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Pensando clássicos, com Heloisa FischerReflexões sobre o setor de música clássica. Comentários veiculados na Rádio MEC FM do Rio de Janeiro |
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Neuroplasticidade, internet & música clássica reorganizadora de cérebro e alma
January 06, 2012 05:53 AM PST
Um livro muito interessante sobre os efeitos individuais e sociais do bombardeio de estímulos promovido pela internet é “The Shallows”, escrito pelo americano Nicholas Carr em 2010. Quando eu gravei esse comentário, o livro não havia sido publicado ainda no Brasil. O título, “The Shallows”, quer dizer “Os superficiais”. Subtítulo: “O que a Internet está fazendo com nossos cérebros”. São cerca de 250 páginas bem elaboradas, com muitas entrevistas e informações de pessoas relevantes nos meios científico, médico, acadêmico, nas artes, na teoria da comunicação. A tese central: mais do que uma revolução a partir do conteúdo disponibilizado, a internet está revolucionando a forma de organizar nosso pensamento. Essa seria a principal característica do mundo on-line, com consequências profundas na maneira de pensarmos e nos relacionarmos.
Nicholas Carr confronta de uma maneira interessantíssima e assustadora a questão do pensamento linear característico de toda humanidade a partir de Gutemberg – foi o objeto livro que teria organizado a nossa maneira de pensar – e como a mudança da página física para a tela do computador está consolidando um novo modo do cérebro funcionar. Desde que li esse livro, fiquei encafifada com essa questão da neuroplasticidade, como realmente o cérebro se amolda de acordo com estímulos externos ...e como os clássicos têm capacidade comprovada de reorganizar estados de espírito. Dia desses, assisti a uma palestra do médico chileno Bernardo Káliks sobre meditação no contexto da Antroposofia. Esse senhor é um amante da música clássica, fiquei sabendo no dia da palestra. Para ilustrar o efeito ”reorganizador” dos exercícios de meditação, ele se valeu do exemplo de ouvir músicas nas tonalidades maior ou menor, como essas tonalidades despertam emoções distintas no ouvinte. Uma das frases que ouvi na palestra foi: “Assim como a alma se organiza de formas distintas a partir de vivências musicais distintas, a alma também se modela a partir da meditação”. Depois de ouvir de um médico que a alma se organiza de uma forma nova a partir da vivência musical, me deparei com uma frase de um maestro russo que tem feito muito sucesso em Londres, Vladimir Jurowski. Entrevistado pela revista inglesa BBC Music Magazine, lá pelas tantas Jurowski faz uma afirmação de grande efeito: “A música é capaz de moficar certas constelações de átomos no universo”. A convicção do regente russo e do médico chileno na capacidade reorganizatória da música é também a minha convicção. E creio ainda na força da música clássica nesse momento de dispersão com o bombardeio de estímulos e superficialidade de contato que a internet impõe. Quanto mais a gente se expõe a telas repletas de links, banners de publicidade piscantes, toneladas de atualizações de Facebook e Twitter, milhares de resultados em buscas no Google, torpedos e emails que parecem sempre requerer resposta imediata....quando mais esse entorno dispersante e superficializante se apodera da nossa rotina, mais valor ganham os momentos em quea gente se dedica a ouvir, simplesmente ouvir, música clássica. Eis um poderoso antídoto anti-dispersante e anti-superficializante, com bons efeitos no cérebro e na alma. O curto vestido vermelho da pianista Yuja Wang
November 08, 2011 06:30 AM PST
Uma questão nada musical causou muito comentário nos meios musicais americanos e internacionais – o vestido curtíssimo e colado no corpo que uma jovem pianista usou em concerto sinfônico. O fato ocorreu no último mês de agosto e deu muito o que falar.
November 08, 2011 06:26 AM PST
Faz muitos anos que a Venezuela é modelo no que diz respeito a educação musical. O projeto conhecido como El Sistema exist edesde os anos 1970 e agora, neste começo de século 21, estabeleceu-se como um modelo mundial de uso da música como ferramenta de integração social. O maestro Gustavo Dudamel é o principal porta-voz do Sistema – tivemos aqui no Rio a chance de conhecer seu trabalho à frente da Orquestra Jovem Simón Bolivar, eles fizeram dois concertos no mês de junho. O mentor e grande líder do Sistema é o maestro José Antonio Abreu, reverenciado no mundo inteiro por ter mudado a vida de centenas de milhares de crianças e adolescentes com o seu método de ensino de instrumentos de orquestra e também canto coral.
November 08, 2011 06:22 AM PST
A Orquestra Filarmônica de Munique, na Alemanha, é um dos inúmeros grupos sinfônicos internacionais que buscam diversificar as maneiras de apresentar seus concertos e a música clássica em geral para a sociedade. Lorin Maazel é o regente-titular e principal presença artística a guiar os caminhos daquela orquestra. O livreto de apresentação da temporada de concertos 2011-2012 dá bem ideia do que os alemães andam fazendo em busca de ampliar o público que atende. O material impressiona tanto pela qualidade de apresentação como pelo enfoque que a orquestra está dando às suas séries de concertos. O folheto traz apenas ofertas musicais para jovens e crianças, tem linguagem verbal e visual toda calcada nessa faixa de público.
November 08, 2011 06:18 AM PST
Atípica pode ser uma boa palavra para definir a temporada 2011 da Orquestra Sinfônica Brasileira com tudo que aconteceu após a decisão de avaliar os músicos do grupo no início do ano e os muitos desdobramentos que ocorreram desde então. Quando, em agosto, a OSB iniciou seus concertos no Theatro Municipal ocorreu algo bastante atípico: o público aplaudiu após a execução do primeiro movimento do concerto para violino de Tchaikovsky, a solista era Lara St. John. E não foram uns poucos aplausos de espectadores que não têm familiaridade com o silêncio entre movimentos....Foi a casa inteira aplaudindo. A execução do concerto de Tchaikosvky foi depois do intervalo, quando já haviam sido tocadas sinfonias de Haydn e Prokofiev e ninguém havia aplaudido entre movimentos. Ou seja, era um público composto em grande número por assinantes, gente que tem costume de ir a concertos e sabe que pausas existem e costumam ser silenciosas. O aplauso foi a expressão de uma incrível emoção que aquele primeiro movimento do concerto de Tchaikovsky evocou ali na hora. Se você conhece a música, sabe que é difícil mesmo não se deixar levar pela emoção expressada naqueles cerca de 20 minutos. Se não conhece e tem acesso à internet, recomendo que você procure ouvir, seja no YouTube ou naquele ótimo serviço gratuito chamado MusicMe. Escolha uma gravação com solista e orquestra bacanas e você vai ver que é complicado resistir à Tchaikovsky. E tem aquela história: música, clássica especialmente, consegue nos levar a um lugar dentro de nós mesmos que outras artes às vezes não chegam. Me perdoem literatura, artes visuais, teatro, mas ler um livro, ver uma escultura ou assistir a uma peça não costuma nos dar acesso tão rápido a esse reservatório emocional interno. Por algum motivo, o público que estava assistindo a OSB e sabe se conter quando a proposta é manter o silêncio não aguentou ali e explodiu em aplausos. Nos movimentos seguintes do mesmo concerto de Tchaikovsky, o silêncio voltou a reinar nas pausas. Eu gostei de ver aquilo acontecer com o público carioca. Me remeteu a um texto escrito pelo crítico americano Alex Ross, uma figura importante da cena internacional, ele é crítico da revista New York e autor de livros, lançados no Brasil inclusive. Em 2010, Alex Ross deu uma palestra na Royal Philharmonic Society, de Londres, justamente sobre a questão do aplauso entre movimentos, se é certo ou errado. Essa palestra dele está disponível na internet, em inglês e émuito interessante mesmo. Ele levanta uma quantidade grande de dados históricos para mostrar que as plaetias de séculos anteriores não só aplaudiam entre os movimentos das músicas, como muitas vezes os compositores escreviam algumas passagens de propósito, sabiam que iam agradar, criando climas que levariam mesmo ao público aplaudir. E se o aplauso não vinha era sinal de problema, o público não tinha gostado. Nessa palestra do Ross, ele pinça um trecho de correspondência de Mozart ao pai, falando da recepção na estreia de sua Sinfonia N. 31 – Paris. Ele menciona uma passagem em determinado movimento: “No meio do alegro tem um apassagem que eu sabia que iria agradar, o público inteiro veio abaixo, muitos aplausos...eu sabia, quando escrevi aquela passagem, o efeito bom que teria. Repeti a passagem no final do movimento e o público gritava: “da cappo!”, queria ouvir de novo”. Alex Ross prossegue no tal texto dizendo que o que acontecia entre o público clássico de outrora é o que continua acontecendo ao público de jazz de hoje. As pessoas aplaudem os solos dos músicos e também aplaudem no fim. E segue ao longo de toda palestra citando exemplos parecidos. Ou seja, os aplausos fora de hora historicamente não são fora de hora. É importante levar isso em consideração. Marin Alsop, o manifesto inglês pela orquestra no século 21 e a Osesp
November 08, 2011 06:09 AM PST
No ano de 2007 um grupo de orquestras britânicas que existem a partir de verbas públicas se reuniu em torno de um manifesto muito interessante chamado “Construindo excelência: orquestras para o século 21”. Oito grupos assinavam esse manifesto: as sinfônicas de Bournemouth, Birmingham e Londres; a Royal Philharmonic e a Royal Liverpool Philharmonic; a Philharmonia, a Hallé e a Sinfônica de Londres. Os signatários eram seus diretores musicais. Naquele período, a americana Marin Alsop estava dirigindo a Sinfônica de Bournemouth e foi, claro, foi uma das líderes do movimento. Marin assume a regência titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp, na temporada 2012. Além de ser uma artista brilhante, ela é uma mulher muito ativa nas ideias e nas realizações. Não me espanta ter havido dedo dela nesse tal manifesto de orquestras britânicas. Mais ou menos na mesma época em que a cena inglesa se mobilizava em torno desse projeto ambicioso que prevê, entre outras coisas, fazer todos os alunos matriculados em escolas na Inglaterra terem a chance de assistir, de graça, pelo menosa um concerto de orquestra sinfônica durante o período escolar, mais ou menos na mesma época desse projeto, aqui no Brasil havia uma mobilização no sentido de criar uma Liga das Orquestras Brasileiras. Se não me engano foi no final de 2006, em novembro ou dezembro. Era mais uma das ideias do maestro John Neschling na gestão da Osesp: seguir o modelo da Liga das Orquestras Americanas e estabelecer no Brasil uma entidade que congregasse os grupos sinfônicos profissionais em torno de objetivos e interesses comuns. Eu participei do seminário, mediei uma das mesas e assisti a todas as discussões. Parecia bem possível que nascesse ali uma nova entidade a reunir as orquestras brasileiras, promover o seu desenvolvimento, lidar com entraves comuns e fazer lobby junto a governos e sociedade pela importância da vida sinfônica de um país. Lamentavelmente, a ideia da Liga Brasileira não seguiu adiante e o grupo mobilizado ali naquele encontro não chegou a caminhar.
