se formos por período histórico, tem música da renascença, do período barroco, clássico, romântico, moderno, contemporâneo. Tem ópera, música sinfônica, música de câmara, instrumento solista. Tem nomes de obras em alemão, inglês, francês, latim, espanhol, italiano, português. Tem catalogação usando letras – BWV, K, D  – tem numeração de opus, tem vírgula, travessão, codinome. A multiplicidade do universo clássico é seu principal ativo, mas é também o principal elemento que afasta as pessoas. Parece tudo meio complicado, é necessário fazer cursos e ter explicações para entender direito o escopo das coisas.isso é fato. Mas será que existe uma simplificação possível à compreensão da  música clássica para que ela consega entrar no cotidiano de quem mal tem tempo pra cozinhar quanto mais fazer um curso sobre as óperas de Mozart? Muita gente adoraria assistir a essas aulas mozartianas, mas não dispõe de tempo nem encarar isso como prioridade. Será que existe um jeito de apresentar música clássica a elas de forma compacta mas não rasa? 
Eis uma tarefa para os meios de comunicação que, por natureza, usam toda as ferramentas de imagem e som para transmitir  conhecimento e , principalmente, divertir  quem assiste. Espero que não demore para surgirem novos formatos audiovisuais de apresentação da música clássica seguindo algum viés que facilite a compreensão.  Se fossem os tais quatro elementos, quais seriam eles? Deixo com você essa pergunta capaz de promover instigantes sinapses. Aproveite!
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_52_09-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_52_09-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:52:09 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_52_09-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_52_09-08_00.mp3?_=1320760347.5290390" length="3931645" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>245</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>A televis&#227;o por assinatura tem uma profus&#227;o de programas de gastronomia. De Jamie Olliver a Nigella, de Claude Troisgros a Annabel...a multiplicidade de op&#231;&#245;es chega a assustar quem ainda guarda fresco na mem&#243;ria o tempo em que os segredos de forno e fog&#227;o passavam exclusivamente pela cozinha maravilhosa de Of&#233;lia na TV. Entre esses muitos programas atual de receitas, um me chama aten&#231;&#227;o pelo vi&#233;s que segue. &#201; o &#8220;Quatro ingredientes&#8221;, uma produ&#231;&#227;o australiana estrelada por duas mulheres que se prop&#245;em a fazer pratos interessantes, diferentes e r&#225;pidos usando apenas quatro elementos ou menos. Esse programa passa no canal GNT da Globosat. O que importa ali n&#227;o &#233; fazer a redu&#231;&#227;o perfeita de um molho, aprender a desossar um pato, usar em casa t&#233;cnicas de alta gastronomia. Longe disso. O objetivo &#233; chegar ao melhor resultado com o m&#237;nimo de trabalho. Todo mundo que tem rotina apertada, sofre pra dar conta das tarefas diarias e busca uma alimenta&#231;&#227;o de qualidade procura essa f&#243;rmula: comida boa, barata e pr&#225;tica. As australianas encontraram um m&#233;todo interessante, usando no m&#225;ximo quatro ingredientes. E d&#225; pra fazer uma variedade enorme de receitas com quatro ingredientes ou menos.  Os muitos epis&#243;dios desse programa e os v&#225;rios livros que a dupla j&#225; lan&#231;ou comprovam a longevidade da ideia.
Cada vez que assisto a esse programa &#8220;Quatro ingredientes&#8221; fico me perguntando se uma f&#243;rmula parecida funcionaria para a m&#250;sica cl&#225;ssica. Vamos ver se cabe a compara&#231;&#227;o. Aqui do nosso lado, temos uma quantidade muito grande de ingredientes a oferecer &#225; sociedade. Se formos por per&#237;odo hist&#243;rico, tem m&#250;sica da renascen&#231;a, do per&#237;odo barroco, cl&#225;ssico, rom&#226;ntico, moderno, contempor&#226;neo. Tem &#243;pera, m&#250;sica sinf&#244;nica, m&#250;sica de c&#226;mara, instrumento solista. Tem nomes de obras em alem&#227;o, ingl&#234;s, franc&#234;s, latim, espanhol, italiano, portugu&#234;s. Tem cataloga&#231;&#227;o usando letras &#8211; BWV, K, D  &#8211; tem numera&#231;&#227;o de opus, tem v&#237;rgula, travess&#227;o, codinome. A multiplicidade do universo cl&#225;ssico &#233; seu principal ativo, mas &#233; tamb&#233;m o principal elemento que afasta as pessoas. Parece tudo meio complicado, &#233; necess&#225;rio fazer cursos e ter explica&#231;&#245;es para entender direito o escopo das coisas.isso &#233; fato. Mas ser&#225; que existe uma simplifica&#231;&#227;o poss&#237;vel &#224; compreens&#227;o da  m&#250;sica cl&#225;ssica para que ela consega entrar no cotidiano de quem mal tem tempo pra cozinhar quanto mais fazer um curso sobre as &#243;peras de Mozart? Muita gente adoraria assistir a essas aulas mozartianas, mas n&#227;o disp&#245;e de tempo nem encarar isso como prioridade. Ser&#225; que existe um jeito de apresentar m&#250;sica cl&#225;ssica a elas de forma compacta mas n&#227;o rasa? 
Eis uma tarefa para os meios de comunica&#231;&#227;o que, por natureza, usam toda as ferramentas de imagem e som para transmitir  conhecimento e , principalmente, divertir  quem assiste. Espero que n&#227;o demore para surgirem novos formatos audiovisuais de apresenta&#231;&#227;o da m&#250;sica cl&#225;ssica seguindo algum vi&#233;s que facilite a compreens&#227;o.  Se fossem os tais quatro elementos, quais seriam eles? Deixo com voc&#234; essa pergunta capaz de promover instigantes sinapses. Aproveite!
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A televis&#227;o por assinatura tem uma profus&#227;o de programas de gastronomia. De Jamie Olliver a Nigel...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Theatro Municipal, o pal&#225;cio do povo e a porta do zool&#243;gico</title>
      <description>
        <![CDATA[A última reforma do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, por ocasião do centenário, deu literalmente um brilho adicional a este que é um dos mais belos prédios públicos do Brasil. Há quem não tenha gostado do novo revestimento das poltronas, reclame do ar condicionado que continua gelando a plateia e fazendo corrente de ar no palco, da fila dos banheiros que segue gigante, mas do restauro de revestimentos e douramentos ninguém pode reclamar. Pelo contrário, há muito a louvar. Depois da reforma, a espera até o concerto começar, os intervalos, a hora da saída e também durante o espetáculo....tudo ganhou um pano de fundo ainda mais especial. Descer as escadarias do balcão para a plateia, seja via escada principal, seja pelas laterais, remete a palácios de contos de fada. É isso que o prédio do Theatro Municipal é: um palácio. A construção não fica nada a dever a residências e locais de trabalho nobres de séculos passados. Os mármores, os ornamentos, os dourados são dignos de um palácio europeu.   O mais bacana disso é que o palácio é do povo. Cada vez que desço as escadarias do Municipal ou entro pelo salão Assyrius, lembro de uma organização não governamental da Inglaterra que tem estreita relação com o Brasil e um nome que diz tudo. É a People’s Palace Projects, ONG dirigida por Paul Heritage em Londres com atuação forte em favelas do Rio de Janeiro.  People´s Palace em inglês quer dizer Palácio do povo. Essa ONG britânica atua em áreas de vulnerabilidade social valendo-se da arte. Mas o que interessa aqui é apenas o nome da instituição, People’s Palace, o palácio do povo.O nosso Theatro Municipal é um palácio do povo, pois é um equipamento público, gerido pelo governo do estado do Rio de Janeiro. O Municipal é o nosso palácio. Quanto mais cariocas e brasileiros frequentarem o lugar, mais o lugar se torna parte de todos nós.  Existe uma questão importante nisso que é a própria grandiosidade da construção ter um que de opressão, de constrangimento. Muita gente não deve se animar a ir ao Municipal por conta de roupa ou de não se sentir á vontade. Só que uma das regras atuais  do mundo do patrocínio cultural, música clássica inclusive, são as contrapartidas sociais. É muito comum que patrocinadores de concertos exijam de seus patrocinados a destinação de uma quantidade gratuita de ingressos para projetos sociais que ensinam música, por exemplo.  Ou então para escolas da rede pública. É maravilhoso ver aqueles garotos e garotas tomando posse do palácio, sentindo que aquele espaço tão sofisticado na arquitetura também é seu, aquela sofisticação toda também pode ser sua . Tenho uma amiga que deu aula de canto em projeto social na zona norte do Rio, em uma área de baixíssimo IDH. Ela conseguia ingressos para levar grupos de alunos a concertos que podem custar centenas de reais para entrar. O organizador do evento fornecia os bilhetes como contrapartida social, ela conseguiu um apoio para transporte e fazia a cabeça da garotada para não se intimidar com aquele ambiente chique e com pessoas bem vestidas já que o cotidiano deles era de miséria. O discurso dela era mais ou menos assim: “O Theatro Municipal é de vocês, é de todos nós. Sintam-se em casa, fiquem à vontade”. Nos dias que antecediam o concerto, ela explicava o repertório e os familiarizava com os artistas. Muitos alunos relutavam em ir por conta de roupa e ela também os estimulava a não dar peso excessivo a essa questão. Pois não teve um dia em que minha amiga estava chegando com o grupo de alunos e subindo para a galeria quando ouviu de uma frequentadora deselegante e preconceituosa a seguinte frase: “Abriram a porta do zoológico hoje”. Imagina o impacto dessa frase estupida na cabeça e no coração daquela  meninada que pisava pela primeira vez no Municipal. Pensamentos preconceituosos como este estão com os dias contados: o palácio é mesmo do povo – para sorte de todos nós.]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_49_01-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_49_01-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:49:01 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_49_01-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_49_01-08_00.mp3?_=1320760168.5290374" length="5008872" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>313</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>A &#250;ltima reforma do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, por ocasi&#227;o do centen&#225;rio, deu literalmente um brilho adicional a este que &#233; um dos mais belos pr&#233;dios p&#250;blicos do Brasil. H&#225; quem n&#227;o tenha gostado do novo revestimento das poltronas, reclame do ar condicionado que continua gelando a plateia e fazendo corrente de ar no palco, da fila dos banheiros que segue gigante, mas do restauro de revestimentos e douramentos ningu&#233;m pode reclamar. Pelo contr&#225;rio, h&#225; muito a louvar. Depois da reforma, a espera at&#233; o concerto come&#231;ar, os intervalos, a hora da sa&#237;da e tamb&#233;m durante o espet&#225;culo....tudo ganhou um pano de fundo ainda mais especial. Descer as escadarias do balc&#227;o para a plateia, seja via escada principal, seja pelas laterais, remete a pal&#225;cios de contos de fada. &#201; isso que o pr&#233;dio do Theatro Municipal &#233;: um pal&#225;cio. A constru&#231;&#227;o n&#227;o fica nada a dever a resid&#234;ncias e locais de trabalho nobres de s&#233;culos passados. Os m&#225;rmores, os ornamentos, os dourados s&#227;o dignos de um pal&#225;cio europeu.   O mais bacana disso &#233; que o pal&#225;cio &#233; do povo. Cada vez que des&#231;o as escadarias do Municipal ou entro pelo sal&#227;o Assyrius, lembro de uma organiza&#231;&#227;o n&#227;o governamental da Inglaterra que tem estreita rela&#231;&#227;o com o Brasil e um nome que diz tudo. &#201; a People&#8217;s Palace Projects, ONG dirigida por Paul Heritage em Londres com atua&#231;&#227;o forte em favelas do Rio de Janeiro.  People&#180;s Palace em ingl&#234;s quer dizer Pal&#225;cio do povo. Essa ONG brit&#226;nica atua em &#225;reas de vulnerabilidade social valendo-se da arte. Mas o que interessa aqui &#233; apenas o nome da institui&#231;&#227;o, People&#8217;s Palace, o pal&#225;cio do povo.O nosso Theatro Municipal &#233; um pal&#225;cio do povo, pois &#233; um equipamento p&#250;blico, gerido pelo governo do estado do Rio de Janeiro. O Municipal &#233; o nosso pal&#225;cio. Quanto mais cariocas e brasileiros frequentarem o lugar, mais o lugar se torna parte de todos n&#243;s.  Existe uma quest&#227;o importante nisso que &#233; a pr&#243;pria grandiosidade da constru&#231;&#227;o ter um que de opress&#227;o, de constrangimento. Muita gente n&#227;o deve se animar a ir ao Municipal por conta de roupa ou de n&#227;o se sentir &#225; vontade. S&#243; que uma das regras atuais  do mundo do patroc&#237;nio cultural, m&#250;sica cl&#225;ssica inclusive, s&#227;o as contrapartidas sociais. &#201; muito comum que patrocinadores de concertos exijam de seus patrocinados a destina&#231;&#227;o de uma quantidade gratuita de ingressos para projetos sociais que ensinam m&#250;sica, por exemplo.  Ou ent&#227;o para escolas da rede p&#250;blica. &#201; maravilhoso ver aqueles garotos e garotas tomando posse do pal&#225;cio, sentindo que aquele espa&#231;o t&#227;o sofisticado na arquitetura tamb&#233;m &#233; seu, aquela sofistica&#231;&#227;o toda tamb&#233;m pode ser sua . Tenho uma amiga que deu aula de canto em projeto social na zona norte do Rio, em uma &#225;rea de baix&#237;ssimo IDH. Ela conseguia ingressos para levar grupos de alunos a concertos que podem custar centenas de reais para entrar. O organizador do evento fornecia os bilhetes como contrapartida social, ela conseguiu um apoio para transporte e fazia a cabe&#231;a da garotada para n&#227;o se intimidar com aquele ambiente chique e com pessoas bem vestidas j&#225; que o cotidiano deles era de mis&#233;ria. O discurso dela era mais ou menos assim: &#8220;O Theatro Municipal &#233; de voc&#234;s, &#233; de todos n&#243;s. Sintam-se em casa, fiquem &#224; vontade&#8221;. Nos dias que antecediam o concerto, ela explicava o repert&#243;rio e os familiarizava com os artistas. Muitos alunos relutavam em ir por conta de roupa e ela tamb&#233;m os estimulava a n&#227;o dar peso excessivo a essa quest&#227;o. Pois n&#227;o teve um dia em que minha amiga estava chegando com o grupo de alunos e subindo para a galeria quando ouviu de uma frequentadora deselegante e preconceituosa a seguinte frase: &#8220;Abriram a porta do zool&#243;gico hoje&#8221;. Imagina o impacto dessa frase estupida na cabe&#231;a e no cora&#231;&#227;o daquela  meninada que pisava pela primeira vez no Municipal. Pensamentos preconceituosos como este est&#227;o com os dias contados: o pal&#225;cio &#233; mesmo do povo &#8211; para sorte de todos n&#243;s.</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A &#250;ltima reforma do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, por ocasi&#227;o do centen&#225;rio, deu literalme...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Athina O. e sua plataforma de entretenimento: sair do nicho &#233; chegar a mais gente</title>
      <description>
        <![CDATA[Já faz uns anos que o Rio de Janeiro sedia uma prova esportiva de vulto, o Athina Onassis Horse Show. Trata-se de uma competição internacional de hipismo, com premiação de um milhão de euros. As provas acontecem na Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa. Participam grandes nomes do hipismo mundial, incluindo a própria Athina que, como sabemos, tem uma ligação especial com o Brasil por ser casada com o cavaleiro Dóda Miranda.  Me chamou atenção o material promocional do torneio 2011, divulgado  em anúncios, nos galhardetes espalhados pelas ruas, no site oficial.  Primeiro, o nome do evento Athina Onassis Horse Show e depois as palavras HIPISMO, MUSICA, MODA e GASTRONOMIA.  As quatro palavras com o mesmo peso gráfico, as letras do mesmo tamanho, sem destaque especial para nenhuma delas. Note bem que trata-se de um evento de HIPISMO, é uma competição internacional com prêmios e custo de realização bastante altos. Mas é apresentado como um evento de múltiplas facetas, onde a música, a moda e a gastronomia têm o mesmo peso que o hipismo.  A primeira placa que vi na rua me fez pensar  que tipo de música estaria associada ao Hipismo e como um torneio de saltos e adestramento de cavalos se relacionaria com o mundo da gastronomia. Também fiquei curiosa para saber como a moda estaria integrada ao universo dos cavaleiros. Fui logo conferir o site e, em uma das primeiras telas, estava lá escrito “Athina Onassis Horse Show, a plataforma de entretenimento que une hipismo, moda, música e gastronomia.”  Pois no dia em que eu gravei esse comentário estávamos na semana de realização da competição e praticamente tudo no site girava em torno do hipismo. Havia uma menção ao estilista Renato Almeida por ter criado produtos promocionais e também menção a um restaurante carioca montado dentro da Hípica durante o evento. Pelo Facebook, fiquei sabendo que um centro de compras multimarcas também seria montado.
 Não encontrei informações sobre a parte musical do evento. O fato de eu não ter comprado ingresso para provas significa que não  vi como se deu a participação da tríade musica, moda e gastronomia nesse competição de hipismo. Fiquei com a impressão que esses elementos eram totalmente periféricos. Me parece óbvio que o coração de um Horse Show são os cavaleiros e seus cavalos. Mas a triade entrou no mix porque, hoje em dia, não basta ser evento, ter que ser entretenimento. Quanto mais se sai do nicho de atividade e se fornecem elementos de interesse geral, mais gente é atraída para participar. Umas boas comidinhas, música interessante e novidades de moda têm apelo forte pra a população em geral que não acompanha o universo do hipismo. Isso interessa a patrocinadores, a organizadores e amplia o interesse de público e imprensa. 

Essa questão de expandir além do nicho e buscar elementos que promovam um  mix de atrações me remeteu à música clássica. Claro que não vamos pensar aqui em montar tenda de compras multimarcas  no hall Theatro Municipal, mas a gastronomia poderia ser melhor aproveitada nos eventos de música clássica já que temos intervalos no espetáculo. E também o mundo do vinho poderia estar mais próximo. Por que não um grande evento  de música clássica voltado para gourmets e sommeliers? E que tal ver  músicos clássicos tocando ao vivo em desfiles de moda ou mesmo um criador clássico inspirar uma coleção de estilista contemporâneo?  Uma plataforma de entretenimento assim não faria mal ao universo dos clássicos.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_44_40-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_44_40-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:44:40 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_44_40-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_44_40-08_00.mp3?_=1320759901.5290360" length="4407376" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>275</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>J&#225; faz uns anos que o Rio de Janeiro sedia uma prova esportiva de vulto, o Athina Onassis Horse Show. Trata-se de uma competi&#231;&#227;o internacional de hipismo, com premia&#231;&#227;o de um milh&#227;o de euros. As provas acontecem na Sociedade H&#237;pica Brasileira, na Lagoa. Participam grandes nomes do hipismo mundial, incluindo a pr&#243;pria Athina que, como sabemos, tem uma liga&#231;&#227;o especial com o Brasil por ser casada com o cavaleiro D&#243;da Miranda.  Me chamou aten&#231;&#227;o o material promocional do torneio 2011, divulgado  em an&#250;ncios, nos galhardetes espalhados pelas ruas, no site oficial.  Primeiro, o nome do evento Athina Onassis Horse Show e depois as palavras HIPISMO, MUSICA, MODA e GASTRONOMIA.  As quatro palavras com o mesmo peso gr&#225;fico, as letras do mesmo tamanho, sem destaque especial para nenhuma delas. Note bem que trata-se de um evento de HIPISMO, &#233; uma competi&#231;&#227;o internacional com pr&#234;mios e custo de realiza&#231;&#227;o bastante altos. Mas &#233; apresentado como um evento de m&#250;ltiplas facetas, onde a m&#250;sica, a moda e a gastronomia t&#234;m o mesmo peso que o hipismo.  A primeira placa que vi na rua me fez pensar  que tipo de m&#250;sica estaria associada ao Hipismo e como um torneio de saltos e adestramento de cavalos se relacionaria com o mundo da gastronomia. Tamb&#233;m fiquei curiosa para saber como a moda estaria integrada ao universo dos cavaleiros. Fui logo conferir o site e, em uma das primeiras telas, estava l&#225; escrito &#8220;Athina Onassis Horse Show, a plataforma de entretenimento que une hipismo, moda, m&#250;sica e gastronomia.&#8221;  Pois no dia em que eu gravei esse coment&#225;rio est&#225;vamos na semana de realiza&#231;&#227;o da competi&#231;&#227;o e praticamente tudo no site girava em torno do hipismo. Havia uma men&#231;&#227;o ao estilista Renato Almeida por ter criado produtos promocionais e tamb&#233;m men&#231;&#227;o a um restaurante carioca montado dentro da H&#237;pica durante o evento. Pelo Facebook, fiquei sabendo que um centro de compras multimarcas tamb&#233;m seria montado.
 N&#227;o encontrei informa&#231;&#245;es sobre a parte musical do evento. O fato de eu n&#227;o ter comprado ingresso para provas significa que n&#227;o  vi como se deu a participa&#231;&#227;o da tr&#237;ade musica, moda e gastronomia nesse competi&#231;&#227;o de hipismo. Fiquei com a impress&#227;o que esses elementos eram totalmente perif&#233;ricos. Me parece &#243;bvio que o cora&#231;&#227;o de um Horse Show s&#227;o os cavaleiros e seus cavalos. Mas a triade entrou no mix porque, hoje em dia, n&#227;o basta ser evento, ter que ser entretenimento. Quanto mais se sai do nicho de atividade e se fornecem elementos de interesse geral, mais gente &#233; atra&#237;da para participar. Umas boas comidinhas, m&#250;sica interessante e novidades de moda t&#234;m apelo forte pra a popula&#231;&#227;o em geral que n&#227;o acompanha o universo do hipismo. Isso interessa a patrocinadores, a organizadores e amplia o interesse de p&#250;blico e imprensa. 

Essa quest&#227;o de expandir al&#233;m do nicho e buscar elementos que promovam um  mix de atra&#231;&#245;es me remeteu &#224; m&#250;sica cl&#225;ssica. Claro que n&#227;o vamos pensar aqui em montar tenda de compras multimarcas  no hall Theatro Municipal, mas a gastronomia poderia ser melhor aproveitada nos eventos de m&#250;sica cl&#225;ssica j&#225; que temos intervalos no espet&#225;culo. E tamb&#233;m o mundo do vinho poderia estar mais pr&#243;ximo. Por que n&#227;o um grande evento  de m&#250;sica cl&#225;ssica voltado para gourmets e sommeliers? E que tal ver  m&#250;sicos cl&#225;ssicos tocando ao vivo em desfiles de moda ou mesmo um criador cl&#225;ssico inspirar uma cole&#231;&#227;o de estilista contempor&#226;neo?  Uma plataforma de entretenimento assim n&#227;o faria mal ao universo dos cl&#225;ssicos.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>J&#225; faz uns anos que o Rio de Janeiro sedia uma prova esportiva de vulto, o Athina Onassis Horse S...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Quando uma orquestra se torna modelo de gest&#227;o corporativa</title>
      <description>
        <![CDATA[A Orquestra de Câmara de Bremen tem um trabalho relevante naquela cidade alemã – em agosto de 2011, o Rio tem a chance de ouvir os músicos, que tocam por aqui trazidos pela Dell´Arte – mas tem também um projeto em área que poucos no mundo dos clássicos entram. 

Desde 2003, Orquestra tem um programa chamado “Modelo de 5 segundos” voltado para gestão de negócios. Foi desenvolvido com um especialista no mundo corporativo e apresenta cinco áreas de tensão em empresas, criando relação com os intervalos musicais e como eles têm efeito com o sucesso das relações, seja na música, seja na empresa. A partir das tais 5 áreas de tensão, o programa apresenta  dez conceitos que devem ser aplicados nas empresas. O site da orquestra diz que o próprio grupo implementou esse programa internamente, para render melhor, e oferece o serviço para o mercado. O slogam desse programa é “Aprendar pelo outro lado”, no caso, o lado do mundo sinfônico. Há um livro editado sobre o assunto, em alemão, chamado “A alta gestão precisa de dissonância”. O livro foi lançado em 2010.

Esse programa me lembrou o trabalho do maestro inglês Benjamin Zander, que é o regente principal da Filarmônica de Boston, nos Estados Unidos, mas que passa a maior parte do tempo dando palestras para o mundo corporativo em vários países. Conheço duas pessoas que já assistiram Bem Zander palestrando em convenções das empresas em que trabalham – ambos saíram eletrizados da palestra e , claro, compraram o livro dele vendido após a palestra. Eu já assisti a uma palestra dele no site do TED, aquela organização que promove conferências em diversos locais do mundo. Basta digitar no google “Benjamin Zander” e depois TED (soletrar). No dia em que gravei esse comentário fui lá na página deles pra ver se a palestra ainda estava no ar para poder recomendar para você e vi que já tinha sido vista de 1 milhão e meio de vezes. Para você ver que o regente é um palestrante e showman nato.

Aqui no Brasil, eu lembro de, épocas atrás, saber que o maestro Diogo Pacheco fazia palestras em empresas usando a orquestra como exemplo e modelo possível para o mundo dos negócios. Diogo ficou conhecido do grande público no Brasil quando, nos anos 90, apresentou na TV Globo um programa de concertos de música clássica, lamentavelmente  há muito fora da grade de programação da emissora.

O mundo sinfônico tem mesmo muito a ensinar ao mundo corporativo, seja na maneira como resolve suas dissonâncias internas e tensões, seja como modelo de resultado de equipes , seus processos e bastidores.

]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_29_04-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_29_04-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:29:04 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_29_04-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_29_04-08_00.mp3?_=1320758962.5290307" length="3405982" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>212</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>A Orquestra de C&#226;mara de Bremen tem um trabalho relevante naquela cidade alem&#227; &#8211; em agosto de 2011, o Rio tem a chance de ouvir os m&#250;sicos, que tocam por aqui trazidos pela Dell&#180;Arte &#8211; mas tem tamb&#233;m um projeto em &#225;rea que poucos no mundo dos cl&#225;ssicos entram. 

Desde 2003, Orquestra tem um programa chamado &#8220;Modelo de 5 segundos&#8221; voltado para gest&#227;o de neg&#243;cios. Foi desenvolvido com um especialista no mundo corporativo e apresenta cinco &#225;reas de tens&#227;o em empresas, criando rela&#231;&#227;o com os intervalos musicais e como eles t&#234;m efeito com o sucesso das rela&#231;&#245;es, seja na m&#250;sica, seja na empresa. A partir das tais 5 &#225;reas de tens&#227;o, o programa apresenta  dez conceitos que devem ser aplicados nas empresas. O site da orquestra diz que o pr&#243;prio grupo implementou esse programa internamente, para render melhor, e oferece o servi&#231;o para o mercado. O slogam desse programa &#233; &#8220;Aprendar pelo outro lado&#8221;, no caso, o lado do mundo sinf&#244;nico. H&#225; um livro editado sobre o assunto, em alem&#227;o, chamado &#8220;A alta gest&#227;o precisa de disson&#226;ncia&#8221;. O livro foi lan&#231;ado em 2010.

Esse programa me lembrou o trabalho do maestro ingl&#234;s Benjamin Zander, que &#233; o regente principal da Filarm&#244;nica de Boston, nos Estados Unidos, mas que passa a maior parte do tempo dando palestras para o mundo corporativo em v&#225;rios pa&#237;ses. Conhe&#231;o duas pessoas que j&#225; assistiram Bem Zander palestrando em conven&#231;&#245;es das empresas em que trabalham &#8211; ambos sa&#237;ram eletrizados da palestra e , claro, compraram o livro dele vendido ap&#243;s a palestra. Eu j&#225; assisti a uma palestra dele no site do TED, aquela organiza&#231;&#227;o que promove confer&#234;ncias em diversos locais do mundo. Basta digitar no google &#8220;Benjamin Zander&#8221; e depois TED (soletrar). No dia em que gravei esse coment&#225;rio fui l&#225; na p&#225;gina deles pra ver se a palestra ainda estava no ar para poder recomendar para voc&#234; e vi que j&#225; tinha sido vista de 1 milh&#227;o e meio de vezes. Para voc&#234; ver que o regente &#233; um palestrante e showman nato.

Aqui no Brasil, eu lembro de, &#233;pocas atr&#225;s, saber que o maestro Diogo Pacheco fazia palestras em empresas usando a orquestra como exemplo e modelo poss&#237;vel para o mundo dos neg&#243;cios. Diogo ficou conhecido do grande p&#250;blico no Brasil quando, nos anos 90, apresentou na TV Globo um programa de concertos de m&#250;sica cl&#225;ssica, lamentavelmente  h&#225; muito fora da grade de programa&#231;&#227;o da emissora.

O mundo sinf&#244;nico tem mesmo muito a ensinar ao mundo corporativo, seja na maneira como resolve suas disson&#226;ncias internas e tens&#245;es, seja como modelo de resultado de equipes , seus processos e bastidores.

</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A Orquestra de C&#226;mara de Bremen tem um trabalho relevante naquela cidade alem&#227; &#8211; em agosto de 201...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Fauxharmonic Orchestra, um projeto digital t&#237;pico do s&#233;culo 21 </title>
      <description>
        <![CDATA[Os tempos digitais reservam ainda muitas surpresas, especialmente para nós que nascemos e fomos criados nos tempos analógicos. Tomei conhecimento faz pouco tempo de um serviço curioso chamado Fauxharmonic Orchestra. É um trocadilho entre a palavra Philaharmonic, Fialrmônica, de Orquestra Filarmônica, com o termo francês FAUX, que quer dizer falso. Então, Fauxharmonic nada mais é do que uma orquestra falsa. 

Bem, falsa em termos, pois a estrutura sonoraé de orquestra mesmo, mas o som é totalmente criado no mundo digital. Não há músicos tocando, mas sim uma coleção de sons digitais cuidadosamente produzidos para soar o mais próximo possível do som humano. Ah, sim, importante dizer: a Fauxharmonic não é um grupo musical, uma orquestra, mas sim um serviço voltado basicamente a compositores que querem ou precisam ter suas criações gravadas mas não querem ou não têm verba para contratar uma orquestra real. Ou então no caso de trilhas de videogame, que fica não tem orçamento  para contratar músicos de verdade para gravar. É um serviço típico desse começo de século 21.

A Fauxharmonic começou suas atividades em 2003 e tem seus quadros compostos por compositores, regentes e músicos de orquestra que foram qualificados para tocar no mundo real e ao mesmo tempo tem experiência com tecnologia digital. Eles levam sua experiência do mundo real e seu conhecimento dos sons não-humanos para o ambiente digital, de forma a criar os sons mais parecidos possíveis com a orquestra de verdade. O  site fauxharmonic.com (soletrar) tem umas amostras de música: orquestra completa, concerto com solista, música de câmara, instrumento solo. Eu escutei lá um trecho do prelúdio da “Suite N.1” para violoncelo solo de Bach e a coisa é realmente bem próxima do real. Eu sabia que eram todos sons digitais e ouço muita música, digamos, humana, mas para quem não tem tanta milhagem em música clássica poderia mesmo jurar que é um violoncelista tocando.

É interessante um dos aspectos que o povo da Fauxharmonic julga ponto alto do seu negócio: é a possibilidade de compositores mostrarem de maneira melhor e mais rápida as suas obras para programadores musicais de orquestras ou para grupos de câmara. Em vez de mandar a partitura e esperar que a direção artística separe um tempo que pode ser grande para ler e ouvir a musica no ouvido interno, o compositor pode encomendar que a Fauxharmonic toque seu trabalho, gerando um arquivo de áudio que é muito mais fácil e rápido para ser ouvido e avaliado. O site tem inclusive depoimento de compositor que fez isso e conseguiu emplacar sua música na programação de uma orquestra americana. Tem lá uma tabela aproximada de custos que aponta o custo de 4 mil dólares para a Fauxharmonic entregar o áudio completa da sua msuica orquestral, mas não fica claro qual a orquestração e quanto tempo de música custam esse preço.

Um outro serviço típico dos tempos digitais queeles oferecem é o “Mistake Killer” (“Exterminador de erros”). O compositor pode mandar a gravação original de uma música que tenha tido algum erro, como o trompete que entrou no momento errado por exemplo, e o povo da Fauxharmonic corrige isso e otras cositas mas, como notas erradas, tosse do público. É um serviço pra profissionais, mas pode ser interessante você dar uma olhada na coisa. Vou repetir o endereço. Fauxharmonic. com (soletrar)

]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_25_27-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_25_27-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:25:27 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_25_27-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_25_27-08_00.mp3?_=1320758750.5290298" length="4613884" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>288</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Os tempos digitais reservam ainda muitas surpresas, especialmente para n&#243;s que nascemos e fomos criados nos tempos anal&#243;gicos. Tomei conhecimento faz pouco tempo de um servi&#231;o curioso chamado Fauxharmonic Orchestra. &#201; um trocadilho entre a palavra Philaharmonic, Fialrm&#244;nica, de Orquestra Filarm&#244;nica, com o termo franc&#234;s FAUX, que quer dizer falso. Ent&#227;o, Fauxharmonic nada mais &#233; do que uma orquestra falsa. 

Bem, falsa em termos, pois a estrutura sonora&#233; de orquestra mesmo, mas o som &#233; totalmente criado no mundo digital. N&#227;o h&#225; m&#250;sicos tocando, mas sim uma cole&#231;&#227;o de sons digitais cuidadosamente produzidos para soar o mais pr&#243;ximo poss&#237;vel do som humano. Ah, sim, importante dizer: a Fauxharmonic n&#227;o &#233; um grupo musical, uma orquestra, mas sim um servi&#231;o voltado basicamente a compositores que querem ou precisam ter suas cria&#231;&#245;es gravadas mas n&#227;o querem ou n&#227;o t&#234;m verba para contratar uma orquestra real. Ou ent&#227;o no caso de trilhas de videogame, que fica n&#227;o tem or&#231;amento  para contratar m&#250;sicos de verdade para gravar. &#201; um servi&#231;o t&#237;pico desse come&#231;o de s&#233;culo 21.

A Fauxharmonic come&#231;ou suas atividades em 2003 e tem seus quadros compostos por compositores, regentes e m&#250;sicos de orquestra que foram qualificados para tocar no mundo real e ao mesmo tempo tem experi&#234;ncia com tecnologia digital. Eles levam sua experi&#234;ncia do mundo real e seu conhecimento dos sons n&#227;o-humanos para o ambiente digital, de forma a criar os sons mais parecidos poss&#237;veis com a orquestra de verdade. O  site fauxharmonic.com (soletrar) tem umas amostras de m&#250;sica: orquestra completa, concerto com solista, m&#250;sica de c&#226;mara, instrumento solo. Eu escutei l&#225; um trecho do prel&#250;dio da &#8220;Suite N.1&#8221; para violoncelo solo de Bach e a coisa &#233; realmente bem pr&#243;xima do real. Eu sabia que eram todos sons digitais e ou&#231;o muita m&#250;sica, digamos, humana, mas para quem n&#227;o tem tanta milhagem em m&#250;sica cl&#225;ssica poderia mesmo jurar que &#233; um violoncelista tocando.

&#201; interessante um dos aspectos que o povo da Fauxharmonic julga ponto alto do seu neg&#243;cio: &#233; a possibilidade de compositores mostrarem de maneira melhor e mais r&#225;pida as suas obras para programadores musicais de orquestras ou para grupos de c&#226;mara. Em vez de mandar a partitura e esperar que a dire&#231;&#227;o art&#237;stica separe um tempo que pode ser grande para ler e ouvir a musica no ouvido interno, o compositor pode encomendar que a Fauxharmonic toque seu trabalho, gerando um arquivo de &#225;udio que &#233; muito mais f&#225;cil e r&#225;pido para ser ouvido e avaliado. O site tem inclusive depoimento de compositor que fez isso e conseguiu emplacar sua m&#250;sica na programa&#231;&#227;o de uma orquestra americana. Tem l&#225; uma tabela aproximada de custos que aponta o custo de 4 mil d&#243;lares para a Fauxharmonic entregar o &#225;udio completa da sua msuica orquestral, mas n&#227;o fica claro qual a orquestra&#231;&#227;o e quanto tempo de m&#250;sica custam esse pre&#231;o.

Um outro servi&#231;o t&#237;pico dos tempos digitais queeles oferecem &#233; o &#8220;Mistake Killer&#8221; (&#8220;Exterminador de erros&#8221;). O compositor pode mandar a grava&#231;&#227;o original de uma m&#250;sica que tenha tido algum erro, como o trompete que entrou no momento errado por exemplo, e o povo da Fauxharmonic corrige isso e otras cositas mas, como notas erradas, tosse do p&#250;blico. &#201; um servi&#231;o pra profissionais, mas pode ser interessante voc&#234; dar uma olhada na coisa. Vou repetir o endere&#231;o. Fauxharmonic. com (soletrar)

</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Os tempos digitais reservam ainda muitas surpresas, especialmente para n&#243;s que nascemos e fomos c...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>A bela trajet&#243;ria da Orquestra Juvenil da Bahia e do projeto Neojib&#225;</title>
      <description>
        <![CDATA[Um dos grupos artísticos brasileiros que tem crescido e trilhado um caminho de muita consistência é a Orquestra Sinfônica Juvenil da Bahia, fruto de um importante projeto social de ensino de instrumentos chamado Neojibá – essa palavra Neojibá é uma sigla formada a partir do nome: Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia. É um projeto que começou em 2007, liderado pelo ótimo pianista baiano Ricardo Castro, que ficou muito tempo afastado do cotidiano musical do país por morar na Europa. 

O Neojibá é parceiro do Sistema da Venzuela e aplica aqui no Brasil, especificamente na Bahia, o método bem-sucedido de inserção social pelo ensino de instrumentos de orquestra. Essa  orquestra juvenil começou a se apresentar fora da Bahia – eles tocaram no Festival de Campos do Jordão 2010 – e já tem concertos internacionais na bagagem. Participaram de um festival dedicado ao Brasil no Barbican Center de Londres, foram o grupo escolhido pelo superstar do piano, o chinês Lang-Lang, para um concerto que apresenta jovens talentos mundiais e, mais recente, uma turnê pela Alemanha e Suíça participando de festivais de música. 

Nesses espetáculos internacionais, o grupo dirigido por Ricardo Castro usa nome em inglês Youth Orchestra of Bahia e sempre toca música de compositores clássicos nacionais, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez. Na turnê de festivais, eles programaram a estreia de uma obra do compositor contemporâneo baiano  Wellington Gomes. Não foi à toa que o jornal inglês “Sunday Times” classificou o grupo como “orgulho do Brasil”. Dá mesmo uma alegria imensa ver os meninos e meninas da Bahia brilhando além-mar.

Outro grupo artístico jovem que tem feito bonito, muito bonito é a Sinfônica Heliópolis, em São Paulo, também fruto de projeto social de construção de cidadania via ensino de instrumentos de orquestra. Muito tempo antes da Bahia, em São Paulo o projeto fundado e dirigido pelo Instituto Bacarelli na favela de Heliópolis tem construído uma linda história de resultados sociais e musicais. A motivação inicial foi na década de 90, quando um incêndio de grandes  proporções causou grande destruição na comunidade. A inspiração do maestro Silvio Bacarelli, iniciador do projeto, também veio da Venezuela, mas sem vínculos oficiais como na Bahia. Bastaram alguns anos para muitos talentos musicais surgirem em Heliópolis ou se dirigirem a Heliópolis para estudar. A orquestra ficou bons anos sob ocomando do maestro Roberto Tibiriçá, que já tinha dirigido aqui no Rio tanto a Orquestra Sinfônica Brasileira como a Petrobras Sinfônica. Tibiriçá fez um trabalho importantíssimo lá – o grupo chegou a fazer uma turnê na Europa, tocando no prestigiado Festival Beethoven, em Bonn, cidade natal do compositor. Hoje, a direção artística da Sinfônica Heliópolis é de Isaac Karabtchevsky.

Os grupos artísticos advindos de projetos sociais têm uma energia bem diferente da encontrada no circuito sinfônico regular. São garotos e garotas que encontraram na música um horizonte novo e ampliado para a vida, têm fogo de aprender, têm determinação e garra para ir além e vencer.  Claro, são jovens músicos ainda em formação, ainda estão construindo sua sonoridade e sua técnica.  Quando um desses grupos vier tocar no Rio – a Sinfônica Heliópolis e a Orquestra Juvenil da Bahia – você tem que estar lá para assistir. A revista Agenda VivaMúsica!, que eu publico e edito, certamente vai alertar.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_20_28-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_20_28-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:20:28 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_20_28-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_20_28-08_00.mp3?_=1320758474.5290286" length="4298470" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>268</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Um dos grupos art&#237;sticos brasileiros que tem crescido e trilhado um caminho de muita consist&#234;ncia &#233; a Orquestra Sinf&#244;nica Juvenil da Bahia, fruto de um importante projeto social de ensino de instrumentos chamado Neojib&#225; &#8211; essa palavra Neojib&#225; &#233; uma sigla formada a partir do nome: N&#250;cleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia. &#201; um projeto que come&#231;ou em 2007, liderado pelo &#243;timo pianista baiano Ricardo Castro, que ficou muito tempo afastado do cotidiano musical do pa&#237;s por morar na Europa. 

O Neojib&#225; &#233; parceiro do Sistema da Venzuela e aplica aqui no Brasil, especificamente na Bahia, o m&#233;todo bem-sucedido de inser&#231;&#227;o social pelo ensino de instrumentos de orquestra. Essa  orquestra juvenil come&#231;ou a se apresentar fora da Bahia &#8211; eles tocaram no Festival de Campos do Jord&#227;o 2010 &#8211; e j&#225; tem concertos internacionais na bagagem. Participaram de um festival dedicado ao Brasil no Barbican Center de Londres, foram o grupo escolhido pelo superstar do piano, o chin&#234;s Lang-Lang, para um concerto que apresenta jovens talentos mundiais e, mais recente, uma turn&#234; pela Alemanha e Su&#237;&#231;a participando de festivais de m&#250;sica. 

Nesses espet&#225;culos internacionais, o grupo dirigido por Ricardo Castro usa nome em ingl&#234;s Youth Orchestra of Bahia e sempre toca m&#250;sica de compositores cl&#225;ssicos nacionais, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez. Na turn&#234; de festivais, eles programaram a estreia de uma obra do compositor contempor&#226;neo baiano  Wellington Gomes. N&#227;o foi &#224; toa que o jornal ingl&#234;s &#8220;Sunday Times&#8221; classificou o grupo como &#8220;orgulho do Brasil&#8221;. D&#225; mesmo uma alegria imensa ver os meninos e meninas da Bahia brilhando al&#233;m-mar.

Outro grupo art&#237;stico jovem que tem feito bonito, muito bonito &#233; a Sinf&#244;nica Heli&#243;polis, em S&#227;o Paulo, tamb&#233;m fruto de projeto social de constru&#231;&#227;o de cidadania via ensino de instrumentos de orquestra. Muito tempo antes da Bahia, em S&#227;o Paulo o projeto fundado e dirigido pelo Instituto Bacarelli na favela de Heli&#243;polis tem constru&#237;do uma linda hist&#243;ria de resultados sociais e musicais. A motiva&#231;&#227;o inicial foi na d&#233;cada de 90, quando um inc&#234;ndio de grandes  propor&#231;&#245;es causou grande destrui&#231;&#227;o na comunidade. A inspira&#231;&#227;o do maestro Silvio Bacarelli, iniciador do projeto, tamb&#233;m veio da Venezuela, mas sem v&#237;nculos oficiais como na Bahia. Bastaram alguns anos para muitos talentos musicais surgirem em Heli&#243;polis ou se dirigirem a Heli&#243;polis para estudar. A orquestra ficou bons anos sob ocomando do maestro Roberto Tibiri&#231;&#225;, que j&#225; tinha dirigido aqui no Rio tanto a Orquestra Sinf&#244;nica Brasileira como a Petrobras Sinf&#244;nica. Tibiri&#231;&#225; fez um trabalho important&#237;ssimo l&#225; &#8211; o grupo chegou a fazer uma turn&#234; na Europa, tocando no prestigiado Festival Beethoven, em Bonn, cidade natal do compositor. Hoje, a dire&#231;&#227;o art&#237;stica da Sinf&#244;nica Heli&#243;polis &#233; de Isaac Karabtchevsky.

Os grupos art&#237;sticos advindos de projetos sociais t&#234;m uma energia bem diferente da encontrada no circuito sinf&#244;nico regular. S&#227;o garotos e garotas que encontraram na m&#250;sica um horizonte novo e ampliado para a vida, t&#234;m fogo de aprender, t&#234;m determina&#231;&#227;o e garra para ir al&#233;m e vencer.  Claro, s&#227;o jovens m&#250;sicos ainda em forma&#231;&#227;o, ainda est&#227;o construindo sua sonoridade e sua t&#233;cnica.  Quando um desses grupos vier tocar no Rio &#8211; a Sinf&#244;nica Heli&#243;polis e a Orquestra Juvenil da Bahia &#8211; voc&#234; tem que estar l&#225; para assistir. A revista Agenda VivaM&#250;sica!, que eu publico e edito, certamente vai alertar.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Um dos grupos art&#237;sticos brasileiros que tem crescido e trilhado um caminho de muita consist&#234;ncia...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Hahn-Bin, o violinista ousado que se expressa pelo violino e pelas pol&#234;micas</title>
      <description>
        <![CDATA[Você já ouviu falar de um violinista novo chamado Hahn-Bin (soletrar)? Ele é coreano,  tem 23 anos, mora nos EUA. Bem, a pergunta certa a fazer é “você já viu uma imagem de Hahn-Bin”?  

Trata-se de um artista de grande talento musical, ele se lançou sob os auspícios de seu professor, o lendário Itzhak Perlman e avalizado por outra lenda do instrumento, Isaac Stern, mas, principalmente, é um músico que se expressa não só pelos sons que saem de seu violino. Ele é um performer, alguém que se vale de elementos visuais, gestuais, cênicos. Começando pelo jeito como se arruma e as roupas que veste: ele compõe um visual que causa muito impacto. Suas feições são orientais, ele usa cabelo tipo moicano, que é aquele raspado dos lados e com um topete tipo crina de cavalo. Visualizou o cabelo? Agora, vamos pegar uns elementos a la Lady Gaga, a cantora pop, e contextualizar para o caso de Hahn-Bin. Assim como Lady Gaga, ele gosta de uma maquiagem pesada, roupas extravagantes e adereços estranhos, tipo máscaras no estilo do Carnaval de Veneza. Tem um víde no YouTube muito interessante apresentando o Hahn-Bin. Digite“Classic Young Stars” e depois “Hahn-Bin”.

Nesse vídeo, ele conta uma história, de quando, ainda na adolescência, se mudou para Nova York pra estudar e foi pela primeira vez ao Carnegie Hall, aos concertos do Lincoln Center, e algo de cara lhe chamou atenção: quase metade dos espectadores dormia em algum momento do concerto. Ele se diz “São os minutos de sono mais caros do mundo: pagar cem dólares pra tirar uma soneca durante o concerto”. E Hahn-Bin continua dizendo o seguinte: “Essa é a realidade em muitas salas nos Estados Unidos, o público parece não estar lá para ter uma experiência plena e assistir a uma performance. Os artistas têm uma grande responsabilidade ao subir ao palco e muitas vezes não se dão conta que responsáveis são pelo público, que saiu de casa para só para assistir”. 

E o violinista coreano continua essa linha de raciocínio... “Sinto o peso da responsabilidade de transmitir ao público algo que os mova, que chegue ao coração, e também de apresentar um performance que os solicite e os faça questionar aspectos da vida. É isso que um artista faz, cria um espaço onde o público possa viver experiências durante uma hora e meia e depois levar consigo. Costumo dizer que minha arte é como o leite: o público pode transformar ela em iogurte ou queijo. Sempre penso no meu público como metade da minha performance. Somos verdadeiros parceiros”. E finalmente o que Hahn-Bin diz de sua aparência extravagante. “O que aparece no meu exterior é reflexo do que tenho por dentro. Não é apenas uma escolha do que vestir, é a expressão de quem eu sou.”.

Gostei da atitude e do som de Hahn-Bin e consegui compreender uma das imagens que este vídeo mostra: o violinista tocando deitado no chão, de decúbito dorsal no palco, na frente do pianista que o acompanhava . Imagem estranhíssima, mas que me pareceu inserida em um contexto de performance possível. Vai saber como ele consegue manter os movimentos do arco e das mãos naquela  posição, pelo jeito, ele deve treinar à beça essas tiradas cênicas. Ele é um artista que parece mesmo ter algo a acrescentar no mundo dos clássicos. Claro que se trata de um jovem que deve ter problemas para lidar com tanta exposição. Ele fez a bobagem de postar no Twitter a seguinte frase: “Sou o Viagra da música clássica e a aspirina da cultura pop”. E também já esqueceu em um táxi um de seus preciosos instrumentos, avaliado em 500 mil dólares. Mas, mesmo assim, temos aí um artista em quem vale prestar atenção.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_15_04-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_15_04-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:15:04 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_15_04-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_15_04-08_00.mp3?_=1320758138.5290268" length="4799603" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>299</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Voc&#234; j&#225; ouviu falar de um violinista novo chamado Hahn-Bin (soletrar)? Ele &#233; coreano,  tem 23 anos, mora nos EUA. Bem, a pergunta certa a fazer &#233; &#8220;voc&#234; j&#225; viu uma imagem de Hahn-Bin&#8221;?  

Trata-se de um artista de grande talento musical, ele se lan&#231;ou sob os ausp&#237;cios de seu professor, o lend&#225;rio Itzhak Perlman e avalizado por outra lenda do instrumento, Isaac Stern, mas, principalmente, &#233; um m&#250;sico que se expressa n&#227;o s&#243; pelos sons que saem de seu violino. Ele &#233; um performer, algu&#233;m que se vale de elementos visuais, gestuais, c&#234;nicos. Come&#231;ando pelo jeito como se arruma e as roupas que veste: ele comp&#245;e um visual que causa muito impacto. Suas fei&#231;&#245;es s&#227;o orientais, ele usa cabelo tipo moicano, que &#233; aquele raspado dos lados e com um topete tipo crina de cavalo. Visualizou o cabelo? Agora, vamos pegar uns elementos a la Lady Gaga, a cantora pop, e contextualizar para o caso de Hahn-Bin. Assim como Lady Gaga, ele gosta de uma maquiagem pesada, roupas extravagantes e adere&#231;os estranhos, tipo m&#225;scaras no estilo do Carnaval de Veneza. Tem um v&#237;de no YouTube muito interessante apresentando o Hahn-Bin. Digite&#8220;Classic Young Stars&#8221; e depois &#8220;Hahn-Bin&#8221;.

Nesse v&#237;deo, ele conta uma hist&#243;ria, de quando, ainda na adolesc&#234;ncia, se mudou para Nova York pra estudar e foi pela primeira vez ao Carnegie Hall, aos concertos do Lincoln Center, e algo de cara lhe chamou aten&#231;&#227;o: quase metade dos espectadores dormia em algum momento do concerto. Ele se diz &#8220;S&#227;o os minutos de sono mais caros do mundo: pagar cem d&#243;lares pra tirar uma soneca durante o concerto&#8221;. E Hahn-Bin continua dizendo o seguinte: &#8220;Essa &#233; a realidade em muitas salas nos Estados Unidos, o p&#250;blico parece n&#227;o estar l&#225; para ter uma experi&#234;ncia plena e assistir a uma performance. Os artistas t&#234;m uma grande responsabilidade ao subir ao palco e muitas vezes n&#227;o se d&#227;o conta que respons&#225;veis s&#227;o pelo p&#250;blico, que saiu de casa para s&#243; para assistir&#8221;. 

E o violinista coreano continua essa linha de racioc&#237;nio... &#8220;Sinto o peso da responsabilidade de transmitir ao p&#250;blico algo que os mova, que chegue ao cora&#231;&#227;o, e tamb&#233;m de apresentar um performance que os solicite e os fa&#231;a questionar aspectos da vida. &#201; isso que um artista faz, cria um espa&#231;o onde o p&#250;blico possa viver experi&#234;ncias durante uma hora e meia e depois levar consigo. Costumo dizer que minha arte &#233; como o leite: o p&#250;blico pode transformar ela em iogurte ou queijo. Sempre penso no meu p&#250;blico como metade da minha performance. Somos verdadeiros parceiros&#8221;. E finalmente o que Hahn-Bin diz de sua apar&#234;ncia extravagante. &#8220;O que aparece no meu exterior &#233; reflexo do que tenho por dentro. N&#227;o &#233; apenas uma escolha do que vestir, &#233; a express&#227;o de quem eu sou.&#8221;.

Gostei da atitude e do som de Hahn-Bin e consegui compreender uma das imagens que este v&#237;deo mostra: o violinista tocando deitado no ch&#227;o, de dec&#250;bito dorsal no palco, na frente do pianista que o acompanhava . Imagem estranh&#237;ssima, mas que me pareceu inserida em um contexto de performance poss&#237;vel. Vai saber como ele consegue manter os movimentos do arco e das m&#227;os naquela  posi&#231;&#227;o, pelo jeito, ele deve treinar &#224; be&#231;a essas tiradas c&#234;nicas. Ele &#233; um artista que parece mesmo ter algo a acrescentar no mundo dos cl&#225;ssicos. Claro que se trata de um jovem que deve ter problemas para lidar com tanta exposi&#231;&#227;o. Ele fez a bobagem de postar no Twitter a seguinte frase: &#8220;Sou o Viagra da m&#250;sica cl&#225;ssica e a aspirina da cultura pop&#8221;. E tamb&#233;m j&#225; esqueceu em um t&#225;xi um de seus preciosos instrumentos, avaliado em 500 mil d&#243;lares. Mas, mesmo assim, temos a&#237; um artista em quem vale prestar aten&#231;&#227;o.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Voc&#234; j&#225; ouviu falar de um violinista novo chamado Hahn-Bin (soletrar)? Ele &#233; coreano,  tem 23 ano...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>As iniciativas da Deutsche Grammophon para novos p&#250;blicos</title>
      <description>
        <![CDATA[Faz mais ou menos dez anos, talvez onze, acho que foi em 2000, que a gravadora alemã Deutsche Grammophon começou a efetivamente investir em uma linguagem diferente para apresentar seu catálogo de música clássica a novos consumidores. Um amigo meu trabalha lá desde esta época e acabei tendo algumas informações interessantes sobre aquele momento em que a companhia começou a direcionar esforços no sentido de se renovar. Talvez tenha tido a ver com a virada do milênio, talvez tenha sido mesmo a questão das vendas nada aquecidas, tanto de catálogo regular como de novos artistas. Era preciso adaptar a comunicação da música clássica à realidade daqueles que fazem a roda da indústria fonográfica girar: os jovens. 

Pois a Deutsche Grammophon, que praticamente só trabalha com música clássica há mais de 100 anos, percebeu que ou passava a falar a língua dos mais jovens ou estaria fadada a encerrar atividades em mais algumas décadas. Hoje a gente vê que essa proposta, na época aparentemente super radical, não apenas deu certo como entrou pro DNA da companhia.  Naquele início de novo milênio, lembro  do meu amigo contando que a companhia estava muito, muito interessada em estabelecer novos parâmetros de comunicação de música clássica com a juventude. 

Um belo dia, bateu na porta lá da gravadora um jovem estudante de design apresentando um trabalho que ele havia feito para a faculdade em que pegava nomes de músicas clássicas famosas e associava a fotografias inusitadas. Para “O lago dos cisnes”, o balé de Tchaikosvky, o tal estudante associou a uma imagem de punks com cabelo moicano molhados , brincando em  uma fonte de parque público. A gravadora acabou comprando o trabalho desse estudante e usando como campanha publicitária. E, desde então, essa é a empresa no mundo que mais tem feito para trazer ar fresco ao artístico e ao marketing dos clássicos. Uma espécie de Aggiornamento, termo em italiano que quer dizer “atualização” e foi para sempre associado ao Concílio Vaticano II, convocado por João 23. Esse papa chegou a dizer que a ideia era trazer “ar fresco” para a Igreja. Acho que o posicionamento da Deutsche Grammophon é justo esse do ar fresco, do aggiornamento.

Das iniciativas recentes da gravadora alemã, duas me chamaram especial atenção, acho que uma delas eu até já comentei aqui. Foi uma edição honrando o centenário de morte do compositor Gustav Mahler. Achei genial a maneira que a compilação de Mahler foi feita: a gravadora recebeu sugestões pela internet para compor o repertório. Se os tempos atuais possibilitam que todos tenhamos voz, seja nos comentários nos sites, nas redes sociais, até na TV o povo manda víde dizendo o que acha do futebol que está sendo jogado, claro que se tinha que dar voz também aos amantes de Mahler para que eles escolhessem obras e gravações que melhor representassem a genialidade do compositor. 

A outra iniciativa recente tem a ver com Liszt. Dia desses, chegou pelo correio um CD que esse meu amigo, hoje chefão na Deutsche Grammophon, mandou celebrando o bicentenário de nascimento de Liszt. Tomei até um susto quando tirei o CD duplo do envelope. Uma capa coloridíssima, remetendo à ´pop art e o título “Franz Liszt Super star”. Superstar é mesmo uma qualificação bem pertinente no caso. E mais uma do Aggiornamento da gravadora alemã a respeito de Liszt. Dá uma olhada no site liszt200(numeral, 2.0.0).com, que também celebra o bicentenário do compositor em CD-duplo. O slogan dessa coletânea está em inglês, WILD AND CRAZY, selvagem e alucinado. Pior é que Liszt alucinou mesmo, no melhor sentido do termo, vezes em sua criação no piano. Mas ai de quem, duas ou três décadas atrás, ousasse aproximar um grande mestre da música de conceitos assim. Ainda bem que o tempo do ar fresco chegou.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_10_53-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_10_53-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:10:53 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_10_53-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_10_53-08_00.mp3?_=1320757877.5290249" length="4704999" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>294</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Faz mais ou menos dez anos, talvez onze, acho que foi em 2000, que a gravadora alem&#227; Deutsche Grammophon come&#231;ou a efetivamente investir em uma linguagem diferente para apresentar seu cat&#225;logo de m&#250;sica cl&#225;ssica a novos consumidores. Um amigo meu trabalha l&#225; desde esta &#233;poca e acabei tendo algumas informa&#231;&#245;es interessantes sobre aquele momento em que a companhia come&#231;ou a direcionar esfor&#231;os no sentido de se renovar. Talvez tenha tido a ver com a virada do mil&#234;nio, talvez tenha sido mesmo a quest&#227;o das vendas nada aquecidas, tanto de cat&#225;logo regular como de novos artistas. Era preciso adaptar a comunica&#231;&#227;o da m&#250;sica cl&#225;ssica &#224; realidade daqueles que fazem a roda da ind&#250;stria fonogr&#225;fica girar: os jovens. 

Pois a Deutsche Grammophon, que praticamente s&#243; trabalha com m&#250;sica cl&#225;ssica h&#225; mais de 100 anos, percebeu que ou passava a falar a l&#237;ngua dos mais jovens ou estaria fadada a encerrar atividades em mais algumas d&#233;cadas. Hoje a gente v&#234; que essa proposta, na &#233;poca aparentemente super radical, n&#227;o apenas deu certo como entrou pro DNA da companhia.  Naquele in&#237;cio de novo mil&#234;nio, lembro  do meu amigo contando que a companhia estava muito, muito interessada em estabelecer novos par&#226;metros de comunica&#231;&#227;o de m&#250;sica cl&#225;ssica com a juventude. 

Um belo dia, bateu na porta l&#225; da gravadora um jovem estudante de design apresentando um trabalho que ele havia feito para a faculdade em que pegava nomes de m&#250;sicas cl&#225;ssicas famosas e associava a fotografias inusitadas. Para &#8220;O lago dos cisnes&#8221;, o bal&#233; de Tchaikosvky, o tal estudante associou a uma imagem de punks com cabelo moicano molhados , brincando em  uma fonte de parque p&#250;blico. A gravadora acabou comprando o trabalho desse estudante e usando como campanha publicit&#225;ria. E, desde ent&#227;o, essa &#233; a empresa no mundo que mais tem feito para trazer ar fresco ao art&#237;stico e ao marketing dos cl&#225;ssicos. Uma esp&#233;cie de Aggiornamento, termo em italiano que quer dizer &#8220;atualiza&#231;&#227;o&#8221; e foi para sempre associado ao Conc&#237;lio Vaticano II, convocado por Jo&#227;o 23. Esse papa chegou a dizer que a ideia era trazer &#8220;ar fresco&#8221; para a Igreja. Acho que o posicionamento da Deutsche Grammophon &#233; justo esse do ar fresco, do aggiornamento.

Das iniciativas recentes da gravadora alem&#227;, duas me chamaram especial aten&#231;&#227;o, acho que uma delas eu at&#233; j&#225; comentei aqui. Foi uma edi&#231;&#227;o honrando o centen&#225;rio de morte do compositor Gustav Mahler. Achei genial a maneira que a compila&#231;&#227;o de Mahler foi feita: a gravadora recebeu sugest&#245;es pela internet para compor o repert&#243;rio. Se os tempos atuais possibilitam que todos tenhamos voz, seja nos coment&#225;rios nos sites, nas redes sociais, at&#233; na TV o povo manda v&#237;de dizendo o que acha do futebol que est&#225; sendo jogado, claro que se tinha que dar voz tamb&#233;m aos amantes de Mahler para que eles escolhessem obras e grava&#231;&#245;es que melhor representassem a genialidade do compositor. 

A outra iniciativa recente tem a ver com Liszt. Dia desses, chegou pelo correio um CD que esse meu amigo, hoje chef&#227;o na Deutsche Grammophon, mandou celebrando o bicenten&#225;rio de nascimento de Liszt. Tomei at&#233; um susto quando tirei o CD duplo do envelope. Uma capa colorid&#237;ssima, remetendo &#224; &#180;pop art e o t&#237;tulo &#8220;Franz Liszt Super star&#8221;. Superstar &#233; mesmo uma qualifica&#231;&#227;o bem pertinente no caso. E mais uma do Aggiornamento da gravadora alem&#227; a respeito de Liszt. D&#225; uma olhada no site liszt200(numeral, 2.0.0).com, que tamb&#233;m celebra o bicenten&#225;rio do compositor em CD-duplo. O slogan dessa colet&#226;nea est&#225; em ingl&#234;s, WILD AND CRAZY, selvagem e alucinado. Pior &#233; que Liszt alucinou mesmo, no melhor sentido do termo, vezes em sua cria&#231;&#227;o no piano. Mas ai de quem, duas ou tr&#234;s d&#233;cadas atr&#225;s, ousasse aproximar um grande mestre da m&#250;sica de conceitos assim. Ainda bem que o tempo do ar fresco chegou.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Faz mais ou menos dez anos, talvez onze, acho que foi em 2000, que a gravadora alem&#227; Deutsche Gra...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Ouvir r&#225;dio &#233; sentir junto, ao mesmo tempo, mas com sensa&#231;&#245;es diferentes</title>
      <description>
        <![CDATA[Quando a gente está ouvindo rádio claro que sabe que está ouvindo a mesma coisa que dezenas, centenas de milhares de outras pessoas. Muitas vezes temos a sensação de que aquela música ou aquele comentário foi especialmente para nós, mas, claro, a priori se sabe que é um veículo de comunicação de massa voltado para uma grande e heterogênea audiência. Mesmo uma emissora segmentada como a MEC FM, que não está, e nem é para estar, no topo do ranking de audiência, tem milhares e milhares de pessoas a cada minuto acompanhando a transmissão. Os ouvintes muitas vezes não se dão conta disso e nós que trabalhamos em rádio ás vezes também podemos perder esse horizonte de audiência, que é muito mais amplo do que supõe nossa vã filosofia.

Pois, dia desses, me aconteceu algo em uma corrida de táxi que remeteu imediatamente à questão. Quando entrei no carro, o motorista estava sintonizado na Band News FM. Era de manhã, horário em que o jornalista Ricardo Boechat comanda um programa de grande sucessp. Um dos parceiros de Boechat no programa é o colunista José Simão – se você já ouviu o Simão sabe que ele tem uma capacidade aparentemente inesgotável de tiradas engraçadas, piadas, é um dos sujeitos mais bem-humorados do país, pelo menos publicamente. O táxi estava em uma rua de grande movimento, dessas que tem várias pistas. Lá pelas tantas, José Simão soltou uma piada muito inusitada e engraçada. Segundos antes da tal piada, eu tinha olhado pro lado e visto que, na pista ao lado, um pouco atrás de nós, um outro taxista estava sem passageiro e parecia ouvir com atenção o rádio. No mesmo momento em que o motorista e eu soltamos o riso com a piada escrachada do Simão, o taxista do lado fez o mesmo. Claro, ele estava ouvindo a mesma coisa que nós.  Éramos muitas dezenas de milhares pessoas no Rio, centenas de milhares se for o caso de considerar a rede nacional em que aquele programa vai ao ar, que estávamos rindo da mesma coisa, na mesma hora.  

Os tempos de extrema individualização do consumo – o meu toque de celular é diferente do seu, o seu notebook tem uma capa que o meu não tem, o seu Facebook mostra coisas que o meu não mostra, é o seu nome que aparece no caixa do supermercado quando digita seu código – nestes tempos de eu, eu, eu, eu é fácil se esquecer do todos nós, daquilo que fazemos e sentimos todos juntos ao mesmo tempo.

Essa história da piada no rádio que provoca reação imediata igualzinha em milhares de pessoas ao mesmo tempo me fez pensar a respeito da audição de música clássica e da nossa MEC FM, so que ao contrário.  Ao contrário do José Simão, que faz os brasileiros rirem em uníssono porque compreenderam a graça da coisa, e essa graça é uma só, aqui na MEC FM a rádio oferece uma música e tem milhares de resultados diferentes.

Quantas pessoas de perfis distintos, jeitos de pensar diferentes, expectativas outras, cada qual em seu momento de vida...esse número grande de indivíduos diferentes está sintonizado conosco agora e, daqui a pouco, vamos todos ouvir a mesma música anunciada pelo locutor. Em cada um de nós a música vai dizer algo diferente, gerar conexões individuais , eventualmente rememorar passagens significativas da nossa vida em que aquela música ou aquele compositor estiveram presentes. São reações individualíssimas provocadas por um meio de comunicação de massa.  Nesse sentido, é reconfortante saber que quatro séculos de história musical estão, mais que nunca, afinados com as experiências customizadas dos dias de hoje.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T05_06_30-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_06_30-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 13:06:30 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T05_06_30-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T05_06_30-08_00.mp3?_=1320757607.5290241" length="4037936" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>252</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Quando a gente est&#225; ouvindo r&#225;dio claro que sabe que est&#225; ouvindo a mesma coisa que dezenas, centenas de milhares de outras pessoas. Muitas vezes temos a sensa&#231;&#227;o de que aquela m&#250;sica ou aquele coment&#225;rio foi especialmente para n&#243;s, mas, claro, a priori se sabe que &#233; um ve&#237;culo de comunica&#231;&#227;o de massa voltado para uma grande e heterog&#234;nea audi&#234;ncia. Mesmo uma emissora segmentada como a MEC FM, que n&#227;o est&#225;, e nem &#233; para estar, no topo do ranking de audi&#234;ncia, tem milhares e milhares de pessoas a cada minuto acompanhando a transmiss&#227;o. Os ouvintes muitas vezes n&#227;o se d&#227;o conta disso e n&#243;s que trabalhamos em r&#225;dio &#225;s vezes tamb&#233;m podemos perder esse horizonte de audi&#234;ncia, que &#233; muito mais amplo do que sup&#245;e nossa v&#227; filosofia.

Pois, dia desses, me aconteceu algo em uma corrida de t&#225;xi que remeteu imediatamente &#224; quest&#227;o. Quando entrei no carro, o motorista estava sintonizado na Band News FM. Era de manh&#227;, hor&#225;rio em que o jornalista Ricardo Boechat comanda um programa de grande sucessp. Um dos parceiros de Boechat no programa &#233; o colunista Jos&#233; Sim&#227;o &#8211; se voc&#234; j&#225; ouviu o Sim&#227;o sabe que ele tem uma capacidade aparentemente inesgot&#225;vel de tiradas engra&#231;adas, piadas, &#233; um dos sujeitos mais bem-humorados do pa&#237;s, pelo menos publicamente. O t&#225;xi estava em uma rua de grande movimento, dessas que tem v&#225;rias pistas. L&#225; pelas tantas, Jos&#233; Sim&#227;o soltou uma piada muito inusitada e engra&#231;ada. Segundos antes da tal piada, eu tinha olhado pro lado e visto que, na pista ao lado, um pouco atr&#225;s de n&#243;s, um outro taxista estava sem passageiro e parecia ouvir com aten&#231;&#227;o o r&#225;dio. No mesmo momento em que o motorista e eu soltamos o riso com a piada escrachada do Sim&#227;o, o taxista do lado fez o mesmo. Claro, ele estava ouvindo a mesma coisa que n&#243;s.  &#201;ramos muitas dezenas de milhares pessoas no Rio, centenas de milhares se for o caso de considerar a rede nacional em que aquele programa vai ao ar, que est&#225;vamos rindo da mesma coisa, na mesma hora.  

Os tempos de extrema individualiza&#231;&#227;o do consumo &#8211; o meu toque de celular &#233; diferente do seu, o seu notebook tem uma capa que o meu n&#227;o tem, o seu Facebook mostra coisas que o meu n&#227;o mostra, &#233; o seu nome que aparece no caixa do supermercado quando digita seu c&#243;digo &#8211; nestes tempos de eu, eu, eu, eu &#233; f&#225;cil se esquecer do todos n&#243;s, daquilo que fazemos e sentimos todos juntos ao mesmo tempo.

Essa hist&#243;ria da piada no r&#225;dio que provoca rea&#231;&#227;o imediata igualzinha em milhares de pessoas ao mesmo tempo me fez pensar a respeito da audi&#231;&#227;o de m&#250;sica cl&#225;ssica e da nossa MEC FM, so que ao contr&#225;rio.  Ao contr&#225;rio do Jos&#233; Sim&#227;o, que faz os brasileiros rirem em un&#237;ssono porque compreenderam a gra&#231;a da coisa, e essa gra&#231;a &#233; uma s&#243;, aqui na MEC FM a r&#225;dio oferece uma m&#250;sica e tem milhares de resultados diferentes.

Quantas pessoas de perfis distintos, jeitos de pensar diferentes, expectativas outras, cada qual em seu momento de vida...esse n&#250;mero grande de indiv&#237;duos diferentes est&#225; sintonizado conosco agora e, daqui a pouco, vamos todos ouvir a mesma m&#250;sica anunciada pelo locutor. Em cada um de n&#243;s a m&#250;sica vai dizer algo diferente, gerar conex&#245;es individuais , eventualmente rememorar passagens significativas da nossa vida em que aquela m&#250;sica ou aquele compositor estiveram presentes. S&#227;o rea&#231;&#245;es individual&#237;ssimas provocadas por um meio de comunica&#231;&#227;o de massa.  Nesse sentido, &#233; reconfortante saber que quatro s&#233;culos de hist&#243;ria musical est&#227;o, mais que nunca, afinados com as experi&#234;ncias customizadas dos dias de hoje.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Quando a gente est&#225; ouvindo r&#225;dio claro que sabe que est&#225; ouvindo a mesma coisa que dezenas, cent...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Di&#225;logo com outras artes: cl&#225;ssicos &amp; moda no projeto The Nouveau Classical (Nova York)</title>
      <description>
        <![CDATA[Uma dos objetivos do Anuário VivaMúsica!, livro que eu organizo e edito faz tempo, é promover a reflexão e a discussão de temas que dizem respeito ao cotidiano dos que trabalham no setor de música clássica do Brasil. Por isso o livro é chamado “guia de negócios”, porque reúne dados atualizados de pessoas e organizações, fomentando contatos entre elas e, consequentemente, negócios, e também porque propõe temas para discutir o negócio dos clássicos. 

A reportagem especial de 2011 diz respeito a projetos internacionais inovadores na apresentação do universo de concertos para os jovens. Meu objetivo foi compilar um número significativo de exemplos de forma a estimular que nós aqui no Brasil também nos animemos a realizar eventos de música clássica que sejam mais atraentes para a juventude. Reuni projetos organizados por orquestras em diversos países, por músicos, por casas noturnas e também identifiquei um projeto diferente que promove diálogo da música clássica com outras artes na cidade de Nova York. É dele que vou falar hoje.

Esse projeto americano se chama The Nouveau Classical, meio francês meio inglês, que promove o dialogo entre o universo de concertos e o mundo da moda. Quem conduz é uma moça de 28 anos chamada Sugar Vendil. Ela é pianista clássica e sempre se interessou por moda. A partir de 2008, ela conseguiu começar a realizar a ideia de promover encontro desses dois mundos. A ideia foi fazer recitais de câmara em que os músicos vestem coleções de jovens estilistas em locais diferenciados como galerias de arte. Cada concerto segue um conceito, que orienta tanto a escolha de repertório como de figurino. Já houve edições com os temas “Forma e figura” ou então “Visões”. O tipo de público que frequenta os recitais do Nouveau Classical vem da área de moda e design, é um nicho bem específico e que sabe valorizar aquele tipo de diálogo artístico. Eu conversei com a organizadora dessa série para o Anuário e ela confirmou que o objetivo era mesmo apresentar alguma coisa diferente e para um público em especial, no caso, o pessoal da moda. É uma maneira dos estilistas e demais envolvidos com o setor fashion travarem contato com a música clássica executada ao vivo em um ambiente com elementos bem familiares. Eu não cheguei a assistir nenhuma apresentação, mas vi muitas fotos dos recitais. Pra quem está distante do mundo da moda parece um pouco curioso as musicistas tocarem de chapéu ou outros adereços na cabeça, usando vestidos de concepção ousada....mas isso deve ser ótimo de ver pra quem é da moda, sem contar que os músicos são de boa qualidade e a música que está sendo tocada tem boa interpretação.

The Nouveau Classical tem tido de três a quatro eventos por ano, cerca de um mês antes do recital é organizada uma festa para levantar fundos. Bem interessante esse clima festivo do projeto de Sugar Vendil. 
Você encontra mais informações sobre o projeto The Nouveau Classical, de Nova York, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T04_38_02-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_38_02-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:38:02 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_38_02-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T04_38_02-08_00.mp3?_=1320755904.5290164" length="3986109" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>249</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Uma dos objetivos do Anu&#225;rio VivaM&#250;sica!, livro que eu organizo e edito faz tempo, &#233; promover a reflex&#227;o e a discuss&#227;o de temas que dizem respeito ao cotidiano dos que trabalham no setor de m&#250;sica cl&#225;ssica do Brasil. Por isso o livro &#233; chamado &#8220;guia de neg&#243;cios&#8221;, porque re&#250;ne dados atualizados de pessoas e organiza&#231;&#245;es, fomentando contatos entre elas e, consequentemente, neg&#243;cios, e tamb&#233;m porque prop&#245;e temas para discutir o neg&#243;cio dos cl&#225;ssicos. 

A reportagem especial de 2011 diz respeito a projetos internacionais inovadores na apresenta&#231;&#227;o do universo de concertos para os jovens. Meu objetivo foi compilar um n&#250;mero significativo de exemplos de forma a estimular que n&#243;s aqui no Brasil tamb&#233;m nos animemos a realizar eventos de m&#250;sica cl&#225;ssica que sejam mais atraentes para a juventude. Reuni projetos organizados por orquestras em diversos pa&#237;ses, por m&#250;sicos, por casas noturnas e tamb&#233;m identifiquei um projeto diferente que promove di&#225;logo da m&#250;sica cl&#225;ssica com outras artes na cidade de Nova York. &#201; dele que vou falar hoje.