November 08, 2011 06:06 AM PST
No Brasil, um tipo corriqueiro de homenagem póstuma é nomear uma rua de acordo com o falecido. Ou então uma escola pública. Mesmo aeroportos, que estão listados em milhares de referencias de viagem ao redor do mundo, podem rapidamente trocar de identidade se o caso for celebrar um brasileiro importante. Não há muitos músicos clássicos dando nomes a ruas, escolas ou aeroportos. Aqui no Rio, tem as ruas Henrique Oswald, em Copacabana, homenageando o compositor; a Maestro Villa-Lobos na Tijuca e em São João do Meriti. Em Pedra de Guaratiba, existe uma rua chamada Bidu Sayao, celebrando nossa maior estrela do canto lírico. Já o compositor Lorenzo Fernandez dá nome a uma rua no bairro de Guadalupe e a uma escola municipal localizada no Tanque. Outros compositores homenageados? Francisco Mignone nomeou um CIEP em Olaria, Guerra-Peixe também é o nome de um CIEP em Petrópolis, sua cidade natal; e em Buzios você pode passar por uma rua chamada Radames Gnattali. E ainda temos os compositores Alberto Nepomuceno e Glauco Velasquez nomeando ruas – Nepomuceno em Ramos e Velasquez no Encantado.
November 08, 2011 05:59 AM PST
O sexo masculino costuma dedicar uma especial atenção ao futebol, seja para torcer, seja para jogar. ...não importa muito a profissão que se tem. Se praticamente todas as categorias profissionais têm lá as suas peladas de futebol, partidas informais em que colegas, chefes e agregados se enfrentam em campo, por que não a música clássica? Afinal de contas, também se trata de um setor em que os trabalhadores são majoritariamente homens.
November 08, 2011 05:52 AM PST
Assim como você, eu gosto bastante de música clássica. Trabalho com isso faz um tanto de tempo e volta e meia me pego pensando na questão da ampliação do acesso aos clássicos. Se você ouve a MEC FM nesse horário de uma da tarde sabe o quanto a questão me mobiliza. Estou sempre aqui dividindo com você e os demais ouvintes considerações a esse respeito.
November 08, 2011 05:49 AM PST
A televisão por assinatura tem uma profusão de programas de gastronomia. De Jamie Olliver a Nigella, de Claude Troisgros a Annabel...a multiplicidade de opções chega a assustar quem ainda guarda fresco na memória o tempo em que os segredos de forno e fogão passavam exclusivamente pela cozinha maravilhosa de Ofélia na TV. Entre esses muitos programas atual de receitas, um me chama atenção pelo viés que segue. É o “Quatro ingredientes”, uma produção australiana estrelada por duas mulheres que se propõem a fazer pratos interessantes, diferentes e rápidos usando apenas quatro elementos ou menos. Esse programa passa no canal GNT da Globosat. O que importa ali não é fazer a redução perfeita de um molho, aprender a desossar um pato, usar em casa técnicas de alta gastronomia. Longe disso. O objetivo é chegar ao melhor resultado com o mínimo de trabalho. Todo mundo que tem rotina apertada, sofre pra dar conta das tarefas diarias e busca uma alimentação de qualidade procura essa fórmula: comida boa, barata e prática. As australianas encontraram um método interessante, usando no máximo quatro ingredientes. E dá pra fazer uma variedade enorme de receitas com quatro ingredientes ou menos. Os muitos episódios desse programa e os vários livros que a dupla já lançou comprovam a longevidade da ideia.
November 08, 2011 05:44 AM PST
A última reforma do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, por ocasião do centenário, deu literalmente um brilho adicional a este que é um dos mais belos prédios públicos do Brasil. Há quem não tenha gostado do novo revestimento das poltronas, reclame do ar condicionado que continua gelando a plateia e fazendo corrente de ar no palco, da fila dos banheiros que segue gigante, mas do restauro de revestimentos e douramentos ninguém pode reclamar. Pelo contrário, há muito a louvar. Depois da reforma, a espera até o concerto começar, os intervalos, a hora da saída e também durante o espetáculo....tudo ganhou um pano de fundo ainda mais especial. Descer as escadarias do balcão para a plateia, seja via escada principal, seja pelas laterais, remete a palácios de contos de fada. É isso que o prédio do Theatro Municipal é: um palácio. A construção não fica nada a dever a residências e locais de trabalho nobres de séculos passados. Os mármores, os ornamentos, os dourados são dignos de um palácio europeu. O mais bacana disso é que o palácio é do povo. Cada vez que desço as escadarias do Municipal ou entro pelo salão Assyrius, lembro de uma organização não governamental da Inglaterra que tem estreita relação com o Brasil e um nome que diz tudo. É a People’s Palace Projects, ONG dirigida por Paul Heritage em Londres com atuação forte em favelas do Rio de Janeiro. People´s Palace em inglês quer dizer Palácio do povo. Essa ONG britânica atua em áreas de vulnerabilidade social valendo-se da arte. Mas o que interessa aqui é apenas o nome da instituição, People’s Palace, o palácio do povo.O nosso Theatro Municipal é um palácio do povo, pois é um equipamento público, gerido pelo governo do estado do Rio de Janeiro. O Municipal é o nosso palácio. Quanto mais cariocas e brasileiros frequentarem o lugar, mais o lugar se torna parte de todos nós. Existe uma questão importante nisso que é a própria grandiosidade da construção ter um que de opressão, de constrangimento. Muita gente não deve se animar a ir ao Municipal por conta de roupa ou de não se sentir á vontade. Só que uma das regras atuais do mundo do patrocínio cultural, música clássica inclusive, são as contrapartidas sociais. É muito comum que patrocinadores de concertos exijam de seus patrocinados a destinação de uma quantidade gratuita de ingressos para projetos sociais que ensinam música, por exemplo. Ou então para escolas da rede pública. É maravilhoso ver aqueles garotos e garotas tomando posse do palácio, sentindo que aquele espaço tão sofisticado na arquitetura também é seu, aquela sofisticação toda também pode ser sua . Tenho uma amiga que deu aula de canto em projeto social na zona norte do Rio, em uma área de baixíssimo IDH. Ela conseguia ingressos para levar grupos de alunos a concertos que podem custar centenas de reais para entrar. O organizador do evento fornecia os bilhetes como contrapartida social, ela conseguiu um apoio para transporte e fazia a cabeça da garotada para não se intimidar com aquele ambiente chique e com pessoas bem vestidas já que o cotidiano deles era de miséria. O discurso dela era mais ou menos assim: “O Theatro Municipal é de vocês, é de todos nós. Sintam-se em casa, fiquem à vontade”. Nos dias que antecediam o concerto, ela explicava o repertório e os familiarizava com os artistas. Muitos alunos relutavam em ir por conta de roupa e ela também os estimulava a não dar peso excessivo a essa questão. Pois não teve um dia em que minha amiga estava chegando com o grupo de alunos e subindo para a galeria quando ouviu de uma frequentadora deselegante e preconceituosa a seguinte frase: “Abriram a porta do zoológico hoje”. Imagina o impacto dessa frase estupida na cabeça e no coração daquela meninada que pisava pela primeira vez no Municipal. Pensamentos preconceituosos como este estão com os dias contados: o palácio é mesmo do povo – para sorte de todos nós. Athina O. e sua plataforma de entretenimento: sair do nicho é chegar a mais gente
November 08, 2011 05:40 AM PST
Já faz uns anos que o Rio de Janeiro sedia uma prova esportiva de vulto, o Athina Onassis Horse Show. Trata-se de uma competição internacional de hipismo, com premiação de um milhão de euros. As provas acontecem na Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa. Participam grandes nomes do hipismo mundial, incluindo a própria Athina que, como sabemos, tem uma ligação especial com o Brasil por ser casada com o cavaleiro Dóda Miranda. Me chamou atenção o material promocional do torneio 2011, divulgado em anúncios, nos galhardetes espalhados pelas ruas, no site oficial. Primeiro, o nome do evento Athina Onassis Horse Show e depois as palavras HIPISMO, MUSICA, MODA e GASTRONOMIA. As quatro palavras com o mesmo peso gráfico, as letras do mesmo tamanho, sem destaque especial para nenhuma delas. Note bem que trata-se de um evento de HIPISMO, é uma competição internacional com prêmios e custo de realização bastante altos. Mas é apresentado como um evento de múltiplas facetas, onde a música, a moda e a gastronomia têm o mesmo peso que o hipismo. A primeira placa que vi na rua me fez pensar que tipo de música estaria associada ao Hipismo e como um torneio de saltos e adestramento de cavalos se relacionaria com o mundo da gastronomia. Também fiquei curiosa para saber como a moda estaria integrada ao universo dos cavaleiros. Fui logo conferir o site e, em uma das primeiras telas, estava lá escrito “Athina Onassis Horse Show, a plataforma de entretenimento que une hipismo, moda, música e gastronomia.” Pois no dia em que eu gravei esse comentário estávamos na semana de realização da competição e praticamente tudo no site girava em torno do hipismo. Havia uma menção ao estilista Renato Almeida por ter criado produtos promocionais e também menção a um restaurante carioca montado dentro da Hípica durante o evento. Pelo Facebook, fiquei sabendo que um centro de compras multimarcas também seria montado.