Esse projeto americano se chama The Nouveau Classical, meio franc&#234;s meio ingl&#234;s, que promove o dialogo entre o universo de concertos e o mundo da moda. Quem conduz &#233; uma mo&#231;a de 28 anos chamada Sugar Vendil. Ela &#233; pianista cl&#225;ssica e sempre se interessou por moda. A partir de 2008, ela conseguiu come&#231;ar a realizar a ideia de promover encontro desses dois mundos. A ideia foi fazer recitais de c&#226;mara em que os m&#250;sicos vestem cole&#231;&#245;es de jovens estilistas em locais diferenciados como galerias de arte. Cada concerto segue um conceito, que orienta tanto a escolha de repert&#243;rio como de figurino. J&#225; houve edi&#231;&#245;es com os temas &#8220;Forma e figura&#8221; ou ent&#227;o &#8220;Vis&#245;es&#8221;. O tipo de p&#250;blico que frequenta os recitais do Nouveau Classical vem da &#225;rea de moda e design, &#233; um nicho bem espec&#237;fico e que sabe valorizar aquele tipo de di&#225;logo art&#237;stico. Eu conversei com a organizadora dessa s&#233;rie para o Anu&#225;rio e ela confirmou que o objetivo era mesmo apresentar alguma coisa diferente e para um p&#250;blico em especial, no caso, o pessoal da moda. &#201; uma maneira dos estilistas e demais envolvidos com o setor fashion travarem contato com a m&#250;sica cl&#225;ssica executada ao vivo em um ambiente com elementos bem familiares. Eu n&#227;o cheguei a assistir nenhuma apresenta&#231;&#227;o, mas vi muitas fotos dos recitais. Pra quem est&#225; distante do mundo da moda parece um pouco curioso as musicistas tocarem de chap&#233;u ou outros adere&#231;os na cabe&#231;a, usando vestidos de concep&#231;&#227;o ousada....mas isso deve ser &#243;timo de ver pra quem &#233; da moda, sem contar que os m&#250;sicos s&#227;o de boa qualidade e a m&#250;sica que est&#225; sendo tocada tem boa interpreta&#231;&#227;o.

The Nouveau Classical tem tido de tr&#234;s a quatro eventos por ano, cerca de um m&#234;s antes do recital &#233; organizada uma festa para levantar fundos. Bem interessante esse clima festivo do projeto de Sugar Vendil. 
Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre o projeto The Nouveau Classical, de Nova York, no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Uma dos objetivos do Anu&#225;rio VivaM&#250;sica!, livro que eu organizo e edito faz tempo, &#233; promover a r...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Casas noturnas recebem cl&#225;ssicos: s&#233;rie Limelight no The 100 Clube, em Londres</title>
      <description>
        <![CDATA[Se fosse para eleger a cidade do mundo que mais tem colaborado para que a música clássica ocupe um lugar de destaque na rotina de entretenimento dos jovens, essa cidade, sem dúvidas, é Londres. A capital da Inglaterra tem dado um banho também nisso. São muitas as opções que o circuito noturno de Londres oferece para juventude que quer ouvir música clássica e conhecer mais de perto esse universo sonoro, mas não se sente atraída pelo formato tradicional de concertos. Um dos projetos em curso por lá está na reportagem especial que o Anuário VivaMúsica! publica na edição 2011. Tem uma cobertura grande, cerca de 30 páginas, reunindo iniciativas internacionais que já consolidam formatos novos. A série de que vou falar hoje acontece em um lendário clube de rock.

Isso mesmo, o The 100 Club de Londres é um palco lendário do rock há muitas décadas. Dois anos atrás, surgiu a proposta de organizar recitais de câmara no 100 Club. A série se chama Limelight e tem acontecido mensalmente. A boa notícia é que os londrinos gostaram da ideia e estão lotando a casa, com capacidade para 350 pessoas. Pensa bem: 350 pessoas assistindo a música de câmara é um ótimo número no circuito tradicional clássico de qualquer cidade no mundo. Conversa com os organizadores de recitais aqui no Rio e você vai ver como não é simples atrair 350 espectadores, mesmo quando a entrada é gratuita. No caso do palco roqueiro londrino, o ingresso pra entrar custa o equivalente a 27 reais, estudantes têm desconto. O público fica sentado em mesinhas, como em um café.
Há um apresentador conduzindo a noite e os músicos que tocam são 

encorajados a dialogar com a plateia. Quem teve a ideia de fazer essa noite dedicada aos clássicos foi a dupla Milly Olykan e Emily Freeman. Ouve só o que elas têm a dizer: “Sentíamos falta de eventos de música clássica, em Londres, que tivessem a cara dos jovens. Muitas pessoas acham que os concertos de música clássica não são confortáveis. Você é olhado com raiva quando se levanta de seu assento, não sabe qual o momento certo para aplaudir e está completamen¬te separado dos artistas no palco. 
Queríamos construir algo informal e desafiador, mas que ainda assim respeitasse os artistas.” A fórmula da dupla deu certo, pelo jeito.

Você encontra mais informações sobre a série Limelight no The 100 Club de Londres Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T04_31_53-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_31_53-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:31:53 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_31_53-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T04_31_53-08_00.mp3?_=1320755537.5290150" length="3292715" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>205</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Se fosse para eleger a cidade do mundo que mais tem colaborado para que a m&#250;sica cl&#225;ssica ocupe um lugar de destaque na rotina de entretenimento dos jovens, essa cidade, sem d&#250;vidas, &#233; Londres. A capital da Inglaterra tem dado um banho tamb&#233;m nisso. S&#227;o muitas as op&#231;&#245;es que o circuito noturno de Londres oferece para juventude que quer ouvir m&#250;sica cl&#225;ssica e conhecer mais de perto esse universo sonoro, mas n&#227;o se sente atra&#237;da pelo formato tradicional de concertos. Um dos projetos em curso por l&#225; est&#225; na reportagem especial que o Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! publica na edi&#231;&#227;o 2011. Tem uma cobertura grande, cerca de 30 p&#225;ginas, reunindo iniciativas internacionais que j&#225; consolidam formatos novos. A s&#233;rie de que vou falar hoje acontece em um lend&#225;rio clube de rock.

Isso mesmo, o The 100 Club de Londres &#233; um palco lend&#225;rio do rock h&#225; muitas d&#233;cadas. Dois anos atr&#225;s, surgiu a proposta de organizar recitais de c&#226;mara no 100 Club. A s&#233;rie se chama Limelight e tem acontecido mensalmente. A boa not&#237;cia &#233; que os londrinos gostaram da ideia e est&#227;o lotando a casa, com capacidade para 350 pessoas. Pensa bem: 350 pessoas assistindo a m&#250;sica de c&#226;mara &#233; um &#243;timo n&#250;mero no circuito tradicional cl&#225;ssico de qualquer cidade no mundo. Conversa com os organizadores de recitais aqui no Rio e voc&#234; vai ver como n&#227;o &#233; simples atrair 350 espectadores, mesmo quando a entrada &#233; gratuita. No caso do palco roqueiro londrino, o ingresso pra entrar custa o equivalente a 27 reais, estudantes t&#234;m desconto. O p&#250;blico fica sentado em mesinhas, como em um caf&#233;.
H&#225; um apresentador conduzindo a noite e os m&#250;sicos que tocam s&#227;o 

encorajados a dialogar com a plateia. Quem teve a ideia de fazer essa noite dedicada aos cl&#225;ssicos foi a dupla Milly Olykan e Emily Freeman. Ouve s&#243; o que elas t&#234;m a dizer: &#8220;Sent&#237;amos falta de eventos de m&#250;sica cl&#225;ssica, em Londres, que tivessem a cara dos jovens. Muitas pessoas acham que os concertos de m&#250;sica cl&#225;ssica n&#227;o s&#227;o confort&#225;veis. Voc&#234; &#233; olhado com raiva quando se levanta de seu assento, n&#227;o sabe qual o momento certo para aplaudir e est&#225; completamen&#172;te separado dos artistas no palco. 
Quer&#237;amos construir algo informal e desafiador, mas que ainda assim respeitasse os artistas.&#8221; A f&#243;rmula da dupla deu certo, pelo jeito.

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a s&#233;rie Limelight no The 100 Club de Londres Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Se fosse para eleger a cidade do mundo que mais tem colaborado para que a m&#250;sica cl&#225;ssica ocupe u...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Casas noturnas recebem cl&#225;ssicos: a ousadia do Le Poisson Rouge (Nova York)</title>
      <description>
        <![CDATA[O Anuário VivaMúsica! 2011 dedica uma ampla reportagem para tratar de assunto importante na cena clássica brasileira e mundial: a conquista de novas plateias para os clássicos por meio de formatos diferenciados do concerto tradicional. Estamos falando aqui basicamente de eventos pensados para público jovem que não frequenta os eventos regulares do circuito clássico. 

Há muitas maneiras de organizar eventos atraentes para a juventude, mantendo o foco sempre no repertório clássico, sem interferência de outros gêneros musicais. Há cada vez um número maior de pessoas e instituições no mundo oferecendo alternativas. Eu tive então a ideia de juntar 13 projetos internacionais bem-sucedidos para compor um panorama de iniciativas inovadoras que possam vir a inspirar profissionais brasileiros a seguir caminho semelhante. Hoje vou falar um pouco sobre uma experiência muito bem sucedida de levar música clássica para o circuito de shows noturnos de Nova York. Uma casa de shows chamada Le Poisson Rouge, que fica no Greenwich Village nova-iorquino, e, com apenas três anos de atividades, consolidou um novo tipo de palco para os clássicos. Já falei do Poisson Rouge aqui nesse espaço da MEC FM e já falei também de um curador musical chamado Ronen Givony, que é diretor de programação clássica do Poisson Rouge. Dessa vez, vou abordar assuntos que conversamos na entrevista para o Anuário VivaMúsica! 2011, dentro desse recorte dos projetos internacionais inovadores.

A proposta do Le Poisson Rouge é ser um cabaré de arte. Ele é uma casa noturna que apresenta dois shows por noite, sete dias por semana (seguindo o ritmo frenético de Nova York), cobre variados gêneros musicais, sendo que os clássicos ocupam um lugar privilegiado na programação. A casa tem uma galeria de arte, os espaços são todos em um subsolo da famosa Bleecker Street no Village.  Givony me contou ter sido o primeiro funcionário contratado da equipe da casa, equipe bem jovem – o mais velho tem 37 anos de idade. Quando a casa inaugurou, logo no segundo dia de funcionamento houve uma apresentação das “Variações Goldberg”, de Bach. Os donos são músicos clássicos e abriram a casa também com o objetivo de criar um novo lugar pra cultura de concertos ocupar. David Handler é violinista e Justin Kan¬tor é violoncelista. 

Uma das perguntas que fiz a Ronen Givony nessa entrevista foi “Que tipo de experiência diferen¬ciada o Le Poisson Rouge ofere¬ce aos músicos e ao público?”. A resposta: “Muito da experiência que propor¬cionamos aos músicos vem de uma sensação de David e Justin como artistas clássicos. Eles se ressentem de uma espécie de “parede invisível” que existe nas salas de concerto, separando intérpretes do público. Aqui procuramos en¬fatizar a informalidade. O artista tem liberdade para montar o palco como desejar, distribuir o progra¬ma da noite se quiser. Caso deseje colocar o piano no meio do salão, também é possível. Artistas como Hilary Hahn, que toca nas melho¬res salas de concerto do mundo, com as melhores orquestras do mundo, chegam aqui e, com dez minutos de apresentação, sentem que aquela tal parede invisível não existe e que o ambiente é bem diferente. Nosso público respeita a música.”

Você encontra mais informações sobre a casa noturna Le Poisson Rouge, de Nova York, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T04_27_28-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_27_28-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:27:28 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_27_28-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T04_27_28-08_00.mp3?_=1320755269.5290138" length="4338594" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>271</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>O Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011 dedica uma ampla reportagem para tratar de assunto importante na cena cl&#225;ssica brasileira e mundial: a conquista de novas plateias para os cl&#225;ssicos por meio de formatos diferenciados do concerto tradicional. Estamos falando aqui basicamente de eventos pensados para p&#250;blico jovem que n&#227;o frequenta os eventos regulares do circuito cl&#225;ssico. 

H&#225; muitas maneiras de organizar eventos atraentes para a juventude, mantendo o foco sempre no repert&#243;rio cl&#225;ssico, sem interfer&#234;ncia de outros g&#234;neros musicais. H&#225; cada vez um n&#250;mero maior de pessoas e institui&#231;&#245;es no mundo oferecendo alternativas. Eu tive ent&#227;o a ideia de juntar 13 projetos internacionais bem-sucedidos para compor um panorama de iniciativas inovadoras que possam vir a inspirar profissionais brasileiros a seguir caminho semelhante. Hoje vou falar um pouco sobre uma experi&#234;ncia muito bem sucedida de levar m&#250;sica cl&#225;ssica para o circuito de shows noturnos de Nova York. Uma casa de shows chamada Le Poisson Rouge, que fica no Greenwich Village nova-iorquino, e, com apenas tr&#234;s anos de atividades, consolidou um novo tipo de palco para os cl&#225;ssicos. J&#225; falei do Poisson Rouge aqui nesse espa&#231;o da MEC FM e j&#225; falei tamb&#233;m de um curador musical chamado Ronen Givony, que &#233; diretor de programa&#231;&#227;o cl&#225;ssica do Poisson Rouge. Dessa vez, vou abordar assuntos que conversamos na entrevista para o Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, dentro desse recorte dos projetos internacionais inovadores.

A proposta do Le Poisson Rouge &#233; ser um cabar&#233; de arte. Ele &#233; uma casa noturna que apresenta dois shows por noite, sete dias por semana (seguindo o ritmo fren&#233;tico de Nova York), cobre variados g&#234;neros musicais, sendo que os cl&#225;ssicos ocupam um lugar privilegiado na programa&#231;&#227;o. A casa tem uma galeria de arte, os espa&#231;os s&#227;o todos em um subsolo da famosa Bleecker Street no Village.  Givony me contou ter sido o primeiro funcion&#225;rio contratado da equipe da casa, equipe bem jovem &#8211; o mais velho tem 37 anos de idade. Quando a casa inaugurou, logo no segundo dia de funcionamento houve uma apresenta&#231;&#227;o das &#8220;Varia&#231;&#245;es Goldberg&#8221;, de Bach. Os donos s&#227;o m&#250;sicos cl&#225;ssicos e abriram a casa tamb&#233;m com o objetivo de criar um novo lugar pra cultura de concertos ocupar. David Handler &#233; violinista e Justin Kan&#172;tor &#233; violoncelista. 

Uma das perguntas que fiz a Ronen Givony nessa entrevista foi &#8220;Que tipo de experi&#234;ncia diferen&#172;ciada o Le Poisson Rouge ofere&#172;ce aos m&#250;sicos e ao p&#250;blico?&#8221;. A resposta: &#8220;Muito da experi&#234;ncia que propor&#172;cionamos aos m&#250;sicos vem de uma sensa&#231;&#227;o de David e Justin como artistas cl&#225;ssicos. Eles se ressentem de uma esp&#233;cie de &#8220;parede invis&#237;vel&#8221; que existe nas salas de concerto, separando int&#233;rpretes do p&#250;blico. Aqui procuramos en&#172;fatizar a informalidade. O artista tem liberdade para montar o palco como desejar, distribuir o progra&#172;ma da noite se quiser. Caso deseje colocar o piano no meio do sal&#227;o, tamb&#233;m &#233; poss&#237;vel. Artistas como Hilary Hahn, que toca nas melho&#172;res salas de concerto do mundo, com as melhores orquestras do mundo, chegam aqui e, com dez minutos de apresenta&#231;&#227;o, sentem que aquela tal parede invis&#237;vel n&#227;o existe e que o ambiente &#233; bem diferente. Nosso p&#250;blico respeita a m&#250;sica.&#8221;

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a casa noturna Le Poisson Rouge, de Nova York, no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>O Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011 dedica uma ampla reportagem para tratar de assunto importante na cena ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Casas noturnas recebem cl&#225;ssicos: festa Yellow Lounge, na Alemanha</title>
      <description>
        <![CDATA[A Alemanha tem sido um país a abrigar muitas novidades na área da música clássica, uma delas é a festa Yellow Lounge, que acontece em casas noturnas de diversas cidades. Já falei aqui nesse espaço da MEC FM sobre o Yellow Lounge, que é organizado pela tradicional gravadora Deutsche Grammophon. Volto ao assunto agora por outra abordagem, pois esse projeto é um dos que foi coberto por uma ampla reportagem do Anuário VivaMúsica! 2011 que trata de formatos diferenciados pra apresentar música clássica para os que não frequentam circuito de concertos, especialmente os mais jovens. Eu organizei essa reportagem e tive a chance de conversar com os principais organizadores destes projetos internacionais. Um deles foi o violinista e DJ David Canisius, justo da festa Yellow Lounge, som sede em Berlim.

A festa começou em 2001 e desde 2003 conta com Canisius na direção musical e discotegam da noite. O Yellow Lounge tem entre oito e doze edições por ano, o que significa que o DJ Canisius continua se dedicando ao mundo das orquestras, pois é possível conciliar as duas atividades. A festa é promovida pela Deutsche Grammophon em casas noturnas badaladas de Berlim e outras cidades na Alemanha, já tendo sido organizada em locais ao ar livre, dentro da programação de festivais e outros eventos. Os artistas são sempre estrelas da gravadora, gente como a pianista Hélène Grimaud, a violinista Anne-Sophie Mutter, o contratenor Andreas Scholl, artistas graúdos, que frequentam as melhores salas de concerto do mundo e apresentam-se com as melhores orquestras, esse pessoal topa fazer uma apresentação de 30 minutos em uma casa noturna porque compreende a necessidade de consolidar esses formatos alternativos para ampliar as plateias dos clássicos. Tema  discotecagem, tem os mini-recitais e tem projeções de videoarte. Esse é o tripé que faz o sucesso do Yellow Lounge há dez anos. 

Uma das perguntas que fiz a ele foi se há preconceito na Alemanha contra música clássica em casas noturnas. Ouve só a resposta de David Canisius: “Não há pre¬conceito algum. Músicos e público compreendem a validade de even¬tos assim. Talvez haja preconceito entre os “usuários mais arraigados”, aqueles que precisam de um ingres¬so, das suas poltronas no teatro, que desejam silêncio entre os movimen¬tos das músicas e não querem saber de DJs. Entretanto, nosso projeto não é para este tipo de pessoa. Para elas, existe o circuito tradicional de concertos. Não queremos destruir ou descartar a experiência do con¬certo, mas, sim, oferecer algo para aqueles que consomem cultura e sa¬bem quem são Damien Hirst (artista plástico britânico) e Robert Wilson (encenador americano), mas nunca foram à Filarmônica de Berlim. O Yellow Lounge torna a música clás¬sica algo cool.”

Você encontra mais informações sobre a festa Yellow Lounge, organizada pela gravadora Deutsche Grammophon, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.

]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T04_21_32-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_21_32-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:21:32 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_21_32-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T04_21_32-08_00.mp3?_=1320754922.5290125" length="3783962" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>236</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>A Alemanha tem sido um pa&#237;s a abrigar muitas novidades na &#225;rea da m&#250;sica cl&#225;ssica, uma delas &#233; a festa Yellow Lounge, que acontece em casas noturnas de diversas cidades. J&#225; falei aqui nesse espa&#231;o da MEC FM sobre o Yellow Lounge, que &#233; organizado pela tradicional gravadora Deutsche Grammophon. Volto ao assunto agora por outra abordagem, pois esse projeto &#233; um dos que foi coberto por uma ampla reportagem do Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011 que trata de formatos diferenciados pra apresentar m&#250;sica cl&#225;ssica para os que n&#227;o frequentam circuito de concertos, especialmente os mais jovens. Eu organizei essa reportagem e tive a chance de conversar com os principais organizadores destes projetos internacionais. Um deles foi o violinista e DJ David Canisius, justo da festa Yellow Lounge, som sede em Berlim.

A festa come&#231;ou em 2001 e desde 2003 conta com Canisius na dire&#231;&#227;o musical e discotegam da noite. O Yellow Lounge tem entre oito e doze edi&#231;&#245;es por ano, o que significa que o DJ Canisius continua se dedicando ao mundo das orquestras, pois &#233; poss&#237;vel conciliar as duas atividades. A festa &#233; promovida pela Deutsche Grammophon em casas noturnas badaladas de Berlim e outras cidades na Alemanha, j&#225; tendo sido organizada em locais ao ar livre, dentro da programa&#231;&#227;o de festivais e outros eventos. Os artistas s&#227;o sempre estrelas da gravadora, gente como a pianista H&#233;l&#232;ne Grimaud, a violinista Anne-Sophie Mutter, o contratenor Andreas Scholl, artistas gra&#250;dos, que frequentam as melhores salas de concerto do mundo e apresentam-se com as melhores orquestras, esse pessoal topa fazer uma apresenta&#231;&#227;o de 30 minutos em uma casa noturna porque compreende a necessidade de consolidar esses formatos alternativos para ampliar as plateias dos cl&#225;ssicos. Tema  discotecagem, tem os mini-recitais e tem proje&#231;&#245;es de videoarte. Esse &#233; o trip&#233; que faz o sucesso do Yellow Lounge h&#225; dez anos. 

Uma das perguntas que fiz a ele foi se h&#225; preconceito na Alemanha contra m&#250;sica cl&#225;ssica em casas noturnas. Ouve s&#243; a resposta de David Canisius: &#8220;N&#227;o h&#225; pre&#172;conceito algum. M&#250;sicos e p&#250;blico compreendem a validade de even&#172;tos assim. Talvez haja preconceito entre os &#8220;usu&#225;rios mais arraigados&#8221;, aqueles que precisam de um ingres&#172;so, das suas poltronas no teatro, que desejam sil&#234;ncio entre os movimen&#172;tos das m&#250;sicas e n&#227;o querem saber de DJs. Entretanto, nosso projeto n&#227;o &#233; para este tipo de pessoa. Para elas, existe o circuito tradicional de concertos. N&#227;o queremos destruir ou descartar a experi&#234;ncia do con&#172;certo, mas, sim, oferecer algo para aqueles que consomem cultura e sa&#172;bem quem s&#227;o Damien Hirst (artista pl&#225;stico brit&#226;nico) e Robert Wilson (encenador americano), mas nunca foram &#224; Filarm&#244;nica de Berlim. O Yellow Lounge torna a m&#250;sica cl&#225;s&#172;sica algo cool.&#8221;

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a festa Yellow Lounge, organizada pela gravadora Deutsche Grammophon, no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.

</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A Alemanha tem sido um pa&#237;s a abrigar muitas novidades na &#225;rea da m&#250;sica cl&#225;ssica, uma delas &#233; a ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Casas noturnas recebem cl&#225;ssicos: festa Le Classique Abstrait, de Raphael Marionneau (Hamburgo)</title>
      <description>
        <![CDATA[Hoje vou falar sobre um dos projetos da reportagem especial do Anuário VivaMúsica! 2011, livro que eu organizo e edito faz algum tempo. A proposta do Anuário tem sido compilar dados de contato do meio clássico brasileiro, dados de pessoas e organizações em diferentes frentes de atividade, e também estimular a reflexão sobre questões que dizem respeito ao aspecto profissional da música de concerto no Brasil. Justamente aí que entram as reportagens especiais. 

Tenho procurado abordar temas que estejam ou venham a estar próximos do dia a dia dos profissionais do setor, como foi a reportagem especial de 2010 sobre volta do ensino de música na educação básica brasileira ou o dossiê sobre composição brasileira dois anos atrás. O tema da reportagem especial do Anuário 2011 é “Concertos para juventude versão 2.0”. Compilei 13 projetos internacionais inovadores no sentido de apresentar música clássica em formatos atraentes para a juventude. Tenho falado aqui nesse espaço na MEC FM sobre cada um deles. Hoje, você vai conhecer um pouco da festa Le Classique Abstrait, organizada pelo DJ Raphael Marionneau em Hamburgo, Alemanha.

Marionneau é um francês de cerca de 40 anos de idade que vive há quase 20 na Alemanha. Pouco depois de se mudar para o país, começou a trabalhar em casas noturnas de Hamburgo, tocando música do gênero chill-out, música eletrônica que favorece o relaxamento. Esse é um termo da música eletrônica, da musica ambiente, do Techno. Pois o DJ trabalhava na noite fazendo sons assim até que, um dia, resolveu incluir música clássica na seleção. Ele experimentou tocar música de Erik  Satie junto do mix chillout e viu que funcionou. Isso se tornou uma marca registrada dele – discotecagem eletrônica com toques de clássicos – até que, anos depois, resolveu testar uma noitada só de música clássica em casas noturna. Isso foi em 2001, em Hamburgo, assim nasceu a festa Le Classique Abstrait.
A coisa deu muito certo e Raphael Marionneau se estabeleceu como um dos pioneiros na mistura da cultura clubber com a música clássica na Alemanha e no mundo. Conversei com ele apara o Anuário VivaMúsica!, foram abordadas questões interessantes da trajetória dele, como o fato de nunca ter tido grande envolvimentos com o universo dos concertos até experimentar tocar Satie nas noitadas eletrônicas, como hoje a música clássica se tornou uma paixão do DJ. Ele fala também sobre as dificuldades iniciais de implementação do projeto e reflete sobre cuidados a tomar na oportunidade de casas noturnas brasileiras se interessarem por oferecer noitadas assim. 

Você encontra mais informações sobre a festa Le Classique Abstrait, organizada pelo DJ  Raphael Marionneau, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T04_17_30-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_17_30-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:17:30 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_17_30-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T04_17_30-08_00.mp3?_=1320754697.5290109" length="3462969" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>216</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Hoje vou falar sobre um dos projetos da reportagem especial do Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, livro que eu organizo e edito faz algum tempo. A proposta do Anu&#225;rio tem sido compilar dados de contato do meio cl&#225;ssico brasileiro, dados de pessoas e organiza&#231;&#245;es em diferentes frentes de atividade, e tamb&#233;m estimular a reflex&#227;o sobre quest&#245;es que dizem respeito ao aspecto profissional da m&#250;sica de concerto no Brasil. Justamente a&#237; que entram as reportagens especiais. 

Tenho procurado abordar temas que estejam ou venham a estar pr&#243;ximos do dia a dia dos profissionais do setor, como foi a reportagem especial de 2010 sobre volta do ensino de m&#250;sica na educa&#231;&#227;o b&#225;sica brasileira ou o dossi&#234; sobre composi&#231;&#227;o brasileira dois anos atr&#225;s. O tema da reportagem especial do Anu&#225;rio 2011 &#233; &#8220;Concertos para juventude vers&#227;o 2.0&#8221;. Compilei 13 projetos internacionais inovadores no sentido de apresentar m&#250;sica cl&#225;ssica em formatos atraentes para a juventude. Tenho falado aqui nesse espa&#231;o na MEC FM sobre cada um deles. Hoje, voc&#234; vai conhecer um pouco da festa Le Classique Abstrait, organizada pelo DJ Raphael Marionneau em Hamburgo, Alemanha.

Marionneau &#233; um franc&#234;s de cerca de 40 anos de idade que vive h&#225; quase 20 na Alemanha. Pouco depois de se mudar para o pa&#237;s, come&#231;ou a trabalhar em casas noturnas de Hamburgo, tocando m&#250;sica do g&#234;nero chill-out, m&#250;sica eletr&#244;nica que favorece o relaxamento. Esse &#233; um termo da m&#250;sica eletr&#244;nica, da musica ambiente, do Techno. Pois o DJ trabalhava na noite fazendo sons assim at&#233; que, um dia, resolveu incluir m&#250;sica cl&#225;ssica na sele&#231;&#227;o. Ele experimentou tocar m&#250;sica de Erik  Satie junto do mix chillout e viu que funcionou. Isso se tornou uma marca registrada dele &#8211; discotecagem eletr&#244;nica com toques de cl&#225;ssicos &#8211; at&#233; que, anos depois, resolveu testar uma noitada s&#243; de m&#250;sica cl&#225;ssica em casas noturna. Isso foi em 2001, em Hamburgo, assim nasceu a festa Le Classique Abstrait.
A coisa deu muito certo e Raphael Marionneau se estabeleceu como um dos pioneiros na mistura da cultura clubber com a m&#250;sica cl&#225;ssica na Alemanha e no mundo. Conversei com ele apara o Anu&#225;rio VivaM&#250;sica!, foram abordadas quest&#245;es interessantes da trajet&#243;ria dele, como o fato de nunca ter tido grande envolvimentos com o universo dos concertos at&#233; experimentar tocar Satie nas noitadas eletr&#244;nicas, como hoje a m&#250;sica cl&#225;ssica se tornou uma paix&#227;o do DJ. Ele fala tamb&#233;m sobre as dificuldades iniciais de implementa&#231;&#227;o do projeto e reflete sobre cuidados a tomar na oportunidade de casas noturnas brasileiras se interessarem por oferecer noitadas assim. 

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a festa Le Classique Abstrait, organizada pelo DJ  Raphael Marionneau, no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Hoje vou falar sobre um dos projetos da reportagem especial do Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, livro qu...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Casas noturnas recebem cl&#225;ssicos: festa Nonclassical, de Gabriel Prokofiev (Londres)</title>
      <description>
        <![CDATA[O Anuário VivaMúsica! compila informações do meio clássico brasileiro, dados de contato de pessoas e organizações que compõem, digamos assim, a cadeia produtiva da música de concerto no Brasil: escolas, orquestras, festivais, espaços musicais, sociedades, produtores, realizadores e muito mais. Eu organizo e edito esse livro desde o longínquo 1998 e, de uns anos para cá, passei também a publicar artigos especiais. A edição 2011 tem uma reportagem grande – são mais de 30 páginas – sobre projetos internacionais inovadores na apresentam música clássica para juventude de maneiras diferentes do concerto tradicional. Minha ideia foi formar um panorama, uma vitrine, que ainda não estavam ainda montados. Acompanho com de perto e com interesse esse tema e ainda não vi os projetos elencados no Anuário juntos em outra reportagem. Nesse sentido, o Brasil está dando uma contribuição importante para essa discussão. Um dos projetos que selecionei para publicar no Anuário foi a festa Nonclassical, realizada pelo compositor e DJ Gabriel Prokofiev em Londres.

Se o nome Prokofiev fez você pensar em parentesco com o compositor de “Pedro e o Lobo”, acertou! Ele é neto do russo Sergei Prokofiev e alinha com o avô na escolha profissional. Morando desde sempre na Inglaterra, Gabriel, ou Gabriel em português,  tem 35 anos de idade é compositor e também empreendedor. Ele tem uma iniciativa chamada Nonclassical (Não clássico, em português), vem a ser uma gravadora de discos e uma produtora de noitadas em casas noturnas.  Gabriel é um dos arautos da quebra de gelo no entorno da música clássica. A festa Nonclassical acontece mensalmente desde 2004 em pubs londrinos, já tendo sido apresentada em outros países. Nessa festa, só toca música clássica contemporânea, seja ao vivo, em apresentações curtas de artistas, seja gravada, na discotecagem do próprio Prokofiev. Foi muito interessante o papo que batemos por email para a entrevista que publiquei no Anuário. Esse rapaz está fazendo muito pela cena contemporânea na Inglaterra e inspirando muitas outras pessoas a fazerem o mesmo em outros países. O principal elemento motivador para criar uma festa Nonclassical no circuito noturno de Londres foi porque os amigos de Gabriel Prokofiev não iam aos concertos ouvir o trabalho. Foi um pouco aquele velho conceito de “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai à Maomé”.

Uma das coisas que perguntei a ele foi porque demorou tanto a surgirem projetos que fujam ao protocolo do concerto tradicional uma vez que há tantos indícios da necessidade de testar novos formatos, especialmente para chegar às plateias mais jovens? Passo a palavra a Gabriel Prokofiev: “Existe algo importante que impediu a música clássica de ser mais avançada e “contemporânea” na forma em que se apresenta: a natureza institucionalizada do mundo dos clássicos. Há um sistema sólido que não quer mudanças. Faculdades, orquestras e salas de concerto são organizações que fazem um trabalho maravilhoso, muitas são financiadas por governos. Entretanto, nenhuma parece querer sair de seu ambiente de conforto – pelo menos, não com frequência.” Achei interessante essa linha de raciocínio do neto de Sergei.

Você encontra mais informações sobre a festa Nonclassical, organizada mensalmente por Gabriel Prokofiev em pubs londrinos, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T04_11_55-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_11_55-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:11:55 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_11_55-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T04_11_55-08_00.mp3?_=1320754363.5290097" length="4215569" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>263</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>O Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! compila informa&#231;&#245;es do meio cl&#225;ssico brasileiro, dados de contato de pessoas e organiza&#231;&#245;es que comp&#245;em, digamos assim, a cadeia produtiva da m&#250;sica de concerto no Brasil: escolas, orquestras, festivais, espa&#231;os musicais, sociedades, produtores, realizadores e muito mais. Eu organizo e edito esse livro desde o long&#237;nquo 1998 e, de uns anos para c&#225;, passei tamb&#233;m a publicar artigos especiais. A edi&#231;&#227;o 2011 tem uma reportagem grande &#8211; s&#227;o mais de 30 p&#225;ginas &#8211; sobre projetos internacionais inovadores na apresentam m&#250;sica cl&#225;ssica para juventude de maneiras diferentes do concerto tradicional. Minha ideia foi formar um panorama, uma vitrine, que ainda n&#227;o estavam ainda montados. Acompanho com de perto e com interesse esse tema e ainda n&#227;o vi os projetos elencados no Anu&#225;rio juntos em outra reportagem. Nesse sentido, o Brasil est&#225; dando uma contribui&#231;&#227;o importante para essa discuss&#227;o. Um dos projetos que selecionei para publicar no Anu&#225;rio foi a festa Nonclassical, realizada pelo compositor e DJ Gabriel Prokofiev em Londres.

Se o nome Prokofiev fez voc&#234; pensar em parentesco com o compositor de &#8220;Pedro e o Lobo&#8221;, acertou! Ele &#233; neto do russo Sergei Prokofiev e alinha com o av&#244; na escolha profissional. Morando desde sempre na Inglaterra, Gabriel, ou Gabriel em portugu&#234;s,  tem 35 anos de idade &#233; compositor e tamb&#233;m empreendedor. Ele tem uma iniciativa chamada Nonclassical (N&#227;o cl&#225;ssico, em portugu&#234;s), vem a ser uma gravadora de discos e uma produtora de noitadas em casas noturnas.  Gabriel &#233; um dos arautos da quebra de gelo no entorno da m&#250;sica cl&#225;ssica. A festa Nonclassical acontece mensalmente desde 2004 em pubs londrinos, j&#225; tendo sido apresentada em outros pa&#237;ses. Nessa festa, s&#243; toca m&#250;sica cl&#225;ssica contempor&#226;nea, seja ao vivo, em apresenta&#231;&#245;es curtas de artistas, seja gravada, na discotecagem do pr&#243;prio Prokofiev. Foi muito interessante o papo que batemos por email para a entrevista que publiquei no Anu&#225;rio. Esse rapaz est&#225; fazendo muito pela cena contempor&#226;nea na Inglaterra e inspirando muitas outras pessoas a fazerem o mesmo em outros pa&#237;ses. O principal elemento motivador para criar uma festa Nonclassical no circuito noturno de Londres foi porque os amigos de Gabriel Prokofiev n&#227;o iam aos concertos ouvir o trabalho. Foi um pouco aquele velho conceito de &#8220;Se Maom&#233; n&#227;o vai &#224; montanha, a montanha vai &#224; Maom&#233;&#8221;.

Uma das coisas que perguntei a ele foi porque demorou tanto a surgirem projetos que fujam ao protocolo do concerto tradicional uma vez que h&#225; tantos ind&#237;cios da necessidade de testar novos formatos, especialmente para chegar &#224;s plateias mais jovens? Passo a palavra a Gabriel Prokofiev: &#8220;Existe algo importante que impediu a m&#250;sica cl&#225;ssica de ser mais avan&#231;ada e &#8220;contempor&#226;nea&#8221; na forma em que se apresenta: a natureza institucionalizada do mundo dos cl&#225;ssicos. H&#225; um sistema s&#243;lido que n&#227;o quer mudan&#231;as. Faculdades, orquestras e salas de concerto s&#227;o organiza&#231;&#245;es que fazem um trabalho maravilhoso, muitas s&#227;o financiadas por governos. Entretanto, nenhuma parece querer sair de seu ambiente de conforto &#8211; pelo menos, n&#227;o com frequ&#234;ncia.&#8221; Achei interessante essa linha de racioc&#237;nio do neto de Sergei.

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a festa Nonclassical, organizada mensalmente por Gabriel Prokofiev em pubs londrinos, no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>O Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! compila informa&#231;&#245;es do meio cl&#225;ssico brasileiro, dados de contato de pessoa...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Salas de concerto adaptadas ao novo: a s&#233;rie de c&#226;mara do Lincoln Center (EUA)</title>
      <description>
        <![CDATA[Hoje eu vou contar pra você como o tradicional Lincoln Center de Nova York – o complexo cultural de artes que abriga, entre outras, a Metropolitan Opera House, a Filarmônica de Nova York, a Juilliard School, o New York City Ballet – bem, como o Lincoln Center está dando sua colaboração para atrair novos públicos para a música clássica. Vou falar da série “Late Night Rose”, organizada pela Sociedade de Música de Câmara do Lincoln Center. 

Esse é um dos projetos que o Anuário VivaMúsica! 2011 aborda em uma reportagem especial. O dossiê trata justamente de novos formatos de apresentar música clássica, em especial para a juventude. Além dessa reportagem especial que reúne vários projetos internacionais inovadores, o Anuário 2011 traz., como sempre, listagens com dados de contatos de pessoas e organizações que fazem a música clássica acontecer no Brasil, além de recursos técnicos dos principais espaços para concertos no país. Tenho comentado aqui na MEC FM a respeito de alguns desses projetos inovadores, considerando o quanto eles podem inspirar profissionais brasileiros a ter iniciativas semelhantes e também divulgar estas novas ideias entre o público de clássicos.  O tema hoje, então, é a série “Late Night Rose”, do Lincoln Center.

A Sociedade de Música de Câmara do Lincoln Center é uma organização bastante tradicional em Nova York e apresenta uma série de recitais às seis e meia da tarde  muito disputada chamada The Rose Studio Concerts, costuma ter ingressos esgotados com dois anos de antecedência. Recitais tradicionais, realizados no Rose Studio do Lincoln Center, cadeiras dispostas como em um auditório, iluminação típica de auditório. Como sói acontecer no  mundo dos concertos, os músicos entram em silêncio, são aplaudidos, sentam-se no palco, tocam o repertório, terminam de tocar, a plateia aplaude e termina o espetáculo. Muito bem. Acontece que a Sociedade de Música de Câmara do Lincoln Center teve uma ideia para buscar atrair novos públicos. Repetir o recital em um segundo horário no mesmo dia, um pouco mais tarde, e mudar a ambientação do auditório. Assim nasceu a série “Late Night Rose”, que, como diz o nome, acontece mais tarde (Late night, tarde da noite). São os mesmos músicos e o mesmo repertório apresentado mais cedo, com importantes modificações no ambiente. Saem as cadeiras em forma de auditório, entram mesas na forma de café concerto. A iluminação é trabalhada no ambiente e nas mesas, que recebem velas. Um apresentador conduz o espetáculo, conversando com músicos. E todos recebem uma taça de vinho de cortesia. Os recitais do “Late Night Rose” são transmitidos pela internet e também em aplicativos para iPhone e Android.

O próprio Lincoln Center diz que o objetivo não era necessariamente atrair público jovem, e sim público de variadas idades que ainda não frequentavam a casa por conta do horário ser cedo, das regras rígidas de etiqueta e  outros motivos. O objetivo dos organizadores foi “oferecer aos amantes da música de câmara uma experi¬ência de concerto alternativa “ . A informalidade da série “Late Night Rose” deu certo – público e músicos estão adorando a experiência. O Wall Street Journal mandou um crítico assistir aos recitais do mesmo conjunto nos dois horários – o crítico preferiu o Late Night Rose – achou as inter¬pretações mais orgânicas e o con¬certo mais leve e alegre.

Você encontra mais informações sobre a série Late Night Rose, organizada pela Sociedade de Música de Câmara do Lincoln Center, em Nova York no Anuário VivaMúsica! 2011
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T04_08_44-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_08_44-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:08:44 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_08_44-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T04_08_44-08_00.mp3?_=1320754148.5290091" length="4792353" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>299</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Hoje eu vou contar pra voc&#234; como o tradicional Lincoln Center de Nova York &#8211; o complexo cultural de artes que abriga, entre outras, a Metropolitan Opera House, a Filarm&#244;nica de Nova York, a Juilliard School, o New York City Ballet &#8211; bem, como o Lincoln Center est&#225; dando sua colabora&#231;&#227;o para atrair novos p&#250;blicos para a m&#250;sica cl&#225;ssica. Vou falar da s&#233;rie &#8220;Late Night Rose&#8221;, organizada pela Sociedade de M&#250;sica de C&#226;mara do Lincoln Center. 

Esse &#233; um dos projetos que o Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011 aborda em uma reportagem especial. O dossi&#234; trata justamente de novos formatos de apresentar m&#250;sica cl&#225;ssica, em especial para a juventude. Al&#233;m dessa reportagem especial que re&#250;ne v&#225;rios projetos internacionais inovadores, o Anu&#225;rio 2011 traz., como sempre, listagens com dados de contatos de pessoas e organiza&#231;&#245;es que fazem a m&#250;sica cl&#225;ssica acontecer no Brasil, al&#233;m de recursos t&#233;cnicos dos principais espa&#231;os para concertos no pa&#237;s. Tenho comentado aqui na MEC FM a respeito de alguns desses projetos inovadores, considerando o quanto eles podem inspirar profissionais brasileiros a ter iniciativas semelhantes e tamb&#233;m divulgar estas novas ideias entre o p&#250;blico de cl&#225;ssicos.  O tema hoje, ent&#227;o, &#233; a s&#233;rie &#8220;Late Night Rose&#8221;, do Lincoln Center.

A Sociedade de M&#250;sica de C&#226;mara do Lincoln Center &#233; uma organiza&#231;&#227;o bastante tradicional em Nova York e apresenta uma s&#233;rie de recitais &#224;s seis e meia da tarde  muito disputada chamada The Rose Studio Concerts, costuma ter ingressos esgotados com dois anos de anteced&#234;ncia. Recitais tradicionais, realizados no Rose Studio do Lincoln Center, cadeiras dispostas como em um audit&#243;rio, ilumina&#231;&#227;o t&#237;pica de audit&#243;rio. Como s&#243;i acontecer no  mundo dos concertos, os m&#250;sicos entram em sil&#234;ncio, s&#227;o aplaudidos, sentam-se no palco, tocam o repert&#243;rio, terminam de tocar, a plateia aplaude e termina o espet&#225;culo. Muito bem. Acontece que a Sociedade de M&#250;sica de C&#226;mara do Lincoln Center teve uma ideia para buscar atrair novos p&#250;blicos. Repetir o recital em um segundo hor&#225;rio no mesmo dia, um pouco mais tarde, e mudar a ambienta&#231;&#227;o do audit&#243;rio. Assim nasceu a s&#233;rie &#8220;Late Night Rose&#8221;, que, como diz o nome, acontece mais tarde (Late night, tarde da noite). S&#227;o os mesmos m&#250;sicos e o mesmo repert&#243;rio apresentado mais cedo, com importantes modifica&#231;&#245;es no ambiente. Saem as cadeiras em forma de audit&#243;rio, entram mesas na forma de caf&#233; concerto. A ilumina&#231;&#227;o &#233; trabalhada no ambiente e nas mesas, que recebem velas. Um apresentador conduz o espet&#225;culo, conversando com m&#250;sicos. E todos recebem uma ta&#231;a de vinho de cortesia. Os recitais do &#8220;Late Night Rose&#8221; s&#227;o transmitidos pela internet e tamb&#233;m em aplicativos para iPhone e Android.

O pr&#243;prio Lincoln Center diz que o objetivo n&#227;o era necessariamente atrair p&#250;blico jovem, e sim p&#250;blico de variadas idades que ainda n&#227;o frequentavam a casa por conta do hor&#225;rio ser cedo, das regras r&#237;gidas de etiqueta e  outros motivos. O objetivo dos organizadores foi &#8220;oferecer aos amantes da m&#250;sica de c&#226;mara uma experi&#172;&#234;ncia de concerto alternativa &#8220; . A informalidade da s&#233;rie &#8220;Late Night Rose&#8221; deu certo &#8211; p&#250;blico e m&#250;sicos est&#227;o adorando a experi&#234;ncia. O Wall Street Journal mandou um cr&#237;tico assistir aos recitais do mesmo conjunto nos dois hor&#225;rios &#8211; o cr&#237;tico preferiu o Late Night Rose &#8211; achou as inter&#172;preta&#231;&#245;es mais org&#226;nicas e o con&#172;certo mais leve e alegre.

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a s&#233;rie Late Night Rose, organizada pela Sociedade de M&#250;sica de C&#226;mara do Lincoln Center, em Nova York no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Hoje eu vou contar pra voc&#234; como o tradicional Lincoln Center de Nova York &#8211; o complexo cultural ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Orquestras &amp; elementos do pop:  em Hamburgo, chill-out no foyer ap&#243;s o concerto</title>
      <description>
        <![CDATA[O comentário de hoje faz parte de uma série de comentários dedicados aos projetos internacionais que implementaram novos formatos de apresentar música clássica para jovens, buscando outras fórmulas que não a de concertos para juventude como os conhecemos aqui no Brasil.  Esse assunto veio à baila no Anuário VivaMúsica! 2011, livro que eu organizei e editei, voltado ao uso de profissionais que atuam no meio da música clássica brasileira. Tem uma reportagem especial reunindo justamente 13 projetos que acontecem no mundo já há alguns anos. A ideia de abordar esse assunto tão relevante da renovação de plateias veio como maneira de incentivar profissionais brasileiros dos clássicos a experimentar novas fórmulas. Não à toa, eu chamei essa reportagem especial de “Concertos para a juventude versão 2.0”. 

Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni nessa reportagem do Anuário. Hoje, vou falar de uma série organizada na Alemanha pela Orquestra Filarmônica de Hamburgo que monta um lounge do estilo chill-out após os concertos que realizada em seu hall sinfônico.
Antes que se prossiga no assunto, uma parada para falar do termo chill-out, bastante usado na cena da música eletrônica e das raves, mas pouco ou nada familiar ao mundo dos concertos. O termo surgiu nos anos 1990 e remete a estado de relaxamento, estar relaxado, e músicas calmas que levem a criar ambientes que relaxam. Esse é um termo da música eletrônica, da musica ambiente, do Techno. E podem caber vários estilos musicais dentro desse grande guarda-chuva chamado chillout. A outra palavra que eu falei antes, LOUNGE, essa já é mais conhecida pois o seu uso se generalizou. São ambientes com sofás, pufes, que possibilitam descanso ou conversa. Muita festa de casamento agora tem lounge, tamb´pem em shopping center existem esses espaços montados nos próprios corredores....

Pois na cena noturna da cidade de Hamburgo existe um DJ francês que se especializou em montar lounge sonorizando com este estilo de discotecagem chill-out, chamado Raphaël Marionneau. Pois o Raphël, que é uma figura consolidada no mundo das casas noturnas, começou a colocar música clássica também nas mixagens e ficou famoso por isso. Além dos projetos próprios nesse sentido – vou destacar um deles em próximo comentário – ele foi convidado pela Orquestra Filarmônica de Hamburgo para organizar, adivinha o que?, um lounge chill-out após determinados concertos. O nome da série é um jogo de palavras ótimo: Phil &amp; Chill, sendo Phil de Filarmônica e Chill de chillout. A série começou em 2005, foi uma ideia da diretora musical australiana Simone Young, logo depois que assumiu a Filarmônica de Hamburgo. São três edições por ano. Após um concerto regular da orquestra, que termina por volta de dez da noite, o público presente é convidado a esticar em um espaço no próprio teatro, o foyer é ambientado para receber os sons eletrônicos tranquilos de Raphael Marionneau, sofás, pufes, o bar fica aberto. O lounge funciona até uma da manhã. Quem já estava assistindo ao concerto não paga mais para ficar, mas o ingresso é cobrado de quem quiser chegar apenas para o lounge.

Você encontra mais informações sobre a série Phil and Chillorganizada pela Orquestra Filarmônica de Hamburgo  no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T04_04_35-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_04_35-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:04:35 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_04_35-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T04_04_35-08_00.mp3?_=1320753900.5290083" length="4474286" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>279</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>O coment&#225;rio de hoje faz parte de uma s&#233;rie de coment&#225;rios dedicados aos projetos internacionais que implementaram novos formatos de apresentar m&#250;sica cl&#225;ssica para jovens, buscando outras f&#243;rmulas que n&#227;o a de concertos para juventude como os conhecemos aqui no Brasil.  Esse assunto veio &#224; baila no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, livro que eu organizei e editei, voltado ao uso de profissionais que atuam no meio da m&#250;sica cl&#225;ssica brasileira. Tem uma reportagem especial reunindo justamente 13 projetos que acontecem no mundo j&#225; h&#225; alguns anos. A ideia de abordar esse assunto t&#227;o relevante da renova&#231;&#227;o de plateias veio como maneira de incentivar profissionais brasileiros dos cl&#225;ssicos a experimentar novas f&#243;rmulas. N&#227;o &#224; toa, eu chamei essa reportagem especial de &#8220;Concertos para a juventude vers&#227;o 2.0&#8221;. 

Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni nessa reportagem do Anu&#225;rio. Hoje, vou falar de uma s&#233;rie organizada na Alemanha pela Orquestra Filarm&#244;nica de Hamburgo que monta um lounge do estilo chill-out ap&#243;s os concertos que realizada em seu hall sinf&#244;nico.
Antes que se prossiga no assunto, uma parada para falar do termo chill-out, bastante usado na cena da m&#250;sica eletr&#244;nica e das raves, mas pouco ou nada familiar ao mundo dos concertos. O termo surgiu nos anos 1990 e remete a estado de relaxamento, estar relaxado, e m&#250;sicas calmas que levem a criar ambientes que relaxam. Esse &#233; um termo da m&#250;sica eletr&#244;nica, da musica ambiente, do Techno. E podem caber v&#225;rios estilos musicais dentro desse grande guarda-chuva chamado chillout. A outra palavra que eu falei antes, LOUNGE, essa j&#225; &#233; mais conhecida pois o seu uso se generalizou. S&#227;o ambientes com sof&#225;s, pufes, que possibilitam descanso ou conversa. Muita festa de casamento agora tem lounge, tamb&#180;pem em shopping center existem esses espa&#231;os montados nos pr&#243;prios corredores....

Pois na cena noturna da cidade de Hamburgo existe um DJ franc&#234;s que se especializou em montar lounge sonorizando com este estilo de discotecagem chill-out, chamado Rapha&#235;l Marionneau. Pois o Raph&#235;l, que &#233; uma figura consolidada no mundo das casas noturnas, come&#231;ou a colocar m&#250;sica cl&#225;ssica tamb&#233;m nas mixagens e ficou famoso por isso. Al&#233;m dos projetos pr&#243;prios nesse sentido &#8211; vou destacar um deles em pr&#243;ximo coment&#225;rio &#8211; ele foi convidado pela Orquestra Filarm&#244;nica de Hamburgo para organizar, adivinha o que?, um lounge chill-out ap&#243;s determinados concertos. O nome da s&#233;rie &#233; um jogo de palavras &#243;timo: Phil &amp; Chill, sendo Phil de Filarm&#244;nica e Chill de chillout. A s&#233;rie come&#231;ou em 2005, foi uma ideia da diretora musical australiana Simone Young, logo depois que assumiu a Filarm&#244;nica de Hamburgo. S&#227;o tr&#234;s edi&#231;&#245;es por ano. Ap&#243;s um concerto regular da orquestra, que termina por volta de dez da noite, o p&#250;blico presente &#233; convidado a esticar em um espa&#231;o no pr&#243;prio teatro, o foyer &#233; ambientado para receber os sons eletr&#244;nicos tranquilos de Raphael Marionneau, sof&#225;s, pufes, o bar fica aberto. O lounge funciona at&#233; uma da manh&#227;. Quem j&#225; estava assistindo ao concerto n&#227;o paga mais para ficar, mas o ingresso &#233; cobrado de quem quiser chegar apenas para o lounge.

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a s&#233;rie Phil and Chillorganizada pela Orquestra Filarm&#244;nica de Hamburgo  no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>O coment&#225;rio de hoje faz parte de uma s&#233;rie de coment&#225;rios dedicados aos projetos internacionais ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Orquestras &amp; elementos do pop:  na Su&#237;&#231;a, concerto e rave em pr&#233;dio hist&#243;rico</title>
      <description>
        <![CDATA[Um dos trabalhos de comunicação que eu realizo na área de clássicos é a edição e organização de um anuário voltado para uso profissional dos que lidam com este setor. É o Anuário VivaMúsica!, que compila dados atualizados de pessoas e instituições do Brasil clássico, reúne recursos técnicos dos principais espaços para concertos e costuma trazer sempre artigos especiais que digam respeito ao negócio da música clássica e funcionem como combustível para reflexão dos que compõem a cadeia produtiva dos clássicos no Brasil. 

A edição 2011 do Anuário VivaMúsica! tem uma reportagem especial sobre novos formatos para mostrar música clássica para a juventude. Eu reuni projetos internacionais que já têm uma bela história de sucesso para contar e, assim, inspirar brasileiros a implementar novos canais de contato com a juventude. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni nessa reportagem do Anuário. Hoje, vou falar de uma série organizada na Suíça, pela Orquestra Tonhalle de Zurique. A série se chama tonhalleLATE e é voltada prioritariamente para o público jovem que frequenta casas noturnas e raves. Mas, peraí, uma orquestra organiza uma rave? Como assim? 

É isso mesmo...e dá muito certo. Explica-se. Essa ideia foi do hoje septuagenário diretor musical e regente David Zinamn, que está à frente da orquestra suíça desde meados dos anos 1990. Zinman, que tem uma cabeça abertíssima, já chegou trazendo essa ideia, porque tinha testado em outra orquestra que havia dirigido. Quando estava ainda em Baltimore, nos Estados Unidos, ele testou um formato engraçado: resolveu fazer um concerto com entrada proibida para maiores de 25 anos, pra ver se, assim, com a garantia de uma sala de concerto só de garotada, os jovens da cidade se animavam a frequentar os concertos. E, depois do concerto , foi oferecida uma festa com pista de dança varando a madrugada. E deu certo. Pois quando David Zinamn levou a ideia de fazer algo semelhante na Tonhalle de Zurique, os suíços ficaram muito reticentes, mesmo a experiência anterior tendo sido um sucesso. Havia o temor de oferecer uma festança no centenário teatro da orquestra, os jovens poderiam dilapidar o patrimônio. 

Levou alguns anos até que Zinman conseguisse convencer a orquestra Tonhalle para testar um formato de concerto em que houvesse, em seguida, uma festa. Em 2002, finalmente nasceu a série que foi chamada de tonhalleLATE – tonhalle é o nome da orquestra e LATE quer dizer, em inglês, tarde. Ou seja, um concerto que acontece mais tarde do que o habitual. As portas do teatro abrem às nove da noite, tem música traquila tocada por DJ. As dez, acontece o concerto, que traz o mesmo repertório que a orquestra executa normalmente, apenas o horário é mais tarde. Por volta de onze e quinze, terminado o concerto, começa uma festa dançante no foyer do teatro, um prédio construído no final do século 19. A orquestra contratou um produtor de festas para organizar a noitada que tem DJs da própria cidade e vindos de lugar badalados como Ibiza, projeções de vídeo e muita música eletrônica. O slogan da festa que acontece até três vezes por ano é “Classic meets electro”, em português, “Música clássica encontra a música eletrônica”.

Você encontra mais informações sobre a série tonhalleLATE organizada pela Orquestra Tonhalle de Zurique  no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T04_01_04-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_01_04-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:01:04 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T04_01_04-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T04_01_04-08_00.mp3?_=1320753706.5290075" length="4682011" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>292</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Um dos trabalhos de comunica&#231;&#227;o que eu realizo na &#225;rea de cl&#225;ssicos &#233; a edi&#231;&#227;o e organiza&#231;&#227;o de um anu&#225;rio voltado para uso profissional dos que lidam com este setor. &#201; o Anu&#225;rio VivaM&#250;sica!, que compila dados atualizados de pessoas e institui&#231;&#245;es do Brasil cl&#225;ssico, re&#250;ne recursos t&#233;cnicos dos principais espa&#231;os para concertos e costuma trazer sempre artigos especiais que digam respeito ao neg&#243;cio da m&#250;sica cl&#225;ssica e funcionem como combust&#237;vel para reflex&#227;o dos que comp&#245;em a cadeia produtiva dos cl&#225;ssicos no Brasil. 

A edi&#231;&#227;o 2011 do Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! tem uma reportagem especial sobre novos formatos para mostrar m&#250;sica cl&#225;ssica para a juventude. Eu reuni projetos internacionais que j&#225; t&#234;m uma bela hist&#243;ria de sucesso para contar e, assim, inspirar brasileiros a implementar novos canais de contato com a juventude. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni nessa reportagem do Anu&#225;rio. Hoje, vou falar de uma s&#233;rie organizada na Su&#237;&#231;a, pela Orquestra Tonhalle de Zurique. A s&#233;rie se chama tonhalleLATE e &#233; voltada prioritariamente para o p&#250;blico jovem que frequenta casas noturnas e raves. Mas, pera&#237;, uma orquestra organiza uma rave? Como assim? 

&#201; isso mesmo...e d&#225; muito certo. Explica-se. Essa ideia foi do hoje septuagen&#225;rio diretor musical e regente David Zinamn, que est&#225; &#224; frente da orquestra su&#237;&#231;a desde meados dos anos 1990. Zinman, que tem uma cabe&#231;a abert&#237;ssima, j&#225; chegou trazendo essa ideia, porque tinha testado em outra orquestra que havia dirigido. Quando estava ainda em Baltimore, nos Estados Unidos, ele testou um formato engra&#231;ado: resolveu fazer um concerto com entrada proibida para maiores de 25 anos, pra ver se, assim, com a garantia de uma sala de concerto s&#243; de garotada, os jovens da cidade se animavam a frequentar os concertos. E, depois do concerto , foi oferecida uma festa com pista de dan&#231;a varando a madrugada. E deu certo. Pois quando David Zinamn levou a ideia de fazer algo semelhante na Tonhalle de Zurique, os su&#237;&#231;os ficaram muito reticentes, mesmo a experi&#234;ncia anterior tendo sido um sucesso. Havia o temor de oferecer uma festan&#231;a no centen&#225;rio teatro da orquestra, os jovens poderiam dilapidar o patrim&#244;nio. 

Levou alguns anos at&#233; que Zinman conseguisse convencer a orquestra Tonhalle para testar um formato de concerto em que houvesse, em seguida, uma festa. Em 2002, finalmente nasceu a s&#233;rie que foi chamada de tonhalleLATE &#8211; tonhalle &#233; o nome da orquestra e LATE quer dizer, em ingl&#234;s, tarde. Ou seja, um concerto que acontece mais tarde do que o habitual. As portas do teatro abrem &#224;s nove da noite, tem m&#250;sica traquila tocada por DJ. As dez, acontece o concerto, que traz o mesmo repert&#243;rio que a orquestra executa normalmente, apenas o hor&#225;rio &#233; mais tarde. Por volta de onze e quinze, terminado o concerto, come&#231;a uma festa dan&#231;ante no foyer do teatro, um pr&#233;dio constru&#237;do no final do s&#233;culo 19. A orquestra contratou um produtor de festas para organizar a noitada que tem DJs da pr&#243;pria cidade e vindos de lugar badalados como Ibiza, proje&#231;&#245;es de v&#237;deo e muita m&#250;sica eletr&#244;nica. O slogan da festa que acontece at&#233; tr&#234;s vezes por ano &#233; &#8220;Classic meets electro&#8221;, em portugu&#234;s, &#8220;M&#250;sica cl&#225;ssica encontra a m&#250;sica eletr&#244;nica&#8221;.

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a s&#233;rie tonhalleLATE organizada pela Orquestra Tonhalle de Zurique  no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Um dos trabalhos de comunica&#231;&#227;o que eu realizo na &#225;rea de cl&#225;ssicos &#233; a edi&#231;&#227;o e organiza&#231;&#227;o de u...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Orquestras trazem elementos do pop:  Sinf&#244;nica de Londres organiza balada</title>
      <description>
        <![CDATA[Faz um tempo que eu organizo o Anuário VivaMúsica!, um livro que se propõe a reunir informações de contato do meio clássico brasileiro e a incentivar o pensamento sobre o negócio dos concertos. Por isso o seu slogan é “o guia de negócios da música clássica brasileira”. A edição 2011 publica uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores que apresentam clássicos para jovens de maneiras alternativas ao concerto tradicional. Eu fui buscar exemplos em quatro países, totalizando 13 projetos. Eu chamei esse especial de “Concertos para a juventude versão 2.0”. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni na reportagem do Anuário. Hoje, vou falar de um evento realizado pela Orquestra Sinfônica de Londres, chamado Aftershock.

A capital da Inglaterra é a cidade do mundo que mais oferece programas diferenciados de clássicos na noite. E não é de hoje que os londrinos têm oferecido opções diferentes de música de concerto no circuito noturno – em 2001 já acontecia coisa por lá. Dez anos depois, a cena noturna clássica em Londres é bem fervida, pra usar uma gíria da juventude. Há uma oferta generosa de programas clássicos organizados em casas noturnas, teatros de rock e, claro, organizados também por orquestras. 

Existe um evento interessante oferecido pela Orchestra of the Age of Enlightenment, que eu já comentei aqui, e há também essa série da London Symphony, nosso tema de hoje. O Aftershock é uma festa que começou a ser organizada em maio de 2011, super recente. Ainda pra usar uma gíria jovem, o Aftershock é uma espécie de balada pós-concerto que acontece no subsolo do Barbican Centre, sede da orquestra. É escolhido um determinado concerto regular da temporada e, quando os aplausos terminam, existe a possibilidade do público esticar a noite em um programa no mesmo endereço, apenas em outro salão, que mistura integrantes da própria orquestra, músicos  convidados e DJs que tocam clássicos e música eletrônica. Se esse evento já seria bacana por si próprio, fica ainda mais interessante por ser parte de um criativo programa da orquestra chamado Pulse, que seleciona universitários que já gostam de música clássica para que atuem como espécie de embaixadores junto a amigos e colegas que ainda não conhecem o circuito de concertos. Uma ideia ótima essa dos embaixadores jovens, bem possível de implementar em orquestras aqui no Brasil.

Você encontra mais informações sobre a série Pulse e a balada pós-concerto Aftershock, ambos organizados pela Orquestra Sinfônica de Londres no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T03_56_46-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T03_56_46-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 11:56:46 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T03_56_46-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T03_56_46-08_00.mp3?_=1320753426.5290061" length="3369202" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>210</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Faz um tempo que eu organizo o Anu&#225;rio VivaM&#250;sica!, um livro que se prop&#245;e a reunir informa&#231;&#245;es de contato do meio cl&#225;ssico brasileiro e a incentivar o pensamento sobre o neg&#243;cio dos concertos. Por isso o seu slogan &#233; &#8220;o guia de neg&#243;cios da m&#250;sica cl&#225;ssica brasileira&#8221;. A edi&#231;&#227;o 2011 publica uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores que apresentam cl&#225;ssicos para jovens de maneiras alternativas ao concerto tradicional. Eu fui buscar exemplos em quatro pa&#237;ses, totalizando 13 projetos. Eu chamei esse especial de &#8220;Concertos para a juventude vers&#227;o 2.0&#8221;. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni na reportagem do Anu&#225;rio. Hoje, vou falar de um evento realizado pela Orquestra Sinf&#244;nica de Londres, chamado Aftershock.

A capital da Inglaterra &#233; a cidade do mundo que mais oferece programas diferenciados de cl&#225;ssicos na noite. E n&#227;o &#233; de hoje que os londrinos t&#234;m oferecido op&#231;&#245;es diferentes de m&#250;sica de concerto no circuito noturno &#8211; em 2001 j&#225; acontecia coisa por l&#225;. Dez anos depois, a cena noturna cl&#225;ssica em Londres &#233; bem fervida, pra usar uma g&#237;ria da juventude. H&#225; uma oferta generosa de programas cl&#225;ssicos organizados em casas noturnas, teatros de rock e, claro, organizados tamb&#233;m por orquestras. 

Existe um evento interessante oferecido pela Orchestra of the Age of Enlightenment, que eu j&#225; comentei aqui, e h&#225; tamb&#233;m essa s&#233;rie da London Symphony, nosso tema de hoje. O Aftershock &#233; uma festa que come&#231;ou a ser organizada em maio de 2011, super recente. Ainda pra usar uma g&#237;ria jovem, o Aftershock &#233; uma esp&#233;cie de balada p&#243;s-concerto que acontece no subsolo do Barbican Centre, sede da orquestra. &#201; escolhido um determinado concerto regular da temporada e, quando os aplausos terminam, existe a possibilidade do p&#250;blico esticar a noite em um programa no mesmo endere&#231;o, apenas em outro sal&#227;o, que mistura integrantes da pr&#243;pria orquestra, m&#250;sicos  convidados e DJs que tocam cl&#225;ssicos e m&#250;sica eletr&#244;nica. Se esse evento j&#225; seria bacana por si pr&#243;prio, fica ainda mais interessante por ser parte de um criativo programa da orquestra chamado Pulse, que seleciona universit&#225;rios que j&#225; gostam de m&#250;sica cl&#225;ssica para que atuem como esp&#233;cie de embaixadores junto a amigos e colegas que ainda n&#227;o conhecem o circuito de concertos. Uma ideia &#243;tima essa dos embaixadores jovens, bem poss&#237;vel de implementar em orquestras aqui no Brasil.

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a s&#233;rie Pulse e a balada p&#243;s-concerto Aftershock, ambos organizados pela Orquestra Sinf&#244;nica de Londres no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Faz um tempo que eu organizo o Anu&#225;rio VivaM&#250;sica!, um livro que se prop&#245;e a reunir informa&#231;&#245;es d...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Orquestras trazem elementos do pop: o exemplo da s&#233;rie Music Now (Chicago)</title>
      <description>
        <![CDATA[O Anuário VivaMúsica! é o guia de negócios da música clássica que eu organizo faz alguns anos, com contatos do meio musical brasileiro e também artigos especiais. A edição 2011 traz uma reportagem especial sobre  projetos internacionais inovadores que apresentam clássicos para jovens de maneiras alternativas ao concerto tradicional. No total, são 13 projetos em quatro países. A reportagem possibilita um panorama muito interessante sobre esses novos caminhos para a música clássica chegar à juventude. Eu chamei esse especial de “Concertos para a juventude versão 2.0”. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni na reportagem do Anuário. Hoje, vou falar de uma série realizada pela tradicional Orquestra Sinfônica de Chicago, nos Estados Unidos.

A série se chama Music Now, Música agora, em português. O repertório executado é somente de música de compositores do presente, que muitas vezes estão lá para conversar coma plateia. Essa série existe desde 1998.  Acho bem interessante essa compreensão da Sinfônica de Chicago quanto ao papel de interface que a música contemporânea tem o dom de fazer no sentido de atrair novas plateias. Eles não focam necessariamente o público jovem nessa série de concertos, e sim públicos de todas as idades que buscam uma experiência musical diferenciada, que gosta de novidades artísticas em geral. Esse desejo pelo novo é muito comum na juventude, mas claro que acompanha muitos de nós pela vida toda.

Se a música do presente tende a despertar menor grau de atração junto aos espectadores mais tradicionais das orquestras – o gosto médio do frequentador de concertos sinfônicos tende a concentrar-se nos repertórios clássico e romântico –, a produção contemporânea tem facilidade de diálogo com os públicos que valorizam expressões artísticas inovadoras.  Essa série, por exemplo, já recebeu grupos como a companhia de dança Hubbard Street Dance Chicago e convidados como o folclorista angolano Victor Gama. Importante frisar que a série acontece fora da sala de concertos da orquestra, apesar de todos os músicos fazerem parte da Sinfônica de Chicago. O palco escolhido é o do Harris Theatre, um espaço que estabelece parcerias com diversas instituições culturais daquela cidade.
Além do repertório focado em compositores vivos e do diálogo com outras artes, a série Music Now acrescenta, ainda, elementos típicos da cultura pop, como DJs e open bar no lobby do teatro, além de possibilitar encontro informal com músicos e compositores. Após os concertos, como convite adicional para o público ficar, são oferecidos pizza e drinques. Não bastasse tudo isso, foi lançado um programa que turbina ainda mais a experiência de assistir a essa série de concertos da Sinfônica de Chicago. Esse programa oferece uma espécie de happy hour VIP antes de cada apresentação começar.

Você encontra mais informações sobre a série Music Now da Orquestra Sinfônica de Chicago no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
 
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T03_53_12-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T03_53_12-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 11:53:12 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T03_53_12-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T03_53_12-08_00.mp3?_=1320753233.5290047" length="3901409" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>243</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>O Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! &#233; o guia de neg&#243;cios da m&#250;sica cl&#225;ssica que eu organizo faz alguns anos, com contatos do meio musical brasileiro e tamb&#233;m artigos especiais. A edi&#231;&#227;o 2011 traz uma reportagem especial sobre  projetos internacionais inovadores que apresentam cl&#225;ssicos para jovens de maneiras alternativas ao concerto tradicional. No total, s&#227;o 13 projetos em quatro pa&#237;ses. A reportagem possibilita um panorama muito interessante sobre esses novos caminhos para a m&#250;sica cl&#225;ssica chegar &#224; juventude. Eu chamei esse especial de &#8220;Concertos para a juventude vers&#227;o 2.0&#8221;. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni na reportagem do Anu&#225;rio. Hoje, vou falar de uma s&#233;rie realizada pela tradicional Orquestra Sinf&#244;nica de Chicago, nos Estados Unidos.

A s&#233;rie se chama Music Now, M&#250;sica agora, em portugu&#234;s. O repert&#243;rio executado &#233; somente de m&#250;sica de compositores do presente, que muitas vezes est&#227;o l&#225; para conversar coma plateia. Essa s&#233;rie existe desde 1998.  Acho bem interessante essa compreens&#227;o da Sinf&#244;nica de Chicago quanto ao papel de interface que a m&#250;sica contempor&#226;nea tem o dom de fazer no sentido de atrair novas plateias. Eles n&#227;o focam necessariamente o p&#250;blico jovem nessa s&#233;rie de concertos, e sim p&#250;blicos de todas as idades que buscam uma experi&#234;ncia musical diferenciada, que gosta de novidades art&#237;sticas em geral. Esse desejo pelo novo &#233; muito comum na juventude, mas claro que acompanha muitos de n&#243;s pela vida toda.

Se a m&#250;sica do presente tende a despertar menor grau de atra&#231;&#227;o junto aos espectadores mais tradicionais das orquestras &#8211; o gosto m&#233;dio do frequentador de concertos sinf&#244;nicos tende a concentrar-se nos repert&#243;rios cl&#225;ssico e rom&#226;ntico &#8211;, a produ&#231;&#227;o contempor&#226;nea tem facilidade de di&#225;logo com os p&#250;blicos que valorizam express&#245;es art&#237;sticas inovadoras.  Essa s&#233;rie, por exemplo, j&#225; recebeu grupos como a companhia de dan&#231;a Hubbard Street Dance Chicago e convidados como o folclorista angolano Victor Gama. Importante frisar que a s&#233;rie acontece fora da sala de concertos da orquestra, apesar de todos os m&#250;sicos fazerem parte da Sinf&#244;nica de Chicago. O palco escolhido &#233; o do Harris Theatre, um espa&#231;o que estabelece parcerias com diversas institui&#231;&#245;es culturais daquela cidade.
Al&#233;m do repert&#243;rio focado em compositores vivos e do di&#225;logo com outras artes, a s&#233;rie Music Now acrescenta, ainda, elementos t&#237;picos da cultura pop, como DJs e open bar no lobby do teatro, al&#233;m de possibilitar encontro informal com m&#250;sicos e compositores. Ap&#243;s os concertos, como convite adicional para o p&#250;blico ficar, s&#227;o oferecidos pizza e drinques. N&#227;o bastasse tudo isso, foi lan&#231;ado um programa que turbina ainda mais a experi&#234;ncia de assistir a essa s&#233;rie de concertos da Sinf&#244;nica de Chicago. Esse programa oferece uma esp&#233;cie de happy hour VIP antes de cada apresenta&#231;&#227;o come&#231;ar.

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre a s&#233;rie Music Now da Orquestra Sinf&#244;nica de Chicago no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
&#8195;
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>O Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! &#233; o guia de neg&#243;cios da m&#250;sica cl&#225;ssica que eu organizo faz alguns anos, co...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Orquestras trazem elementos do pop: o exemplo da s&#233;rie The Night Shift (Londres)</title>
      <description>
        <![CDATA[O Anuário VIvaMúsica! 2011, que eu organizo anualmente  faz algum tempo, com contatos do meio musical brasileiro,  publica uma reportagem especial. Projetos internacionais inovadores que apresentam clássicos para jovens de maneiras alternativas ao concerto tradicional. No total, são 13 projetos em quatro países. Hoje vou falar sobre a série The Night Shift,  em Londres, organizada desde 2006 pela Orchestra of the Age of Enlightenment, uma orquestra que toca em instrumentos de época e não tem diretor musical, as decisões artísticas são tomadas coletivamente pelos músicos. 

A ideia de organizar um programa voltado especialmente para público jovem surgiu a partir de três questões. Primeiro, a orquestra tinha organizado uma serie de concertos com repertório que se ouvia na Paris do século 18. Nessa época do passado, a ida ao concerto era uma experiência bem diferente da de hoje em dia. Era comum as pessoas conversarem, entrarem e saírem da sala....assistir música clássica ao vivo no século 18 não exigia que se ficasse sentado  em silêncio. Pois  quando a orquestra inglesa mostrou repertório francês do século 18, não chegou a recriar o ambiente junto à plateia. Eles só se deram conta disso depois que a série tinha acontecido e ficou a vontade de experimentar recriar aquela ambientação informal. Na mesma época, a orquestra tinha acabado de lançar um pacote de venda de ingressos com preços mais baratos justamente para atrair público jovem e estava em busca de ideias para programas voltados à juventude. Daí nasceu a ideia de criar uma serie em que a etiqueta dos concertos fosse relaxada, mas a qualidade do repertório e os músicos fossem iguais aos concertos regulares. Assim a Orchestra of the Age of Enlightenment criou um evento chamado The Night Shift, em português “Turno da noite”. O nome tem a ver um pouco com o horário do evento, que é tarde pro padrão de Londres, onde os concertos costumam ser às 19h30. The Night Shift começa às nove e vai até meia-noite, uma da manhã.