Essa questão de expandir além do nicho e buscar elementos que promovam um mix de atrações me remeteu à música clássica. Claro que não vamos pensar aqui em montar tenda de compras multimarcas no hall Theatro Municipal, mas a gastronomia poderia ser melhor aproveitada nos eventos de música clássica já que temos intervalos no espetáculo. E também o mundo do vinho poderia estar mais próximo. Por que não um grande evento de música clássica voltado para gourmets e sommeliers? E que tal ver músicos clássicos tocando ao vivo em desfiles de moda ou mesmo um criador clássico inspirar uma coleção de estilista contemporâneo? Uma plataforma de entretenimento assim não faria mal ao universo dos clássicos. Quando uma orquestra se torna modelo de gestão corporativa
November 08, 2011 05:25 AM PST
A Orquestra de Câmara de Bremen tem um trabalho relevante naquela cidade alemã – em agosto de 2011, o Rio tem a chance de ouvir os músicos, que tocam por aqui trazidos pela Dell´Arte – mas tem também um projeto em área que poucos no mundo dos clássicos entram. Desde 2003, Orquestra tem um programa chamado “Modelo de 5 segundos” voltado para gestão de negócios. Foi desenvolvido com um especialista no mundo corporativo e apresenta cinco áreas de tensão em empresas, criando relação com os intervalos musicais e como eles têm efeito com o sucesso das relações, seja na música, seja na empresa. A partir das tais 5 áreas de tensão, o programa apresenta dez conceitos que devem ser aplicados nas empresas. O site da orquestra diz que o próprio grupo implementou esse programa internamente, para render melhor, e oferece o serviço para o mercado. O slogam desse programa é “Aprendar pelo outro lado”, no caso, o lado do mundo sinfônico. Há um livro editado sobre o assunto, em alemão, chamado “A alta gestão precisa de dissonância”. O livro foi lançado em 2010. Esse programa me lembrou o trabalho do maestro inglês Benjamin Zander, que é o regente principal da Filarmônica de Boston, nos Estados Unidos, mas que passa a maior parte do tempo dando palestras para o mundo corporativo em vários países. Conheço duas pessoas que já assistiram Bem Zander palestrando em convenções das empresas em que trabalham – ambos saíram eletrizados da palestra e , claro, compraram o livro dele vendido após a palestra. Eu já assisti a uma palestra dele no site do TED, aquela organização que promove conferências em diversos locais do mundo. Basta digitar no google “Benjamin Zander” e depois TED (soletrar). No dia em que gravei esse comentário fui lá na página deles pra ver se a palestra ainda estava no ar para poder recomendar para você e vi que já tinha sido vista de 1 milhão e meio de vezes. Para você ver que o regente é um palestrante e showman nato. Aqui no Brasil, eu lembro de, épocas atrás, saber que o maestro Diogo Pacheco fazia palestras em empresas usando a orquestra como exemplo e modelo possível para o mundo dos negócios. Diogo ficou conhecido do grande público no Brasil quando, nos anos 90, apresentou na TV Globo um programa de concertos de música clássica, lamentavelmente há muito fora da grade de programação da emissora. O mundo sinfônico tem mesmo muito a ensinar ao mundo corporativo, seja na maneira como resolve suas dissonâncias internas e tensões, seja como modelo de resultado de equipes , seus processos e bastidores. Fauxharmonic Orchestra, um projeto digital típico do século 21
November 08, 2011 05:20 AM PST
Os tempos digitais reservam ainda muitas surpresas, especialmente para nós que nascemos e fomos criados nos tempos analógicos. Tomei conhecimento faz pouco tempo de um serviço curioso chamado Fauxharmonic Orchestra. É um trocadilho entre a palavra Philaharmonic, Fialrmônica, de Orquestra Filarmônica, com o termo francês FAUX, que quer dizer falso. Então, Fauxharmonic nada mais é do que uma orquestra falsa. Bem, falsa em termos, pois a estrutura sonoraé de orquestra mesmo, mas o som é totalmente criado no mundo digital. Não há músicos tocando, mas sim uma coleção de sons digitais cuidadosamente produzidos para soar o mais próximo possível do som humano. Ah, sim, importante dizer: a Fauxharmonic não é um grupo musical, uma orquestra, mas sim um serviço voltado basicamente a compositores que querem ou precisam ter suas criações gravadas mas não querem ou não têm verba para contratar uma orquestra real. Ou então no caso de trilhas de videogame, que fica não tem orçamento para contratar músicos de verdade para gravar. É um serviço típico desse começo de século 21. A Fauxharmonic começou suas atividades em 2003 e tem seus quadros compostos por compositores, regentes e músicos de orquestra que foram qualificados para tocar no mundo real e ao mesmo tempo tem experiência com tecnologia digital. Eles levam sua experiência do mundo real e seu conhecimento dos sons não-humanos para o ambiente digital, de forma a criar os sons mais parecidos possíveis com a orquestra de verdade. O site fauxharmonic.com (soletrar) tem umas amostras de música: orquestra completa, concerto com solista, música de câmara, instrumento solo. Eu escutei lá um trecho do prelúdio da “Suite N.1” para violoncelo solo de Bach e a coisa é realmente bem próxima do real. Eu sabia que eram todos sons digitais e ouço muita música, digamos, humana, mas para quem não tem tanta milhagem em música clássica poderia mesmo jurar que é um violoncelista tocando. É interessante um dos aspectos que o povo da Fauxharmonic julga ponto alto do seu negócio: é a possibilidade de compositores mostrarem de maneira melhor e mais rápida as suas obras para programadores musicais de orquestras ou para grupos de câmara. Em vez de mandar a partitura e esperar que a direção artística separe um tempo que pode ser grande para ler e ouvir a musica no ouvido interno, o compositor pode encomendar que a Fauxharmonic toque seu trabalho, gerando um arquivo de áudio que é muito mais fácil e rápido para ser ouvido e avaliado. O site tem inclusive depoimento de compositor que fez isso e conseguiu emplacar sua música na programação de uma orquestra americana. Tem lá uma tabela aproximada de custos que aponta o custo de 4 mil dólares para a Fauxharmonic entregar o áudio completa da sua msuica orquestral, mas não fica claro qual a orquestração e quanto tempo de música custam esse preço. Um outro serviço típico dos tempos digitais queeles oferecem é o “Mistake Killer” (“Exterminador de erros”). O compositor pode mandar a gravação original de uma música que tenha tido algum erro, como o trompete que entrou no momento errado por exemplo, e o povo da Fauxharmonic corrige isso e otras cositas mas, como notas erradas, tosse do público. É um serviço pra profissionais, mas pode ser interessante você dar uma olhada na coisa. Vou repetir o endereço. Fauxharmonic. com (soletrar) A bela trajetória da Orquestra Juvenil da Bahia e do projeto Neojibá
November 08, 2011 05:15 AM PST
Um dos grupos artísticos brasileiros que tem crescido e trilhado um caminho de muita consistência é a Orquestra Sinfônica Juvenil da Bahia, fruto de um importante projeto social de ensino de instrumentos chamado Neojibá – essa palavra Neojibá é uma sigla formada a partir do nome: Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia. É um projeto que começou em 2007, liderado pelo ótimo pianista baiano Ricardo Castro, que ficou muito tempo afastado do cotidiano musical do país por morar na Europa. O Neojibá é parceiro do Sistema da Venzuela e aplica aqui no Brasil, especificamente na Bahia, o método bem-sucedido de inserção social pelo ensino de instrumentos de orquestra. Essa orquestra juvenil começou a se apresentar fora da Bahia – eles tocaram no Festival de Campos do Jordão 2010 – e já tem concertos internacionais na bagagem. Participaram de um festival dedicado ao Brasil no Barbican Center de Londres, foram o grupo escolhido pelo superstar do piano, o chinês Lang-Lang, para um concerto que apresenta jovens talentos mundiais e, mais recente, uma turnê pela Alemanha e Suíça participando de festivais de música. Nesses espetáculos internacionais, o grupo dirigido por Ricardo Castro usa nome em inglês Youth Orchestra of Bahia e sempre toca música de compositores clássicos nacionais, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez. Na turnê de festivais, eles programaram a estreia de uma obra do compositor contemporâneo baiano Wellington Gomes. Não foi à toa que o jornal inglês “Sunday Times” classificou o grupo como “orgulho do Brasil”. Dá mesmo uma alegria imensa ver os meninos e meninas da Bahia brilhando além-mar. Outro grupo artístico jovem que tem feito bonito, muito bonito é a Sinfônica Heliópolis, em São Paulo, também fruto de projeto social de construção de cidadania via ensino de instrumentos de orquestra. Muito tempo antes da Bahia, em São Paulo o projeto fundado e dirigido pelo Instituto Bacarelli na favela de Heliópolis tem construído uma linda história de resultados sociais e musicais. A motivação inicial foi na década de 90, quando um incêndio de grandes proporções causou grande destruição na comunidade. A inspiração do maestro Silvio Bacarelli, iniciador do projeto, também veio da Venezuela, mas sem vínculos oficiais como na Bahia. Bastaram alguns anos para muitos talentos musicais surgirem em Heliópolis ou se dirigirem a Heliópolis para estudar. A orquestra ficou bons anos sob ocomando do maestro Roberto Tibiriçá, que já tinha dirigido aqui no Rio tanto a Orquestra Sinfônica Brasileira como a Petrobras Sinfônica. Tibiriçá fez um trabalho importantíssimo lá – o grupo chegou a fazer uma turnê na Europa, tocando no prestigiado Festival Beethoven, em Bonn, cidade natal do compositor. Hoje, a direção artística da Sinfônica Heliópolis é de Isaac Karabtchevsky. Os grupos artísticos advindos de projetos sociais têm uma energia bem diferente da encontrada no circuito sinfônico regular. São garotos e garotas que encontraram na música um horizonte novo e ampliado para a vida, têm fogo de aprender, têm determinação e garra para ir além e vencer. Claro, são jovens músicos ainda em formação, ainda estão construindo sua sonoridade e sua técnica. Quando um desses grupos vier tocar no Rio – a Sinfônica Heliópolis e a Orquestra Juvenil da Bahia – você tem que estar lá para assistir. A revista Agenda VivaMúsica!, que eu publico e edito, certamente vai alertar. Hahn-Bin, o violinista ousado que se expressa pelo violino e pelas polêmicas
November 08, 2011 05:11 AM PST
Você já ouviu falar de um violinista novo chamado Hahn-Bin (soletrar)? Ele é coreano, tem 23 anos, mora nos EUA. Bem, a pergunta certa a fazer é “você já viu uma imagem de Hahn-Bin”? Trata-se de um artista de grande talento musical, ele se lançou sob os auspícios de seu professor, o lendário Itzhak Perlman e avalizado por outra lenda do instrumento, Isaac Stern, mas, principalmente, é um músico que se expressa não só pelos sons que saem de seu violino. Ele é um performer, alguém que se vale de elementos visuais, gestuais, cênicos. Começando pelo jeito como se arruma e as roupas que veste: ele compõe um visual que causa muito impacto. Suas feições são orientais, ele usa cabelo tipo moicano, que é aquele raspado dos lados e com um topete tipo crina de cavalo. Visualizou o cabelo? Agora, vamos pegar uns elementos a la Lady Gaga, a cantora pop, e contextualizar para o caso de Hahn-Bin. Assim como Lady Gaga, ele gosta de uma maquiagem pesada, roupas extravagantes e adereços estranhos, tipo máscaras no estilo do Carnaval de Veneza. Tem um víde no YouTube muito interessante apresentando o Hahn-Bin. Digite“Classic Young Stars” e depois “Hahn-Bin”. Nesse vídeo, ele conta uma história, de quando, ainda na adolescência, se mudou para Nova York pra estudar e foi pela primeira vez ao Carnegie Hall, aos concertos do Lincoln Center, e algo de cara lhe chamou atenção: quase metade dos espectadores dormia em algum momento do concerto. Ele se diz “São os minutos de sono mais caros do mundo: pagar cem dólares pra tirar uma soneca durante o concerto”. E Hahn-Bin continua dizendo o seguinte: “Essa é a realidade em muitas salas nos Estados Unidos, o público parece não estar lá para ter uma experiência plena e assistir a uma performance. Os artistas têm uma grande responsabilidade ao subir ao palco e muitas vezes não se dão conta que responsáveis são pelo público, que saiu de casa para só para assistir”. E o violinista coreano continua essa linha de raciocínio... “Sinto o peso da responsabilidade de transmitir ao público algo que os mova, que chegue ao coração, e também de apresentar um performance que os solicite e os faça questionar aspectos da vida. É isso que um artista faz, cria um espaço onde o público possa viver experiências durante uma hora e meia e depois levar consigo. Costumo dizer que minha arte é como o leite: o público pode transformar ela em iogurte ou queijo. Sempre penso no meu público como metade da minha performance. Somos verdadeiros parceiros”. E finalmente o que Hahn-Bin diz de sua aparência extravagante. “O que aparece no meu exterior é reflexo do que tenho por dentro. Não é apenas uma escolha do que vestir, é a expressão de quem eu sou.”. Gostei da atitude e do som de Hahn-Bin e consegui compreender uma das imagens que este vídeo mostra: o violinista tocando deitado no chão, de decúbito dorsal no palco, na frente do pianista que o acompanhava . Imagem estranhíssima, mas que me pareceu inserida em um contexto de performance possível. Vai saber como ele consegue manter os movimentos do arco e das mãos naquela posição, pelo jeito, ele deve treinar à beça essas tiradas cênicas. Ele é um artista que parece mesmo ter algo a acrescentar no mundo dos clássicos. Claro que se trata de um jovem que deve ter problemas para lidar com tanta exposição. Ele fez a bobagem de postar no Twitter a seguinte frase: “Sou o Viagra da música clássica e a aspirina da cultura pop”. E também já esqueceu em um táxi um de seus preciosos instrumentos, avaliado em 500 mil dólares. Mas, mesmo assim, temos aí um artista em quem vale prestar atenção. As iniciativas da Deutsche Grammophon para novos públicos
November 08, 2011 05:06 AM PST
Faz mais ou menos dez anos, talvez onze, acho que foi em 2000, que a gravadora alemã Deutsche Grammophon começou a efetivamente investir em uma linguagem diferente para apresentar seu catálogo de música clássica a novos consumidores. Um amigo meu trabalha lá desde esta época e acabei tendo algumas informações interessantes sobre aquele momento em que a companhia começou a direcionar esforços no sentido de se renovar. Talvez tenha tido a ver com a virada do milênio, talvez tenha sido mesmo a questão das vendas nada aquecidas, tanto de catálogo regular como de novos artistas. Era preciso adaptar a comunicação da música clássica à realidade daqueles que fazem a roda da indústria fonográfica girar: os jovens. Pois a Deutsche Grammophon, que praticamente só trabalha com música clássica há mais de 100 anos, percebeu que ou passava a falar a língua dos mais jovens ou estaria fadada a encerrar atividades em mais algumas décadas. Hoje a gente vê que essa proposta, na época aparentemente super radical, não apenas deu certo como entrou pro DNA da companhia. Naquele início de novo milênio, lembro do meu amigo contando que a companhia estava muito, muito interessada em estabelecer novos parâmetros de comunicação de música clássica com a juventude. Um belo dia, bateu na porta lá da gravadora um jovem estudante de design apresentando um trabalho que ele havia feito para a faculdade em que pegava nomes de músicas clássicas famosas e associava a fotografias inusitadas. Para “O lago dos cisnes”, o balé de Tchaikosvky, o tal estudante associou a uma imagem de punks com cabelo moicano molhados , brincando em uma fonte de parque público. A gravadora acabou comprando o trabalho desse estudante e usando como campanha publicitária. E, desde então, essa é a empresa no mundo que mais tem feito para trazer ar fresco ao artístico e ao marketing dos clássicos. Uma espécie de Aggiornamento, termo em italiano que quer dizer “atualização” e foi para sempre associado ao Concílio Vaticano II, convocado por João 23. Esse papa chegou a dizer que a ideia era trazer “ar fresco” para a Igreja. Acho que o posicionamento da Deutsche Grammophon é justo esse do ar fresco, do aggiornamento. Das iniciativas recentes da gravadora alemã, duas me chamaram especial atenção, acho que uma delas eu até já comentei aqui. Foi uma edição honrando o centenário de morte do compositor Gustav Mahler. Achei genial a maneira que a compilação de Mahler foi feita: a gravadora recebeu sugestões pela internet para compor o repertório. Se os tempos atuais possibilitam que todos tenhamos voz, seja nos comentários nos sites, nas redes sociais, até na TV o povo manda víde dizendo o que acha do futebol que está sendo jogado, claro que se tinha que dar voz também aos amantes de Mahler para que eles escolhessem obras e gravações que melhor representassem a genialidade do compositor. A outra iniciativa recente tem a ver com Liszt. Dia desses, chegou pelo correio um CD que esse meu amigo, hoje chefão na Deutsche Grammophon, mandou celebrando o bicentenário de nascimento de Liszt. Tomei até um susto quando tirei o CD duplo do envelope. Uma capa coloridíssima, remetendo à ´pop art e o título “Franz Liszt Super star”. Superstar é mesmo uma qualificação bem pertinente no caso. E mais uma do Aggiornamento da gravadora alemã a respeito de Liszt. Dá uma olhada no site liszt200(numeral, 2.0.0).com, que também celebra o bicentenário do compositor em CD-duplo. O slogan dessa coletânea está em inglês, WILD AND CRAZY, selvagem e alucinado. Pior é que Liszt alucinou mesmo, no melhor sentido do termo, vezes em sua criação no piano. Mas ai de quem, duas ou três décadas atrás, ousasse aproximar um grande mestre da música de conceitos assim. Ainda bem que o tempo do ar fresco chegou. Ouvir rádio é sentir junto, ao mesmo tempo, mas com sensações diferentes