O concerto é o ponto central da coisa. Antes do concerto, no foyer do teatro ou no bar, há sempre uma apresentação ao vivo de músicos folk, pop ou jazz. O concerto tem um apresentador que conversa com músicos e recebe perguntas da paletias, as luzes da sala recebem um tratamento diferenciado, o público pode entrar e sair quando quiser....e pode entrar com bebida na sala. É permitido trocar impressões sobre o concerto com quem está ao lado, exatamente como em shows de outros gêneros musicais.  Depois do concerto, um DJ toca músicas típicas de casa noturna, mas em ambiente de pista, mas para que as pessoas possam conversar, beber algo, encontrar os músicos. 

The Night Shift acontece quatro vezes por ano e já é reconhecido na Inglaterra como uma importante iniciativa para formação de plateias. Um terço do público é formado por estudantes universitários e 85% têm menos de 35 anos de idade. A divulgação é feita basicamente pelas redes sociais Facbeook e Twitter. Os músicos da orquestra gostam da experiência de tocar em um ambiente menos formal, dizem sentir uma energia diferente vinda da plateia jovem. A orquestra faz pesquisas regulares como esse público novo que frequenta o evento. 

Você encontra mais informações sobre esse interessante evento The Night Shift, organizado em Londres pela Orchestra of the Age of Enlightenment, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T03_48_09-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T03_48_09-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 11:48:09 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T03_48_09-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T03_48_09-08_00.mp3?_=1320752939.5290040" length="4727987" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>295</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>O Anu&#225;rio VIvaM&#250;sica! 2011, que eu organizo anualmente  faz algum tempo, com contatos do meio musical brasileiro,  publica uma reportagem especial. Projetos internacionais inovadores que apresentam cl&#225;ssicos para jovens de maneiras alternativas ao concerto tradicional. No total, s&#227;o 13 projetos em quatro pa&#237;ses. Hoje vou falar sobre a s&#233;rie The Night Shift,  em Londres, organizada desde 2006 pela Orchestra of the Age of Enlightenment, uma orquestra que toca em instrumentos de &#233;poca e n&#227;o tem diretor musical, as decis&#245;es art&#237;sticas s&#227;o tomadas coletivamente pelos m&#250;sicos. 

A ideia de organizar um programa voltado especialmente para p&#250;blico jovem surgiu a partir de tr&#234;s quest&#245;es. Primeiro, a orquestra tinha organizado uma serie de concertos com repert&#243;rio que se ouvia na Paris do s&#233;culo 18. Nessa &#233;poca do passado, a ida ao concerto era uma experi&#234;ncia bem diferente da de hoje em dia. Era comum as pessoas conversarem, entrarem e sa&#237;rem da sala....assistir m&#250;sica cl&#225;ssica ao vivo no s&#233;culo 18 n&#227;o exigia que se ficasse sentado  em sil&#234;ncio. Pois  quando a orquestra inglesa mostrou repert&#243;rio franc&#234;s do s&#233;culo 18, n&#227;o chegou a recriar o ambiente junto &#224; plateia. Eles s&#243; se deram conta disso depois que a s&#233;rie tinha acontecido e ficou a vontade de experimentar recriar aquela ambienta&#231;&#227;o informal. Na mesma &#233;poca, a orquestra tinha acabado de lan&#231;ar um pacote de venda de ingressos com pre&#231;os mais baratos justamente para atrair p&#250;blico jovem e estava em busca de ideias para programas voltados &#224; juventude. Da&#237; nasceu a ideia de criar uma serie em que a etiqueta dos concertos fosse relaxada, mas a qualidade do repert&#243;rio e os m&#250;sicos fossem iguais aos concertos regulares. Assim a Orchestra of the Age of Enlightenment criou um evento chamado The Night Shift, em portugu&#234;s &#8220;Turno da noite&#8221;. O nome tem a ver um pouco com o hor&#225;rio do evento, que &#233; tarde pro padr&#227;o de Londres, onde os concertos costumam ser &#224;s 19h30. The Night Shift come&#231;a &#224;s nove e vai at&#233; meia-noite, uma da manh&#227;.

O concerto &#233; o ponto central da coisa. Antes do concerto, no foyer do teatro ou no bar, h&#225; sempre uma apresenta&#231;&#227;o ao vivo de m&#250;sicos folk, pop ou jazz. O concerto tem um apresentador que conversa com m&#250;sicos e recebe perguntas da paletias, as luzes da sala recebem um tratamento diferenciado, o p&#250;blico pode entrar e sair quando quiser....e pode entrar com bebida na sala. &#201; permitido trocar impress&#245;es sobre o concerto com quem est&#225; ao lado, exatamente como em shows de outros g&#234;neros musicais.  Depois do concerto, um DJ toca m&#250;sicas t&#237;picas de casa noturna, mas em ambiente de pista, mas para que as pessoas possam conversar, beber algo, encontrar os m&#250;sicos. 

The Night Shift acontece quatro vezes por ano e j&#225; &#233; reconhecido na Inglaterra como uma importante iniciativa para forma&#231;&#227;o de plateias. Um ter&#231;o do p&#250;blico &#233; formado por estudantes universit&#225;rios e 85% t&#234;m menos de 35 anos de idade. A divulga&#231;&#227;o &#233; feita basicamente pelas redes sociais Facbeook e Twitter. Os m&#250;sicos da orquestra gostam da experi&#234;ncia de tocar em um ambiente menos formal, dizem sentir uma energia diferente vinda da plateia jovem. A orquestra faz pesquisas regulares como esse p&#250;blico novo que frequenta o evento. 

Voc&#234; encontra mais informa&#231;&#245;es sobre esse interessante evento The Night Shift, organizado em Londres pela Orchestra of the Age of Enlightenment, no Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais  inovadores voltados para jovens.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>O Anu&#225;rio VIvaM&#250;sica! 2011, que eu organizo anualmente  faz algum tempo, com contatos do meio mus...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! re&#250;ne projetos mundiais  inovadores voltados para a juventude</title>
      <description>
        <![CDATA[O Anuário VivaMúsica! é um livro que eu organizo já faz algum tempo, com informações sobre o meio musical clássico brasileiro do ponto de vista profissional, do mercado, do negócio. Tem dados de contato de pessoas e organizações que fazem o circuito clássico nacional acontecer, recursos técnicos das principais salas de concerto do país, traz sempre aniversários musicais do ano. Outro conteúdo do Anuário são as reportagens sobre algum aspecto relevante do mercado de música clássica. 
Em 2011, trabalhamos o tema “Juventude 2.0”. Eu fui atrás de projetos internacionais que apresentam música clássica para a juventude de maneiras diferentes, mas não projetos experimentais, que estão testando formatos. Procurei os que já encontraram um caminho, já são realizados com regularidade há algum tempo, já aprenderam com seus erros e já encontraram a senda que leva ao bom resultado. São 13 iniciativas em quatro países: Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos e Suíça. Falamos com os gestores destes projetos tão inovadores quanto bem sucedidos, gente que está na linha de frente da inovação, tendo contato direto com um novo público que tem entre 20 e 40 anos, que, de outra forma, não se sentiria convidado a entrar na sala de concerto para ouvir música clássica, mas topa experimentar uma noitada diferente em que os clássicos sejam executados ao vivo, com toda a alta qualidade de interpretação que a música clássica oferece, mas em um  ambiente que lhes seja familiar, ou seja, com elementos da cultura pop. Como o Anuário VivaMúsica! circula prioritariamente no meio profissional de clássicos, aqui no Brasil e também em outros países  – não é um livro que se encontra em qualquer livraria porque a proposta dele é ser uma ferramenta de trabalho dos profissionais que atuam ou se relacionam com o meio clássico – eu vou aproveitar esse espaço aqui na MEC FM pra contar pra você o que estes projetos têm de mais interessante. Eles já definiram um novo território para a música clássica chegar à juventude.
Da Inglaterra, vamos conhecer o interessantíssimo projeto The Night Shift, organizado pela Orchestra of the Age of Enlightenment; o evento Aftershock, idealizado pela Sinfônica de Londres; a noitada Nonclassical, capitaneada pelo compositor e DJ Gabriel Prokofiev, neto do grande Sergei Prokofiev; e também a série Limelight de música de câmara, que acontece em um templo do rock’n’roll de Londres, o The 100 Club. Da Alemanha, vamos conhecer o trabalho do DJ Raphaël Marionneau em Hamburgo, onde ele faz discotecagem de música clássica; o projeto Yellow Lounge, que acontece em várias cidades, mas preferencialmente em Berlim; e ainda a esticada que a Filarmônica de Hamburgo oferece a seus espectadores após os concertos, na forma de um lounge. Dos Estados Unidos, vamos conhecer um movimento incrível chamado Classical Revolution, com sede em São Francisco; a série MusicNow da Sinfônica de Chicago; o projeto diferenciado que o Lincoln Center de Nova York oferece na música de câmara, a série Late Night Rose; o trabalho sensacional que a casa de shows Le Poisson Rouge de Nova York tem feito; e um projeto que promove o diálogo da moda com a música clássica, também em Nova York, chamado The Nouveau Classical. Da Suiça, vamos conhecer o projeto tonhalleLATE que promove uma rave após os concertos da Orquestra Tonhalle de Zurique. Vou dedicar um comentário a cada um desses incríveis projetos inovadores, que estão atraindo mais e mais gente jovem para esse mundo musical que, como você e eu bem sabemos, faz a vida ficar tão melhor. 
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-11-08T03_42_03-08_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T03_42_03-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 11:42:03 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-11-08T03_42_03-08_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-11-08T03_42_03-08_00.mp3?_=1320752546.5290021" length="4229779" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>264</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>O Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! &#233; um livro que eu organizo j&#225; faz algum tempo, com informa&#231;&#245;es sobre o meio musical cl&#225;ssico brasileiro do ponto de vista profissional, do mercado, do neg&#243;cio. Tem dados de contato de pessoas e organiza&#231;&#245;es que fazem o circuito cl&#225;ssico nacional acontecer, recursos t&#233;cnicos das principais salas de concerto do pa&#237;s, traz sempre anivers&#225;rios musicais do ano. Outro conte&#250;do do Anu&#225;rio s&#227;o as reportagens sobre algum aspecto relevante do mercado de m&#250;sica cl&#225;ssica. 
Em 2011, trabalhamos o tema &#8220;Juventude 2.0&#8221;. Eu fui atr&#225;s de projetos internacionais que apresentam m&#250;sica cl&#225;ssica para a juventude de maneiras diferentes, mas n&#227;o projetos experimentais, que est&#227;o testando formatos. Procurei os que j&#225; encontraram um caminho, j&#225; s&#227;o realizados com regularidade h&#225; algum tempo, j&#225; aprenderam com seus erros e j&#225; encontraram a senda que leva ao bom resultado. S&#227;o 13 iniciativas em quatro pa&#237;ses: Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos e Su&#237;&#231;a. Falamos com os gestores destes projetos t&#227;o inovadores quanto bem sucedidos, gente que est&#225; na linha de frente da inova&#231;&#227;o, tendo contato direto com um novo p&#250;blico que tem entre 20 e 40 anos, que, de outra forma, n&#227;o se sentiria convidado a entrar na sala de concerto para ouvir m&#250;sica cl&#225;ssica, mas topa experimentar uma noitada diferente em que os cl&#225;ssicos sejam executados ao vivo, com toda a alta qualidade de interpreta&#231;&#227;o que a m&#250;sica cl&#225;ssica oferece, mas em um  ambiente que lhes seja familiar, ou seja, com elementos da cultura pop. Como o Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! circula prioritariamente no meio profissional de cl&#225;ssicos, aqui no Brasil e tamb&#233;m em outros pa&#237;ses  &#8211; n&#227;o &#233; um livro que se encontra em qualquer livraria porque a proposta dele &#233; ser uma ferramenta de trabalho dos profissionais que atuam ou se relacionam com o meio cl&#225;ssico &#8211; eu vou aproveitar esse espa&#231;o aqui na MEC FM pra contar pra voc&#234; o que estes projetos t&#234;m de mais interessante. Eles j&#225; definiram um novo territ&#243;rio para a m&#250;sica cl&#225;ssica chegar &#224; juventude.
Da Inglaterra, vamos conhecer o interessant&#237;ssimo projeto The Night Shift, organizado pela Orchestra of the Age of Enlightenment; o evento Aftershock, idealizado pela Sinf&#244;nica de Londres; a noitada Nonclassical, capitaneada pelo compositor e DJ Gabriel Prokofiev, neto do grande Sergei Prokofiev; e tamb&#233;m a s&#233;rie Limelight de m&#250;sica de c&#226;mara, que acontece em um templo do rock&#8217;n&#8217;roll de Londres, o The 100 Club. Da Alemanha, vamos conhecer o trabalho do DJ Rapha&#235;l Marionneau em Hamburgo, onde ele faz discotecagem de m&#250;sica cl&#225;ssica; o projeto Yellow Lounge, que acontece em v&#225;rias cidades, mas preferencialmente em Berlim; e ainda a esticada que a Filarm&#244;nica de Hamburgo oferece a seus espectadores ap&#243;s os concertos, na forma de um lounge. Dos Estados Unidos, vamos conhecer um movimento incr&#237;vel chamado Classical Revolution, com sede em S&#227;o Francisco; a s&#233;rie MusicNow da Sinf&#244;nica de Chicago; o projeto diferenciado que o Lincoln Center de Nova York oferece na m&#250;sica de c&#226;mara, a s&#233;rie Late Night Rose; o trabalho sensacional que a casa de shows Le Poisson Rouge de Nova York tem feito; e um projeto que promove o di&#225;logo da moda com a m&#250;sica cl&#225;ssica, tamb&#233;m em Nova York, chamado The Nouveau Classical. Da Sui&#231;a, vamos conhecer o projeto tonhalleLATE que promove uma rave ap&#243;s os concertos da Orquestra Tonhalle de Zurique. Vou dedicar um coment&#225;rio a cada um desses incr&#237;veis projetos inovadores, que est&#227;o atraindo mais e mais gente jovem para esse mundo musical que, como voc&#234; e eu bem sabemos, faz a vida ficar t&#227;o melhor. 
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>O Anu&#225;rio VivaM&#250;sica! &#233; um livro que eu organizo j&#225; faz algum tempo, com informa&#231;&#245;es sobre o meio...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Desbravadores dos cl&#225;ssicos no Brasil levam concertos para as massas</title>
      <description>
        <![CDATA[Tem sido comum eu aproveitar este espaço da MEC FM para comentar a respeito de iniciativas pelo mundo que estão estabelecendo novos lugares para a música clássica, especialmente aproximando-a dos jovens que frequentam o circuito norturno de suas ciadades. Esse é um dos assuntos que mais interessa e por isso fico atenta a novidades na área e me apresso em dividir com você. Já falei aqui de iniciativas na Alemanha, em Londres, em Nova York, falei do projeto Democlássicos que idealizei aqui na nossa terra brasilis mesmo. 

Abrindo um pouco o espectro de interesse, ampliando o foco para projetos que levam a música clássica para as massas, para pessoas que jamais tiveram contato com o mundo dos concertos, não importa a idade, há alguns desbravadores muito importantes aqui no Brasil...e não é de hoje. Nos anos 1970. os idealizadores do projeto Aquarius e do programa Concerto para a Juventude, na TV Globo. A aquela altura do campeonato, levar música clássica para a Quinta da Boa Vista, no Rio, e para o mais popular canal de televisão do País era uma atitude desbravadora....e como. O maestro Isaac Karabtchevsky teve um papel fundamental neste contexto.

Avançando no tempo, faz pouco mais de dez anos que o pianista Arthur Moreira Lima teve uma ideia incrível. Transformar um caminhão em um palco, transportando um bom piano de cauda pelas estradas do Brasil e fazendo recitais gratuitos em praça pública no tal caminhão-palco nos mais longínquos rincões do Brasil. Esse projeto do Arthur é sensacional, se chama “Um piano na estrada”. Tem inclusive um livro publicado a respeito, bem interessante.

Mais recentemente, um músico em especial tem feito muito pela divulgação da música clássica para as massas no Brasil. Eu me refiro ao pianista e maestro paulista João Carlos Martins. Depois que teve o problema nãos mãos e teve que suspender sua carreira de recitalista internacional – ele foi muito reconhecido pela crítica mundial, especialmente por suas interpretações do repertório de Bach - , João Carlos voltou de vez para o Brasil e decidiu que ia trabalhar em prol da divulgação da música clássica entre os menos favorecidos da sociedade, seja na formação de instrumentistas, seja na formação de público. 

No Carnaval 2011 de São Paulo, a escola de samba Vai-vai foi a vencedora com um enredo que contava a história de superação de João Carlos Martins. As imagens que aquele desfile possibilitou, como a bateria vestida com casaca de concerto, uma passista sambando com um violino na mão, fizeram muito para aproximar todo o universo de concertos, que às vezes parece um lugar tão distante do dia a dia, da grande massa de espectadores do Carnaval pela TV. Viva João Carlos Marrtins, um grande desbravador para a música clássica adentrar a vida de quem não a conhece, mas está prontinho para gostar dela.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T07_01_47-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T07_01_47-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 14:01:47 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T07_01_47-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T07_01_47-07_00.mp3?_=1315490555.5002954" length="3354300" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>209</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Tem sido comum eu aproveitar este espa&#231;o da MEC FM para comentar a respeito de iniciativas pelo mundo que est&#227;o estabelecendo novos lugares para a m&#250;sica cl&#225;ssica, especialmente aproximando-a dos jovens que frequentam o circuito norturno de suas ciadades. Esse &#233; um dos assuntos que mais interessa e por isso fico atenta a novidades na &#225;rea e me apresso em dividir com voc&#234;. J&#225; falei aqui de iniciativas na Alemanha, em Londres, em Nova York, falei do projeto Democl&#225;ssicos que idealizei aqui na nossa terra brasilis mesmo. 

Abrindo um pouco o espectro de interesse, ampliando o foco para projetos que levam a m&#250;sica cl&#225;ssica para as massas, para pessoas que jamais tiveram contato com o mundo dos concertos, n&#227;o importa a idade, h&#225; alguns desbravadores muito importantes aqui no Brasil...e n&#227;o &#233; de hoje. Nos anos 1970. os idealizadores do projeto Aquarius e do programa Concerto para a Juventude, na TV Globo. A aquela altura do campeonato, levar m&#250;sica cl&#225;ssica para a Quinta da Boa Vista, no Rio, e para o mais popular canal de televis&#227;o do Pa&#237;s era uma atitude desbravadora....e como. O maestro Isaac Karabtchevsky teve um papel fundamental neste contexto.

Avan&#231;ando no tempo, faz pouco mais de dez anos que o pianista Arthur Moreira Lima teve uma ideia incr&#237;vel. Transformar um caminh&#227;o em um palco, transportando um bom piano de cauda pelas estradas do Brasil e fazendo recitais gratuitos em pra&#231;a p&#250;blica no tal caminh&#227;o-palco nos mais long&#237;nquos rinc&#245;es do Brasil. Esse projeto do Arthur &#233; sensacional, se chama &#8220;Um piano na estrada&#8221;. Tem inclusive um livro publicado a respeito, bem interessante.

Mais recentemente, um m&#250;sico em especial tem feito muito pela divulga&#231;&#227;o da m&#250;sica cl&#225;ssica para as massas no Brasil. Eu me refiro ao pianista e maestro paulista Jo&#227;o Carlos Martins. Depois que teve o problema n&#227;os m&#227;os e teve que suspender sua carreira de recitalista internacional &#8211; ele foi muito reconhecido pela cr&#237;tica mundial, especialmente por suas interpreta&#231;&#245;es do repert&#243;rio de Bach - , Jo&#227;o Carlos voltou de vez para o Brasil e decidiu que ia trabalhar em prol da divulga&#231;&#227;o da m&#250;sica cl&#225;ssica entre os menos favorecidos da sociedade, seja na forma&#231;&#227;o de instrumentistas, seja na forma&#231;&#227;o de p&#250;blico. 

No Carnaval 2011 de S&#227;o Paulo, a escola de samba Vai-vai foi a vencedora com um enredo que contava a hist&#243;ria de supera&#231;&#227;o de Jo&#227;o Carlos Martins. As imagens que aquele desfile possibilitou, como a bateria vestida com casaca de concerto, uma passista sambando com um violino na m&#227;o, fizeram muito para aproximar todo o universo de concertos, que &#224;s vezes parece um lugar t&#227;o distante do dia a dia, da grande massa de espectadores do Carnaval pela TV. Viva Jo&#227;o Carlos Marrtins, um grande desbravador para a m&#250;sica cl&#225;ssica adentrar a vida de quem n&#227;o a conhece, mas est&#225; prontinho para gostar dela.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Tem sido comum eu aproveitar este espa&#231;o da MEC FM para comentar a respeito de iniciativas pelo m...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Daniel Hope, violinista multi atarefado, encontrou um par no s&#233;culo 19</title>
      <description>
        <![CDATA[Que vivemos na era da multitarefa, isso a maioria de nós sente na pele. E não importa muito se você trabalha em empresa, é profissional liberal, já está na aposentadoria, é estudante, funcionário público ou dona de casa. Todos temos dado conta de mais tarefas do que nosso horário parece permitir é fácil nos perdemos em assuntos que não nos dizem respeito, mas por alguma maneira capturam nossa atenção e consomem nosso tempo. Há algumas rotinas que sentem os efeitos da multitarefa de forma mais pungente, como quem trabalha diretamente com internet – é preciso estar atento a vários pontos de interesse ao mesmo tempo. 

E o músico clássico da segunda década do século 21, como será sua rotina nesses tempos de multitarefa? Esbarrei recentemente em duas entrevistas do violinista britânico Daniel Hope, que fez parte do Trio Beaux Arts, e, em ambas, o músico tecia comentários sobre responsabilidades que empilham-se uma em cima da outra. Eis um dos nossos! E o seu projeto mais recente foi justamente gravar a obra do compositor e violinista húngaro Joseph Joachim, grande amigo de Brahms, Schumann, Dvorák. Pois já no século 19 Joachim era, adivinha o que?....um multiatarefado!

Daniel Hope observa que Joseph Joachim e outros artistas podem funcionar como modelo de artistas que, já no passado, lidavam bem com múltiplos papéis e múltiplas responsabilidades simultâneas. O caso de Mendelssohn, por exemplo, que já não bastasse desempenhar três funções (compositor, regente e pianista), mas também era um organizador de festivais e fazia captação de verbas. E Robert Schumann que também fundou e chegou a ser editor de uma revista de música que existe até hoje.... Daniel Hope lembra que tocar e ter atividades de fomento do meio musical era algo comum até que o século 20 veio a estabelecer o sistema de estrelato dos artistas. Estrelato que o século 21 mostra ser cada vez menos rentável, com a pulverização dos canais de divulgação de música, a vulgarização de equipamentos de gravação e a incrível velocidade da internet. 

O artista tende a se ver novamente em várias frentes d eação, protagonizando a divulgação de sua arte. O próprio Daniel Hope é um exemplo disso. Ele escreve livros, produz vídeos para a internet, organiza um festival na Alemanha, é um ativista...além, claro, de tocar violino pelos quatro cantos do mundo. 

Sabe aquele sentimento de pressão por conta das multitarefas e seus prazos quase sempre estourados? Acho que não somos só eu e você que sentimos. Algo me diz que Daniel Hope também está nessa.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T06_57_17-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_57_17-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 13:57:17 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_57_17-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T06_57_17-07_00.mp3?_=1315490263.5002943" length="3488883" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>218</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Que vivemos na era da multitarefa, isso a maioria de n&#243;s sente na pele. E n&#227;o importa muito se voc&#234; trabalha em empresa, &#233; profissional liberal, j&#225; est&#225; na aposentadoria, &#233; estudante, funcion&#225;rio p&#250;blico ou dona de casa. Todos temos dado conta de mais tarefas do que nosso hor&#225;rio parece permitir &#233; f&#225;cil nos perdemos em assuntos que n&#227;o nos dizem respeito, mas por alguma maneira capturam nossa aten&#231;&#227;o e consomem nosso tempo. H&#225; algumas rotinas que sentem os efeitos da multitarefa de forma mais pungente, como quem trabalha diretamente com internet &#8211; &#233; preciso estar atento a v&#225;rios pontos de interesse ao mesmo tempo. 

E o m&#250;sico cl&#225;ssico da segunda d&#233;cada do s&#233;culo 21, como ser&#225; sua rotina nesses tempos de multitarefa? Esbarrei recentemente em duas entrevistas do violinista brit&#226;nico Daniel Hope, que fez parte do Trio Beaux Arts, e, em ambas, o m&#250;sico tecia coment&#225;rios sobre responsabilidades que empilham-se uma em cima da outra. Eis um dos nossos! E o seu projeto mais recente foi justamente gravar a obra do compositor e violinista h&#250;ngaro Joseph Joachim, grande amigo de Brahms, Schumann, Dvor&#225;k. Pois j&#225; no s&#233;culo 19 Joachim era, adivinha o que?....um multiatarefado!

Daniel Hope observa que Joseph Joachim e outros artistas podem funcionar como modelo de artistas que, j&#225; no passado, lidavam bem com m&#250;ltiplos pap&#233;is e m&#250;ltiplas responsabilidades simult&#226;neas. O caso de Mendelssohn, por exemplo, que j&#225; n&#227;o bastasse desempenhar tr&#234;s fun&#231;&#245;es (compositor, regente e pianista), mas tamb&#233;m era um organizador de festivais e fazia capta&#231;&#227;o de verbas. E Robert Schumann que tamb&#233;m fundou e chegou a ser editor de uma revista de m&#250;sica que existe at&#233; hoje.... Daniel Hope lembra que tocar e ter atividades de fomento do meio musical era algo comum at&#233; que o s&#233;culo 20 veio a estabelecer o sistema de estrelato dos artistas. Estrelato que o s&#233;culo 21 mostra ser cada vez menos rent&#225;vel, com a pulveriza&#231;&#227;o dos canais de divulga&#231;&#227;o de m&#250;sica, a vulgariza&#231;&#227;o de equipamentos de grava&#231;&#227;o e a incr&#237;vel velocidade da internet. 

O artista tende a se ver novamente em v&#225;rias frentes d ea&#231;&#227;o, protagonizando a divulga&#231;&#227;o de sua arte. O pr&#243;prio Daniel Hope &#233; um exemplo disso. Ele escreve livros, produz v&#237;deos para a internet, organiza um festival na Alemanha, &#233; um ativista...al&#233;m, claro, de tocar violino pelos quatro cantos do mundo. 

Sabe aquele sentimento de press&#227;o por conta das multitarefas e seus prazos quase sempre estourados? Acho que n&#227;o somos s&#243; eu e voc&#234; que sentimos. Algo me diz que Daniel Hope tamb&#233;m est&#225; nessa.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Que vivemos na era da multitarefa, isso a maioria de n&#243;s sente na pele. E n&#227;o importa muito se vo...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>A tradi&#231;&#227;o da Mo&#235;t Chandon, o rosto de Scarlett Johansson e os cl&#225;ssicos</title>
      <description>
        <![CDATA[A casa Moët &amp; Chandon, produtora de champanhe, é proprietária de um castelo na cidade de Saran, na França, próximo de sua sede e onde fica parte de seus vinhedos. O castelo foi construído em meados do século 19 e é um símbolo importante da marca que nasceu ainda antes, em 1743. Naquele longínquo ano, o Sr. Claude Moët começou a produzir champanhe para atender os nobres franceses, entre eles ninguém menos que o Rei Luís XV. É neste histórico  castelo que a bela atriz americana Scarlett Johansson passa uns dias por ano para cumprir parte dos afazeres de garota propaganda da marca Moët &amp; Chandon. Ela está lá nas celebrações de colheita, em festas e eventos especiais, para fazer fotos de publicidade.

Uma marca europeia cercada de tanta solidez e tradição, com uma história que remonta a mais de 250 anos, tão solidamente fincada no passado, por que será que foi escolher uma celebridade americana com menos de 30 anos para ser a cara de seus produtos? Vamos ver o que Daniel Lalonde, presidente da companhia, tem a dizer a respeito: “Temos 267 anos para olhar para trás, avaliar tudo o que foi feito, nos inspirar no passado e traduzir isso para a sociedade moderna. Devemos equilibrar tradição e modernidade. Scarlett Johansson significa hoje glamour, grandeza e alegria de viver, atributos muito importantes de nossa marca”.

Essa reflexão do presidente da Moët &amp; Chandon me remeteu ao mundo da música clássica, ao compromisso com suas tradições, à importância de seu passado, ao foi conquistado e ao que foi perdido ao longo dos séculos, Me remeteu a toda experiência que vem sendo acumulada de apresentar os clássicos à juventude. Lembrei também daquela frase famosa do escritor Pedro Nava: “A experiência é um carro com os faróis voltados para trás”. 
Quem tem séculos de experiência acumulada, como a marca francesa de champanhe e como a música clássica precisa mesmo olhar bem pra trás e tirar as melhores lições do passado. Mas, ao mesmo tempo, precisa garantir relevância no presente, aqui, hoje e agora, precisa fazer parte da vida das pessoas da atualidade. E, claro, precisa estar de olho no futuro, prestando atenção a tendências e \novos comportamentos. 

Quem lida com tradição e passado, precisa de rostos novos, como o de Scarlett Johansson. Eles conferem uma lufada de ar fresco a produtos e hábitos tão tradicionais como uma garrafa de Moët &amp; Chandon ou uma ida aos concertos. E os rostos nem precisam ser tão bonitos com o da atriz americana. Basta eles serem verdadeiros.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T06_54_19-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_54_19-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 13:54:19 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_54_19-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T06_54_19-07_00.mp3?_=1315490087.5002935" length="3435384" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>214</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>A casa Mo&#235;t &amp; Chandon, produtora de champanhe, &#233; propriet&#225;ria de um castelo na cidade de Saran, na Fran&#231;a, pr&#243;ximo de sua sede e onde fica parte de seus vinhedos. O castelo foi constru&#237;do em meados do s&#233;culo 19 e &#233; um s&#237;mbolo importante da marca que nasceu ainda antes, em 1743. Naquele long&#237;nquo ano, o Sr. Claude Mo&#235;t come&#231;ou a produzir champanhe para atender os nobres franceses, entre eles ningu&#233;m menos que o Rei Lu&#237;s XV. &#201; neste hist&#243;rico  castelo que a bela atriz americana Scarlett Johansson passa uns dias por ano para cumprir parte dos afazeres de garota propaganda da marca Mo&#235;t &amp; Chandon. Ela est&#225; l&#225; nas celebra&#231;&#245;es de colheita, em festas e eventos especiais, para fazer fotos de publicidade.

Uma marca europeia cercada de tanta solidez e tradi&#231;&#227;o, com uma hist&#243;ria que remonta a mais de 250 anos, t&#227;o solidamente fincada no passado, por que ser&#225; que foi escolher uma celebridade americana com menos de 30 anos para ser a cara de seus produtos? Vamos ver o que Daniel Lalonde, presidente da companhia, tem a dizer a respeito: &#8220;Temos 267 anos para olhar para tr&#225;s, avaliar tudo o que foi feito, nos inspirar no passado e traduzir isso para a sociedade moderna. Devemos equilibrar tradi&#231;&#227;o e modernidade. Scarlett Johansson significa hoje glamour, grandeza e alegria de viver, atributos muito importantes de nossa marca&#8221;.

Essa reflex&#227;o do presidente da Mo&#235;t &amp; Chandon me remeteu ao mundo da m&#250;sica cl&#225;ssica, ao compromisso com suas tradi&#231;&#245;es, &#224; import&#226;ncia de seu passado, ao foi conquistado e ao que foi perdido ao longo dos s&#233;culos, Me remeteu a toda experi&#234;ncia que vem sendo acumulada de apresentar os cl&#225;ssicos &#224; juventude. Lembrei tamb&#233;m daquela frase famosa do escritor Pedro Nava: &#8220;A experi&#234;ncia &#233; um carro com os far&#243;is voltados para tr&#225;s&#8221;. 
Quem tem s&#233;culos de experi&#234;ncia acumulada, como a marca francesa de champanhe e como a m&#250;sica cl&#225;ssica precisa mesmo olhar bem pra tr&#225;s e tirar as melhores li&#231;&#245;es do passado. Mas, ao mesmo tempo, precisa garantir relev&#226;ncia no presente, aqui, hoje e agora, precisa fazer parte da vida das pessoas da atualidade. E, claro, precisa estar de olho no futuro, prestando aten&#231;&#227;o a tend&#234;ncias e \novos comportamentos. 

Quem lida com tradi&#231;&#227;o e passado, precisa de rostos novos, como o de Scarlett Johansson. Eles conferem uma lufada de ar fresco a produtos e h&#225;bitos t&#227;o tradicionais como uma garrafa de Mo&#235;t &amp; Chandon ou uma ida aos concertos. E os rostos nem precisam ser t&#227;o bonitos com o da atriz americana. Basta eles serem verdadeiros.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A casa Mo&#235;t &amp; Chandon, produtora de champanhe, &#233; propriet&#225;ria de um castelo na cidade de Saran, n...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>O exemplo da BBC 3: &#233; bom pra Inglaterra, seria muito bom para o Brasil</title>
      <description>
        <![CDATA[O que fazer quando a crise aperta e as verbas para manutenção de instituições artísticas e culturais começam a ser cortadas? Essa é uma situação que vem sendo vivida em diversos países, especialmente após a crise econômica mundial de 2008. Aqui no Brasil, o panorama não é muito diferente. É bem mais comum ver uma instituição cultural com problemas de custeio do que feliz da vida com a vida financeira em dia.

A pergunta sobre o que fazer quando a crise chega e as verbas minguam é difícil de responder. Por isso, chamou minha atenção uma atitude da rádio BBC 3, da Inglaterra, especializada em música clássica. A Grã-Bretanha tem passado por cortes radicais nas verbas de custeio de instituições culturais, orquestras inclusive. Pois neste contexto, a rádio pública inglesa teve uma iniciativa muito importante. Decidiu transmitir em todos os dias úteis concertos das diversas orquestras ativas no país. O mais interessante é que esta transmissão de eventos ao vivo de segunda a sexta era uma velha tradição da BBC, que havia sido abandonada há quatro anos, justamente por corte de custos. Felizmente, agora a rádio voltou atrás e retomou o seu papel de vitrine das orquestras inglesas. 

O diretor da BBC 3, Roger Wright, disse com todas as letras a razão da retomada das transmissões ao vivo. Ele falou: “Em um momento de crise, quando as verbas para as artes estão sendo cortadas, voltar a ouvir ao vivo nossas orquestras vai possibilitar refletir sobre o espectro e a qualidade do trabalho sinfônico sendo feito no país”. Achei ótimo esse posicionamento. É realmente uma oportunidade especialíssima para avaliar a importância de atividades, ouvir o público local de cada cidade aplaudindo sua orquestra, mostrando como ela é importante e valorizada por aquela comunidade e, quem sabe assim, pressionar políticos pela manutenção de verbas destinadas ao fomento da cultura.

Muito bom ver uma rádio publica cumprindo seu papel de canalizadora e amplificadora das muitas vozes que fazem uma nação. Claro, a Inglaterra é um país pequeno, menor do que o Ceará. Se por lá é importante a mídia colaborar para o conhecimento da produção cultural nacional, imagina no Brasil. E, além desta questão cívica, política, tem ainda uma certa tendência de comportamento e de marketing no sentido de valorizar eventos ao vivo. Veja o caso de sucesso das óperas do Metropolitan de Nova York que são transmitidas ao vivo para cinemas de todo mundo ou mesmo as transmissões da Filarmônica de Berlim direto de sua sala de concertos para a internet. 
Ainda que o Brasil seja um país grande, complexo, repleto de idiossincrasias e carente no que tange à redes de troca entre instituições artísticas, não custa tentar vislumbrar o dia em que será possível ouvir ao vivo no rádio concertos de orquestras tão distintas como a Osesp, a Sinfônica da Bahia, a Filarmônica de Minas Gerais, a Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro de Porto Alegre, a Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro de Brasíia, a Sinfônica de Barra Mansa, a Filarmônica de Minas Gerais, a Sinfônica do Recife....será que este dia está tão longe assim? Ou será que falta apenas um peteleco para iniciar um processo que traria tantos benefícios para a atividade sinfônica brasileira? Fica lançada a ideia.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T06_50_43-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_50_43-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 13:50:43 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_50_43-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T06_50_43-07_00.mp3?_=1315489871.5002922" length="4132540" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>258</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>O que fazer quando a crise aperta e as verbas para manuten&#231;&#227;o de institui&#231;&#245;es art&#237;sticas e culturais come&#231;am a ser cortadas? Essa &#233; uma situa&#231;&#227;o que vem sendo vivida em diversos pa&#237;ses, especialmente ap&#243;s a crise econ&#244;mica mundial de 2008. Aqui no Brasil, o panorama n&#227;o &#233; muito diferente. &#201; bem mais comum ver uma institui&#231;&#227;o cultural com problemas de custeio do que feliz da vida com a vida financeira em dia.

A pergunta sobre o que fazer quando a crise chega e as verbas minguam &#233; dif&#237;cil de responder. Por isso, chamou minha aten&#231;&#227;o uma atitude da r&#225;dio BBC 3, da Inglaterra, especializada em m&#250;sica cl&#225;ssica. A Gr&#227;-Bretanha tem passado por cortes radicais nas verbas de custeio de institui&#231;&#245;es culturais, orquestras inclusive. Pois neste contexto, a r&#225;dio p&#250;blica inglesa teve uma iniciativa muito importante. Decidiu transmitir em todos os dias &#250;teis concertos das diversas orquestras ativas no pa&#237;s. O mais interessante &#233; que esta transmiss&#227;o de eventos ao vivo de segunda a sexta era uma velha tradi&#231;&#227;o da BBC, que havia sido abandonada h&#225; quatro anos, justamente por corte de custos. Felizmente, agora a r&#225;dio voltou atr&#225;s e retomou o seu papel de vitrine das orquestras inglesas. 