November 08, 2011 04:56 AM PST
Quando a gente está ouvindo rádio claro que sabe que está ouvindo a mesma coisa que dezenas, centenas de milhares de outras pessoas. Muitas vezes temos a sensação de que aquela música ou aquele comentário foi especialmente para nós, mas, claro, a priori se sabe que é um veículo de comunicação de massa voltado para uma grande e heterogênea audiência. Mesmo uma emissora segmentada como a MEC FM, que não está, e nem é para estar, no topo do ranking de audiência, tem milhares e milhares de pessoas a cada minuto acompanhando a transmissão. Os ouvintes muitas vezes não se dão conta disso e nós que trabalhamos em rádio ás vezes também podemos perder esse horizonte de audiência, que é muito mais amplo do que supõe nossa vã filosofia. Pois, dia desses, me aconteceu algo em uma corrida de táxi que remeteu imediatamente à questão. Quando entrei no carro, o motorista estava sintonizado na Band News FM. Era de manhã, horário em que o jornalista Ricardo Boechat comanda um programa de grande sucessp. Um dos parceiros de Boechat no programa é o colunista José Simão – se você já ouviu o Simão sabe que ele tem uma capacidade aparentemente inesgotável de tiradas engraçadas, piadas, é um dos sujeitos mais bem-humorados do país, pelo menos publicamente. O táxi estava em uma rua de grande movimento, dessas que tem várias pistas. Lá pelas tantas, José Simão soltou uma piada muito inusitada e engraçada. Segundos antes da tal piada, eu tinha olhado pro lado e visto que, na pista ao lado, um pouco atrás de nós, um outro taxista estava sem passageiro e parecia ouvir com atenção o rádio. No mesmo momento em que o motorista e eu soltamos o riso com a piada escrachada do Simão, o taxista do lado fez o mesmo. Claro, ele estava ouvindo a mesma coisa que nós. Éramos muitas dezenas de milhares pessoas no Rio, centenas de milhares se for o caso de considerar a rede nacional em que aquele programa vai ao ar, que estávamos rindo da mesma coisa, na mesma hora. Os tempos de extrema individualização do consumo – o meu toque de celular é diferente do seu, o seu notebook tem uma capa que o meu não tem, o seu Facebook mostra coisas que o meu não mostra, é o seu nome que aparece no caixa do supermercado quando digita seu código – nestes tempos de eu, eu, eu, eu é fácil se esquecer do todos nós, daquilo que fazemos e sentimos todos juntos ao mesmo tempo. Essa história da piada no rádio que provoca reação imediata igualzinha em milhares de pessoas ao mesmo tempo me fez pensar a respeito da audição de música clássica e da nossa MEC FM, so que ao contrário. Ao contrário do José Simão, que faz os brasileiros rirem em uníssono porque compreenderam a graça da coisa, e essa graça é uma só, aqui na MEC FM a rádio oferece uma música e tem milhares de resultados diferentes. Quantas pessoas de perfis distintos, jeitos de pensar diferentes, expectativas outras, cada qual em seu momento de vida...esse número grande de indivíduos diferentes está sintonizado conosco agora e, daqui a pouco, vamos todos ouvir a mesma música anunciada pelo locutor. Em cada um de nós a música vai dizer algo diferente, gerar conexões individuais , eventualmente rememorar passagens significativas da nossa vida em que aquela música ou aquele compositor estiveram presentes. São reações individualíssimas provocadas por um meio de comunicação de massa. Nesse sentido, é reconfortante saber que quatro séculos de história musical estão, mais que nunca, afinados com as experiências customizadas dos dias de hoje. Diálogo com outras artes: clássicos & moda no projeto The Nouveau Classical (Nova York)
November 08, 2011 04:31 AM PST
Uma dos objetivos do Anuário VivaMúsica!, livro que eu organizo e edito faz tempo, é promover a reflexão e a discussão de temas que dizem respeito ao cotidiano dos que trabalham no setor de música clássica do Brasil. Por isso o livro é chamado “guia de negócios”, porque reúne dados atualizados de pessoas e organizações, fomentando contatos entre elas e, consequentemente, negócios, e também porque propõe temas para discutir o negócio dos clássicos. A reportagem especial de 2011 diz respeito a projetos internacionais inovadores na apresentação do universo de concertos para os jovens. Meu objetivo foi compilar um número significativo de exemplos de forma a estimular que nós aqui no Brasil também nos animemos a realizar eventos de música clássica que sejam mais atraentes para a juventude. Reuni projetos organizados por orquestras em diversos países, por músicos, por casas noturnas e também identifiquei um projeto diferente que promove diálogo da música clássica com outras artes na cidade de Nova York. É dele que vou falar hoje. Esse projeto americano se chama The Nouveau Classical, meio francês meio inglês, que promove o dialogo entre o universo de concertos e o mundo da moda. Quem conduz é uma moça de 28 anos chamada Sugar Vendil. Ela é pianista clássica e sempre se interessou por moda. A partir de 2008, ela conseguiu começar a realizar a ideia de promover encontro desses dois mundos. A ideia foi fazer recitais de câmara em que os músicos vestem coleções de jovens estilistas em locais diferenciados como galerias de arte. Cada concerto segue um conceito, que orienta tanto a escolha de repertório como de figurino. Já houve edições com os temas “Forma e figura” ou então “Visões”. O tipo de público que frequenta os recitais do Nouveau Classical vem da área de moda e design, é um nicho bem específico e que sabe valorizar aquele tipo de diálogo artístico. Eu conversei com a organizadora dessa série para o Anuário e ela confirmou que o objetivo era mesmo apresentar alguma coisa diferente e para um público em especial, no caso, o pessoal da moda. É uma maneira dos estilistas e demais envolvidos com o setor fashion travarem contato com a música clássica executada ao vivo em um ambiente com elementos bem familiares. Eu não cheguei a assistir nenhuma apresentação, mas vi muitas fotos dos recitais. Pra quem está distante do mundo da moda parece um pouco curioso as musicistas tocarem de chapéu ou outros adereços na cabeça, usando vestidos de concepção ousada....mas isso deve ser ótimo de ver pra quem é da moda, sem contar que os músicos são de boa qualidade e a música que está sendo tocada tem boa interpretação. The Nouveau Classical tem tido de três a quatro eventos por ano, cerca de um mês antes do recital é organizada uma festa para levantar fundos. Bem interessante esse clima festivo do projeto de Sugar Vendil.
November 08, 2011 04:27 AM PST
Se fosse para eleger a cidade do mundo que mais tem colaborado para que a música clássica ocupe um lugar de destaque na rotina de entretenimento dos jovens, essa cidade, sem dúvidas, é Londres. A capital da Inglaterra tem dado um banho também nisso. São muitas as opções que o circuito noturno de Londres oferece para juventude que quer ouvir música clássica e conhecer mais de perto esse universo sonoro, mas não se sente atraída pelo formato tradicional de concertos. Um dos projetos em curso por lá está na reportagem especial que o Anuário VivaMúsica! publica na edição 2011. Tem uma cobertura grande, cerca de 30 páginas, reunindo iniciativas internacionais que já consolidam formatos novos. A série de que vou falar hoje acontece em um lendário clube de rock. Isso mesmo, o The 100 Club de Londres é um palco lendário do rock há muitas décadas. Dois anos atrás, surgiu a proposta de organizar recitais de câmara no 100 Club. A série se chama Limelight e tem acontecido mensalmente. A boa notícia é que os londrinos gostaram da ideia e estão lotando a casa, com capacidade para 350 pessoas. Pensa bem: 350 pessoas assistindo a música de câmara é um ótimo número no circuito tradicional clássico de qualquer cidade no mundo. Conversa com os organizadores de recitais aqui no Rio e você vai ver como não é simples atrair 350 espectadores, mesmo quando a entrada é gratuita. No caso do palco roqueiro londrino, o ingresso pra entrar custa o equivalente a 27 reais, estudantes têm desconto. O público fica sentado em mesinhas, como em um café.
encorajados a dialogar com a plateia. Quem teve a ideia de fazer essa noite dedicada aos clássicos foi a dupla Milly Olykan e Emily Freeman. Ouve só o que elas têm a dizer: “Sentíamos falta de eventos de música clássica, em Londres, que tivessem a cara dos jovens. Muitas pessoas acham que os concertos de música clássica não são confortáveis. Você é olhado com raiva quando se levanta de seu assento, não sabe qual o momento certo para aplaudir e está completamen¬te separado dos artistas no palco.
Você encontra mais informações sobre a série Limelight no The 100 Club de Londres Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens. Casas noturnas recebem clássicos: a ousadia do Le Poisson Rouge (Nova York)
November 08, 2011 04:21 AM PST
O Anuário VivaMúsica! 2011 dedica uma ampla reportagem para tratar de assunto importante na cena clássica brasileira e mundial: a conquista de novas plateias para os clássicos por meio de formatos diferenciados do concerto tradicional. Estamos falando aqui basicamente de eventos pensados para público jovem que não frequenta os eventos regulares do circuito clássico. Há muitas maneiras de organizar eventos atraentes para a juventude, mantendo o foco sempre no repertório clássico, sem interferência de outros gêneros musicais. Há cada vez um número maior de pessoas e instituições no mundo oferecendo alternativas. Eu tive então a ideia de juntar 13 projetos internacionais bem-sucedidos para compor um panorama de iniciativas inovadoras que possam vir a inspirar profissionais brasileiros a seguir caminho semelhante. Hoje vou falar um pouco sobre uma experiência muito bem sucedida de levar música clássica para o circuito de shows noturnos de Nova York. Uma casa de shows chamada Le Poisson Rouge, que fica no Greenwich Village nova-iorquino, e, com apenas três anos de atividades, consolidou um novo tipo de palco para os clássicos. Já falei do Poisson Rouge aqui nesse espaço da MEC FM e já falei também de um curador musical chamado Ronen Givony, que é diretor de programação clássica do Poisson Rouge. Dessa vez, vou abordar assuntos que conversamos na entrevista para o Anuário VivaMúsica! 2011, dentro desse recorte dos projetos internacionais inovadores. A proposta do Le Poisson Rouge é ser um cabaré de arte. Ele é uma casa noturna que apresenta dois shows por noite, sete dias por semana (seguindo o ritmo frenético de Nova York), cobre variados gêneros musicais, sendo que os clássicos ocupam um lugar privilegiado na programação. A casa tem uma galeria de arte, os espaços são todos em um subsolo da famosa Bleecker Street no Village. Givony me contou ter sido o primeiro funcionário contratado da equipe da casa, equipe bem jovem – o mais velho tem 37 anos de idade. Quando a casa inaugurou, logo no segundo dia de funcionamento houve uma apresentação das “Variações Goldberg”, de Bach. Os donos são músicos clássicos e abriram a casa também com o objetivo de criar um novo lugar pra cultura de concertos ocupar. David Handler é violinista e Justin Kan¬tor é violoncelista. Uma das perguntas que fiz a Ronen Givony nessa entrevista foi “Que tipo de experiência diferen¬ciada o Le Poisson Rouge ofere¬ce aos músicos e ao público?”. A resposta: “Muito da experiência que propor¬cionamos aos músicos vem de uma sensação de David e Justin como artistas clássicos. Eles se ressentem de uma espécie de “parede invisível” que existe nas salas de concerto, separando intérpretes do público. Aqui procuramos en¬fatizar a informalidade. O artista tem liberdade para montar o palco como desejar, distribuir o progra¬ma da noite se quiser. Caso deseje colocar o piano no meio do salão, também é possível. Artistas como Hilary Hahn, que toca nas melho¬res salas de concerto do mundo, com as melhores orquestras do mundo, chegam aqui e, com dez minutos de apresentação, sentem que aquela tal parede invisível não existe e que o ambiente é bem diferente. Nosso público respeita a música.” Você encontra mais informações sobre a casa noturna Le Poisson Rouge, de Nova York, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens. Casas noturnas recebem clássicos: festa Yellow Lounge, na Alemanha
November 08, 2011 04:17 AM PST
A Alemanha tem sido um país a abrigar muitas novidades na área da música clássica, uma delas é a festa Yellow Lounge, que acontece em casas noturnas de diversas cidades. Já falei aqui nesse espaço da MEC FM sobre o Yellow Lounge, que é organizado pela tradicional gravadora Deutsche Grammophon. Volto ao assunto agora por outra abordagem, pois esse projeto é um dos que foi coberto por uma ampla reportagem do Anuário VivaMúsica! 2011 que trata de formatos diferenciados pra apresentar música clássica para os que não frequentam circuito de concertos, especialmente os mais jovens. Eu organizei essa reportagem e tive a chance de conversar com os principais organizadores destes projetos internacionais. Um deles foi o violinista e DJ David Canisius, justo da festa Yellow Lounge, som sede em Berlim. A festa começou em 2001 e desde 2003 conta com Canisius na direção musical e discotegam da noite. O Yellow Lounge tem entre oito e doze edições por ano, o que significa que o DJ Canisius continua se dedicando ao mundo das orquestras, pois é possível conciliar as duas atividades. A festa é promovida pela Deutsche Grammophon em casas noturnas badaladas de Berlim e outras cidades na Alemanha, já tendo sido organizada em locais ao ar livre, dentro da programação de festivais e outros eventos. Os artistas são sempre estrelas da gravadora, gente como a pianista Hélène Grimaud, a violinista Anne-Sophie Mutter, o contratenor Andreas Scholl, artistas graúdos, que frequentam as melhores salas de concerto do mundo e apresentam-se com as melhores orquestras, esse pessoal topa fazer uma apresentação de 30 minutos em uma casa noturna porque compreende a necessidade de consolidar esses formatos alternativos para ampliar as plateias dos clássicos. Tema discotecagem, tem os mini-recitais e tem projeções de videoarte. Esse é o tripé que faz o sucesso do Yellow Lounge há dez anos. Uma das perguntas que fiz a ele foi se há preconceito na Alemanha contra música clássica em casas noturnas. Ouve só a resposta de David Canisius: “Não há pre¬conceito algum. Músicos e público compreendem a validade de even¬tos assim. Talvez haja preconceito entre os “usuários mais arraigados”, aqueles que precisam de um ingres¬so, das suas poltronas no teatro, que desejam silêncio entre os movimen¬tos das músicas e não querem saber de DJs. Entretanto, nosso projeto não é para este tipo de pessoa. Para elas, existe o circuito tradicional de concertos. Não queremos destruir ou descartar a experiência do con¬certo, mas, sim, oferecer algo para aqueles que consomem cultura e sa¬bem quem são Damien Hirst (artista plástico britânico) e Robert Wilson (encenador americano), mas nunca foram à Filarmônica de Berlim. O Yellow Lounge torna a música clás¬sica algo cool.” Você encontra mais informações sobre a festa Yellow Lounge, organizada pela gravadora Deutsche Grammophon, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens. Casas noturnas recebem clássicos: festa Le Classique Abstrait, de Raphael Marionneau (Hamburgo)
November 08, 2011 04:12 AM PST
Hoje vou falar sobre um dos projetos da reportagem especial do Anuário VivaMúsica! 2011, livro que eu organizo e edito faz algum tempo. A proposta do Anuário tem sido compilar dados de contato do meio clássico brasileiro, dados de pessoas e organizações em diferentes frentes de atividade, e também estimular a reflexão sobre questões que dizem respeito ao aspecto profissional da música de concerto no Brasil. Justamente aí que entram as reportagens especiais. Tenho procurado abordar temas que estejam ou venham a estar próximos do dia a dia dos profissionais do setor, como foi a reportagem especial de 2010 sobre volta do ensino de música na educação básica brasileira ou o dossiê sobre composição brasileira dois anos atrás. O tema da reportagem especial do Anuário 2011 é “Concertos para juventude versão 2.0”. Compilei 13 projetos internacionais inovadores no sentido de apresentar música clássica em formatos atraentes para a juventude. Tenho falado aqui nesse espaço na MEC FM sobre cada um deles. Hoje, você vai conhecer um pouco da festa Le Classique Abstrait, organizada pelo DJ Raphael Marionneau em Hamburgo, Alemanha. Marionneau é um francês de cerca de 40 anos de idade que vive há quase 20 na Alemanha. Pouco depois de se mudar para o país, começou a trabalhar em casas noturnas de Hamburgo, tocando música do gênero chill-out, música eletrônica que favorece o relaxamento. Esse é um termo da música eletrônica, da musica ambiente, do Techno. Pois o DJ trabalhava na noite fazendo sons assim até que, um dia, resolveu incluir música clássica na seleção. Ele experimentou tocar música de Erik Satie junto do mix chillout e viu que funcionou. Isso se tornou uma marca registrada dele – discotecagem eletrônica com toques de clássicos – até que, anos depois, resolveu testar uma noitada só de música clássica em casas noturna. Isso foi em 2001, em Hamburgo, assim nasceu a festa Le Classique Abstrait.