O diretor da BBC 3, Roger Wright, disse com todas as letras a raz&#227;o da retomada das transmiss&#245;es ao vivo. Ele falou: &#8220;Em um momento de crise, quando as verbas para as artes est&#227;o sendo cortadas, voltar a ouvir ao vivo nossas orquestras vai possibilitar refletir sobre o espectro e a qualidade do trabalho sinf&#244;nico sendo feito no pa&#237;s&#8221;. Achei &#243;timo esse posicionamento. &#201; realmente uma oportunidade especial&#237;ssima para avaliar a import&#226;ncia de atividades, ouvir o p&#250;blico local de cada cidade aplaudindo sua orquestra, mostrando como ela &#233; importante e valorizada por aquela comunidade e, quem sabe assim, pressionar pol&#237;ticos pela manuten&#231;&#227;o de verbas destinadas ao fomento da cultura.

Muito bom ver uma r&#225;dio publica cumprindo seu papel de canalizadora e amplificadora das muitas vozes que fazem uma na&#231;&#227;o. Claro, a Inglaterra &#233; um pa&#237;s pequeno, menor do que o Cear&#225;. Se por l&#225; &#233; importante a m&#237;dia colaborar para o conhecimento da produ&#231;&#227;o cultural nacional, imagina no Brasil. E, al&#233;m desta quest&#227;o c&#237;vica, pol&#237;tica, tem ainda uma certa tend&#234;ncia de comportamento e de marketing no sentido de valorizar eventos ao vivo. Veja o caso de sucesso das &#243;peras do Metropolitan de Nova York que s&#227;o transmitidas ao vivo para cinemas de todo mundo ou mesmo as transmiss&#245;es da Filarm&#244;nica de Berlim direto de sua sala de concertos para a internet. 
Ainda que o Brasil seja um pa&#237;s grande, complexo, repleto de idiossincrasias e carente no que tange &#224; redes de troca entre institui&#231;&#245;es art&#237;sticas, n&#227;o custa tentar vislumbrar o dia em que ser&#225; poss&#237;vel ouvir ao vivo no r&#225;dio concertos de orquestras t&#227;o distintas como a Osesp, a Sinf&#244;nica da Bahia, a Filarm&#244;nica de Minas Gerais, a Orquestra de C&#226;mara do Theatro S&#227;o Pedro de Porto Alegre, a Sinf&#244;nica do Teatro Nacional Claudio Santoro de Bras&#237;ia, a Sinf&#244;nica de Barra Mansa, a Filarm&#244;nica de Minas Gerais, a Sinf&#244;nica do Recife....ser&#225; que este dia est&#225; t&#227;o longe assim? Ou ser&#225; que falta apenas um peteleco para iniciar um processo que traria tantos benef&#237;cios para a atividade sinf&#244;nica brasileira? Fica lan&#231;ada a ideia.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>O que fazer quando a crise aperta e as verbas para manuten&#231;&#227;o de institui&#231;&#245;es art&#237;sticas e cultur...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Youtube Symphony Orchestra, festa para os olhos e para os ouvidos</title>
      <description>
        <![CDATA[Um dos projetos mais diferentes e instigantes dos últimos tempos é a YouTube Symphony Orchestra, ou seja, a Orquestra Sinfônica do YouTube, o famosíssimo site de vídeos da internet. Houve uma primeira edição em 2009 nos EUA e outra em 2011, na Austrália. Se você não assistiu ainda a edição 2011, eu recomendo fortemente que assista. O vídeo está disponível na internet, basta procurar por Orquestra Sinfônica YouTube e carrega uma página em português. Lá está o concerto completo, com duas horas e 20 minutos de duração. 

Falando “você vai encontrar o concerto completo”, parece se tratar de um concerto de orquestra como outro qualquer. Mas não é bem assim. Logo no início do espetáculo, o maestro americano Michael Tilson Thomas, regente e consultor artístico da YouTube Symphony, avisa que aquilo prestes a começar não é um concerto comum, mas o ápice da colaboração entre os mundos da música clássica e da tecnologia. A música clássica está lá na forma de uma orquestra sinfônica de 101 músicos, com idade variando entre 14 e 49 anos, originários de 33 países (três deles brasileiros, um violinista, um trompista e um guitarrista),. O grupo foi selecionado pela internet, passou uma semana na Austrália para concertos na Opera de Sidney e também para masterclasses.  A empreitada contou com o apoio da Filarmônica de Berlim, das sinfônicas de Londres e de Sydney. O projeto teve  um compositor residente, o americano Michael Bates que criou uma obra especialmente para ocasião e patrocínio da fabrica de automóveis Hyundai, cujo slogan mundial é “new thinking, new possibilities” – novo jeito de pensar, novas possibilidades. Tudo a ver com a proposta da Orquestra Sinfônica YouTube.

O grande diferencial desse projeto é o uso da tecnologia a serviço dos clássicos, seja na própria sala de concerto (e fora dela), seja na construção e na divulgação de todas as etapas que levaram até o grande evento final. Durante o espetáculo, a sala de concerto esteve quase totalmente vestida por efeitos de luz e projeções. O lado de fora prédio da Ópera de Sidney, o principal cartão postal da Austrália, esteve o tempo todo também vestido por projeções e grafismos. Um trabalho incrível realizado pela empresa Obscura Digital e pelo artista gráfico Android Jones. 

Li um artigo muito bom de David Cutler, músico, compositor, professor e escritor, especialista em empreendedorismo musical. Ele observou como algumas novidades da YouTube Symphony podem funcionar como referência para o ambiente sinfônico. O processo de audição dos músicos de orquestra, por exemplo, costuma ser cercado de sigilo, há casos em que usa-se inclusive um biombo para que o mérito musical prevaleça acima de tudo. A YouTube Symphony optou pelo extremo oposto: os concorrentes postavam seus vídeos, uma comissão selecionava uma quantidade maior de vídeos do que vagas disponíveis e a votação se dava aberta ao público pela internet. Ou seja, exigiu-se dos músicos uma mobilização de suas redes de relacionamento para que as pessoas votassem neles. 

David Cutler lembra que, por mais críticas que este processo de votação aberta possa receber, toca justamente em um ponto importante da atualidade que é o próprio músico cultivar o seu público – uma atitude que colaboraria para aumentar a relevância da orquestra na comunidade. Outro aspecto que o autor levanta é a questão do concerto final da YouTube Symphony ter mostrado vídeos dos músicos em suas cidades de origem. O músico deixa de ser mais um integrante anônimo das estantes para aparecer como a pessoa que efetivamente é. 

E, por fim, a ênfase aos visuais. Uma quantidade grande de recursos humanos e financeiros foi investida na parte visual, fazendo uma verdadeira festa para os olhos. O público mundial gostou: no dia em que gravei este comentário, só o concerto final da YouTube Symphony já havia sido visto por mais de um milhão e trezentas mil pessoas, fora os muitos outros materiais disponíveis no canal da orquestra, todos com audiência na casa dos seis dígitos ou mais.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T06_47_22-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_47_22-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 13:47:22 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_47_22-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T06_47_22-07_00.mp3?_=1315489669.5002913" length="5174367" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>323</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Um dos projetos mais diferentes e instigantes dos &#250;ltimos tempos &#233; a YouTube Symphony Orchestra, ou seja, a Orquestra Sinf&#244;nica do YouTube, o famos&#237;ssimo site de v&#237;deos da internet. Houve uma primeira edi&#231;&#227;o em 2009 nos EUA e outra em 2011, na Austr&#225;lia. Se voc&#234; n&#227;o assistiu ainda a edi&#231;&#227;o 2011, eu recomendo fortemente que assista. O v&#237;deo est&#225; dispon&#237;vel na internet, basta procurar por Orquestra Sinf&#244;nica YouTube e carrega uma p&#225;gina em portugu&#234;s. L&#225; est&#225; o concerto completo, com duas horas e 20 minutos de dura&#231;&#227;o. 

Falando &#8220;voc&#234; vai encontrar o concerto completo&#8221;, parece se tratar de um concerto de orquestra como outro qualquer. Mas n&#227;o &#233; bem assim. Logo no in&#237;cio do espet&#225;culo, o maestro americano Michael Tilson Thomas, regente e consultor art&#237;stico da YouTube Symphony, avisa que aquilo prestes a come&#231;ar n&#227;o &#233; um concerto comum, mas o &#225;pice da colabora&#231;&#227;o entre os mundos da m&#250;sica cl&#225;ssica e da tecnologia. A m&#250;sica cl&#225;ssica est&#225; l&#225; na forma de uma orquestra sinf&#244;nica de 101 m&#250;sicos, com idade variando entre 14 e 49 anos, origin&#225;rios de 33 pa&#237;ses (tr&#234;s deles brasileiros, um violinista, um trompista e um guitarrista),. O grupo foi selecionado pela internet, passou uma semana na Austr&#225;lia para concertos na Opera de Sidney e tamb&#233;m para masterclasses.  A empreitada contou com o apoio da Filarm&#244;nica de Berlim, das sinf&#244;nicas de Londres e de Sydney. O projeto teve  um compositor residente, o americano Michael Bates que criou uma obra especialmente para ocasi&#227;o e patroc&#237;nio da fabrica de autom&#243;veis Hyundai, cujo slogan mundial &#233; &#8220;new thinking, new possibilities&#8221; &#8211; novo jeito de pensar, novas possibilidades. Tudo a ver com a proposta da Orquestra Sinf&#244;nica YouTube.

O grande diferencial desse projeto &#233; o uso da tecnologia a servi&#231;o dos cl&#225;ssicos, seja na pr&#243;pria sala de concerto (e fora dela), seja na constru&#231;&#227;o e na divulga&#231;&#227;o de todas as etapas que levaram at&#233; o grande evento final. Durante o espet&#225;culo, a sala de concerto esteve quase totalmente vestida por efeitos de luz e proje&#231;&#245;es. O lado de fora pr&#233;dio da &#211;pera de Sidney, o principal cart&#227;o postal da Austr&#225;lia, esteve o tempo todo tamb&#233;m vestido por proje&#231;&#245;es e grafismos. Um trabalho incr&#237;vel realizado pela empresa Obscura Digital e pelo artista gr&#225;fico Android Jones. 

Li um artigo muito bom de David Cutler, m&#250;sico, compositor, professor e escritor, especialista em empreendedorismo musical. Ele observou como algumas novidades da YouTube Symphony podem funcionar como refer&#234;ncia para o ambiente sinf&#244;nico. O processo de audi&#231;&#227;o dos m&#250;sicos de orquestra, por exemplo, costuma ser cercado de sigilo, h&#225; casos em que usa-se inclusive um biombo para que o m&#233;rito musical prevale&#231;a acima de tudo. A YouTube Symphony optou pelo extremo oposto: os concorrentes postavam seus v&#237;deos, uma comiss&#227;o selecionava uma quantidade maior de v&#237;deos do que vagas dispon&#237;veis e a vota&#231;&#227;o se dava aberta ao p&#250;blico pela internet. Ou seja, exigiu-se dos m&#250;sicos uma mobiliza&#231;&#227;o de suas redes de relacionamento para que as pessoas votassem neles. 

David Cutler lembra que, por mais cr&#237;ticas que este processo de vota&#231;&#227;o aberta possa receber, toca justamente em um ponto importante da atualidade que &#233; o pr&#243;prio m&#250;sico cultivar o seu p&#250;blico &#8211; uma atitude que colaboraria para aumentar a relev&#226;ncia da orquestra na comunidade. Outro aspecto que o autor levanta &#233; a quest&#227;o do concerto final da YouTube Symphony ter mostrado v&#237;deos dos m&#250;sicos em suas cidades de origem. O m&#250;sico deixa de ser mais um integrante an&#244;nimo das estantes para aparecer como a pessoa que efetivamente &#233;. 

E, por fim, a &#234;nfase aos visuais. Uma quantidade grande de recursos humanos e financeiros foi investida na parte visual, fazendo uma verdadeira festa para os olhos. O p&#250;blico mundial gostou: no dia em que gravei este coment&#225;rio, s&#243; o concerto final da YouTube Symphony j&#225; havia sido visto por mais de um milh&#227;o e trezentas mil pessoas, fora os muitos outros materiais dispon&#237;veis no canal da orquestra, todos com audi&#234;ncia (continued)</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Um dos projetos mais diferentes e instigantes dos &#250;ltimos tempos &#233; a YouTube Symphony Orchestra, ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Gera&#231;&#227;o Y, multifocada e individualista: como apresentar os cl&#225;ssicos a ela?</title>
      <description>
        <![CDATA[Você já ouviu falar na “Geração Y”? É uma faixa geracional que compreende os nascidos entre 1980 e 2003, ou seja, os mais velhos têm cerca de 30 anos e os mais novos nem chegaram ainda à primeira década de vida.  O termo “Geração Y” foi  cunhado nos Estados Unidos, país que tem uma longa tradição de pesquisas sociais e de comportamento. Mas se aplica também ao Brasil, respeitadas diferenças regionais e culturais. Dentro dessa faixa, , digamos assim, a sub-faixa da Geração Y que tem chamado maior atenção é a de quem está entre os 18 e os 30 anos. São os que estão no mercado de trabalho e, por estarem inseridos de forma ativa na corrente econômica, tendem a eles próprios ditarem os comportamentos e as regras do mercado como um todo. Assim como muitos outros setores da sociedade, a música clássica se beneficiará na medida em que estiver atenta ao perfil de comportamento destes jovens.

Quem são eles e como se comportam? É importante, antes de tudo, considerar ser esta uma geração nascida em famílias não mais presas ao formato padrão pai-mãe-filhos todos juntos. O fato de crescer em famílias de pais separados possibilitou que, pai de um lado e mãe do outro, os filhos  acabassem recebendo, no final das contas, atenção maior. Isso gerou jovens para quem o senso de importância individual é muito significativo e cujos pais estão muito presentes, seja financeiramente, seja no aconselhamento. Ao mesmo tempo em que existe um individualismo evidente, a Geração Y apresenta uma profunda consciência social, preocupação com o meio ambiente e os direitos humanos. É uma geração crescida na era digital, nasceu com computador em casa. São mestres em multitarefas, em fazer várias coisas simultâneas. Pesquisa nos EUA comprovou que 40% dos jovens da Geração Y usam a internet e vêem TV ao mesmo tempo. Mas, para eles, a tecnologia é encarada como um facilitador da vida analógica. Os resultados têm que vir rápido e mudanças são sempre bem-vindas.

A que a música clássica deve estar atenta para se relacionar melhor com estes jovens entre 18 e 30 anos distantes da cultura de concertos? Como se posicionar e o que oferecer? Tenho alguns pontos a levantar nesta reflexão. Se estamos pisando no terreno do individual e do customizado, seria bom oferecer possibilidades de contato com a música clássica atendendo necessidades individuais. Se a comunicação digital é algo essencial, é bom haver conteúdo produzido especificamente para os meios digitais, internet, redes sociais, sms, celular. Se eles não estão presos a horários fixos – esta geração gosta, por exemplo, de assistir a seus programas de TV favoritos na internet, no horário que desejarem e não ficam presos ao horário de exibição – se a liberdade de horário é uma questão, é bom considerar isso. Se é uma geração que valoriza compromisso social, é um bom momento para apresentar a eles os aspectos da música clássica como construtora de cidadania. Se eles valorizam atenção personalizada e feedback, é bom encontrar formas de chamá-los pelo nome, de conhecer suas expectativas e, por exemplo, criar canais de continuar o relacionamento após o concerto ter acontecido. Também é importante ouvi-los antes de criar projetos que sejam só para eles. Engajá-los será sempre relevante. Se os amigos são fator de grande motivação – a Geração Y é capaz de preferir um emprego que deixe mais próximo das amizades – então é bom pensar em oferecer programas em que grupos de amigos possam participar. 
Apresentar a música clássica à Geração Y considerando tantos aspectos parece ser complicado, mas pode trazer muitas recompensas. O importante é começar.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T06_42_51-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_42_51-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 13:42:51 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_42_51-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T06_42_51-07_00.mp3?_=1315489414.5002897" length="4745959" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>296</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Voc&#234; j&#225; ouviu falar na &#8220;Gera&#231;&#227;o Y&#8221;? &#201; uma faixa geracional que compreende os nascidos entre 1980 e 2003, ou seja, os mais velhos t&#234;m cerca de 30 anos e os mais novos nem chegaram ainda &#224; primeira d&#233;cada de vida.  O termo &#8220;Gera&#231;&#227;o Y&#8221; foi  cunhado nos Estados Unidos, pa&#237;s que tem uma longa tradi&#231;&#227;o de pesquisas sociais e de comportamento. Mas se aplica tamb&#233;m ao Brasil, respeitadas diferen&#231;as regionais e culturais. Dentro dessa faixa, , digamos assim, a sub-faixa da Gera&#231;&#227;o Y que tem chamado maior aten&#231;&#227;o &#233; a de quem est&#225; entre os 18 e os 30 anos. S&#227;o os que est&#227;o no mercado de trabalho e, por estarem inseridos de forma ativa na corrente econ&#244;mica, tendem a eles pr&#243;prios ditarem os comportamentos e as regras do mercado como um todo. Assim como muitos outros setores da sociedade, a m&#250;sica cl&#225;ssica se beneficiar&#225; na medida em que estiver atenta ao perfil de comportamento destes jovens.

Quem s&#227;o eles e como se comportam? &#201; importante, antes de tudo, considerar ser esta uma gera&#231;&#227;o nascida em fam&#237;lias n&#227;o mais presas ao formato padr&#227;o pai-m&#227;e-filhos todos juntos. O fato de crescer em fam&#237;lias de pais separados possibilitou que, pai de um lado e m&#227;e do outro, os filhos  acabassem recebendo, no final das contas, aten&#231;&#227;o maior. Isso gerou jovens para quem o senso de import&#226;ncia individual &#233; muito significativo e cujos pais est&#227;o muito presentes, seja financeiramente, seja no aconselhamento. Ao mesmo tempo em que existe um individualismo evidente, a Gera&#231;&#227;o Y apresenta uma profunda consci&#234;ncia social, preocupa&#231;&#227;o com o meio ambiente e os direitos humanos. &#201; uma gera&#231;&#227;o crescida na era digital, nasceu com computador em casa. S&#227;o mestres em multitarefas, em fazer v&#225;rias coisas simult&#226;neas. Pesquisa nos EUA comprovou que 40% dos jovens da Gera&#231;&#227;o Y usam a internet e v&#234;em TV ao mesmo tempo. Mas, para eles, a tecnologia &#233; encarada como um facilitador da vida anal&#243;gica. Os resultados t&#234;m que vir r&#225;pido e mudan&#231;as s&#227;o sempre bem-vindas.

A que a m&#250;sica cl&#225;ssica deve estar atenta para se relacionar melhor com estes jovens entre 18 e 30 anos distantes da cultura de concertos? Como se posicionar e o que oferecer? Tenho alguns pontos a levantar nesta reflex&#227;o. Se estamos pisando no terreno do individual e do customizado, seria bom oferecer possibilidades de contato com a m&#250;sica cl&#225;ssica atendendo necessidades individuais. Se a comunica&#231;&#227;o digital &#233; algo essencial, &#233; bom haver conte&#250;do produzido especificamente para os meios digitais, internet, redes sociais, sms, celular. Se eles n&#227;o est&#227;o presos a hor&#225;rios fixos &#8211; esta gera&#231;&#227;o gosta, por exemplo, de assistir a seus programas de TV favoritos na internet, no hor&#225;rio que desejarem e n&#227;o ficam presos ao hor&#225;rio de exibi&#231;&#227;o &#8211; se a liberdade de hor&#225;rio &#233; uma quest&#227;o, &#233; bom considerar isso. Se &#233; uma gera&#231;&#227;o que valoriza compromisso social, &#233; um bom momento para apresentar a eles os aspectos da m&#250;sica cl&#225;ssica como construtora de cidadania. Se eles valorizam aten&#231;&#227;o personalizada e feedback, &#233; bom encontrar formas de cham&#225;-los pelo nome, de conhecer suas expectativas e, por exemplo, criar canais de continuar o relacionamento ap&#243;s o concerto ter acontecido. Tamb&#233;m &#233; importante ouvi-los antes de criar projetos que sejam s&#243; para eles. Engaj&#225;-los ser&#225; sempre relevante. Se os amigos s&#227;o fator de grande motiva&#231;&#227;o &#8211; a Gera&#231;&#227;o Y &#233; capaz de preferir um emprego que deixe mais pr&#243;ximo das amizades &#8211; ent&#227;o &#233; bom pensar em oferecer programas em que grupos de amigos possam participar. 
Apresentar a m&#250;sica cl&#225;ssica &#224; Gera&#231;&#227;o Y considerando tantos aspectos parece ser complicado, mas pode trazer muitas recompensas. O importante &#233; come&#231;ar.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Voc&#234; j&#225; ouviu falar na &#8220;Gera&#231;&#227;o Y&#8221;? &#201; uma faixa geracional que compreende os nascidos entre 1980 ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Festival de Salzurgo: despertar para o Brasil e muito a oferecer</title>
      <description>
        <![CDATA[“O papel da arte é despertar os ouvidos, os olhos, o pensamento humano”. Essa bela frase do compositor italiano Luigi Nonno é uma espécie de lema do Festival de Salzburgo 2011, na Áustria. O evento acontece entre o final de julho e o final de agosto. Realizado na cidade onde Mozart nasceu, é um dos mais tradicionais festivais de música clássica do mundo– quiçá “o” mais tradicional.  Sua primeira edição foi lá atrás, em 1870. Sofreu descontinuidades, foi refundado em 1920, teve que ser interrompido nas grandes guerras mundiais e desde 1945 vem sendo apresentado anualmente. Salzburgo traz sempre um mix de óperas – especialmente as de Mozart -, orquestras, recitais e música de câmara. Há também uma programação de teatro.  

Quando o programa de Salburgo 2011 chegou pelo correio, veio acompanhado de uma carta assinada por Helga Rabl-Stadler, presidente do festival, e Eva Anzaloni, responsável por desenvolvimento na America Latina. Ao mencionar a frase de Luigi Nonno, a carta acrescentava: “O despertar dos sentidos, a vibração da alma – esta forte e ampla mensagem – é o que dá ao Festival de Salzburgo a força e a energia”. Eu já cheguei a comentar aqui na MEC FM que o festival austríaco estava prestando especial atenção ao Brasil como mercado fornecedor de novos patronos e assinantes. Uma delegação esteve pessoalmente visitando nosso país, no Rio e também em São Paulo. É bom saber que toda a vibração de Salzburgo quer mesmo chegar até aqui. Os organizadores do festival despertaram e querem mais brasileiros que amam a música clássica sentados em suas poltronas assistindo aos espetáculos. 

Eu, aqui do meu lado, fico pensando o quanto nós, brasileiros que trabalhamos com clássicos, temos a aprender com a organização de um evento deste tamanho e desta importância. E eu nem me refiro aqui à questão artística e musical, mas sim à questão institucional do papel da música clássica na sociedade e também no estímulo à participação de gente jovem no circuito de concertos. O Festival de Salzburgo tem quatro linhas de ação muito interessantes que poderiam servir de referência para instituições musicais brasileiras. As assinaturas para jovens – a partir de 2011, o festival disponibiliza assinaturas somente para quem tem menos de 27 anos. São 3 mil ingressos e os descontos chegam a 90% do preço cheio. Programa Jovens amigos do Festival – em Salzburgo, há um programa especial voltado para fidelizar jovens frequentadores. Se o festival tem um forte quadro de apoiadores mais velhos que banca parte de seus gastos, tem também um programa  de patronato voltado para os jovens. Colônia de férias musical – essa é uma ótima ideia. Oferecer atividades para crianças entre 9 e 16 anos, todas relacionadas com a produção de uma ópera, sendo que a garotada monta seu próprio espetáculo e ainda assiste a uma montagem do festival. 

Por último, um programa chamado Juventude, Arte, Ciência, voltado a alunos de faculdades de ciências naturais e música, estimulando a discussão de pontos comuns entre criatividade e inovação na arte, na música e na ciência. Ah, sim, uma ultima coisa sobre o Festival de Salzburgo 2011. Meu coração brasileiro bateu mais forte ao constatar que o programa do recital do violoncelista Yo-Yo Ma tem duas músicas de Egberto Gismonti, em um repertorio que tem também Shostakovich, Schubert e Cesar Franck. É bonito saber que Gismonti será tocado na casa de Mozart.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T06_38_22-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_38_22-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 13:38:22 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_38_22-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T06_38_22-07_00.mp3?_=1315489126.5002870" length="4575432" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>285</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>&#8220;O papel da arte &#233; despertar os ouvidos, os olhos, o pensamento humano&#8221;. Essa bela frase do compositor italiano Luigi Nonno &#233; uma esp&#233;cie de lema do Festival de Salzburgo 2011, na &#193;ustria. O evento acontece entre o final de julho e o final de agosto. Realizado na cidade onde Mozart nasceu, &#233; um dos mais tradicionais festivais de m&#250;sica cl&#225;ssica do mundo&#8211; qui&#231;&#225; &#8220;o&#8221; mais tradicional.  Sua primeira edi&#231;&#227;o foi l&#225; atr&#225;s, em 1870. Sofreu descontinuidades, foi refundado em 1920, teve que ser interrompido nas grandes guerras mundiais e desde 1945 vem sendo apresentado anualmente. Salzburgo traz sempre um mix de &#243;peras &#8211; especialmente as de Mozart -, orquestras, recitais e m&#250;sica de c&#226;mara. H&#225; tamb&#233;m uma programa&#231;&#227;o de teatro.  

Quando o programa de Salburgo 2011 chegou pelo correio, veio acompanhado de uma carta assinada por Helga Rabl-Stadler, presidente do festival, e Eva Anzaloni, respons&#225;vel por desenvolvimento na America Latina. Ao mencionar a frase de Luigi Nonno, a carta acrescentava: &#8220;O despertar dos sentidos, a vibra&#231;&#227;o da alma &#8211; esta forte e ampla mensagem &#8211; &#233; o que d&#225; ao Festival de Salzburgo a for&#231;a e a energia&#8221;. Eu j&#225; cheguei a comentar aqui na MEC FM que o festival austr&#237;aco estava prestando especial aten&#231;&#227;o ao Brasil como mercado fornecedor de novos patronos e assinantes. Uma delega&#231;&#227;o esteve pessoalmente visitando nosso pa&#237;s, no Rio e tamb&#233;m em S&#227;o Paulo. &#201; bom saber que toda a vibra&#231;&#227;o de Salzburgo quer mesmo chegar at&#233; aqui. Os organizadores do festival despertaram e querem mais brasileiros que amam a m&#250;sica cl&#225;ssica sentados em suas poltronas assistindo aos espet&#225;culos. 

Eu, aqui do meu lado, fico pensando o quanto n&#243;s, brasileiros que trabalhamos com cl&#225;ssicos, temos a aprender com a organiza&#231;&#227;o de um evento deste tamanho e desta import&#226;ncia. E eu nem me refiro aqui &#224; quest&#227;o art&#237;stica e musical, mas sim &#224; quest&#227;o institucional do papel da m&#250;sica cl&#225;ssica na sociedade e tamb&#233;m no est&#237;mulo &#224; participa&#231;&#227;o de gente jovem no circuito de concertos. O Festival de Salzburgo tem quatro linhas de a&#231;&#227;o muito interessantes que poderiam servir de refer&#234;ncia para institui&#231;&#245;es musicais brasileiras. As assinaturas para jovens &#8211; a partir de 2011, o festival disponibiliza assinaturas somente para quem tem menos de 27 anos. S&#227;o 3 mil ingressos e os descontos chegam a 90% do pre&#231;o cheio. Programa Jovens amigos do Festival &#8211; em Salzburgo, h&#225; um programa especial voltado para fidelizar jovens frequentadores. Se o festival tem um forte quadro de apoiadores mais velhos que banca parte de seus gastos, tem tamb&#233;m um programa  de patronato voltado para os jovens. Col&#244;nia de f&#233;rias musical &#8211; essa &#233; uma &#243;tima ideia. Oferecer atividades para crian&#231;as entre 9 e 16 anos, todas relacionadas com a produ&#231;&#227;o de uma &#243;pera, sendo que a garotada monta seu pr&#243;prio espet&#225;culo e ainda assiste a uma montagem do festival. 

Por &#250;ltimo, um programa chamado Juventude, Arte, Ci&#234;ncia, voltado a alunos de faculdades de ci&#234;ncias naturais e m&#250;sica, estimulando a discuss&#227;o de pontos comuns entre criatividade e inova&#231;&#227;o na arte, na m&#250;sica e na ci&#234;ncia. Ah, sim, uma ultima coisa sobre o Festival de Salzburgo 2011. Meu cora&#231;&#227;o brasileiro bateu mais forte ao constatar que o programa do recital do violoncelista Yo-Yo Ma tem duas m&#250;sicas de Egberto Gismonti, em um repertorio que tem tamb&#233;m Shostakovich, Schubert e Cesar Franck. &#201; bonito saber que Gismonti ser&#225; tocado na casa de Mozart.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>&#8220;O papel da arte &#233; despertar os ouvidos, os olhos, o pensamento humano&#8221;. Essa bela frase do compo...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>O amor do Jap&#227;o pelos cl&#225;ssicos e o programa infantil da NHK</title>
      <description>
        <![CDATA[A tragédia sofrida pelo Japão, com terremoto, tsunami e acidente nuclear, é de uma magnitude e uma tristeza únicas. Além das vidas perdidas e ameaçadas, da dor e do luto, da destruição e do medo, acumulam-se prejuízos econômicos, sociais e culturais difíceis de mensurar. 

O Japão é um dos principais mercados do mundo em termos de consumo de cultura. No que tange à música popular, a brasileira especificamente, os japoneses demonstram uma veneração por João Gilberto &amp; cia que nós mesmos muitas vezes não sentimos. A Bossa Nova é mais tocada e conhecida nos grandes centros urbanos japoneses do que nas rádios de cidades brasileiras. 

A música clássica, ponto de interesse de quem, como você ouve a MEC FM, tem no Japão um de seus principais mercados consumidores. Turnês de artistas, montagens de espetáculos, venda de gravações, leitura de revistas especializadas, a presença da música clássica na televisão e no rádio, as animações (chamados de animês ou animes) cuja trama ronda em torno do universo de concertos....japoneses têm uma atitude quase de devoção. É respeito misturado com adoração e reconhecimento, em um tratamento com grande profissionalismo e cuidado. Traços tão marcantes da cultura japonesa presentes também na sua relação com a música clássica. Como o fatídico 11 de março de 2011 atinge o mercado internacional de clássicos? Eis algo que tem sido pouco falado e comentado nos ambientes de discussão de mercado musical, mas certamente o impacto também é grande para o setor. 

Neste contexto de perdas e danos japoneses, recebi um DVD enviado pelo ouvinte Luiz Carlos da Silva, da Tijuca. Ele enviou antes do terremoto japonês, mas eu só tive oportunidade de assistir depois da tragédia. O Luiz Carlos já havia me escrito para mencionar que a rede de televisão NHK, do Japão, transmitia um programa interessante de música clássica pra crianças. Pois ele mandou aqui pra rádio um DVD do tal programa, que tem nome em inglês. Chama-se “You gotta quintet”, ou seja, “Você tem um quinteto”. Por não ter legendas e ser falado em japonês, eu não pude compreender exatamente o que se passava. Mas como a música é o personagem principal, deu para perceber a dinâmica da coisa. 

Os personagens são bonecos tipo marionete, que são manipulados. Cada um toca seu instrumento: tem um violoncelista que é um senhor mais velho, uma violinista tipo trintona que também canta, um clarinetista pela casa dos 40, um trompetista de 20 e poucos que também é percussionista e um pianista, sendo que o pianista é humano, mas tem um boneco igual a ele. Achei incrível a manipulação dos marionetes. O ataque das cordas, o balanço do corpo e da cabeça, é exatamente como um ser humano faria. Quem manipula os bonecos deve tocar instrumentos, a coisa é sincrônica demais. Música clássica é o fundamental do programa, mas também há espaço para música folclórica e tradicional. 

Fui pegar informações na internet e fiquei sabendo que o “You gotta quintet”, foi criado em 2004 e foi exibido até março de 2011, tendo lançado vários CDs e DVDs no mercado japonês. Tomara que a descontinuidade do programa não tenha tido qualquer relação com o terremoto.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T06_27_23-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_27_23-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 13:27:23 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T06_27_23-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T06_27_23-07_00.mp3?_=1315488474.5002833" length="4350570" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>271</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>A trag&#233;dia sofrida pelo Jap&#227;o, com terremoto, tsunami e acidente nuclear, &#233; de uma magnitude e uma tristeza &#250;nicas. Al&#233;m das vidas perdidas e amea&#231;adas, da dor e do luto, da destrui&#231;&#227;o e do medo, acumulam-se preju&#237;zos econ&#244;micos, sociais e culturais dif&#237;ceis de mensurar. 

O Jap&#227;o &#233; um dos principais mercados do mundo em termos de consumo de cultura. No que tange &#224; m&#250;sica popular, a brasileira especificamente, os japoneses demonstram uma venera&#231;&#227;o por Jo&#227;o Gilberto &amp; cia que n&#243;s mesmos muitas vezes n&#227;o sentimos. A Bossa Nova &#233; mais tocada e conhecida nos grandes centros urbanos japoneses do que nas r&#225;dios de cidades brasileiras. 

A m&#250;sica cl&#225;ssica, ponto de interesse de quem, como voc&#234; ouve a MEC FM, tem no Jap&#227;o um de seus principais mercados consumidores. Turn&#234;s de artistas, montagens de espet&#225;culos, venda de grava&#231;&#245;es, leitura de revistas especializadas, a presen&#231;a da m&#250;sica cl&#225;ssica na televis&#227;o e no r&#225;dio, as anima&#231;&#245;es (chamados de anim&#234;s ou animes) cuja trama ronda em torno do universo de concertos....japoneses t&#234;m uma atitude quase de devo&#231;&#227;o. &#201; respeito misturado com adora&#231;&#227;o e reconhecimento, em um tratamento com grande profissionalismo e cuidado. Tra&#231;os t&#227;o marcantes da cultura japonesa presentes tamb&#233;m na sua rela&#231;&#227;o com a m&#250;sica cl&#225;ssica. Como o fat&#237;dico 11 de mar&#231;o de 2011 atinge o mercado internacional de cl&#225;ssicos? Eis algo que tem sido pouco falado e comentado nos ambientes de discuss&#227;o de mercado musical, mas certamente o impacto tamb&#233;m &#233; grande para o setor. 

Neste contexto de perdas e danos japoneses, recebi um DVD enviado pelo ouvinte Luiz Carlos da Silva, da Tijuca. Ele enviou antes do terremoto japon&#234;s, mas eu s&#243; tive oportunidade de assistir depois da trag&#233;dia. O Luiz Carlos j&#225; havia me escrito para mencionar que a rede de televis&#227;o NHK, do Jap&#227;o, transmitia um programa interessante de m&#250;sica cl&#225;ssica pra crian&#231;as. Pois ele mandou aqui pra r&#225;dio um DVD do tal programa, que tem nome em ingl&#234;s. Chama-se &#8220;You gotta quintet&#8221;, ou seja, &#8220;Voc&#234; tem um quinteto&#8221;. Por n&#227;o ter legendas e ser falado em japon&#234;s, eu n&#227;o pude compreender exatamente o que se passava. Mas como a m&#250;sica &#233; o personagem principal, deu para perceber a din&#226;mica da coisa. 

Os personagens s&#227;o bonecos tipo marionete, que s&#227;o manipulados. Cada um toca seu instrumento: tem um violoncelista que &#233; um senhor mais velho, uma violinista tipo trintona que tamb&#233;m canta, um clarinetista pela casa dos 40, um trompetista de 20 e poucos que tamb&#233;m &#233; percussionista e um pianista, sendo que o pianista &#233; humano, mas tem um boneco igual a ele. Achei incr&#237;vel a manipula&#231;&#227;o dos marionetes. O ataque das cordas, o balan&#231;o do corpo e da cabe&#231;a, &#233; exatamente como um ser humano faria. Quem manipula os bonecos deve tocar instrumentos, a coisa &#233; sincr&#244;nica demais. M&#250;sica cl&#225;ssica &#233; o fundamental do programa, mas tamb&#233;m h&#225; espa&#231;o para m&#250;sica folcl&#243;rica e tradicional. 

Fui pegar informa&#231;&#245;es na internet e fiquei sabendo que o &#8220;You gotta quintet&#8221;, foi criado em 2004 e foi exibido at&#233; mar&#231;o de 2011, tendo lan&#231;ado v&#225;rios CDs e DVDs no mercado japon&#234;s. Tomara que a descontinuidade do programa n&#227;o tenha tido qualquer rela&#231;&#227;o com o terremoto.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A trag&#233;dia sofrida pelo Jap&#227;o, com terremoto, tsunami e acidente nuclear, &#233; de uma magnitude e um...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>A experi&#234;ncia do bloco Feiti&#231;o do Villa</title>
      <description>
        <![CDATA[A estreia do bloco Feitiço do Villa no Carnaval 2011 no Rio foi um sucesso. Calhou do 5 de março, dia nacional da musica classica, cair em um sábado de Carnaval e daí surgiu a ideia de comemorar Villa-Lobos e todos compositores no Cranaval de rua tod Rio. Essa foi uma ideia minha, de Luiz Alfredo Moares e do maestro Carlos Prazeres. A adesão da classe musical foi grande, cerca de 20 músicos subiram ao palco montado em frente da Escola de Música da UFRJ, localtão simbólico para o circuito de concertos da cidade. Juntaram-se a essa brincadeira séria a soprano Mirna Rubim, o arranjador Marcelo Caldi e o cantor e compositor de música popular Edu Krieger, que fez o samba do bloco em parceria com seu pai, o grande Edino Krieger. 