Você encontra mais informações sobre a festa Le Classique Abstrait, organizada pelo DJ Raphael Marionneau, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens. Casas noturnas recebem clássicos: festa Nonclassical, de Gabriel Prokofiev (Londres)
November 08, 2011 04:08 AM PST
O Anuário VivaMúsica! compila informações do meio clássico brasileiro, dados de contato de pessoas e organizações que compõem, digamos assim, a cadeia produtiva da música de concerto no Brasil: escolas, orquestras, festivais, espaços musicais, sociedades, produtores, realizadores e muito mais. Eu organizo e edito esse livro desde o longínquo 1998 e, de uns anos para cá, passei também a publicar artigos especiais. A edição 2011 tem uma reportagem grande – são mais de 30 páginas – sobre projetos internacionais inovadores na apresentam música clássica para juventude de maneiras diferentes do concerto tradicional. Minha ideia foi formar um panorama, uma vitrine, que ainda não estavam ainda montados. Acompanho com de perto e com interesse esse tema e ainda não vi os projetos elencados no Anuário juntos em outra reportagem. Nesse sentido, o Brasil está dando uma contribuição importante para essa discussão. Um dos projetos que selecionei para publicar no Anuário foi a festa Nonclassical, realizada pelo compositor e DJ Gabriel Prokofiev em Londres. Se o nome Prokofiev fez você pensar em parentesco com o compositor de “Pedro e o Lobo”, acertou! Ele é neto do russo Sergei Prokofiev e alinha com o avô na escolha profissional. Morando desde sempre na Inglaterra, Gabriel, ou Gabriel em português, tem 35 anos de idade é compositor e também empreendedor. Ele tem uma iniciativa chamada Nonclassical (Não clássico, em português), vem a ser uma gravadora de discos e uma produtora de noitadas em casas noturnas. Gabriel é um dos arautos da quebra de gelo no entorno da música clássica. A festa Nonclassical acontece mensalmente desde 2004 em pubs londrinos, já tendo sido apresentada em outros países. Nessa festa, só toca música clássica contemporânea, seja ao vivo, em apresentações curtas de artistas, seja gravada, na discotecagem do próprio Prokofiev. Foi muito interessante o papo que batemos por email para a entrevista que publiquei no Anuário. Esse rapaz está fazendo muito pela cena contemporânea na Inglaterra e inspirando muitas outras pessoas a fazerem o mesmo em outros países. O principal elemento motivador para criar uma festa Nonclassical no circuito noturno de Londres foi porque os amigos de Gabriel Prokofiev não iam aos concertos ouvir o trabalho. Foi um pouco aquele velho conceito de “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai à Maomé”. Uma das coisas que perguntei a ele foi porque demorou tanto a surgirem projetos que fujam ao protocolo do concerto tradicional uma vez que há tantos indícios da necessidade de testar novos formatos, especialmente para chegar às plateias mais jovens? Passo a palavra a Gabriel Prokofiev: “Existe algo importante que impediu a música clássica de ser mais avançada e “contemporânea” na forma em que se apresenta: a natureza institucionalizada do mundo dos clássicos. Há um sistema sólido que não quer mudanças. Faculdades, orquestras e salas de concerto são organizações que fazem um trabalho maravilhoso, muitas são financiadas por governos. Entretanto, nenhuma parece querer sair de seu ambiente de conforto – pelo menos, não com frequência.” Achei interessante essa linha de raciocínio do neto de Sergei. Você encontra mais informações sobre a festa Nonclassical, organizada mensalmente por Gabriel Prokofiev em pubs londrinos, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens. Salas de concerto adaptadas ao novo: a série de câmara do Lincoln Center (EUA)
November 08, 2011 04:04 AM PST
Hoje eu vou contar pra você como o tradicional Lincoln Center de Nova York – o complexo cultural de artes que abriga, entre outras, a Metropolitan Opera House, a Filarmônica de Nova York, a Juilliard School, o New York City Ballet – bem, como o Lincoln Center está dando sua colaboração para atrair novos públicos para a música clássica. Vou falar da série “Late Night Rose”, organizada pela Sociedade de Música de Câmara do Lincoln Center. Esse é um dos projetos que o Anuário VivaMúsica! 2011 aborda em uma reportagem especial. O dossiê trata justamente de novos formatos de apresentar música clássica, em especial para a juventude. Além dessa reportagem especial que reúne vários projetos internacionais inovadores, o Anuário 2011 traz., como sempre, listagens com dados de contatos de pessoas e organizações que fazem a música clássica acontecer no Brasil, além de recursos técnicos dos principais espaços para concertos no país. Tenho comentado aqui na MEC FM a respeito de alguns desses projetos inovadores, considerando o quanto eles podem inspirar profissionais brasileiros a ter iniciativas semelhantes e também divulgar estas novas ideias entre o público de clássicos. O tema hoje, então, é a série “Late Night Rose”, do Lincoln Center. A Sociedade de Música de Câmara do Lincoln Center é uma organização bastante tradicional em Nova York e apresenta uma série de recitais às seis e meia da tarde muito disputada chamada The Rose Studio Concerts, costuma ter ingressos esgotados com dois anos de antecedência. Recitais tradicionais, realizados no Rose Studio do Lincoln Center, cadeiras dispostas como em um auditório, iluminação típica de auditório. Como sói acontecer no mundo dos concertos, os músicos entram em silêncio, são aplaudidos, sentam-se no palco, tocam o repertório, terminam de tocar, a plateia aplaude e termina o espetáculo. Muito bem. Acontece que a Sociedade de Música de Câmara do Lincoln Center teve uma ideia para buscar atrair novos públicos. Repetir o recital em um segundo horário no mesmo dia, um pouco mais tarde, e mudar a ambientação do auditório. Assim nasceu a série “Late Night Rose”, que, como diz o nome, acontece mais tarde (Late night, tarde da noite). São os mesmos músicos e o mesmo repertório apresentado mais cedo, com importantes modificações no ambiente. Saem as cadeiras em forma de auditório, entram mesas na forma de café concerto. A iluminação é trabalhada no ambiente e nas mesas, que recebem velas. Um apresentador conduz o espetáculo, conversando com músicos. E todos recebem uma taça de vinho de cortesia. Os recitais do “Late Night Rose” são transmitidos pela internet e também em aplicativos para iPhone e Android. O próprio Lincoln Center diz que o objetivo não era necessariamente atrair público jovem, e sim público de variadas idades que ainda não frequentavam a casa por conta do horário ser cedo, das regras rígidas de etiqueta e outros motivos. O objetivo dos organizadores foi “oferecer aos amantes da música de câmara uma experi¬ência de concerto alternativa “ . A informalidade da série “Late Night Rose” deu certo – público e músicos estão adorando a experiência. O Wall Street Journal mandou um crítico assistir aos recitais do mesmo conjunto nos dois horários – o crítico preferiu o Late Night Rose – achou as inter¬pretações mais orgânicas e o con¬certo mais leve e alegre. Você encontra mais informações sobre a série Late Night Rose, organizada pela Sociedade de Música de Câmara do Lincoln Center, em Nova York no Anuário VivaMúsica! 2011 Orquestras & elementos do pop: em Hamburgo, chill-out no foyer após o concerto
November 08, 2011 04:01 AM PST
O comentário de hoje faz parte de uma série de comentários dedicados aos projetos internacionais que implementaram novos formatos de apresentar música clássica para jovens, buscando outras fórmulas que não a de concertos para juventude como os conhecemos aqui no Brasil. Esse assunto veio à baila no Anuário VivaMúsica! 2011, livro que eu organizei e editei, voltado ao uso de profissionais que atuam no meio da música clássica brasileira. Tem uma reportagem especial reunindo justamente 13 projetos que acontecem no mundo já há alguns anos. A ideia de abordar esse assunto tão relevante da renovação de plateias veio como maneira de incentivar profissionais brasileiros dos clássicos a experimentar novas fórmulas. Não à toa, eu chamei essa reportagem especial de “Concertos para a juventude versão 2.0”. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni nessa reportagem do Anuário. Hoje, vou falar de uma série organizada na Alemanha pela Orquestra Filarmônica de Hamburgo que monta um lounge do estilo chill-out após os concertos que realizada em seu hall sinfônico.
Pois na cena noturna da cidade de Hamburgo existe um DJ francês que se especializou em montar lounge sonorizando com este estilo de discotecagem chill-out, chamado Raphaël Marionneau. Pois o Raphël, que é uma figura consolidada no mundo das casas noturnas, começou a colocar música clássica também nas mixagens e ficou famoso por isso. Além dos projetos próprios nesse sentido – vou destacar um deles em próximo comentário – ele foi convidado pela Orquestra Filarmônica de Hamburgo para organizar, adivinha o que?, um lounge chill-out após determinados concertos. O nome da série é um jogo de palavras ótimo: Phil & Chill, sendo Phil de Filarmônica e Chill de chillout. A série começou em 2005, foi uma ideia da diretora musical australiana Simone Young, logo depois que assumiu a Filarmônica de Hamburgo. São três edições por ano. Após um concerto regular da orquestra, que termina por volta de dez da noite, o público presente é convidado a esticar em um espaço no próprio teatro, o foyer é ambientado para receber os sons eletrônicos tranquilos de Raphael Marionneau, sofás, pufes, o bar fica aberto. O lounge funciona até uma da manhã. Quem já estava assistindo ao concerto não paga mais para ficar, mas o ingresso é cobrado de quem quiser chegar apenas para o lounge. Você encontra mais informações sobre a série Phil and Chillorganizada pela Orquestra Filarmônica de Hamburgo no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens. Orquestras & elementos do pop: na Suíça, concerto e rave em prédio histórico
November 08, 2011 03:56 AM PST
Um dos trabalhos de comunicação que eu realizo na área de clássicos é a edição e organização de um anuário voltado para uso profissional dos que lidam com este setor. É o Anuário VivaMúsica!, que compila dados atualizados de pessoas e instituições do Brasil clássico, reúne recursos técnicos dos principais espaços para concertos e costuma trazer sempre artigos especiais que digam respeito ao negócio da música clássica e funcionem como combustível para reflexão dos que compõem a cadeia produtiva dos clássicos no Brasil. A edição 2011 do Anuário VivaMúsica! tem uma reportagem especial sobre novos formatos para mostrar música clássica para a juventude. Eu reuni projetos internacionais que já têm uma bela história de sucesso para contar e, assim, inspirar brasileiros a implementar novos canais de contato com a juventude. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni nessa reportagem do Anuário. Hoje, vou falar de uma série organizada na Suíça, pela Orquestra Tonhalle de Zurique. A série se chama tonhalleLATE e é voltada prioritariamente para o público jovem que frequenta casas noturnas e raves. Mas, peraí, uma orquestra organiza uma rave? Como assim? É isso mesmo...e dá muito certo. Explica-se. Essa ideia foi do hoje septuagenário diretor musical e regente David Zinamn, que está à frente da orquestra suíça desde meados dos anos 1990. Zinman, que tem uma cabeça abertíssima, já chegou trazendo essa ideia, porque tinha testado em outra orquestra que havia dirigido. Quando estava ainda em Baltimore, nos Estados Unidos, ele testou um formato engraçado: resolveu fazer um concerto com entrada proibida para maiores de 25 anos, pra ver se, assim, com a garantia de uma sala de concerto só de garotada, os jovens da cidade se animavam a frequentar os concertos. E, depois do concerto , foi oferecida uma festa com pista de dança varando a madrugada. E deu certo. Pois quando David Zinamn levou a ideia de fazer algo semelhante na Tonhalle de Zurique, os suíços ficaram muito reticentes, mesmo a experiência anterior tendo sido um sucesso. Havia o temor de oferecer uma festança no centenário teatro da orquestra, os jovens poderiam dilapidar o patrimônio. Levou alguns anos até que Zinman conseguisse convencer a orquestra Tonhalle para testar um formato de concerto em que houvesse, em seguida, uma festa. Em 2002, finalmente nasceu a série que foi chamada de tonhalleLATE – tonhalle é o nome da orquestra e LATE quer dizer, em inglês, tarde. Ou seja, um concerto que acontece mais tarde do que o habitual. As portas do teatro abrem às nove da noite, tem música traquila tocada por DJ. As dez, acontece o concerto, que traz o mesmo repertório que a orquestra executa normalmente, apenas o horário é mais tarde. Por volta de onze e quinze, terminado o concerto, começa uma festa dançante no foyer do teatro, um prédio construído no final do século 19. A orquestra contratou um produtor de festas para organizar a noitada que tem DJs da própria cidade e vindos de lugar badalados como Ibiza, projeções de vídeo e muita música eletrônica. O slogan da festa que acontece até três vezes por ano é “Classic meets electro”, em português, “Música clássica encontra a música eletrônica”. Você encontra mais informações sobre a série tonhalleLATE organizada pela Orquestra Tonhalle de Zurique no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens. Orquestras trazem elementos do pop: Sinfônica de Londres organiza balada
November 08, 2011 03:53 AM PST
Faz um tempo que eu organizo o Anuário VivaMúsica!, um livro que se propõe a reunir informações de contato do meio clássico brasileiro e a incentivar o pensamento sobre o negócio dos concertos. Por isso o seu slogan é “o guia de negócios da música clássica brasileira”. A edição 2011 publica uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores que apresentam clássicos para jovens de maneiras alternativas ao concerto tradicional. Eu fui buscar exemplos em quatro países, totalizando 13 projetos. Eu chamei esse especial de “Concertos para a juventude versão 2.0”. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni na reportagem do Anuário. Hoje, vou falar de um evento realizado pela Orquestra Sinfônica de Londres, chamado Aftershock. A capital da Inglaterra é a cidade do mundo que mais oferece programas diferenciados de clássicos na noite. E não é de hoje que os londrinos têm oferecido opções diferentes de música de concerto no circuito noturno – em 2001 já acontecia coisa por lá. Dez anos depois, a cena noturna clássica em Londres é bem fervida, pra usar uma gíria da juventude. Há uma oferta generosa de programas clássicos organizados em casas noturnas, teatros de rock e, claro, organizados também por orquestras. Existe um evento interessante oferecido pela Orchestra of the Age of Enlightenment, que eu já comentei aqui, e há também essa série da London Symphony, nosso tema de hoje. O Aftershock é uma festa que começou a ser organizada em maio de 2011, super recente. Ainda pra usar uma gíria jovem, o Aftershock é uma espécie de balada pós-concerto que acontece no subsolo do Barbican Centre, sede da orquestra. É escolhido um determinado concerto regular da temporada e, quando os aplausos terminam, existe a possibilidade do público esticar a noite em um programa no mesmo endereço, apenas em outro salão, que mistura integrantes da própria orquestra, músicos convidados e DJs que tocam clássicos e música eletrônica. Se esse evento já seria bacana por si próprio, fica ainda mais interessante por ser parte de um criativo programa da orquestra chamado Pulse, que seleciona universitários que já gostam de música clássica para que atuem como espécie de embaixadores junto a amigos e colegas que ainda não conhecem o circuito de concertos. Uma ideia ótima essa dos embaixadores jovens, bem possível de implementar em orquestras aqui no Brasil. Você encontra mais informações sobre a série Pulse e a balada pós-concerto Aftershock, ambos organizados pela Orquestra Sinfônica de Londres no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens. Orquestras trazem elementos do pop: o exemplo da série Music Now (Chicago)
November 08, 2011 03:48 AM PST
O Anuário VivaMúsica! é o guia de negócios da música clássica que eu organizo faz alguns anos, com contatos do meio musical brasileiro e também artigos especiais. A edição 2011 traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores que apresentam clássicos para jovens de maneiras alternativas ao concerto tradicional. No total, são 13 projetos em quatro países. A reportagem possibilita um panorama muito interessante sobre esses novos caminhos para a música clássica chegar à juventude. Eu chamei esse especial de “Concertos para a juventude versão 2.0”. Estou comentando aqui na MEC FM projetos que reuni na reportagem do Anuário. Hoje, vou falar de uma série realizada pela tradicional Orquestra Sinfônica de Chicago, nos Estados Unidos. A série se chama Music Now, Música agora, em português. O repertório executado é somente de música de compositores do presente, que muitas vezes estão lá para conversar coma plateia. Essa série existe desde 1998. Acho bem interessante essa compreensão da Sinfônica de Chicago quanto ao papel de interface que a música contemporânea tem o dom de fazer no sentido de atrair novas plateias. Eles não focam necessariamente o público jovem nessa série de concertos, e sim públicos de todas as idades que buscam uma experiência musical diferenciada, que gosta de novidades artísticas em geral. Esse desejo pelo novo é muito comum na juventude, mas claro que acompanha muitos de nós pela vida toda. Se a música do presente tende a despertar menor grau de atração junto aos espectadores mais tradicionais das orquestras – o gosto médio do frequentador de concertos sinfônicos tende a concentrar-se nos repertórios clássico e romântico –, a produção contemporânea tem facilidade de diálogo com os públicos que valorizam expressões artísticas inovadoras. Essa série, por exemplo, já recebeu grupos como a companhia de dança Hubbard Street Dance Chicago e convidados como o folclorista angolano Victor Gama. Importante frisar que a série acontece fora da sala de concertos da orquestra, apesar de todos os músicos fazerem parte da Sinfônica de Chicago. O palco escolhido é o do Harris Theatre, um espaço que estabelece parcerias com diversas instituições culturais daquela cidade.
Você encontra mais informações sobre a série Music Now da Orquestra Sinfônica de Chicago no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens.
November 08, 2011 03:42 AM PST
O Anuário VIvaMúsica! 2011, que eu organizo anualmente faz algum tempo, com contatos do meio musical brasileiro, publica uma reportagem especial. Projetos internacionais inovadores que apresentam clássicos para jovens de maneiras alternativas ao concerto tradicional. No total, são 13 projetos em quatro países. Hoje vou falar sobre a série The Night Shift, em Londres, organizada desde 2006 pela Orchestra of the Age of Enlightenment, uma orquestra que toca em instrumentos de época e não tem diretor musical, as decisões artísticas são tomadas coletivamente pelos músicos. A ideia de organizar um programa voltado especialmente para público jovem surgiu a partir de três questões. Primeiro, a orquestra tinha organizado uma serie de concertos com repertório que se ouvia na Paris do século 18. Nessa época do passado, a ida ao concerto era uma experiência bem diferente da de hoje em dia. Era comum as pessoas conversarem, entrarem e saírem da sala....assistir música clássica ao vivo no século 18 não exigia que se ficasse sentado em silêncio. Pois quando a orquestra inglesa mostrou repertório francês do século 18, não chegou a recriar o ambiente junto à plateia. Eles só se deram conta disso depois que a série tinha acontecido e ficou a vontade de experimentar recriar aquela ambientação informal. Na mesma época, a orquestra tinha acabado de lançar um pacote de venda de ingressos com preços mais baratos justamente para atrair público jovem e estava em busca de ideias para programas voltados à juventude. Daí nasceu a ideia de criar uma serie em que a etiqueta dos concertos fosse relaxada, mas a qualidade do repertório e os músicos fossem iguais aos concertos regulares. Assim a Orchestra of the Age of Enlightenment criou um evento chamado The Night Shift, em português “Turno da noite”. O nome tem a ver um pouco com o horário do evento, que é tarde pro padrão de Londres, onde os concertos costumam ser às 19h30. The Night Shift começa às nove e vai até meia-noite, uma da manhã. O concerto é o ponto central da coisa. Antes do concerto, no foyer do teatro ou no bar, há sempre uma apresentação ao vivo de músicos folk, pop ou jazz. O concerto tem um apresentador que conversa com músicos e recebe perguntas da paletias, as luzes da sala recebem um tratamento diferenciado, o público pode entrar e sair quando quiser....e pode entrar com bebida na sala. É permitido trocar impressões sobre o concerto com quem está ao lado, exatamente como em shows de outros gêneros musicais. Depois do concerto, um DJ toca músicas típicas de casa noturna, mas em ambiente de pista, mas para que as pessoas possam conversar, beber algo, encontrar os músicos. The Night Shift acontece quatro vezes por ano e já é reconhecido na Inglaterra como uma importante iniciativa para formação de plateias. Um terço do público é formado por estudantes universitários e 85% têm menos de 35 anos de idade. A divulgação é feita basicamente pelas redes sociais Facbeook e Twitter. Os músicos da orquestra gostam da experiência de tocar em um ambiente menos formal, dizem sentir uma energia diferente vinda da plateia jovem. A orquestra faz pesquisas regulares como esse público novo que frequenta o evento. Você encontra mais informações sobre esse interessante evento The Night Shift, organizado em Londres pela Orchestra of the Age of Enlightenment, no Anuário VivaMúsica! 2011, que traz uma reportagem especial sobre projetos internacionais inovadores voltados para jovens. Next Page |
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