Começamos a trabalhar na proposta de um bloco de música clássica em agosto de 2010, foram quase sete meses de trabalho. Entre músicos que tocaram, fornecedores e prestadores de serviços, parceiros de realização, foram mais de 50 pessoas mobilizadas para fazer o Feitiço acontecer bonito em seu primeiro carnaval. Não tivemos patrocinadores e todas as despesas foram pagas com a venda de camisetas. Contamos com o apoio da Secretaria Municipal de Cultural, que forneceu o palco; da Escola de Música da UFRJ, que forneceu a infra-estrutura de seu prédio no dia do desfile para nossa produção; Orquestra Petrobras Sinfônica que cedeu sua sala na Fundição Progresso para os ensaios do bloco, além de materiais; VivaMúsica!, cuja equipe administrativa organizaou a venda de camisetas; e a EBC, cujas emissoras MEC FM e Radio Nacional deram ampla divulgação ao bloco.

A imprensa recebeu muito bem essa novidade e o bloco teve ampla cobertura na mídia. Revsita Veja Rio publicou uma foto do Feitiço de página inteira. No jornal O Globo, tivemos destaque em reportagens do Segundo Caderno, Rio Show, editoria Rio e notas na coluna Gente Boa. Jornais Extra, O Dia, o jornal gratuito Metro também falaram do Feitiço do Villa. Uma equipe do telejornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo, acompanhou nosso último ensaio e fez uma ótima matéria. No dia 5 de março, recebemos no palco da Lapa equipes dos canais Rdee TV, Band, TV Brasil e uma equipe do “Fantástico”, que fez reportagem para a edição on-line do programa. Chovia bastante e, ainda assim, recebemos um público estimado em duas mil pessoas. Muita gente fantasiada de personagens de ópera, houve até uma foliã fantasia de Constance Mozart, a esposa do compositor. O bloco ofereceu um espetáculo com cerca de duas horas de duração, só tocando música clássica e também o nosso samba, que faz uma homenagem aos clássicos. Foi uma diversão sadia e musicalmente relevante. Encerramos cantando o “Parabéns pra você” composto por Villa-Lobos,que, afinal de contas, era o aniversariante do dia. Foi lindo ver aquele pessoal todo que se aglomerava para ver o Feitiço fazendo uma homenagem ao nosso patrono. Tomara que ele tenha gostado.

]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T05_55_47-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_55_47-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 12:55:47 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_55_47-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T05_55_47-07_00.mp3?_=1315486571.5002748" length="3658011" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>228</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>A estreia do bloco Feiti&#231;o do Villa no Carnaval 2011 no Rio foi um sucesso. Calhou do 5 de mar&#231;o, dia nacional da musica classica, cair em um s&#225;bado de Carnaval e da&#237; surgiu a ideia de comemorar Villa-Lobos e todos compositores no Cranaval de rua tod Rio. Essa foi uma ideia minha, de Luiz Alfredo Moares e do maestro Carlos Prazeres. A ades&#227;o da classe musical foi grande, cerca de 20 m&#250;sicos subiram ao palco montado em frente da Escola de M&#250;sica da UFRJ, localt&#227;o simb&#243;lico para o circuito de concertos da cidade. Juntaram-se a essa brincadeira s&#233;ria a soprano Mirna Rubim, o arranjador Marcelo Caldi e o cantor e compositor de m&#250;sica popular Edu Krieger, que fez o samba do bloco em parceria com seu pai, o grande Edino Krieger. 

Come&#231;amos a trabalhar na proposta de um bloco de m&#250;sica cl&#225;ssica em agosto de 2010, foram quase sete meses de trabalho. Entre m&#250;sicos que tocaram, fornecedores e prestadores de servi&#231;os, parceiros de realiza&#231;&#227;o, foram mais de 50 pessoas mobilizadas para fazer o Feiti&#231;o acontecer bonito em seu primeiro carnaval. N&#227;o tivemos patrocinadores e todas as despesas foram pagas com a venda de camisetas. Contamos com o apoio da Secretaria Municipal de Cultural, que forneceu o palco; da Escola de M&#250;sica da UFRJ, que forneceu a infra-estrutura de seu pr&#233;dio no dia do desfile para nossa produ&#231;&#227;o; Orquestra Petrobras Sinf&#244;nica que cedeu sua sala na Fundi&#231;&#227;o Progresso para os ensaios do bloco, al&#233;m de materiais; VivaM&#250;sica!, cuja equipe administrativa organizaou a venda de camisetas; e a EBC, cujas emissoras MEC FM e Radio Nacional deram ampla divulga&#231;&#227;o ao bloco.

A imprensa recebeu muito bem essa novidade e o bloco teve ampla cobertura na m&#237;dia. Revsita Veja Rio publicou uma foto do Feiti&#231;o de p&#225;gina inteira. No jornal O Globo, tivemos destaque em reportagens do Segundo Caderno, Rio Show, editoria Rio e notas na coluna Gente Boa. Jornais Extra, O Dia, o jornal gratuito Metro tamb&#233;m falaram do Feiti&#231;o do Villa. Uma equipe do telejornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo, acompanhou nosso &#250;ltimo ensaio e fez uma &#243;tima mat&#233;ria. No dia 5 de mar&#231;o, recebemos no palco da Lapa equipes dos canais Rdee TV, Band, TV Brasil e uma equipe do &#8220;Fant&#225;stico&#8221;, que fez reportagem para a edi&#231;&#227;o on-line do programa. Chovia bastante e, ainda assim, recebemos um p&#250;blico estimado em duas mil pessoas. Muita gente fantasiada de personagens de &#243;pera, houve at&#233; uma foli&#227; fantasia de Constance Mozart, a esposa do compositor. O bloco ofereceu um espet&#225;culo com cerca de duas horas de dura&#231;&#227;o, s&#243; tocando m&#250;sica cl&#225;ssica e tamb&#233;m o nosso samba, que faz uma homenagem aos cl&#225;ssicos. Foi uma divers&#227;o sadia e musicalmente relevante. Encerramos cantando o &#8220;Parab&#233;ns pra voc&#234;&#8221; composto por Villa-Lobos,que, afinal de contas, era o aniversariante do dia. Foi lindo ver aquele pessoal todo que se aglomerava para ver o Feiti&#231;o fazendo uma homenagem ao nosso patrono. Tomara que ele tenha gostado.

</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A estreia do bloco Feiti&#231;o do Villa no Carnaval 2011 no Rio foi um sucesso. Calhou do 5 de mar&#231;o,...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Silvana, maquiadora, e a magia do ouvinte vis&#237;vel</title>
      <description>
        <![CDATA[É comum a mídia desenhar um certo perfil de audiência do público-alvo para quem todas as transmissões são dirigidas. E acontece do perfil desse público-alvo chegar a um nivel grande detalhes. Isso facilita as escolhas do que vai ser transmitido e como vai ser transmitido. Uns anos atrás, chegou a circular de maneira ampla, acho que na internet, que o perfil do espactador padrão do Jornal Nacional da TV Globo era uma espécie de Hommer Simpson, o personagem do desenho animado Os Simpsons, um sujeito meio tosco, que não tem muita cultura e nem reflete sobre as coisas – seria para alguém com este perfil que o joranl era feito. 

Eu já trabalhei em outras rádios de música clássica além da MEC FM e sei que é comum o ouvinte padrão ser identificado com alguém de razoável conhecimento de repertório, pensamento crítico, alguma frequência a concertos, talvez uma certa sisudez e seriedade de comportamento. É esse perfil que norteia toda a maneira da rádio transmitir, desde as músicas selecionadas até o jeito que o locutor dá a hora certa ou lê o noticiário. Outra coisa com relação a ouvintes de rádio, qualquer rádio: há uma minoria que se manifesta, liga, manda email, aparece em pessoa. A maioria dos ouvintes é silenciosa, propõe-se apenas  a ouvir e prefere não se manifestar. Sempre tive pra mim que ouvinte de rádio clássica tem sim, claro, uma boa vontade com música clássica, caso contrário não estaria ouvindo. Mas quem disse que vai a concertos, conhece história da música...sabe tocar instrumento, ler partitura? 

Fui participar de um telejornal noturno no canal Globonews. Cheguei mais cedo e fui para a sala de maquiagem. Era o dia do terremoto do Japão e participava do programa também um especialista da área. Estávamos aguardando a hora de entrar quando ele me perguntou sobre que eu iria falar e eu disse: música clássica, trabalho com isso. 

Nesse momento, a maquiadora, com quem eu já havia conversado um pouco, vira-se e diz.: “Nossa, sabe que eu ouvi hoje no rádio que tem um programa na Itália para jovens com menos de 30 anos frequentarem mais os concertos? Até fui procurar na internet mais detalhes sobre isso, fiquei interessada”. Eu disse: ‘Perai, fui eu quem falou hoje de tarde sobre isso na MEC FM! Você me ouviu!”. E fez-se aquele momento meio mágico, em que o ouvinte se torna visível na sua frente. Silvana, a maquiadora, se tornou imediatamente Silvana Rufino, moradora de Vicente de Carvalho, ouvinte frequente da MEC e do programa VivaMúsica!. 

Ela ouve no ônibus, quando está indo da aula para o trabalho. E faz assim, alterna a escuta da MEC com a JB FM. A Silvana gosta da música clássica, mas não vai a concertos nem é daquelas aficionadas..nada disso. Tem um sobrinho, o Jeferson,de 10 anos, que mora na comunidade da Babilônia e está tendo aulas de violoncelo. Parece que está indo muito bem o garoto. Na pessoa dela, um agradecimento a todos que ouvem sempre a MEC FM neste horário e da 1 da tarde.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T05_49_57-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_49_57-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 12:49:57 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_49_57-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T05_49_57-07_00.mp3?_=1315486227.5002739" length="3953926" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>247</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>&#201; comum a m&#237;dia desenhar um certo perfil de audi&#234;ncia do p&#250;blico-alvo para quem todas as transmiss&#245;es s&#227;o dirigidas. E acontece do perfil desse p&#250;blico-alvo chegar a um nivel grande detalhes. Isso facilita as escolhas do que vai ser transmitido e como vai ser transmitido. Uns anos atr&#225;s, chegou a circular de maneira ampla, acho que na internet, que o perfil do espactador padr&#227;o do Jornal Nacional da TV Globo era uma esp&#233;cie de Hommer Simpson, o personagem do desenho animado Os Simpsons, um sujeito meio tosco, que n&#227;o tem muita cultura e nem reflete sobre as coisas &#8211; seria para algu&#233;m com este perfil que o joranl era feito. 

Eu j&#225; trabalhei em outras r&#225;dios de m&#250;sica cl&#225;ssica al&#233;m da MEC FM e sei que &#233; comum o ouvinte padr&#227;o ser identificado com algu&#233;m de razo&#225;vel conhecimento de repert&#243;rio, pensamento cr&#237;tico, alguma frequ&#234;ncia a concertos, talvez uma certa sisudez e seriedade de comportamento. &#201; esse perfil que norteia toda a maneira da r&#225;dio transmitir, desde as m&#250;sicas selecionadas at&#233; o jeito que o locutor d&#225; a hora certa ou l&#234; o notici&#225;rio. Outra coisa com rela&#231;&#227;o a ouvintes de r&#225;dio, qualquer r&#225;dio: h&#225; uma minoria que se manifesta, liga, manda email, aparece em pessoa. A maioria dos ouvintes &#233; silenciosa, prop&#245;e-se apenas  a ouvir e prefere n&#227;o se manifestar. Sempre tive pra mim que ouvinte de r&#225;dio cl&#225;ssica tem sim, claro, uma boa vontade com m&#250;sica cl&#225;ssica, caso contr&#225;rio n&#227;o estaria ouvindo. Mas quem disse que vai a concertos, conhece hist&#243;ria da m&#250;sica...sabe tocar instrumento, ler partitura? 

Fui participar de um telejornal noturno no canal Globonews. Cheguei mais cedo e fui para a sala de maquiagem. Era o dia do terremoto do Jap&#227;o e participava do programa tamb&#233;m um especialista da &#225;rea. Est&#225;vamos aguardando a hora de entrar quando ele me perguntou sobre que eu iria falar e eu disse: m&#250;sica cl&#225;ssica, trabalho com isso. 

Nesse momento, a maquiadora, com quem eu j&#225; havia conversado um pouco, vira-se e diz.: &#8220;Nossa, sabe que eu ouvi hoje no r&#225;dio que tem um programa na It&#225;lia para jovens com menos de 30 anos frequentarem mais os concertos? At&#233; fui procurar na internet mais detalhes sobre isso, fiquei interessada&#8221;. Eu disse: &#8216;Perai, fui eu quem falou hoje de tarde sobre isso na MEC FM! Voc&#234; me ouviu!&#8221;. E fez-se aquele momento meio m&#225;gico, em que o ouvinte se torna vis&#237;vel na sua frente. Silvana, a maquiadora, se tornou imediatamente Silvana Rufino, moradora de Vicente de Carvalho, ouvinte frequente da MEC e do programa VivaM&#250;sica!. 

Ela ouve no &#244;nibus, quando est&#225; indo da aula para o trabalho. E faz assim, alterna a escuta da MEC com a JB FM. A Silvana gosta da m&#250;sica cl&#225;ssica, mas n&#227;o vai a concertos nem &#233; daquelas aficionadas..nada disso. Tem um sobrinho, o Jeferson,de 10 anos, que mora na comunidade da Babil&#244;nia e est&#225; tendo aulas de violoncelo. Parece que est&#225; indo muito bem o garoto. Na pessoa dela, um agradecimento a todos que ouvem sempre a MEC FM neste hor&#225;rio e da 1 da tarde.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>&#201; comum a m&#237;dia desenhar um certo perfil de audi&#234;ncia do p&#250;blico-alvo para quem todas as transmis...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>O taxista que descobriu Vivaldi no entulho</title>
      <description>
        <![CDATA[Uma das boas surpresas ao andar de táxi no Rio é quando a gente chama o carro na rua, entra de forma meio apressada e, quando finalmente fecha a porta e informa ao motorista o destino da viagem....percebe que o rádio está sintonizado na MEC FM. Volta e meia isso me acontece. Se você pega táxi sempre ou só de vez em quando, possivelmente já teve essa boa surpresa. Sempre que ocorre de eu entrar em um taxi sonorizado com música clássica, seja na MEC FM ou em CDs, eu pergunto para o motorista se ele ouve sempre a rádio, se gosta de clássicos, etc. Já aconteceu de eu dizer que participo da rádio e o motorista dizer que me acompanha. É sempre uma surpresa muito bacana entrar em táxi que toca música clássica.

Dia desses eu peguei um carro que estava sintonixado na MEC e, quando eu comecei a entabular minha costumeira conversa com o motorista, ele contou que descobriu a música clássica por acaso e agora é um aficcionado e só ouve a MEC FM. Interessantíssima a maneira como os clássicos entraram na vida daquele jovem senhor. Anos atrás, ele trabalhava como “motorista de madame”, pra usar suas próprias palavras. Ele estava com o carro parado esperando a patroa, perto de uma caçamba dessas para entulho de obra. Viu uma caixa cheia de fitas cassete e resolveu pegar, pois o carro que ele dirigia tinha ainda lugar para fita, não tinha CD. Era uma possibilidade de ouvir música naqueles momentos de espera enfadonha. Pois, junto ao entulho, havia fitas com música de Vivaldi, compositores barrocos e até ópera russa. Ele ficou encantado com aquilo tudo e mergulhou fundo nos clássicos. Acabou se transformando no tipo de música que ele mais gosta de ouvir.

A primeira vez que nosso motorista mostrou ao filho de 8 anos uma gravação de Maria Callas, o menino respondeu de maneira muito engraçada. Ele perguntou assim: “Pai, quem é essa cabrita que berra tanto?”. Hoje ele conta que o filho aprendeu a ouvir e a gostar. A primeira vez que mostrou a “Nona” de Beethoven pro garoto, fez questão de dizer pra ele “Olha a explosão, filho, que linda!”. Linda mesmo é essa história da música clássica que entrou na vida por umas fitas velhas jogadas no lixo e que se tornou tão estruturante da rotina de alguém. 

Quando perguntei se os passageiros gostavam de ouvir a MEC FM, ele disse que 99% gostam. Para os que não gostam e pedem pra trocar de emissora, a resposta está na ponta da lingua: “meu rádio tem defeito, no carro só pega essa emissora, quer que desligue?” . E ele ainda defende a música clássica pra esses passageiros que não gostam. Antes do término da viagem, ele disse: “Música que é ouvida há tanto tempo, passados 300, 400 anos, não pode ser  uma coisa qualquer. Daquele funk “ Boquinha da garrafa” ninguém se lembra mais”.  Que grande figura humana esse taxista amante dos clássicos e ouvinte fiel da nossa MEC FM. 
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T05_43_22-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_43_22-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 12:43:22 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_43_22-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T05_43_22-07_00.mp3?_=1315486047.5002732" length="3571912" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>223</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Uma das boas surpresas ao andar de t&#225;xi no Rio &#233; quando a gente chama o carro na rua, entra de forma meio apressada e, quando finalmente fecha a porta e informa ao motorista o destino da viagem....percebe que o r&#225;dio est&#225; sintonizado na MEC FM. Volta e meia isso me acontece. Se voc&#234; pega t&#225;xi sempre ou s&#243; de vez em quando, possivelmente j&#225; teve essa boa surpresa. Sempre que ocorre de eu entrar em um taxi sonorizado com m&#250;sica cl&#225;ssica, seja na MEC FM ou em CDs, eu pergunto para o motorista se ele ouve sempre a r&#225;dio, se gosta de cl&#225;ssicos, etc. J&#225; aconteceu de eu dizer que participo da r&#225;dio e o motorista dizer que me acompanha. &#201; sempre uma surpresa muito bacana entrar em t&#225;xi que toca m&#250;sica cl&#225;ssica.

Dia desses eu peguei um carro que estava sintonixado na MEC e, quando eu comecei a entabular minha costumeira conversa com o motorista, ele contou que descobriu a m&#250;sica cl&#225;ssica por acaso e agora &#233; um aficcionado e s&#243; ouve a MEC FM. Interessant&#237;ssima a maneira como os cl&#225;ssicos entraram na vida daquele jovem senhor. Anos atr&#225;s, ele trabalhava como &#8220;motorista de madame&#8221;, pra usar suas pr&#243;prias palavras. Ele estava com o carro parado esperando a patroa, perto de uma ca&#231;amba dessas para entulho de obra. Viu uma caixa cheia de fitas cassete e resolveu pegar, pois o carro que ele dirigia tinha ainda lugar para fita, n&#227;o tinha CD. Era uma possibilidade de ouvir m&#250;sica naqueles momentos de espera enfadonha. Pois, junto ao entulho, havia fitas com m&#250;sica de Vivaldi, compositores barrocos e at&#233; &#243;pera russa. Ele ficou encantado com aquilo tudo e mergulhou fundo nos cl&#225;ssicos. Acabou se transformando no tipo de m&#250;sica que ele mais gosta de ouvir.

A primeira vez que nosso motorista mostrou ao filho de 8 anos uma grava&#231;&#227;o de Maria Callas, o menino respondeu de maneira muito engra&#231;ada. Ele perguntou assim: &#8220;Pai, quem &#233; essa cabrita que berra tanto?&#8221;. Hoje ele conta que o filho aprendeu a ouvir e a gostar. A primeira vez que mostrou a &#8220;Nona&#8221; de Beethoven pro garoto, fez quest&#227;o de dizer pra ele &#8220;Olha a explos&#227;o, filho, que linda!&#8221;. Linda mesmo &#233; essa hist&#243;ria da m&#250;sica cl&#225;ssica que entrou na vida por umas fitas velhas jogadas no lixo e que se tornou t&#227;o estruturante da rotina de algu&#233;m. 

Quando perguntei se os passageiros gostavam de ouvir a MEC FM, ele disse que 99% gostam. Para os que n&#227;o gostam e pedem pra trocar de emissora, a resposta est&#225; na ponta da lingua: &#8220;meu r&#225;dio tem defeito, no carro s&#243; pega essa emissora, quer que desligue?&#8221; . E ele ainda defende a m&#250;sica cl&#225;ssica pra esses passageiros que n&#227;o gostam. Antes do t&#233;rmino da viagem, ele disse: &#8220;M&#250;sica que &#233; ouvida h&#225; tanto tempo, passados 300, 400 anos, n&#227;o pode ser  uma coisa qualquer. Daquele funk &#8220; Boquinha da garrafa&#8221; ningu&#233;m se lembra mais&#8221;.  Que grande figura humana esse taxista amante dos cl&#225;ssicos e ouvinte fiel da nossa MEC FM. 
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Uma das boas surpresas ao andar de t&#225;xi no Rio &#233; quando a gente chama o carro na rua, entra de fo...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Classe C de cl&#225;ssicos?</title>
      <description>
        <![CDATA[Uma das boas notícias econômicas e sociais dos últimos tempos aqui no Brasil foi o crescimento da classe C. Nosso país vive um momento especialmente bom e está prestes a atingir o menor nível de desigualdade de renda desde que os registros foram iniciados. Entre 2003 e 2009, cerca de 30 milhões de pessoas ingressaram na classe C, a chamada “nova classe média”.  O total de brasileiros nesta faixa é hoje de 95 milhões, o que significa 50,5% da população. Ou seja, a maioria absoluta de nossos compatriotas compõem a classe C. Muito do olhar sobre a classe C vem do interesse em seu poder de compra, em sua possibilidade de decisão eleitoral.

No que diz respeito a poder de compra, claro que empresas de diversos setores querem e precisam se comunicar com a classe C. A agência de propaganda WMacCann, do publicitário Washington Olivetto, fez um estudo profundo para poder identificar os melhores caminhos para seus clientes apresentarem produtos para a classe C. Os números deste estudo em profundidade são quase tão impressionantes quanto ao tamanho dessa nova classe média. A pesquisa da agência de Washington Olivetto somou 5 mil horas convivência em familia, fez 4 mil horas de videos registrando o cotidiano delas, realizou 3 mil e setecentas entrevistas em profundidade, conversou com  163 especialistas e observadores de mudanças. Um estudo realmente de grande vulto. Li uma frase citada em artigo do economista  Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, ótima, que diz o seguinte: “É preciso não só dar os pobres aos mercados, mas dar o mercado aos pobres”. 

Se os principais atores do cenário econômico estão prestando MUITA atenção a esta dita nova classe média, o que nós do setor cultural e mais especificamente da música clássica estamos fazendo neste sentido? Se o acesso da classe C ao crédito, aos produtos, à casa própria, à educação está na ordem do dia, como ficaria o correspondente acesso desse novo público recém-chegado ao mercado consumidor no circuito de concertos, por exemplo? 

Será que algum gestor de orquestra pensa em desenvolver espetáculo para quem até ontem mal tinha condições de garantir o básico de sua existência mas agora tem condições de promover para si próprio e para a sua familia acesso a bens de consumo, inclusive culturais? E o que dizer de produtos como fascículos em bancas de jornal, por exemplo.Já pensou que interessante seria uma coleção de música clássica pensada exclusivamente para a classe C? Ou um canal de transmissão de músicas clássicas no rádio voltado para este novo público que chega sem qualquer conhecimento prévio e também sem qualquer preconceito? As possibilidades estão no ar, tomara que alguém se disponha logo a fazer. 

]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T05_34_42-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_34_42-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 12:34:42 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_34_42-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T05_34_42-07_00.mp3?_=1315485299.5002701" length="3577072" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>223</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Uma das boas not&#237;cias econ&#244;micas e sociais dos &#250;ltimos tempos aqui no Brasil foi o crescimento da classe C. Nosso pa&#237;s vive um momento especialmente bom e est&#225; prestes a atingir o menor n&#237;vel de desigualdade de renda desde que os registros foram iniciados. Entre 2003 e 2009, cerca de 30 milh&#245;es de pessoas ingressaram na classe C, a chamada &#8220;nova classe m&#233;dia&#8221;.  O total de brasileiros nesta faixa &#233; hoje de 95 milh&#245;es, o que significa 50,5% da popula&#231;&#227;o. Ou seja, a maioria absoluta de nossos compatriotas comp&#245;em a classe C. Muito do olhar sobre a classe C vem do interesse em seu poder de compra, em sua possibilidade de decis&#227;o eleitoral.

No que diz respeito a poder de compra, claro que empresas de diversos setores querem e precisam se comunicar com a classe C. A ag&#234;ncia de propaganda WMacCann, do publicit&#225;rio Washington Olivetto, fez um estudo profundo para poder identificar os melhores caminhos para seus clientes apresentarem produtos para a classe C. Os n&#250;meros deste estudo em profundidade s&#227;o quase t&#227;o impressionantes quanto ao tamanho dessa nova classe m&#233;dia. A pesquisa da ag&#234;ncia de Washington Olivetto somou 5 mil horas conviv&#234;ncia em familia, fez 4 mil horas de videos registrando o cotidiano delas, realizou 3 mil e setecentas entrevistas em profundidade, conversou com  163 especialistas e observadores de mudan&#231;as. Um estudo realmente de grande vulto. Li uma frase citada em artigo do economista  Marcelo Neri, da Funda&#231;&#227;o Get&#250;lio Vargas, &#243;tima, que diz o seguinte: &#8220;E&#769; preciso na&#771;o so&#769; dar os pobres aos mercados, mas dar o mercado aos pobres&#8221;. 

Se os principais atores do cen&#225;rio econ&#244;mico est&#227;o prestando MUITA aten&#231;&#227;o a esta dita nova classe m&#233;dia, o que n&#243;s do setor cultural e mais especificamente da m&#250;sica cl&#225;ssica estamos fazendo neste sentido? Se o acesso da classe C ao cr&#233;dito, aos produtos, &#224; casa pr&#243;pria, &#224; educa&#231;&#227;o est&#225; na ordem do dia, como ficaria o correspondente acesso desse novo p&#250;blico rec&#233;m-chegado ao mercado consumidor no circuito de concertos, por exemplo? 

Ser&#225; que algum gestor de orquestra pensa em desenvolver espet&#225;culo para quem at&#233; ontem mal tinha condi&#231;&#245;es de garantir o b&#225;sico de sua exist&#234;ncia mas agora tem condi&#231;&#245;es de promover para si pr&#243;prio e para a sua familia acesso a bens de consumo, inclusive culturais? E o que dizer de produtos como fasc&#237;culos em bancas de jornal, por exemplo.J&#225; pensou que interessante seria uma cole&#231;&#227;o de m&#250;sica cl&#225;ssica pensada exclusivamente para a classe C? Ou um canal de transmiss&#227;o de m&#250;sicas cl&#225;ssicas no r&#225;dio voltado para este novo p&#250;blico que chega sem qualquer conhecimento pr&#233;vio e tamb&#233;m sem qualquer preconceito? As possibilidades est&#227;o no ar, tomara que algu&#233;m se disponha logo a fazer. 

</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Uma das boas not&#237;cias econ&#244;micas e sociais dos &#250;ltimos tempos aqui no Brasil foi o crescimento da...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Cada vez mais distra&#237;dos, por causa da internet</title>
      <description>
        <![CDATA[Em dezembro de 2010, o jornal O Globo publicou uma entrevista bem interessante com o escritor americano Nicholas Carr, também professor do conceituado MIT (Massachusetts Institute of Technology), sobre como a internet tem nos tornado pessoas distraídas e o que pode e não pode ser feito a este respeito. Quem conversou com o americano foi o jornalista Gilberto Scofield Jr.  A tese central de Nicholas Carr é a seguinte: a plataforma multimídia que é a internet favorece mais à distração do que ao conhecimento, limitando seriamente nossa capacidade de atenção e foco. Óbvio que um cenário assim não favorece o aprendizado de jeito maneira. O último livro dele não havia sido lançado no Brasil quando eu gravei este comentário. Em português, o título seria algo como “Os superficiais, o que a internet tem feito com nossos cérebros”.

Na entrevista ao Globo, Nicholas Carr foi bem direto ao ponto. Disse: “Multimidia requer que a pessoa mude o tempo todo seu foco e, com isso,a habilidade de aprender se reduz.  Ainternet não é desenhada por experts em educação, daí as constantes mudanças de foco. O modelo básico de das redes sociais, como o Facebook, não é feito com a ideia de otimizar a compreensao e o entendimento. É feito com a ideia  de manter a visão grudada na tela em focos de conteúdos constantemente variados e atualizados.” E mais um naco do pensamento do americano Nicholas Carr: “Os aspectos básicos da tecnologia são esses: links, mecanismos de buscas, alertas, interrupções, multitarefas, multifuncionamento. Este sistema não nos encoraja nem nos da oportunidade para fazer coisas que necessitem de atenção mais profunda. Se você é constantemente interrompido, nunca consegue exercitar formas de pensamento mais focadas e atentas. Quando a mente presta atenção, pensa profundamente sobre algo, foca e se concentra....são ativados processos cognitivos como pensamento critico, memoria e algumas formas de criatividade.”

Li essa entrevista na época em que foi publicada e, desde então, fico cada vez mais convencida de que a música clássica tem um papel bem importante a cumprir nesses tempos de distração provocada pela internet. Nem precisar ser na forma do aprendizado formal de um instrumento, pois a gente já sabe há décadas que o aprendizado de música treina o cérebro para formas muito relevantes de raciocínio. Eu me refiro aqui à escuta pura e simples. Os clássicos requerem um tipo de concentração especial de escuta. Mesmo que você ouça fazendo outras coisas, como dirigindo, lendo, trabalhando ou mesmo arrumando a casa, você está conectado com a música de uma forma consciente e constante, com menos interrupções do que o frenético ir e vir dos hipertextos que tanto preocupam Nicholas Carr. E se ele estiver mesmo certo e o ato de prestar atenção e focar em algo efetivamente ativar processos como criatividade, então, viva a música clássica!
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T05_31_54-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_31_54-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 12:31:54 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_31_54-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T05_31_54-07_00.mp3?_=1315485142.5002692" length="3843585" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>240</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Em dezembro de 2010, o jornal O Globo publicou uma entrevista bem interessante com o escritor americano Nicholas Carr, tamb&#233;m professor do conceituado MIT (Massachusetts Institute of Technology), sobre como a internet tem nos tornado pessoas distra&#237;das e o que pode e n&#227;o pode ser feito a este respeito. Quem conversou com o americano foi o jornalista Gilberto Scofield Jr.  A tese central de Nicholas Carr &#233; a seguinte: a plataforma multim&#237;dia que &#233; a internet favorece mais &#224; distra&#231;&#227;o do que ao conhecimento, limitando seriamente nossa capacidade de aten&#231;&#227;o e foco. &#211;bvio que um cen&#225;rio assim n&#227;o favorece o aprendizado de jeito maneira. O &#250;ltimo livro dele n&#227;o havia sido lan&#231;ado no Brasil quando eu gravei este coment&#225;rio. Em portugu&#234;s, o t&#237;tulo seria algo como &#8220;Os superficiais, o que a internet tem feito com nossos c&#233;rebros&#8221;.

Na entrevista ao Globo, Nicholas Carr foi bem direto ao ponto. Disse: &#8220;Multimidia requer que a pessoa mude o tempo todo seu foco e, com isso,a habilidade de aprender se reduz.  Ainternet n&#227;o &#233; desenhada por experts em educa&#231;&#227;o, da&#237; as constantes mudan&#231;as de foco. O modelo b&#225;sico de das redes sociais, como o Facebook, n&#227;o &#233; feito com a ideia de otimizar a compreensao e o entendimento. &#201; feito com a ideia  de manter a vis&#227;o grudada na tela em focos de conte&#250;dos constantemente variados e atualizados.&#8221; E mais um naco do pensamento do americano Nicholas Carr: &#8220;Os aspectos b&#225;sicos da tecnologia s&#227;o esses: links, mecanismos de buscas, alertas, interrup&#231;&#245;es, multitarefas, multifuncionamento. Este sistema n&#227;o nos encoraja nem nos da oportunidade para fazer coisas que necessitem de aten&#231;&#227;o mais profunda. Se voc&#234; &#233; constantemente interrompido, nunca consegue exercitar formas de pensamento mais focadas e atentas. Quando a mente presta aten&#231;&#227;o, pensa profundamente sobre algo, foca e se concentra....s&#227;o ativados processos cognitivos como pensamento critico, memoria e algumas formas de criatividade.&#8221;

Li essa entrevista na &#233;poca em que foi publicada e, desde ent&#227;o, fico cada vez mais convencida de que a m&#250;sica cl&#225;ssica tem um papel bem importante a cumprir nesses tempos de distra&#231;&#227;o provocada pela internet. Nem precisar ser na forma do aprendizado formal de um instrumento, pois a gente j&#225; sabe h&#225; d&#233;cadas que o aprendizado de m&#250;sica treina o c&#233;rebro para formas muito relevantes de racioc&#237;nio. Eu me refiro aqui &#224; escuta pura e simples. Os cl&#225;ssicos requerem um tipo de concentra&#231;&#227;o especial de escuta. Mesmo que voc&#234; ou&#231;a fazendo outras coisas, como dirigindo, lendo, trabalhando ou mesmo arrumando a casa, voc&#234; est&#225; conectado com a m&#250;sica de uma forma consciente e constante, com menos interrup&#231;&#245;es do que o fren&#233;tico ir e vir dos hipertextos que tanto preocupam Nicholas Carr. E se ele estiver mesmo certo e o ato de prestar aten&#231;&#227;o e focar em algo efetivamente ativar processos como criatividade, ent&#227;o, viva a m&#250;sica cl&#225;ssica!
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Em dezembro de 2010, o jornal O Globo publicou uma entrevista bem interessante com o escritor ame...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>E o hip hop entrou na &#211;pera</title>
      <description>
        <![CDATA[Dia desses, conversando com João Guilherme Ripper, diretor da Sala Cecília Meireles, ele me contou um episódio incrível que ilustra muito bem os bons frutos que a convivência entre a cultura clássica e a cultura popular pode trazer e ilustra também como um administrador artístico de visão ampla pode transformar as coisas. O episódio aconteceu em 2002, na França. 

A Opera National de Lyon havia passado por uma reforma pouco tempo antes, que deixou a construção do século 18 novinha em folha.  Uma lateral externa do prédio, na área da rua, passou a ser freqüentada pelo Pokemon Crew,  um grupo de breakdance, aquela dança que Michael Jackson tanto popularizou. O chão liso, o lugar com espaço, limpo, transporte público farto era tudo que os garotos precisavam para treinar suas coreografias. Eles estavam se preparando para um campeonato nacional. Acontece que esse tal local era junto do café do teatro e era comum os freqüentadores reclamarem daquela garotada dançando break e perturbando a ordem clássica das coisas. Eles detestavam aquela companhia.

Aí que entra o tal gestor artístico de visão ampla. No caso, o francês Serge Dorny. Quando ele assumiu seu posto na Opera de Lyon, deparou-se com esta questão do enxame dos garotos do break e o conflito com os espectadores da casa. Quando Dorny assumiu a direção artística da casa, ficou intrigado porque o grupo havia escolhido justo o lado de fora da ópera para treinar as coreografias de break e porque ninguém da casa havia ainda ido falar com eles.

Serge Dorny convidou o grupo a entrar no teatro e treinar nas salas de ensaio da ópera durante os meses de verão, quando os artistas da casa estavam de férias e as instalações vazias. Os garotos do Pokemon Crew foram tratados como artistas profissionais, com condições de trabalho profissionais. Isso fez grande diferença na carreira do pessoal do break. No inicio, ambas as partes estavam desconfiadas se a coisa daria certo. 

Acontece que dois meses depois, o grupo ganhou o cmapeonato francês e são hoje grandes na França. Pouco tempo depois, o Pokemon  Crew foi convidado a montar , junto com o balé da Opera de Lyon, os Sete pecados capitais de Kurt Weill e Bertold Brecht. Pessoal de break não estava acostumado com o rigor dos ensaios estruturados. E os bailarinos não estavam acostumados com o jeito indisciplinado do pessoal do break ensaiar. Mas o espetáculo deu cerrto e foi um sucesso. Essa relacao artística levou o Pokemon Crew a ganhar o cameponato mundial de hip hop. A organiacao adquirida com a convivência com os artistas da  de Lyon fez toda a diferença. Viva a visão ampla de Serge Dorny!
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T05_09_15-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_09_15-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 12:09:15 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_09_15-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T05_09_15-07_00.mp3?_=1315483772.5002639" length="3523573" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>220</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Dia desses, conversando com Jo&#227;o Guilherme Ripper, diretor da Sala Cec&#237;lia Meireles, ele me contou um epis&#243;dio incr&#237;vel que ilustra muito bem os bons frutos que a conviv&#234;ncia entre a cultura cl&#225;ssica e a cultura popular pode trazer e ilustra tamb&#233;m como um administrador art&#237;stico de vis&#227;o ampla pode transformar as coisas. O epis&#243;dio aconteceu em 2002, na Fran&#231;a. 

A Opera National de Lyon havia passado por uma reforma pouco tempo antes, que deixou a constru&#231;&#227;o do s&#233;culo 18 novinha em folha.  Uma lateral externa do pr&#233;dio, na &#225;rea da rua, passou a ser freq&#252;entada pelo Pokemon Crew,  um grupo de breakdance, aquela dan&#231;a que Michael Jackson tanto popularizou. O ch&#227;o liso, o lugar com espa&#231;o, limpo, transporte p&#250;blico farto era tudo que os garotos precisavam para treinar suas coreografias. Eles estavam se preparando para um campeonato nacional. Acontece que esse tal local era junto do caf&#233; do teatro e era comum os freq&#252;entadores reclamarem daquela garotada dan&#231;ando break e perturbando a ordem cl&#225;ssica das coisas. Eles detestavam aquela companhia.

A&#237; que entra o tal gestor art&#237;stico de vis&#227;o ampla. No caso, o franc&#234;s Serge Dorny. Quando ele assumiu seu posto na Opera de Lyon, deparou-se com esta quest&#227;o do enxame dos garotos do break e o conflito com os espectadores da casa. Quando Dorny assumiu a dire&#231;&#227;o art&#237;stica da casa, ficou intrigado porque o grupo havia escolhido justo o lado de fora da &#243;pera para treinar as coreografias de break e porque ningu&#233;m da casa havia ainda ido falar com eles.

Serge Dorny convidou o grupo a entrar no teatro e treinar nas salas de ensaio da &#243;pera durante os meses de ver&#227;o, quando os artistas da casa estavam de f&#233;rias e as instala&#231;&#245;es vazias. Os garotos do Pokemon Crew foram tratados como artistas profissionais, com condi&#231;&#245;es de trabalho profissionais. Isso fez grande diferen&#231;a na carreira do pessoal do break. No inicio, ambas as partes estavam desconfiadas se a coisa daria certo. 

Acontece que dois meses depois, o grupo ganhou o cmapeonato franc&#234;s e s&#227;o hoje grandes na Fran&#231;a. Pouco tempo depois, o Pokemon  Crew foi convidado a montar , junto com o bal&#233; da Opera de Lyon, os Sete pecados capitais de Kurt Weill e Bertold Brecht. Pessoal de break n&#227;o estava acostumado com o rigor dos ensaios estruturados. E os bailarinos n&#227;o estavam acostumados com o jeito indisciplinado do pessoal do break ensaiar. Mas o espet&#225;culo deu cerrto e foi um sucesso. Essa relacao art&#237;stica levou o Pokemon Crew a ganhar o cameponato mundial de hip hop. A organiacao adquirida com a conviv&#234;ncia com os artistas da  de Lyon fez toda a diferen&#231;a. Viva a vis&#227;o ampla de Serge Dorny!
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Dia desses, conversando com Jo&#227;o Guilherme Ripper, diretor da Sala Cec&#237;lia Meireles, ele me conto...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>&#211;pera: alta em cinemas mundiais e nos palcos da China </title>
      <description>
        <![CDATA[Se aqui no Rio, já faz um tempinho que a temporada de ópera acostumou-se a uma certa timidez de títulos e as projeções de montagens líricas estrangeiras vem conquistando cada vez mais adeptos, há pelo menos dois países em que a ópera está atravessando um de seus melhores momentos.
Na Inglaterra, por exemplo. 

Dias desses, li uma reportagem publicada em jornal inglês sobre o bom momento do gênero naquele pais. A matéria citava um número impressionante: foram necessários poucos anos para o número de companhias operísticas pular de 30 e poucas para quase duzentas. Incrível esse número, não? Outro fato destacado no tal artigo era a produção da comédia romântica inspirada na ópera “Cosi fan tutte”, de Mozart. “First Night” é o titulo do filme. A produção já estava finalizada quando eu gravava este comentário e aguardava seu lugar na extensa fila de lançamentos cinematográficos na Europa. A trama? Executivo rico resolve organizar uma montagem particular de “Cosi fan tutte” na sua casa de campo. 

O produtor, Steven Evans, é o mesmo do filme “Henrique V”, com Kenneth Brannagh no papel principal, fita cujo sucesso inspirou vários outros filmes baseados em peças de Shakespeare. Ou seja, esse produtor é alguém de dedo verde quando se trata de facilitar o acesso a clássicos da cultura mundial. Pelo jeito, deve vir um filme bacana por aí. Tomara que não demore a chegar ao circuito brasileiro.

E na China, acontece um verdadeiro boom em termos de ópera. Crescimento quase tão rápido e ambicioso quanto o crescimento da economia do país. Alguns indícios recentes desse boom? Em Xangai, é esperada a estréia da tetralogia de Wagner, “O anel do nibelungo”. Em Pequim, a abertura do Guangzhou Center for the Performing Arts custou mais de 200 milhões de dólares e a última edição do Festival de Música apresentou três óperas, sendo duas delas de compositores chineses. E ainda o rograma “I Sing Beijing” financiado pelo governo chinês,  visa atrair jovens cantores americanos para um treinamento intensivo em chinês como idioma lírico. Novos teatros de ópera, governo rico determinado a ser uma potencia cultural mundial, milhões de jovens talentos saindo dos conservatórios locais, novas platéias ansiosas para conhecer mais sobre ópera. O futuro da ópera e da música clássica passa mesmo pela China.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T05_06_17-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_06_17-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 12:06:17 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_06_17-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T05_06_17-07_00.mp3?_=1315483601.5002632" length="3145738" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>196</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Se aqui no Rio, j&#225; faz um tempinho que a temporada de &#243;pera acostumou-se a uma certa timidez de t&#237;tulos e as proje&#231;&#245;es de montagens l&#237;ricas estrangeiras vem conquistando cada vez mais adeptos, h&#225; pelo menos dois pa&#237;ses em que a &#243;pera est&#225; atravessando um de seus melhores momentos.
Na Inglaterra, por exemplo. 

Dias desses, li uma reportagem publicada em jornal ingl&#234;s sobre o bom momento do g&#234;nero naquele pais. A mat&#233;ria citava um n&#250;mero impressionante: foram necess&#225;rios poucos anos para o n&#250;mero de companhias oper&#237;sticas pular de 30 e poucas para quase duzentas. Incr&#237;vel esse n&#250;mero, n&#227;o? Outro fato destacado no tal artigo era a produ&#231;&#227;o da com&#233;dia rom&#226;ntica inspirada na &#243;pera &#8220;Cosi fan tutte&#8221;, de Mozart. &#8220;First Night&#8221; &#233; o titulo do filme. A produ&#231;&#227;o j&#225; estava finalizada quando eu gravava este coment&#225;rio e aguardava seu lugar na extensa fila de lan&#231;amentos cinematogr&#225;ficos na Europa. A trama? Executivo rico resolve organizar uma montagem particular de &#8220;Cosi fan tutte&#8221; na sua casa de campo. 

O produtor, Steven Evans, &#233; o mesmo do filme &#8220;Henrique V&#8221;, com Kenneth Brannagh no papel principal, fita cujo sucesso inspirou v&#225;rios outros filmes baseados em pe&#231;as de Shakespeare. Ou seja, esse produtor &#233; algu&#233;m de dedo verde quando se trata de facilitar o acesso a cl&#225;ssicos da cultura mundial. Pelo jeito, deve vir um filme bacana por a&#237;. Tomara que n&#227;o demore a chegar ao circuito brasileiro.

E na China, acontece um verdadeiro boom em termos de &#243;pera. Crescimento quase t&#227;o r&#225;pido e ambicioso quanto o crescimento da economia do pa&#237;s. Alguns ind&#237;cios recentes desse boom? Em Xangai, &#233; esperada a estr&#233;ia da tetralogia de Wagner, &#8220;O anel do nibelungo&#8221;. Em Pequim, a abertura do Guangzhou Center for the Performing Arts custou mais de 200 milh&#245;es de d&#243;lares e a &#250;ltima edi&#231;&#227;o do Festival de M&#250;sica apresentou tr&#234;s &#243;peras, sendo duas delas de compositores chineses. E ainda o rograma &#8220;I Sing Beijing&#8221; financiado pelo governo chin&#234;s,  visa atrair jovens cantores americanos para um treinamento intensivo em chin&#234;s como idioma l&#237;rico. Novos teatros de &#243;pera, governo rico determinado a ser uma potencia cultural mundial, milh&#245;es de jovens talentos saindo dos conservat&#243;rios locais, novas plat&#233;ias ansiosas para conhecer mais sobre &#243;pera. O futuro da &#243;pera e da m&#250;sica cl&#225;ssica passa mesmo pela China.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Se aqui no Rio, j&#225; faz um tempinho que a temporada de &#243;pera acostumou-se a uma certa timidez de t...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Bach de arrepiar</title>
      <description>
        <![CDATA[Você se arrepia quando ouve alguma sinfonia de que gosta especialmente? Sente o mesmo quando toca no rádio uma determinada ária de ópera ou quando está no teatro assistindo a um belo concerto para piano e orquestra? Ou nunca tem este tipo de sensação?
Caiu na frente de meus olhos um estudo publicado no site de notícias científicas ScienceDaily sobre a relação entre ouvir música e sentir arrepios. 

Emily Nusbaum e Paul Silvia, da University de North Carolina, nos Estados Unidos, conduziram esse estudo. Os pesquisadores queriam saber porque algumas pessoas se arrepiam ao ouvir música que as emociona e outras nem sabem o que é isso. 

A dupla de pesquisadores dividiu o grupo pesquisado de acordo com cinco traços de personalidade: extroversão, consciência, facilidade no trato, neurose e disposição para experimentar. Dessas cinco dimensões, apenas a ultima, disposição para experimentar, apresentou reação arrepiante com música.

Nusbaum e Silvia descobriram que gente aberta a novas experiências se arrepia com mais facilidade ouvindo música.

O interessante é que, entre o grupo super heterogêneo pesquisado pelos americanos, um aspecto se repetiu: todas as pessoas com disposição a novas experiências tinham uma relação especial com a música, seja tocando um instrumento, seja considerando a música um aspecto de grande importância na vida. Essas pessoas mais abertas a experimentar foram classificadas também como as mais criativas e curiosas, com imaginação mais ativa. 
Os autores do estudo concluíram que 8% das pessoas analisadas nunca sentia arrepios ao ouvir música, enquanto outras se arrepiavam quase todos os dias.

As pessoas podem ser parecidas em muitos aspectos da vida, mas o tipo de reação orgânica à audição de uma música de que se gosta não é mesmo algo universal. Considere isso na próxima vez em que for conversar sobre música com alguém de gosto distinto do seu. Antes de uma experiência estética, ouvir música é uma experiência orgânica vivenciada de formas distintas por cada um de nós.

]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T05_03_32-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_03_32-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 12:03:32 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_03_32-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T05_03_32-07_00.mp3?_=1315483430.5002623" length="2660906" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>166</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Voc&#234; se arrepia quando ouve alguma sinfonia de que gosta especialmente? Sente o mesmo quando toca no r&#225;dio uma determinada &#225;ria de &#243;pera ou quando est&#225; no teatro assistindo a um belo concerto para piano e orquestra? Ou nunca tem este tipo de sensa&#231;&#227;o?
Caiu na frente de meus olhos um estudo publicado no site de not&#237;cias cient&#237;ficas ScienceDaily sobre a rela&#231;&#227;o entre ouvir m&#250;sica e sentir arrepios. 

Emily Nusbaum e Paul Silvia, da University de North Carolina, nos Estados Unidos, conduziram esse estudo. Os pesquisadores queriam saber porque algumas pessoas se arrepiam ao ouvir m&#250;sica que as emociona e outras nem sabem o que &#233; isso. 

A dupla de pesquisadores dividiu o grupo pesquisado de acordo com cinco tra&#231;os de personalidade: extrovers&#227;o, consci&#234;ncia, facilidade no trato, neurose e disposi&#231;&#227;o para experimentar. Dessas cinco dimens&#245;es, apenas a ultima, disposi&#231;&#227;o para experimentar, apresentou rea&#231;&#227;o arrepiante com m&#250;sica.

Nusbaum e Silvia descobriram que gente aberta a novas experi&#234;ncias se arrepia com mais facilidade ouvindo m&#250;sica.

O interessante &#233; que, entre o grupo super heterog&#234;neo pesquisado pelos americanos, um aspecto se repetiu: todas as pessoas com disposi&#231;&#227;o a novas experi&#234;ncias tinham uma rela&#231;&#227;o especial com a m&#250;sica, seja tocando um instrumento, seja considerando a m&#250;sica um aspecto de grande import&#226;ncia na vida. Essas pessoas mais abertas a experimentar foram classificadas tamb&#233;m como as mais criativas e curiosas, com imagina&#231;&#227;o mais ativa. 
Os autores do estudo conclu&#237;ram que 8% das pessoas analisadas nunca sentia arrepios ao ouvir m&#250;sica, enquanto outras se arrepiavam quase todos os dias.

As pessoas podem ser parecidas em muitos aspectos da vida, mas o tipo de rea&#231;&#227;o org&#226;nica &#224; audi&#231;&#227;o de uma m&#250;sica de que se gosta n&#227;o &#233; mesmo algo universal. Considere isso na pr&#243;xima vez em que for conversar sobre m&#250;sica com algu&#233;m de gosto distinto do seu. Antes de uma experi&#234;ncia est&#233;tica, ouvir m&#250;sica &#233; uma experi&#234;ncia org&#226;nica vivenciada de formas distintas por cada um de n&#243;s.

</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Voc&#234; se arrepia quando ouve alguma sinfonia de que gosta especialmente? Sente o mesmo quando toca...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>La Scala de Mil&#227;o quer p&#250;blico com menos de 30 anos</title>
      <description>
        <![CDATA[Se o frequentador de música clássica costuma ter alto grau de assiduidade nos espetáculos, o que dizer então dos que compram assinaturas para o ano todo? Estes são os que apresentam maior grau de fidelidade, é um público tido certo nas temporadas das orquestras e nas séries internacionais. Entre os que já conhecem e freqüentam o circuito de clássicos, a compra de assinaturas é uma prática bastante difundida. Mas este tipo de relacionamento de longo prazo entre organizadores e freqüentadores habituais de concertos não se aplica ao público novo, que não tem ainda hábito de assistir a música clássica ao vivo e, por isso, nem pensa em se comprometer ao longo de todo um ano e, ainda por cima, arcar com pagamento adiantado da assinatura. Como se faz então para estimular que novas platéias, especialmente a turma jovem, experimente comprar uma assinatura e inclua uma sala de concertos na sua rotina cultural? Muitas instituições musicais pelo mundo buscam uma resposta pra essa pergunta com jeitão de charada.

Achei ótima a proposta do Teatro alla Scala de Milão, “o” principal templo da ópera e do canto lírico na Europa, que também oferece concertos sinfônicos e balés em sua programação regular. O Scala de Milão agora tem um programa especialmente voltado para o público com menos de 30 anos. O projeto tem um nome em inglês, não entendi bem o porquê, mas....Chama-se La Scala Under 30 – Scala com menos de 30. Sabendo que o público jovem é afeito a uma adrenalina, o slogan do programa é “Não há mais obstáculos entre você e a sua vontade de viver fortes emoções. O mundo do Scala é seu. Viva-o!”. Outra frase usada nos materiais do programa é “o protagonista é você”, que me parece muito em sintonia com a necessidade que os jovens têm cada vez mais de customizar as suas vivências. O Scala disponibiliza um passe só para os menores de 30 anos que dá direito a condições especiais na compra de ingressos e assinaturas, os descontos podem chegar a 80%, além de possinilitar visitas guiadas, happy hour com artistas que se apresentam na casa, ofertas na loja do Scala e alguns brindes. 

São tantas as vantagens para seduzir o jovem italiano com menos de 30 anos a freqüentar o Scala de Milão, que o programa tem um rígido controle de uso, pra evitar que os bilhetes sejam comprados por jovens e revendidos a freqüentadores habituais. 
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T05_00_44-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_00_44-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 12:00:44 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T05_00_44-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T05_00_44-07_00.mp3?_=1315483262.5002615" length="2994019" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>187</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Se o frequentador de m&#250;sica cl&#225;ssica costuma ter alto grau de assiduidade nos espet&#225;culos, o que dizer ent&#227;o dos que compram assinaturas para o ano todo? Estes s&#227;o os que apresentam maior grau de fidelidade, &#233; um p&#250;blico tido certo nas temporadas das orquestras e nas s&#233;ries internacionais. Entre os que j&#225; conhecem e freq&#252;entam o circuito de cl&#225;ssicos, a compra de assinaturas &#233; uma pr&#225;tica bastante difundida. Mas este tipo de relacionamento de longo prazo entre organizadores e freq&#252;entadores habituais de concertos n&#227;o se aplica ao p&#250;blico novo, que n&#227;o tem ainda h&#225;bito de assistir a m&#250;sica cl&#225;ssica ao vivo e, por isso, nem pensa em se comprometer ao longo de todo um ano e, ainda por cima, arcar com pagamento adiantado da assinatura. Como se faz ent&#227;o para estimular que novas plat&#233;ias, especialmente a turma jovem, experimente comprar uma assinatura e inclua uma sala de concertos na sua rotina cultural? Muitas institui&#231;&#245;es musicais pelo mundo buscam uma resposta pra essa pergunta com jeit&#227;o de charada.

Achei &#243;tima a proposta do Teatro alla Scala de Mil&#227;o, &#8220;o&#8221; principal templo da &#243;pera e do canto l&#237;rico na Europa, que tamb&#233;m oferece concertos sinf&#244;nicos e bal&#233;s em sua programa&#231;&#227;o regular. O Scala de Mil&#227;o agora tem um programa especialmente voltado para o p&#250;blico com menos de 30 anos. O projeto tem um nome em ingl&#234;s, n&#227;o entendi bem o porqu&#234;, mas....Chama-se La Scala Under 30 &#8211; Scala com menos de 30. Sabendo que o p&#250;blico jovem &#233; afeito a uma adrenalina, o slogan do programa &#233; &#8220;N&#227;o h&#225; mais obst&#225;culos entre voc&#234; e a sua vontade de viver fortes emo&#231;&#245;es. O mundo do Scala &#233; seu. Viva-o!&#8221;. Outra frase usada nos materiais do programa &#233; &#8220;o protagonista &#233; voc&#234;&#8221;, que me parece muito em sintonia com a necessidade que os jovens t&#234;m cada vez mais de customizar as suas viv&#234;ncias. O Scala disponibiliza um passe s&#243; para os menores de 30 anos que d&#225; direito a condi&#231;&#245;es especiais na compra de ingressos e assinaturas, os descontos podem chegar a 80%, al&#233;m de possinilitar visitas guiadas, happy hour com artistas que se apresentam na casa, ofertas na loja do Scala e alguns brindes. 

S&#227;o tantas as vantagens para seduzir o jovem italiano com menos de 30 anos a freq&#252;entar o Scala de Mil&#227;o, que o programa tem um r&#237;gido controle de uso, pra evitar que os bilhetes sejam comprados por jovens e revendidos a freq&#252;entadores habituais. 
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Se o frequentador de m&#250;sica cl&#225;ssica costuma ter alto grau de assiduidade nos espet&#225;culos, o que ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Soprano Ren&#233;e Fleming e a vontade de inovar, a partir de Chicago</title>
      <description>
        <![CDATA[Embora o mundo da música clássica seja muitas vezes associado a um ambiente que foge de mudanças e haja mesmo uma forte inclinação ao tradicionalismo, a inovação tem sido algo cada vez mais valorizado nos clássicos. Me parece natural e até mesmo esperado que seja assim. É a partir de inovações que a indústria cultural dá muitos de seus saltos...e, se formos considerar a arte em estado puro, o que o artista busca, em última instância? Inovar, romper como estabelecido, imprimir sua marca única e pessoal. Sempre penso em o que seria de muitos setores na economia, como as indústrias farmacêutica ou automobilística, sem o investimento em inovação. Esses setores investem pesado em testar novidades. 

Já na indústria cultural, as regras do jogo parecem ser outras. No que diz respeito à  importância da inovação, o reconhecimento existe, já sabemos. Mas o grau de investimento em inovação é reduzido quando comparado a caminhos conhecidos. É assim no cinema, na literatura, na música pop e na música clássica. Quando há venda de ingressos ou medição de audiência envolvidas, o conhecido costuma sair sempre na frente do novo.
A necessidade da música clássica se recompreender na sociedade anda de mãos dadas com uma atitude de inovação. Seja para ocupar um papel mais amplo na comunidade em que está inserida (não se posicionando apenas uma fornecedora de concertos em teatros para uma parcela pequena da população), seja na busca de novos caminhos para alcançar públicos que ainda não conhecem o universo musical clássico.

Achei interessante saber os motivos que levaram a soprano americana Renée Fleming a aceitar o convite para ser consultora criativa da Ópera Lírica de Chicago. Ela fica nesse cargo até 2016. Convenhamos: sendo uma artista tão requisitada, René Fleming tem agenda de concertos muito cheia e não deve exatamente sobrar tempo para ocupar com tarefas além de cantar. Ela aceitou a posição de consultora criativa porque envolve desafio e....inovação.  Ela disse o seguinte quando da sua indicação: “Fiquei encantada com a possibilidade de realmente implementar mudanças no mundo da ópera, começando por Chicago”.

Se Renée Fleming fizer uma consultoria artística à altura da extensão de seu fôlego e da perfeição de sua voz,  é bom mesmo começar a prestar atenção especial às inovações que vão começar a aparecer na Ópera Lírica de Chicago. Ainda bem que existe internet pra acompanhar tudo.

]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T04_57_38-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T04_57_38-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 11:57:38 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T04_57_38-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T04_57_38-07_00.mp3?_=1315483075.5002607" length="2913353" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>182</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Embora o mundo da m&#250;sica cl&#225;ssica seja muitas vezes associado a um ambiente que foge de mudan&#231;as e haja mesmo uma forte inclina&#231;&#227;o ao tradicionalismo, a inova&#231;&#227;o tem sido algo cada vez mais valorizado nos cl&#225;ssicos. Me parece natural e at&#233; mesmo esperado que seja assim. &#201; a partir de inova&#231;&#245;es que a ind&#250;stria cultural d&#225; muitos de seus saltos...e, se formos considerar a arte em estado puro, o que o artista busca, em &#250;ltima inst&#226;ncia? Inovar, romper como estabelecido, imprimir sua marca &#250;nica e pessoal. Sempre penso em o que seria de muitos setores na economia, como as ind&#250;strias farmac&#234;utica ou automobil&#237;stica, sem o investimento em inova&#231;&#227;o. Esses setores investem pesado em testar novidades. 

J&#225; na ind&#250;stria cultural, as regras do jogo parecem ser outras. No que diz respeito &#224;  import&#226;ncia da inova&#231;&#227;o, o reconhecimento existe, j&#225; sabemos. Mas o grau de investimento em inova&#231;&#227;o &#233; reduzido quando comparado a caminhos conhecidos. &#201; assim no cinema, na literatura, na m&#250;sica pop e na m&#250;sica cl&#225;ssica. Quando h&#225; venda de ingressos ou medi&#231;&#227;o de audi&#234;ncia envolvidas, o conhecido costuma sair sempre na frente do novo.
A necessidade da m&#250;sica cl&#225;ssica se recompreender na sociedade anda de m&#227;os dadas com uma atitude de inova&#231;&#227;o. Seja para ocupar um papel mais amplo na comunidade em que est&#225; inserida (n&#227;o se posicionando apenas uma fornecedora de concertos em teatros para uma parcela pequena da popula&#231;&#227;o), seja na busca de novos caminhos para alcan&#231;ar p&#250;blicos que ainda n&#227;o conhecem o universo musical cl&#225;ssico.

Achei interessante saber os motivos que levaram a soprano americana Ren&#233;e Fleming a aceitar o convite para ser consultora criativa da &#211;pera L&#237;rica de Chicago. Ela fica nesse cargo at&#233; 2016. Convenhamos: sendo uma artista t&#227;o requisitada, Ren&#233; Fleming tem agenda de concertos muito cheia e n&#227;o deve exatamente sobrar tempo para ocupar com tarefas al&#233;m de cantar. Ela aceitou a posi&#231;&#227;o de consultora criativa porque envolve desafio e....inova&#231;&#227;o.  Ela disse o seguinte quando da sua indica&#231;&#227;o: &#8220;Fiquei encantada com a possibilidade de realmente implementar mudan&#231;as no mundo da &#243;pera, come&#231;ando por Chicago&#8221;.

Se Ren&#233;e Fleming fizer uma consultoria art&#237;stica &#224; altura da extens&#227;o de seu f&#244;lego e da perfei&#231;&#227;o de sua voz,  &#233; bom mesmo come&#231;ar a prestar aten&#231;&#227;o especial &#224;s inova&#231;&#245;es que v&#227;o come&#231;ar a aparecer na &#211;pera L&#237;rica de Chicago. Ainda bem que existe internet pra acompanhar tudo.

</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>Embora o mundo da m&#250;sica cl&#225;ssica seja muitas vezes associado a um ambiente que foge de mudan&#231;as ...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>Di&#225;rio do pianista John Blanch: programa criativo e bem-humorado</title>
      <description>
        <![CDATA[A internet é cheia de factóides em video. Volta e meia, alguém comete alguma gafe, vai parar na rede e acumula milhões de acessos. Basta ter uma câmera na mão – não necessariamente acompanhada de uma ideia na cabeça – e um desconhecido pode virar estrela da noite pro dia. E, claro, há os muitos e muitos vídeos que são postados por pessoas em todo mundo e dos quais a gente nem toma conhecimento. A internet parece ser um lugar de luzes e sombras, como é a vida no mundo real. E esse caráter do mundo digital também vale para a música clássica. Tem muita coisa boa na internet ainda a ser vista, podem se passar anos até o momento de assistir. Garimpar iniciativas interessantes é algo que traz muitas boas surpresas.

Tomei conhecimento recentemente de uma iniciativa muito bem feita pelo jovem pianista brasileiro John Blanch. Ele tem 18 anos de idade, nasceu em São Paulo. Seus estudos de música dividem-se entre Europa e Brasil. John foi admitido no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris e está por lá dedicado à sua formação. Antes disso, fez parte da prestigiosa Academia da Oseso. Ele seria mais um talentoso músico aperfeiçoando-se hoje na França se não tivesse um talento para a comunicação áudio-visual correndo nas veias. John Blanch é filho de Otávio Mesquita, o apresentador de televisão. Sabendo disso, fica fácil entender de onde John inventou de criar um canal de vídeos no YouTube chamado “Diário de um pianista”. A ideia é mostrar os bastidores da rotina de um jovem músico estudando na Europa. Ele mesmo grava e edita os vídeos, um hobby que tem desde pequeno. No dia em que fiz essa gravação, o Diario de um pianista dispoibilizava dois episódios, ambos muito bem feitos. O primeiro trata dos preparativos para uma audição importante interrompidos pelo machucado de um dedo. O segundo mostra John Blanch se virando para manter a rotina diária de estudos nas férias de Natal na Espanha e como ele conseguiu encontrar um piano para tocar todos os dias.

Chama muita atenção a qualidade desse diário em vídeo do jovem pianista brasileiro. Em menos de dez minutos, cada episódio é um mini-programa de TV. A edição de imagem e de som são muito criativas, apresenta um timing típico de programa de variedades. E, melhor de tudo, John Blanch é bem-humorado na dose certa. Como capta ele mesmo a maior parte das imagens no momento exato em que elas acontecem, vê-se claramente o quanto o rapaz é espontâneo e profissional ao mesmo tempo. A intimidade com a câmera é óbvia. Para conhecer essa interessante iniciativa de internet basta procurar por John Blanch (soletrar) no YouTube.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T04_54_56-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T04_54_56-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 11:54:56 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T04_54_56-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T04_54_56-07_00.mp3?_=1315482917.5002599" length="3401384" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>212</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>A internet &#233; cheia de fact&#243;ides em video. Volta e meia, algu&#233;m comete alguma gafe, vai parar na rede e acumula milh&#245;es de acessos. Basta ter uma c&#226;mera na m&#227;o &#8211; n&#227;o necessariamente acompanhada de uma ideia na cabe&#231;a &#8211; e um desconhecido pode virar estrela da noite pro dia. E, claro, h&#225; os muitos e muitos v&#237;deos que s&#227;o postados por pessoas em todo mundo e dos quais a gente nem toma conhecimento. A internet parece ser um lugar de luzes e sombras, como &#233; a vida no mundo real. E esse car&#225;ter do mundo digital tamb&#233;m vale para a m&#250;sica cl&#225;ssica. Tem muita coisa boa na internet ainda a ser vista, podem se passar anos at&#233; o momento de assistir. Garimpar iniciativas interessantes &#233; algo que traz muitas boas surpresas.

Tomei conhecimento recentemente de uma iniciativa muito bem feita pelo jovem pianista brasileiro John Blanch. Ele tem 18 anos de idade, nasceu em S&#227;o Paulo. Seus estudos de m&#250;sica dividem-se entre Europa e Brasil. John foi admitido no Conservat&#243;rio Nacional Superior de M&#250;sica de Paris e est&#225; por l&#225; dedicado &#224; sua forma&#231;&#227;o. Antes disso, fez parte da prestigiosa Academia da Oseso. Ele seria mais um talentoso m&#250;sico aperfei&#231;oando-se hoje na Fran&#231;a se n&#227;o tivesse um talento para a comunica&#231;&#227;o &#225;udio-visual correndo nas veias. John Blanch &#233; filho de Ot&#225;vio Mesquita, o apresentador de televis&#227;o. Sabendo disso, fica f&#225;cil entender de onde John inventou de criar um canal de v&#237;deos no YouTube chamado &#8220;Di&#225;rio de um pianista&#8221;. A ideia &#233; mostrar os bastidores da rotina de um jovem m&#250;sico estudando na Europa. Ele mesmo grava e edita os v&#237;deos, um hobby que tem desde pequeno. No dia em que fiz essa grava&#231;&#227;o, o Diario de um pianista dispoibilizava dois epis&#243;dios, ambos muito bem feitos. O primeiro trata dos preparativos para uma audi&#231;&#227;o importante interrompidos pelo machucado de um dedo. O segundo mostra John Blanch se virando para manter a rotina di&#225;ria de estudos nas f&#233;rias de Natal na Espanha e como ele conseguiu encontrar um piano para tocar todos os dias.

Chama muita aten&#231;&#227;o a qualidade desse di&#225;rio em v&#237;deo do jovem pianista brasileiro. Em menos de dez minutos, cada epis&#243;dio &#233; um mini-programa de TV. A edi&#231;&#227;o de imagem e de som s&#227;o muito criativas, apresenta um timing t&#237;pico de programa de variedades. E, melhor de tudo, John Blanch &#233; bem-humorado na dose certa. Como capta ele mesmo a maior parte das imagens no momento exato em que elas acontecem, v&#234;-se claramente o quanto o rapaz &#233; espont&#226;neo e profissional ao mesmo tempo. A intimidade com a c&#226;mera &#233; &#243;bvia. Para conhecer essa interessante iniciativa de internet basta procurar por John Blanch (soletrar) no YouTube.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>A internet &#233; cheia de fact&#243;ides em video. Volta e meia, algu&#233;m comete alguma gafe, vai parar na r...</itunes:subtitle>
    </item>
    <item>
      <title>O tempo da &#243;pera ontem e hoje: adapta&#231;&#227;o &#233; mesmo necess&#225;ria?</title>
      <description>
        <![CDATA[Até que ponto uma arte como a ópera, que manteve intacto durante séculos seu modelo de apresentação, consegue se “adaptar” – entre aspas – ao ritmo acelerado dos tempos de hoje? Acho até que cabe uma pergunta anterior: mais do que conseguir se adaptar, será que a ópera precisa se adaptar ao timing do século 21? A utilização do tempo livre das pessoas mudou muito desde o início do século 17, época das primeiras encenações de ópera, até os dias de hoje. E nem é preciso ir tão atrás, basta retroceder até meados dos anos 1950, por exemplo. 

Naquele tempo, havia menosconcorrência de uso do tempo livre e o próprio tempo disponível das pessoas era bem maior. Em plena correria de 2011, é um luxo conseguir alocar cerca de três horas para assistir a uma ópera em teatro, fora os deslocamentos de ida e vinda. Sem contar o preço do ingresso, muitas vezes equivalentes a várias sessões de cinema, por exemplo. A escolha por um programa de longa duração e menos barato como a ópera requer mais reflexão hoje do que em tempos passados. 

Mas o que fazer, então? Adequar a ambientação das óperas aos corridos tempos atuais, de forma a aumentar o link com o espectador e, consequentemente, aumentar seu grau de atenção e o valor da ida à ópera? Bem, isso já vem sendo feito há algum tempo, é bastante comum os diretores atualizarem época da trama e mesmo perfil dos personagens, mas sem mexer na parte musical. Ou que tal diminuir o tempo de duração das óperas, apresentando versões musicalmente condensadas dos grandes títulos líricos? E se a proposta for dupla: atualizar o tempo da trama e diminuir a quantidade de música? Na  cidade de Hamburgo, na Alemanha, há uma iniciativa com essa proposta dupla. 

O Opernloft ocupa parte de um galpão antigo no centro da cidade e lá apresenta versões atualizadas e condensadas de óperas do repertório tradicional. Eles têm um projeto chamado Operabreve, sempre com 90 minutos de duração. A ação da trama é deslocada para dias de hoje e o figurino é moderno, a roupagem é pop. Até as árias das óperas podem ser tratadas por lá como canções pop. O projeto existe há anos e acumula boa repercussão. Achei interessante a fala de uma diretora desse projeto. Ela diz “Hoje as pessoas têm outra dimensão sensorial, com DVD's, playstation, cinema e efeitos especiais. A ópera precisa acompanhar isso". Realmente, a nossa dimensão sensorial mudou muito com a tecnologia, mas até que ponto o que é apresentado pelo pessoal do Operabreve pode ser mesmo chamada de ópera? Seria melhor uma outra palavra que expressasse aquele tipo de espetáculo cênico? Mais que uma questão etimológica ou semântica, temos aí uma questão estética. É bom acompanhar os próximos capítulos.
]]>
      </description>
      <guid isPermaLink="true">https://pensandoclassicos.podomatic.com/entry/2011-09-08T04_51_54-07_00</guid>
      <comments>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T04_51_54-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 11:51:54 +0000</pubDate>
      <dcterms:modified>2013-12-07</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2013-12-07</dcterms:created>
      <link>https://www.podomatic.com/podcasts/pensandoclassicos/episodes/2011-09-08T04_51_54-07_00</link>
      <dc:creator>Pensando cl&#225;ssicos</dc:creator>
      <itunes:keywords></itunes:keywords>
      <enclosure url="https://pensandoclassicos.podomatic.com/enclosure/2011-09-08T04_51_54-07_00.mp3?_=1315482733.5002587" length="3511453" type="audio/mpeg"/>
      <itunes:duration>219</itunes:duration>
      <itunes:explicit>false</itunes:explicit>
      <itunes:summary>At&#233; que ponto uma arte como a &#243;pera, que manteve intacto durante s&#233;culos seu modelo de apresenta&#231;&#227;o, consegue se &#8220;adaptar&#8221; &#8211; entre aspas &#8211; ao ritmo acelerado dos tempos de hoje? Acho at&#233; que cabe uma pergunta anterior: mais do que conseguir se adaptar, ser&#225; que a &#243;pera precisa se adaptar ao timing do s&#233;culo 21? A utiliza&#231;&#227;o do tempo livre das pessoas mudou muito desde o in&#237;cio do s&#233;culo 17, &#233;poca das primeiras encena&#231;&#245;es de &#243;pera, at&#233; os dias de hoje. E nem &#233; preciso ir t&#227;o atr&#225;s, basta retroceder at&#233; meados dos anos 1950, por exemplo. 

Naquele tempo, havia menosconcorr&#234;ncia de uso do tempo livre e o pr&#243;prio tempo dispon&#237;vel das pessoas era bem maior. Em plena correria de 2011, &#233; um luxo conseguir alocar cerca de tr&#234;s horas para assistir a uma &#243;pera em teatro, fora os deslocamentos de ida e vinda. Sem contar o pre&#231;o do ingresso, muitas vezes equivalentes a v&#225;rias sess&#245;es de cinema, por exemplo. A escolha por um programa de longa dura&#231;&#227;o e menos barato como a &#243;pera requer mais reflex&#227;o hoje do que em tempos passados. 

Mas o que fazer, ent&#227;o? Adequar a ambienta&#231;&#227;o das &#243;peras aos corridos tempos atuais, de forma a aumentar o link com o espectador e, consequentemente, aumentar seu grau de aten&#231;&#227;o e o valor da ida &#224; &#243;pera? Bem, isso j&#225; vem sendo feito h&#225; algum tempo, &#233; bastante comum os diretores atualizarem &#233;poca da trama e mesmo perfil dos personagens, mas sem mexer na parte musical. Ou que tal diminuir o tempo de dura&#231;&#227;o das &#243;peras, apresentando vers&#245;es musicalmente condensadas dos grandes t&#237;tulos l&#237;ricos? E se a proposta for dupla: atualizar o tempo da trama e diminuir a quantidade de m&#250;sica? Na  cidade de Hamburgo, na Alemanha, h&#225; uma iniciativa com essa proposta dupla. 

O Opernloft ocupa parte de um galp&#227;o antigo no centro da cidade e l&#225; apresenta vers&#245;es atualizadas e condensadas de &#243;peras do repert&#243;rio tradicional. Eles t&#234;m um projeto chamado Operabreve, sempre com 90 minutos de dura&#231;&#227;o. A a&#231;&#227;o da trama &#233; deslocada para dias de hoje e o figurino &#233; moderno, a roupagem &#233; pop. At&#233; as &#225;rias das &#243;peras podem ser tratadas por l&#225; como can&#231;&#245;es pop. O projeto existe h&#225; anos e acumula boa repercuss&#227;o. Achei interessante a fala de uma diretora desse projeto. Ela diz &#8220;Hoje as pessoas t&#234;m outra dimens&#227;o sensorial, com DVD's, playstation, cinema e efeitos especiais. A &#243;pera precisa acompanhar isso&quot;. Realmente, a nossa dimens&#227;o sensorial mudou muito com a tecnologia, mas at&#233; que ponto o que &#233; apresentado pelo pessoal do Operabreve pode ser mesmo chamada de &#243;pera? Seria melhor uma outra palavra que expressasse aquele tipo de espet&#225;culo c&#234;nico? Mais que uma quest&#227;o etimol&#243;gica ou sem&#226;ntica, temos a&#237; uma quest&#227;o est&#233;tica. &#201; bom acompanhar os pr&#243;ximos cap&#237;tulos.
</itunes:summary>
      <itunes:subtitle>At&#233; que ponto uma arte como a &#243;pera, que manteve intacto durante s&#233;culos seu modelo de apresenta&#231;...</itunes:subtitle>
    </item>
  </channel>
</rss>
